Arqueiro-Verde e Black Smoke - A vida é bem mais
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Quando abri os olhos ainda não respirava e meu coração estava parado. Os olhos de Oliver me encaravam com espanto e mantive o olhar sob o dele.
– Elizabeth? — Ele diz com cautela
– Mexeu em mim. — Digo fingindo uma confusão irritadiça.
Ele franze o cenho.
– O que?
– Mexeu em mim. Tocou na tatuagem. Minha mãe me obrigou a fazê-la e eu espero seriamente que não tenho exibido aos seus amigos ao pé da cama. — Comento com os olhos ainda fixos nele
Ouço um expirar forte.
– Gostaria de saber como ela fez isso. — Murmura uma voz grave
Oliver sai de cima de mim e me deixa sentar, pisco os olhos para que deixem de estar negros e sacudo a cabeça começando a tossir.
– O que? — Arregalo os olhos
Batman e Mulher Maravilha. Os encaro. Olho Oliver.
– Você tem amigos bem interessantes, querido. — Murmuro e meus olhos voltam a ficar negros — Caralho... Não acredito que trouxe o Morcego gigante até aqui ainda mais que esse homem parece um milionário que vive de sexo.
Diana se aproxima desconfiada e sacudo a cabeça colocando as mãos nela.
– Ai, Perséfone maldita... — Resmungo — Devia ter ficado em Londres...
– E ficar na mira do seu ex-louco? — Oliver indaga meio ofendido
O olho com algum amargor que não pude compreender.
– Não estou reclamando de você, homem. O problema é que eu estaria melhor sem conhecer uma Canário Negro enlouquecida tentando matar tudo que se movesse, sem encontrar aquele tesão de verde, sem virar refém de esqueletos. Merda, Oliver, esqueletos! — Digo irritada levantando da cama e cambaleando e me apoiando na parede, solto um palavrão em francês.
Ele sorri um pouco.
– Me acha um tesão de verde. Que bom saber. — Comenta
Arqueio a sobrancelha e meus olhos voltam ao negro.
– Preciso de comida. — Digo passando por Diana e seguindo para a porta antes de ser barrada pelo corpo do Batman. — Você parece incrivelmente suculento, querido, mas garanto que o Oliver ficaria com ciúmes se eu o mordesse. Sai da frente.
Ele me analisa e meus olhos voltam ao normal, sacudo a cabeça e dou um passo pra trás com os olhos meio arregalados.
– Ela está em conflito consigo. Acho que Hades está tentando controlá-la. — Ele diz
– Não fale de mim como se eu não estivesse exatamente na sua frente.
Sinto o toque de Diana na marca de Perséfone que era gravada no fim da minha cintura. Ela saberia de mim com esse toque, era a merda de conhecer outro semideus dos grandes.
– Sua mãe deve ter te dado alguma educação. — Digo ao morcegão que me fuzila e sorrio
– Você... Você já sabia do seu pai. — Diana diz — Essa marca de Perséfone foi gravada em um ritual de benção.
Sorrio perigosa e faço todo o quarto ficar completamente encoberto pela fumaça. Ouço as tosses. Apareço atrás do Bruce.
– Continua bem sexy, Bruce. Precisa encontrar uma mulher logo. — Sussurro e rio desaparecendo quando ele tenta me atacar, fazendo com que fosse de cara com a parede
Rio de uma maneira que só eu sei. Deixo meu corpo tão intangível quanto a fumaça. Apago Diana com um sonífero que uso para dormir, ela seria o pior se eu tentasse lutar sozinha.
– Cadê?! — Ouço Oliver gritar enfurecido, apareço a sua frente.
– Oi, docinho. — Digo olhando-o nos olhos, o mantenho hipnotizado — Você não pode reclamar. Fez o que o Morcegão não conseguiu... Dormiu com a freelancer. — Digo provocativa
Ele sacode a cabeça e me ataca, decido que posso me divertir quando faço Batman inalar mais da fumaça e apagar. Volto a ficar tangível e passo a me defender dos golpes do Oliver. O olho um tanto surpresa. Passo a atacá-lo sem brincar mais.
– Está surpresa com o que? — Ele rosna enquanto acertava um chute no meu estômago e outro no meu queixo
Cambaleio para trás e retomo o equilíbrio, saltando e girando no ar, acertando seu rosto com um chute certeiro que arrancou um pouco de sangue do mesmo. Quando caio no chão, impulsiono meu corpo para que o mesmo girasse e eu aproveitasse a perna estirada para dar-lhe uma banda. Perdendo parte do equilíbrio, Oliver atirou uma flecha contra mim sem que eu nem percebesse seus movimentos, mas pude desviar a tempo. Virou uma porra de cena de Matrix! Desviava das flechas como uma puta desviando a amiguinha de fazer dinheiro de jatos de esperma. Aproveitei uma única brecha e chutei sua mão, lançando seu arco longe e cai por cima dele. O tinha nas mãos enquanto um par de fumaça se tornava tangível o suficiente para segurá-lo no chão.
