Arqueira perdida
4 Um estranho conhecido
Hanna
Acordei com Sam sentado do meu lado com um sorriso no rosto. Não era bem um sorriso, era um disfarçado, como se ele não quisesse que eu o visse sorrir. Seu cabelo estava todo despenteado, e fiquei me perguntando se ele ficara ali a noite toda. Até que por fim ele disse:
— Você dormiu com um sorriso no rosto.
Levantei-me ajeitando o cabelo e desamassando a roupa, odiava quando alguém me via acordando, por que eu geralmente parecia um monstro muito horrível. meu cabelo ficava armado e meus olhos ficavam com olheiras, parecia que eu tinha entrado em um furação e sido colocada bruscamente no chão novamente.
— Sério? E como você sabe? Você estava dormindo.
— Na verdade eu fiquei aqui quase a noite toda, não conseguia dormir.
Senti meu rosto corar, então olhei para o lado pra disfarçar a vergonha e vi que Meth ainda estava dormindo.
— Que horas são?
— Umas seis da manhã.
— Então aproveitando que Meth ainda está dormindo. – Disse calmamente. – Acho que é hora de você me contar o que está havendo por aqui não acha?
Eu sentia que ele não queria falar, mas o que ele escondia era sobre mim, e eu nunca escondi nada tão grave dele assim.
— Bem, é um pouco complicado explicar, mas vou tentar. – respirou fundo e começou. – Você vem de uma linhagem de pessoas poderosas, seus pais te abandonaram porque não tiveram escolha, eles têm deveres a cumprir, eles são…
Quando ele ia continuando Meth acordou e foi se juntar a nós, acho que ela nem percebeu que estava interrompendo uma coisa muito importante, e mesmo que tivesse reparado não se incomodaria, porque ela é sempre assim. Isso me irritava bastante. Eu ia começar a falar, mas Sam me interrompeu com um olhar de "depois continuamos nossa conversa". Assenti com a cabeça.
— Então o que os pombinhos estão fazendo?
Eu a olhei com bastante raiva no olhar, mas parece que com ela isso nunca funcionava, era como se ela fosse imune ao meu poder de persuasão, não que eu tivesse algum, mas pelo menos com Sam funcionava.
— Eu já te disse pra parar de falar isso.
Sam abafou um riso e logo foi seguido por Meth. E isso com certeza me deixou furiosa. Levantei do saco de dormir pus o o cinto com as facas na minha cintura, amarrei a capa em meus ombros e coloquei o arco atravessado no meu peito e fui andando para a floresta que nos cercava.
— Aonde você vai? – perguntou Meth.
— Vou treinar um pouquinho, já que você não se toca que ele estava me contando uma coisa importante. – disse furiosa e sai andando.
Cheguei a uma pequena clareira, não muito longe de onde estávamos acampados, avistei uma arvore e decidi que era o alvo perfeito.Escolhi uma flecha preta com a ponta de ferro, posicionei a perna esquerda na frente da direita e puxei a corda do arco até meu dedo indicador encostar na minha boca. Eu tinha a impressão de estar esquecendo algo. Soltei a flecha e imediatamente o sua corda se contraiu com meu braço e…
— Ai! – praguejei. – Sabia que
havia esquecido algo.
Peguei o punho que se encontrava em minha aljava e o coloquei em meu braço esquerdo e tentei atirar de novo, agora em um alvo que avistara, um pequeno arbusto, mas com o tronco grande o bastante para a flecha o atingir. Fiz um ponto no meio do tronco e me posicionei como antes. Não sabia se estava certa, mas algo me dizia que sim. Quando soltei a flecha, fiquei surpresa.
— Sorte de principiante – falei em voz alta.
E claro, realmente foi isso, pura sorte, por que as próximas 5 que lancei cairam a pelo menos 3 metros do tronco. Sentei-me em um pequeno tronco e fiquei refletindo aquele momento frustrante.
— Ótimo, nem pra isso eu sirvo– falei comigo mesma.
— Você só precisa de treino.
Me virei espantada e erguendo o arco para me defender, mas logo o abaixei, pois vi que se tratava do mesmo cara esquisito e ranzinza que estava junto com o barão um dia atrás, varias perguntas martelavam em minha cabeça, mas decidi que somente uma era necessária de se fazer.
— Quem é você?
— Você me conhece, só não se lembra de onde.
Ele tinha razão, aquela figura imponente apesar de pequena me lembrava alguém que eu ja vira, não no feudo, e muito menos pela sua fama, como eu sei que ele era famoso? Porque no momento que o Barão pronunciou o nome Will eu o reconheci, mas decididamente não foi de sua fama, pois nunca vi o rosto dele antes, somente naquele momento e esse rosto acordara uma antiga lembrança perdida.Uma lembrança que muitas vezes me perturbava e me deixava nervosa e com medo, não sei como descrevê-la muito bem, pois sempre vinha em sonhos e eles eram interrompidos na metade ou então eu nunca me lembrava deles, mas por mais estranho que aquele cara parecia, ele fazia eu me sentir tranquila, mas as palavras que ele pronunciou antes que eu fizesse alguma pergunta me deixaram sem ação.
— Sim, eu conheço seus pais, e não, não vou te contar agora, no momento certo você vai saber.
E simplesmente desapareceu no emaranhado de arvores ali em volta.
Fale com o autor