Arqueira perdida
24 Mais segredos!
Notas iniciais
POV Lucy.
— E então? – Perguntou a voz
— Ela disse a verdade minha senhora não demorara muito para que briguem.
— E como você sabe disso Lucy? – Falou outra voz.
— Mandei um reforcinho, à garota Emma mesmo que não queira, vai abandoná-los, e se for persuasiva o bastante os garotos vão junto com ela, só que nunca chegarão ao acampamento.
— Já que você tem tanta certeza assim, não vamos nos preocupar, mas se houver um simples errinho você verá conosco.
As sombras escuras na caverna desapareceram, e para o alivio de Lucy acreditaram no que ela disse, agora era por a segunda parte do plano em ação, não sabia exatamente como executá-la, mas daria um jeito. A tarde estava bastante quente não havia um misero sinal de nuvens no céu “Uma ótima tarde para um cochilo” pensou...
— Desse jeito não dá né pai! Por favor, tira essa benção de mim, graças a você vivo dormindo e não posso executar meu plano.
— Isso não é uma benção minha querida, você é assim, porque acha que casei com sua mãe?! – Um cara alto, cabelos castanho escuro, olheiras em volta dos olhos pretos e um belo traje aparecera atrás de Lucy.
— Pai. – Disse indo em direção ao cara para abraçá-lo. – Senti sua falta, alguma noticia da mamãe?
— Você sabe que não e não terei até que você cumpra o que prometeu, mas eu ainda quero saber por que levaram Liz e não a mim.
— Você sabe muito bem a resposta pai, porque elas sabem que nunca descumpriremos ordens, apesar de ser isso que estou fazendo.
— Você tem razão, mas não podemos deixar que elas vençam. – Disse com uma expressão bastante séria no rosto. – Sabe que pode contar comigo para dar um empurrãozinho com esse plano você não sabe?
— Sei sim, mas você não pode, seus irmãos iriam te matar e não quero perder mais uma pessoa. Mas agora voltando à questão do sono...
Eles ficaram conversando por um bom e longo tempo, pela posição do Sol já eram quatro da tarde e Hipnos tinha que voltar ao trabalho, sim ele trabalhava, era responsável pelo sono das pessoas, não queria deixar sua filha sozinha mais uma vez, mas viu que era preciso, ela não trabalhava muito bem com pessoas por perto, e para o bem de sua mãe ela precisava pensar bastante, então se despediu da filha e dissolveu em fumaça.
POV Hanna.
Ela ainda continuava abraçada a Will quando ouviu passos atrás de si, Will também percebeu o movimento, mas continuaram parados, se fosse alguém querendo atacar tinham que se manter quietos, ficou surpresa por serem Fred e Jorge, havia pensado que eles haviam ido embora, mas pelo visto ainda continuavam lá, olhou para os lados a procura de Emma, mas ela não se encontrava ali devia ter ido em bora, mas não custava nada perguntar.
— Emma foi embora? – Perguntou se levantando e enxugando as lágrimas.
— Não ela ainda está esperando, disse que quer falar com você antes de ir.
— Ótimo, quero ouvir o que ela tem a dizer. – Foi andando em direção a estrada. Foi então que Jorge puxou seu braço. – O que?
— Hanna, tenha calma, ela não está agindo como deveria, ela não é assim, não mesmo, a conheço desde pequeno tenho certeza de que tem um motivo de ela estar assim.
— Não vejo porque ela não pode ter mudado em todos esses anos e ter ficado desse jeito... – Mas parou de falar e uma terrível ideia veio em sua cabeça, tinha que correr antes que fosse tarde de mais. – Me solta eu tenho que ir...
Soltou o braço da mão de Jorge e saiu correndo em direção a estrada, “Tem que ser isso” pensou “Não existe outra explicação.” Continuou a correr e suas pernas já estavam ficando dormentes, mas não poderia parar, não agora, ouviu passos atrás de si, mas não olhou para trás continuou correndo não sabia na verdade por aonde ia, mas seu treinamento de arqueira a ensinou a sempre observar o que ela fazia muito bem, respirou fundo (ainda correndo) e pensou em voz alta.
— Tem uma arvore de frutas vermelhas no caminho... Achei.
E correu mais rápido, e viu a 50 metros a estrada e três cavalos, dois escuros e um claro. Foi então que o desespero tomou sua mente, os três cavalos permaneciam ali, mas não havia ao menos uma sombra de uma pessoa, não via ninguém, quase desanimou, mas continuou a correr.
— Nem tudo é o que parece.
E ela estava certa, Emma não estava junto aos cavalos, mas sim sentada em um pequeno tronco a uns 10 metros de distancia, Hanna foi correndo até lá, não sentia mais suas pernas, elas estavam muito dormentes e formigavam, mas não desistiria agora, quando chegou parou arfando em frente a Emma, colocou as mãos nos joelhos e foi tentando respirar, ouviu barulhos vindos da mata, olhou e viu Fred, Jorge, Will, Puxão e Segredo saindo, mas eles não foram em direção a elas, ficaram cuidando dos cavalos. “Melhor assim” Pensou.
