Arqueira perdida
32 The End
Notas iniciais
HANNA VOS FALA.
Meu enterro foi no dia seguinte, havia somente quatro pessoas presentes, as quatro pessoas mais importantes da minha vida: Will, Fred, Jorge e Emma. Não demorou mais de uma hora, meu corpo foi sepultado em baixo da arvore que eu visitava quase toda noite, o Barão permitiu que o fizesse, logo quando o caixão já estava enterrado todos foram embora, uma chuva caia incessantemente, raios cortavam o céu em um espetáculo lindo e perigoso de se ver.
Já aqui no submundo as coisas eram quentes e normais, nada de especial por muito tempo, todo dia tirava um tempo para “visitar” meus amigos, eles não me viam, nem me ouviam, muito menos me sentiam. Fred todo dia visitava meu tumulo e deixava uma flor diferente, até que em alguns anos ele parou de me visitar, não só ele, todos, todos me esqueceram...
Emma e Jorge se casaram dez anos depois e tiveram somente um filho, chamado Vitor, Will e Alyss tiveram um filho e uma filha aos quais deram o nome de Halt e Pauline. Fred passou um bom tempo sozinho, mas por fim encontrou uma pessoa para amar, e meu coração se despedaçou quando descobri quem era esse alguém, não fiquei com ódio, somente triste por um tempo, não por ele ter se apaixonado de novo e sim por ele saber o que essa pessoa fez há mim, exatamente ele se casou com Lucy, tiveram uma linda filha, com cabelos ruivos e olhos pretos, o nome dela era Hanna, dois anos depois tiveram um filho, e isso me espantou quando descobri que era a reencarnação de Sam, Lucy se espantou também, mas logo pegou um grande amor pelo pequeno Leo.
Mas tudo que é bom, dura pouco. Passado trinta e cinco anos Will ficou muito doente e não resistiu, Alyss tão deprimida com a morte do marido partiu logo em seguida. Halt seguiu o exemplo da mãe e virou Diplomata, já Pauline virou arqueira. Vitor e Hanna se tornaram guerreiros e Leo entrou para a escola de escribas.
Vi todos os meus amigos em seus momentos de glória e derrota, vi todos eles perecerem até a morte, vi todos se tornando parte da história humana, vi todos eles reencarnarem, e apesar de todos esses milênios, sempre continuaram os mesmos, sempre seus caminhos se cruzavam, não importa como, mas sempre acontecia.
Eu por outro lado permaneci aqui, quieta e protegendo os viajantes solitários, isso mesmo, eu poderia ter me tornado a Deusa da vida após a morte, mas quis a divindade mais simples possível, e essa pareceu se encaixar bastante bem em meu perfil, mas com o passar dos anos as pessoas não necessitavam mais de fazer viagens sozinhas, sempre iam acompanhados, então minha sina foi traçada. Um Deus somente permanece forte quando as pessoas acreditam nele, ainda mais quando se é um Deus secundário.
Então é isso, minha alma se tornou mortal mais uma vez, mas ela não poderia reencarnar somente ficar vagando sozinha, sem lembranças, sem esperanças, essa agora é minha vida, vagar por ai sem rumo.
Mas antes disso acontecer, na época das batalhas saxônicas, no tempo do estimável rei Arthur, tive a oportunidade de rever e conversar com uma pessoa, somente uma pessoa, eu poderia ter escolhido Fred, Emma, Jorge, Will, poderia ter escolhido um desses quatro, mas somente uma pessoa me importava naquele momento, Meth, isso mesmo, a própria, estive pensando por todo esse tempo e decidi que era a única pessoa que eu precisava ver, foi à única que não tive a oportunidade de me despedir, então foi isso que eu fui fazer, fui até o campo Elíseos visitá-la, ela estava ela, sentada em uma pedra discutindo com alguém, na verdade não havia ninguém perto então pensei que ela tinha enlouquecido, mas logo a idéia saiu da minha mente, quando se tratava dela nada era normal.
– Pensei que você nunca mais viesse me ver. – Falou ela se virando.
– Bem, sinto muito, não podia vir aqui te ver sinto muito mesm...
– Ah pelo amor dos Deuses, eu sei disso.
Ela veio em minha direção e me deu um abraço, achei que não era possível, já que sabe, ela era um espírito, mas de certa forma eu também era.
– Eu realmente sinto muito por não estar com você. – Disse ela com as lagrimas caindo dos olhos. – Sinto muito por ter feito tudo da maneira errada, sinto muito ter confiado no Sam e sinto mais ainda ter virado sua amiga só por que eu o amava.
– Acredite a única culpada por alguma coisa aqui sou eu, por ter sido tão estúpida a ponto de não ter percebido que aquela Lucy não era coisa boa... Mas não estou aqui pra isso, estou aqui pra poder de dizer um adeus mais formal do que o ultimo.
– Você e sua mania diplomática, me surpreendeu muito você ao ter entrado para escola de diplomatas.
– Você por acaso esqueceu que não tivemos tempo de escolher uma escola?
– Verdade.
Ficamos conversando por uma meia hora até que tive que ir embora, se demorasse mais as fúrias me matavam. Dei adeus a Meth e segui meu caminho. No dia seguinte pedi a meu pai para poder abrir somente mais uma exceção, por que queria falar mais uma vez com Meth, ele relutante deixou, mas no momento em que pus os pés nos campos Eliseos vi que ela não estava mais lá, havia reencarnado, acho que ela só estava esperando eu tomar a iniciativa de falar com ela mais nada.
Mas aproveitei a oportunidade e tentei ver mais uma vez meus amigos, mas não estavam mais lá.
E apesar de todo esse tempo a única coisa que eu mais desejava no Mundo era poder recomeçar, poder ser apenas uma garota normal, poder ter uma família, poder ficar doente, ter um pai e uma mãe que cuidassem de mim, e acima de tudo ter uma nova oportunidade com Meth e Sam, pois apesar de tudo eles foram meus primeiros e verdadeiros amigos.
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