Arqueira perdida

3 Um presente inesperado


Hanna

Estávamos andando pela floresta gelada e só naquele momento percebi que Meth estava armada assim como Sam. Ele estava com uma espada de um prateado estonteante e um punho de couro reforçado. Ja a de Meth possuia a lâmina prateada de um lado e dourada de outro e o punho também de couro, mas com algumas pedras preciosas encrustadas.

— Porque vocês estão armados? Porque eu nunca os vi com isso antes? E mais importante ainda, porque eu não tenho nada?

— Hanna, escute. – disse Sam suavemente. – Eu e Meth usamos essas armas porque fomos treinados...

— Treinados? – interrompi – Como assim, nós temos 15 anos é claro, mas ainda faltam uma semana para podermos escolher o que queremos fazer.

— Olha Hanna, nós prometemos te contar tudo no caminho, mas espere somente até acamparmos, por favor. – disse Meth, claramente segurando a raiva em sua voz. – Está de madrugada e estamos cansados.

— O.k então, mas eu quero tudo nos mínimos detalhes!

— Tudo bem. – Responderam em uníssono

Continuamos andando, mas alguma coisa naquele lugar não estava certa. Eu andava por aquele bosque quase todos os dias, e tinha certeza que havia algo diferente. Não sei. Devia ser impressão já que estávamos no meio da madrugada. Mas continuava atenta, até que ouvi um leve barulho vindo das arvores e parei.

—O que foi Hanna? – Perguntou Meth.

—Vocês ouviram esse barulho?

—Que barulho? Você deve estar ouvindo coisas. – Disse Sam!

—Não eu juro que ouvi...

Antes de terminar a frase um menino bem magro saiu de trás dos arbustos, a clareira em que estávamos era pequena e escura, por isso não pude ver a silhueta do garoto perfeitamente. Não reconheci de inicio, mas percebi que se tratava de um dos protegidos do castelo. Sam nem Meth perceberam isso e levantaram suas espadas, eu logo os impedi.

—Não...

—Hanna fique atrás de mim. – Disse Sam.

— Olha eu não sou nenhuma dama indefesa ok?! Não preciso que ninguém me proteja.

Fui chegando perto da figura magra que se escondia nas sombras e percebi que ele estava com um Arco nas mãos e uma Aljava com no minimo duas dezenas de flechas. Continuei me aproximando.

—Hanna, volte aqui garota!. – Disse Meth com aquele tom autoritario.

— Espere. – Respondi olhando para trás!

— Qual é seu nome garoto?

O pequeno garoto agora ia criando forma entre as sombras, e percebi que ele era mais forte do que parecia, tinha cabelos loiros lisos e olhos completamente pretos.

— Meu nome é Diego. – declarou simplesmente.

— Você é um dos protegidos do castelo, não é?

— Sim, mas eu sou novo e quase ninguém me conhece por lá. Por isso que o Barão pediu para eu seguir vocês.

— E porque ele te pediria isso? – Perguntou Sam ainda desconfiado.

— Para entregar esse arco e essa aljava para ela.

Ele disse isso apontando pra mim, eu quase tinha me esquecido do arco-e-flecha, mas agora que olhara direito, ele era completamente diferente, quase todo arco formava uma curva comprida, como todos os outros, mas suas pontas eram viradas na direção contrária, o peguei das mãos do garoto. Ele era escuro, mas totalmente leve e se encaixava direitinho em minhas mãos!

— O Barão mandou esse arco para mim? – indaguei quase sem ar.

— Sim. –respondeu o garoto. – E não, foi o chefe dos arqueiros Gilian que mandou lhe entregar, ele falou que você tem uma grande habilidade com isso, e me mandou entregar essa capa e esse cinto com uma bainha dupla também.

Ele retirou a capa que usava, ela era manchada de verde e cinza, cores que facilmente se misturariam com a paisagem natural de Araluen, continha um capuz, eu supus que era para me proteger do frio ou algo parecido, vesti a capa, peguei o cinto com duas facas, e peguei o arco recurvo das mãos do garoto, se encaixava tão bem em minhas mãos que parecia que era meu há muito tempo.

Fui agradecer ao garoto, mas quando olhei, ele já tinha ido embora.

— Vocês acreditam nisso? O chefe dos arqueiro! que eu não sabia que existia, mandou me entregar isso!

— Mas a questão é, você sabe usar essa coisa? – Perguntou Meth indiferente e analisando a arma. Pude ver uma pontada de inveja em seus olhos.

— Não sei exatamente.

— Talvez isso ajude um pouco. – Sam disse apontando para um bilhete que só naquele momento havia reparado.

Peguei o bilhete em minhas mãos e li estava escrito o seguinte:

Cara Hanna.
Use esse arco com sabedoria, sei que não treinou com ele, mas sei que você vai pegar o jeito com o tempo. Dentro da aljava tem um punho que é para se colocar no seu braço esquerdo, para te proteger quando você for atirar! Use-o com sabedoria!
Ass: Barão Arald.

Peguei o arco em minhas mãos e fiquei admirando-o por um bom tempo. Até que Sam me chamou, arrancando-me de meus devaneios e disse:

— Hanna, nós vamos acampar aqui, amanhã seguiremos viagem.

Eu apenas acenei com a cabeça e voltei a admirar o arco por alguns segundos.

Montamos o acampamento, comemos algumas rações frias, carne seca e água e fomos deitar. Mas quem disse que eu conseguir dormir? Nunca tinha manejado um arco na minha vida, mas ele se encaixava tão bem em minhas mãos que eu não tive duvida de que era uma arma feita especialmente para mim.

Nunca, em toda minha vida, alguém havia se preocupado em me dar alguma coisa, acho que por isso eu fiquei tão feliz e pela primeira vez na vida consegui dormir tranquilamente.

Notas finais
e ai comentários?