Emma não vez nem menção de se levantar e ajudar a amiga, continuou sentada olhando pra Hanna como se estivesse olhando pra qualquer outra coisa, por fim vendo que Hanna iria demorar pra falar começou.
— Olha, sei que prometi, mas...
— Shhhhhh, você não vai a lugar nenhum. – Respondeu Hanna tentando controlar a respiração. – Ninguém vai a lugar nenhum, você tem que me escutar Emma.
— Você não manda em mim...
— Não mando, muito menos a pessoa que está dentro de você, Emma se concentre você é forte basta se concentrar.
— Ah não você não vai... – Mas sua voz parou e no seu lugar veio à mesma, porém era suplicante não autoritária. – Hanna, por favor, tira isso de mim, não queria falar aquilo... Não você não vai tomar o controle de novo.
— Vamos Emma vamos, você consegue, basta respirar.
A pessoa que controlava Emma não era experiente e sim ignorante por pensar em controla-la, ela era uma garota forte, Hanna na verdade não sabia como esse espírito havia entrado nela, mas nem que precisasse lutar com a mesma ele iria sair dali.
— Hanna, por favor, me ajuda. – Falou ajoelhando-se. – Eu não quero...
Antes que pudesse terminar a frase deu um grito bastante alto, que poderia ser ouvido a quilômetros de distância, demorou bastante até que uma fumaça verde começou a sair de sua boca, mas não ficou em forma de fumaça por muito tempo, somente desapareceu, pode ver Jorge, Fred e Will do outro lado boquiabertos, mas antes que pudesse dizer alguma coisa Emma caiu em seus braços.
— O que... O que aconteceu?
— Você foi possuída por um Eidolon.
— Mas o que diabos é isso?. – Disse levantando do apoio de Hanna e esfregando a cabeça que latejava.
— Explico mais tarde, venha, vamos tomar um café.
— Seria uma boa.
As duas foram andando em direção aos cavalos Emma estava pendurada sobre um ombro de Hanna, que a colocou no chão quando chegaram aos cavalos e viu que os três garotos a olhavam com bastante espanto. Acharia engraçado se a situação não fosse critica.
— Vou buscar gravetos para fazer uma fogueira e café. Explico tudo quando voltar.
Ela voltou com alguns gravetos na mão, Will a ajudou a acender a fogueira e a preparar o café, quando terminou despejou o conteúdo em cinco xícaras e em seguida pegou o mel em suas coisas despejando uma boa quantidade em cada xícara, somente quando ouviu o barulho de satisfação deles que começou a falar.
— Isso que vocês acabaram de ver foi um Eidolon, um espírito antigo que estava aprisionado no submundo, mas que por um grande erro foi solto, ele pode controlar as pessoas sem que elas percebam, elas podem lutar interiormente, mas não conseguem sempre se livrar deles.
— E como ele saiu de mim?
— Porque você teve força de vontade o suficiente para que o fizesse, entendeu? Mas não quero ficar discutindo sobre eles, é melhor irmos andando porque com o grito que você deu os monstros devem ter escutado, vamos.
Levantou-se e foi apagar a fogueira, mas alguém a impediu e pra sua surpresa era Emma que a olhava de um jeito bastante esquisito, ela a envolveu em um forte abraço e disse bastante baixinho para somente Hanna escutar.
— Sinto muito eu não queria dizer aquilo.
— Eu sei disso.
Quando se afastaram viu que Emma estava de cabeça baixa, Hanna teve a leve impressão de que estava chorando e como não tinha uma capa de arqueiro igual à de Hanna e ela não gostava de ser vista, foi andando em direção a fogueira, a apagou e foi arriar Segredo para poderem partir, terminou de colocar a sela e viu que os outros também. Subiu em seu cavalo.
— Vamos, não temos muito tempo.
Eles seguiram viajem o resto do dia até encontrarem um bom lugar entre a mata para dormirem, armaram as barracas, mas não acenderam a fogueira, poderia chamar a atenção de algum monstro ou algum ladrão, por isso comeram carne seca junto de pão duro e um chá frio, Hanna sentiu falta do café.
— Como eu queria um café quentinho uma hora dessas!
— Eu também. – Falaram todos em juntos.
Conversaram sobre a viagem e uma vez ou outra, Fred ou Jorge perguntavam sobre o Eidolon, Hanna se recusava a responder dizendo que não sabia mais nada, mas na verdade não queria tocar naquele assunto por Emma, pois havia a afetado de uma forma que ninguém conseguia explicar, nem ela mesma. “Os mais fortes sempre sofrem mais com coisas simples” pensou Hanna “Do que os que são mais fracos, pois esses sabem lidar com as coisas, os fortes se culpam por elas terem acontecido sem controle!” Não sabia por que aquele pensamento veio a sua cabeça, ninguém ali era fraco, muito menos ela, só que ela sabia lidar com tragédias mais do que qualquer um ali. Sabia mais ou menos o que se passava na mente de cada um, somente olhando para os olhos.
— Bem acho que vou me deitar. – Disse levantando-se.
Ainda estava meio claro, o sol não se pora totalmente, mesmo assim se sentia cansada por correr tanto e pensar tanto.