– Quem te pagou pra fazer isso? — Ele pergunta
– Canário. — Digo breve — Pareceu extremamente interessada.
Oliver me olhava como se aquilo fosse impossível, mas todos um dia se voltavam às regras. Podia ver muita coisa pelo ângulo em que estava... Sua angústia, sua dor, sua confusão. Ele me olhava nos olhos, o cretino parecia querer olhar o mais fundo possível deles como fez no breve encontro que tivemos.
Tomei fôlego, mas fiquei parada.
**********POV Oliver**********
Não sei com o que estava mais confuso. Com o fato de saber que Dinah a contratou para me matar. Com o fato de que fui eximiamente enganado por ela... Ou com o fato de que estava buscando nos olhos dela algo que vi quando nos encontramos na saída da mansão Wayne e não sei porque perdi de vista quando a trouxe do galpão.
Esperei que soprasse o veneno e me matasse. Esperei que não visse que Dinah me afetava como o inferno, mas até um retardado saberia disso. Eu esperei... Ela continou me olhando. Pude sentir que desprendia meus tornozelos e notei que fiquei parado. A estava encarando.
– Eu sabia que estava em algum lugar... — Ela murmura — Tem uma linha do tempo cruzada no seu destino. — Diz chegando mais perto
Não posso me mover. Não sei ao certo se é pela sedução que a marca de Perséfone lhe dava, mas estava travado como a primeira vez que olhei nos olhos de Dinah e percebi que muita coisa fazia sentido. Mas Elizabeth não fazia.
– Não consegue me matar ou não é tão fria quanto achava? — Pergunto
Ela se afasta como se levasse um tapa.
– A dor de um homem te faz fraca? Existe compaixão ai dentro? — Sinto que ela me prende novamente
Permanecia indecifrável, inexpressível. Tão boa quanto Bruce ou eu. Então, ou ela sofreu, ou não teve muita escolha.
– Você quer morrer, Oliver Queen? — Ela soa séria e quase desinteressada
– Colocar uma máscara agora não vai te ajudar.
Ela ri de lado. Sua risada esquisitamente sinistra e que de alguma maneira me agradava.
– Eu não preciso de máscaras, Oliver... — Ela sussurra e desliza uma unha por minha garganta e seu sorriso some — Não posso matar você até falar com Perséfone. — Diz como uma explicação mais para si do que para mim
A observo.
– E depois? Ela vai mandar que me mate e o que fará?
Ela sorri, mas não vejo o sorriso chegar aos seus olhos.
– Eu obedeço. É pra isso que estou aqui. — Diz e se faz sumir junto de toda a fumaça.
Esfrego o rosto enquanto ouço Diana e Bruce se levantarem com desespero, levanto a mão para saberem que estou bem. Diana vem até mim.
– Você a matou?
– Não... Ela me tinha nas mãos. — Digo
Diana não precisou falar nada para que eu soubesse o que ela achava e me levantei, indo para o banheiro enquanto Bruce passava algum aparelho pelo quarto.
Lavei o rosto sem condições de pensar em muita coisa. Me olhei no espelho por um momento... Meu reflexo parecia um terror, como se eu houvesse ganho uma surra.
– Oliver... — Ouço a voz do Bruce — Vem conosco. Aqui não está seguro e pelo pouco das cicatrizes que ela me deixou, não desiste fácil.
Abro a porta.
– Ela tentou te matar?
– Uma vez... Não sei quem contratou e ela só não matou porque algo a puxou para casa no exato momento.
*********POV Elizabeth*********
– Perséfone! — Grito com violência causando desconforto aos pulmões
A mulher morena e sexy aparece perfeitamente nua à minha frente. Seu olhar é cauteloso e a distância favorável apenas para ela.
– Eu não podia revelar algo que não controlo... — Ela se defende — É do destino real dele estar com essa Canário Negro. Entretanto, sua alternativa seria você...
Pisco calmamente e observo quando os mortos começam a dançar pela casa. Não ia explodir... Não ia.
– Uma explosão sua e muitos inocentes conhecerão seu pai, Elizabeth.
Enfiei as mãos no cabelo e respirei fundo, resfolegando algumas vezes com medo de explodir e soltar toda a toxina ácida da minha fumaça. Me ajoelhei e fechei os olhos cantarolando um cântico antigo que acalmava bestas bem mais agressivas e perigosas que eu... Olhei Perséfone e permaneci séria.
– Arranque. — Eu disse
– O que? — Ela me olhava aterrorizada
– Arranque tua marca. — Falo me levantando e seguindo pra mais perto dela.
Perséfone dá alguns passos para trás.
– É a única coisa que mantém você sob controle... — Diz — Você quer que eu deixe de saber? É isso?
– Bom, ou você faz e honra o amor que tu sente pela tua mãe, ou falarei com ela. — Ameaço.
