Arqueira perdida
31 O fim... Part I
Notas iniciais
Nunca em toda sua vida Hanna se sentira daquele jeito, queria abraçar alguém para se consolar, mas a única pessoa que gostaria de fazer isso estava morta na sua frente, as lágrimas não cessavam, o sangue de Will manchava suas mãos, sua mente estava a mil, não conseguia pensar, só ouvia poucas coisas, como Fred ou Jorge chamando seu nome, escutou um grito desesperado de uma garota, ouvia barulho de espadas brandindo, risadas, mas nada ali em sua volta importava, não queria saber de nada, queria morrer, queria voltar no tempo, queria impedir que tudo aquilo acontecesse e por incrível que pareça não culpava Lucy, não culpava Sam, não culpava as Erínias, não culpava a ninguém, só conseguia culpar a si mesma.
Se não tivesse nascido, se não tivesse crescido, nada daquilo aconteceria, suas mãos no momento não estariam cheias de sangue e Will poderia estar feliz com Alyss, com seu filho que se fora por culpa de ninguém mais ninguém menos do que Hanna, tudo, tudo mesmo era culpa dela, não importava o que diziam, era sim e ela sabia disso. Os gritos, risadas e espadas brandindo ecoavam atrás de si, sentiu alguma coisa passar zunindo perto de sua orelha, por ela que tivesse passado por sua cabeça. Mas agora não adiantava chorar o leite derramado, tudo já havia acontecido, não tinha como voltar no tempo, então um desejo incontrolável de se esfaquear veio a sua mente, tentou lutar contra ele, mas não conseguia, se curvou colocando a mão ensangüentada em sua barriga, alguma coisa estava errada.
Não, não era ela que tinha aqueles pensamentos, invadiram sua mente e a fizeram pensar daquele jeito, não, não era culpa dela... Mesmo assim se sentia culpada! “Eu e essa minha mania de me culpar” pensou “ponho tudo a perder com isso.” Mas nem tudo estava perdido, tinha uma maneira de consertar as coisas, do seu jeito, se prejudicando, mas tinha. Levantou-se, pegou seu arco, não o dos deuses e sim o seu velho arco, o que o próprio barão fez para ela. Então tudo aconteceu muito rápido, Emma estava caída no chão, não estava morta, só perdera o equilíbrio, Jorge foi ajudá-la, mas Hanna gritou que Não, que era para ele cuidar das Eríneas, ela e Emma cuidariam de Sam.
– Finalmente. – Provocou ele. – As coisas já estavam começando a ficar sem graça por aqui.
– Que bom que sentiu minha falta, pena que não vai poder aproveitar por muito tempo.
Analisou bem o seu corpo e percebeu que o seu ferimento havia sido curado, não totalmente, mas o sangue havia estancado, seu sorriso estava muito confiante, mas Hanna sabia o que fazer para diminuir essa confiança, olhou para Emma, e essa pareceu entender bastante bem o que se passava na cabeça da amiga. Então, com um movimento só invocou o fogo em suas mãos e o soprou em direção a Sam, esse surpreso com o movimento não raciocinou, mas isso foi apenas uma distração, sobre o fogo três flechas irromperam, e cada uma atingiu um local no corpo de Sam, duas na cabeça a outra no coração.
– UAU. – Comentou Emma impressionada.
– Bem, pelo menos ele morreu rápido.
– Acho que esse é meu papel!
– Não tenho tanta certeza assim.
Antes que pudesse responder alguma coisa Hanna foi andando em direção a Fred e Jorge que lutavam ferozmente contra as Eríneas, mas não tinham uma vantagem, elas eram três eles dois, elas eram deusas e elas somente semideuses. Hanna analisou todas as opções possíveis, mas não encontrava nada que pudesse fazer... “Bem acho que isso vai ter que ser corpo a corpo” então pegou o pomo que estava novamente em seu bolso e o girou duas vezes para a direita, fazendo-o virar uma espada, mas não a usou.
– Use-a – Falou jogando a espada para Emma. – Acho que ela é melhor para você do que para mim.
Emma com um sorriso no rosto pegou a espada nas mãos e a analisou de cima a baixo, como Hanna previra uma idéia veio a sua cabeça. Mesmo que usasse seu fogo não derrotaria as Deusas, mas se o usasse na espada, talvez o impacto fosse maior e não gastaria muita energia. Incendiou a espada e essa reluziu tão fortemente que iluminou todo o salão.
Fred e Jorge por sua vez ainda lutavam incansavelmente contra as Erínias, já estavam se cansando, mas logo diminuíram o ritmo, pois Emma chegou para ajudar. “Então é isso três contra três. Agora é minha vez.” Saiu da batalha que seguia e foi em direção ao corpo inerte de Will, sentou-se a seu lado e abaixou a cabeça, não sabia de onde tirara tanta força pra lutar, mesmo que só tenha atirado três flechas contra Sam. “Lucy...” veio a sua cabeça “Onde está Lucy?” Então o grito agudo veio a sua cabeça, não era um grito de sofrimento era um grito de alegria, Lucy encontrara sua mãe. Mas não importava, tirou o pensamento de sua cabeça com certa impaciência, respirou fundo mais uma vez e retirou tudo de sua cabeça, mas não as coisas que passara com Will. Essas lembranças ela deixara invadir sua mente como uma avalanche.
Lembrou do primeiro dia em que o conhecera, lembrou de cada aula que teve com ele, lembrou do dia de sua despedida, do reencontro... Lembrou disso e de mais um pouco. Então tudo se apagou só via o que acontecia, mas não tinha consciência do que fazia nem do que dizia!
– Oh deuses que tudo vêem, devolvam a vida a ele, eu lhes imploro.
– Só você tem o poder de fazer isso minha querida.
– Mas eu não quero mãe, se eu o fizer eu virarei deusa para sempre...
– Sim, mas ninguém precisa saber de tal coisa, dê sua vida em troca da dele e a profecia se concretizará.
– Como?
– “E somente vencerão quando a morte acolher um afinal.”
Então agora tudo se esclarecera, era com sua “morte” que tudo acabaria, pensara no inicio que seria com a de Lucy, ou a de Sam, mas tinha a resposta no seu intimo há muito tempo, e Will sabia disso. Não quis falar, somente afirmou com a cabeça, e tudo aconteceu rapidamente seu corpo caira ao lado do de Will ao mesmo tempo em que esse levantava assustado, não demorou para que ele assimilasse tudo, sabia o que tinha que ser feito, mas não queria que esse momento chegasse.
– Sinto muito minha aprendiza.
Hanna o ouvia, e via tudo, mas não podia se mexer, não poderia responder. Tinha que cumprir o seu papel. Logo que Fred, Jorge e Emma derrotaram as Erínias foram ao encontro de Will animados, mas logo perderam toda a alegria que sentiam quando viram Hanna caída ao chão. Will explicou tudo que havia acontecido, mas não revelou que Hanna virara uma Deusa, Emma chorava escondida no colo de Jorge, esse estava tão perplexo que não sabia o que fazia. Fred por sua vez se agarrou ao corpo de Hanna e não queria solta-la mais, mas Will o convenceu e esse relutante se afastou dando o seu ultimo beijo nela. Depois de um tempo foram embora levando o corpo de Hanna para ser velado. Seu corpo não lhe era mais útil...
Fale com o autor