Seus olhos se tornam negros por um segundo e perco a sensação de ser vigiada. Se ela sabia das coisas e não pensava em compartilhar então não precisava que eu a deixasse saber das coisas. Encaro-a por mais um segundo e sigo para o banheiro. Iria me vestir adequadamente e sairia em busca da mulher que encomendou a morte do Oliver... Eu queria saber se ela tinha noção do assunto quando veio até mim ou se era apenas mais uma das muitas heroínas que não aguentava mais ser certinha.
**********POV Oliver**********
Me enfiaram numa sala de observação mesmo que eu relutasse dizendo que estava bem... Fiquei olhando o corte que ela fizera do meu pescoço ao queixo quando desligou a unha pelo local. Em minha mente podia ver Dinah e Elizabeth, lado-a-lado, olhando para mim. Dinah parecia furiosa, Elizabeth me olhava sem expressão. Quando dei por mim, já havia espatifado o espelho e John murmurava algo atrás de mim. O olhei.
– Oi... Incidentes. — Comento olhando os cacos
– Claro... — Murmura — Posso ajudar com a mente, Oliver, não com o resto.
"Diana e sua grande língua que dá nos dentes." — Penso. John sorri por um breve segundo.
– Não foi ela. Bruce só precisou dizer: John, Oliver conheceu Blake Smoke e a olhou como se fosse a Canário. — Recita e move as sobrancelhas
Coço a cabeça. Não estava acontecendo de verdade, sabia que problemas me atraiam como o inferno na Terra, mas assim? Elizabeth era uma femme fatale sem precisar de muito, na verdade, não precisava de nada. Não precisava de mim, nem de Perséfone, nem do que quer que fosse. Por isso era uma freelancer tão boa em tudo, mas preferiu enrolar, não quis me matar e nem toda a inexpressividade do mundo esconderia isso dos olhos dela. Os olhos... — Penso e passo por John correndo procurando por Diana.
– O que?! — Barry pergunta se intrometendo
– História. — Respondo — Diana, você deve saber algo... Uma linha cruzada nos olhos dela. Ela disse que tinha algo assim no meu, mas não posso ver. Então pode ter me envenenado e...
– Ela não ia te envenenar, Olie... — Diana diz meio surpresa — Não, o destino de vocês foi cruzado. Uma realidade alternativa, pode ser um dano depois da voltinha rápida do Barry pelas dimensões. — Ela começa e vai até o computador ampliar a imagem da câmera de segurança do meu quarto e aumenta o quadro, melhorando o foco, nos olhos dela... Uma linha cruzada em vermelho vivo naqueles olhos tão azuis. — Você vê algo?
Faço que sim quase incapaz de falar. Tudo o que eu sabia era que naquela linha vermelha eu a via. De verdade. Alguém com um sorriso sincero, com um olhar diferente, como se fosse feliz. Aquilo me espantava. A ideia de felicidade aparentemente sem motivos. O fato de que eu podia ver que ela devia ser diferente do que era, mas no fundo sei que não seria tão interessante.
– A vê? — Ouço Diana, mas não era comigo
– Oliver, Elizabeth e Dinah parecem estar destruindo o centro. — Bruce diz — Você terá que ir sozinho, vamos há Gotham deter uma rebelião de supervilões.
Faço que sim, mas não sei o que fazer... Deveria salvar Dinah primeiro ou manter Elizabeth viva pra descobrir o que ela tinha pra falar dessa linha vermelha.
*********POV Elizabeth*********
– Vadia, vadia. Acalme-se. Quero saber quem mandou você me contratar! — Grito com ódio enquanto lanço uma onda de fantasmas na fumaça em direção a ela.
Canário ri, ela me ataca com golpes certeiros e eu desvio, atacando-a de forma igualmente certeira. Ficaríamos nisso para sempre enquanto destruíamos a cidade.
– Eu a contratei porque sim. — Ela diz
– Dinah, você é uma nada, nunca saberia de mim sem alguém que já me conhecesse.
Dinah ri.
– Nada? — Indaga e grita
Coloco as mãos no ouvido enquanto reúno forças e faço com que o fantasma da mãe dela apareça. O grito para e deixo toda a cidade coberta pela fumaça.
– Ma-mãe. — Dinah murmura saindo do transe por um segundo e me olha — Exter...- Ela começa, mas começa a levar choques de altíssima voltagem e desaparece enquanto vou perdendo os sentidos e deixando tudo coberto pela fumaça e fantasmas.
Meu corpo tremia e eu respirava difícil, precisava me acalmar. Comecei a cantarolar na esperança de que funcionasse quando senti a aproximação de Oliver.
– Elizabeth? — Pergunta apontando uma flecha para mim
O ataco, mas estou zonza, desajeitada. Ele lança uma flecha e desvio, mas me atinge com o arco e perco o equilíbrio. Sinto que a fumaça volta para mim e a última coisa que vejo é o rosto dele.
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