— Não, espere, tenho que contar uma coisa. – Disse Emma puxando seu braço fazendo com que sentasse novamente.
— O que?
— Bem eu ia lhes contar uma coisa, mas aquele Edo... Sei lá de que.
— Eidolon. – Corrigiu Hanna.
— Tanto faz, a questão é que eu iria contar uma coisa, mas ele me impediu, então acho que é hora de fazê-lo.
— Fale então. – Fred falou curioso.
— Bem é que como Hanna eu tenho um poder especial, não tanto quanto o dela, mas é especial. Bem todos aqui sabem que eu sou filha do Deus das forjas e do fogo certo? – Ela parou um pouco para ver se alguém diria alguma coisa, vendo que não, continuou. – Bem meu pai, de Século em Século, dá a um filho o poder de produzir fogo sem se queimar com ele. Somente um filho dele teve esse poder antes de mim, e esse poder diminui conforme é passado de filho para filho, então se meu irmão ou irmã foi o primeiro mais forte bem eu sou a...
— Segunda. – Completou Will secamente.
— Isso obrigada, então é isso.
Ficou olhando para cara dos amigos que demonstravam espanto, não tanto quanto quando Hanna contou a história dela, mas um pouco parecido.
— Então?
— UAU, que maneiro. – Falou Jorge se animando. Apesar de ela já saber, pensou que seria uma boa fingir que não.
Pelo visto ele era bastante animado quando se tratava de poder, Fred nem tanto, parecia que nem ligava, como se isso não afetasse sua mente, como se vivesse em uma realidade completamente diferente, onde ninguém era mais poderoso que o outro e sim compartilhavam de um mesmo poder, ou coisa parecida.
— Bastante interessante mesmo, podemos ver? – Perguntou Hanna.
— Claro.
Ao falar isso Emma ergueu a mão esquerda e estalou os dedos, no momento em que fez isso uma grande labareda de fogo surgiu na palma de sua mão, era maravilhoso, as chamas dançavam entre seus dedos e paravam de acordo com sua vontade, as vezes ficava vermelha outras azul, então parecendo cansada Emma fechou as mãos e a chama se apagou.
— Bem, tem uma consequência, eu fico bastante fraca quando as produzo em excesso.
— Você poderia ter nos falado antes, assim diminuiria o esforço para acender a fogueira. – Foi a primeira vez que Fred falara.
Todos começaram a rir do comentário e o clima de suspense mesmo que inexistente se quebrou e foi como se nunca tivessem brigado ou tivessem problemas para resolver. A noite ia caindo lentamente e o frio ia se instalando no local, de modo que quando respiravam, fumaça saísse de suas bocas e narizes!
— Bem agora eu vou me deitar. – Falou Hanna por fim.
— Ainda não. – Falaram os gêmeos em uníssono.
— O que foi dessa vez? – Disse sentando novamente.
— Temos uma coisa pra contar também, não é tão importante, mas é uma coisa que nunca contamos pra ninguém. – Falou Jorge.
— Bem, sabe por que não nos machucamos muito no lago? – Completou Fred. – É por que somos descendentes de Poseidon, nossa mãe é filha dele, e nos teve com Hermes, eu herdei o poder de controlar a água e Jorge de conversar com animais marinhos e cavalos. Viemos para o acampamento junto de nossa mãe, foi com cinco anos.
— Pera ai, com cavalos? Você entende o que eles dizem?
— Sim, às vezes vou conversar com eles no estábulo do acampamento e Fred fica me enchendo o saco fazendo brincadeiras com a água.
— É legal te irritar.
Emma que até aquele momento permanecera calada, como se estivesse absorvendo as palavras de Fred finalmente respirou fundo e falou:
— Sua mãe veio para o acampamento com vocês? Como nunca a vimos antes?
— Claro que já viram. – Respondeu Jorge. – Só que não sabem quem ela é!
— E quem é afinal? – Perguntou Hanna.
— Ora, o oráculo é claro. – Fred falou antes de Jorge. – Depois que nos teve e Hermes contou que era um Deus, ela ficou alucinada, mesmo sendo filha de Poseidon e tendo poderes à ideia de ter tido seus filhos com um deus era maravilhosa, não queria sair de perto da gente por nada, foi ai que Hemes sugeriu uma coisa...
— Que ela virasse o oráculo e vivesse no acampamento com a gente. – Continuou Jorge. – Então ela o fez só que a partir do momento em que ela recebeu o espírito de Delfos não se lembrou mais da gente nem quem era, somente saiu do aposento e foi viver no porão da casa grande. Às vezes tinha algum blecaute e ia ao nosso chalé nos ver, mas no momento que nos via esquecia novamente.
— O.k isso é perturbador, como Hermes pode fazer isso com ela? – Will perguntou indignado
— Ora, é simples, ele é o Deus do oráculo também, e decidiu escolher nossa mãe e tira-la de nós ao invés de escolher outra pessoa. – Fred respondera com certa amargura na voz. – Nunca o perdoei por isso, mas meu irmão não acha tão grave assim.
— É claro que acho, mas não falo pra ninguém, tento fingir que não é verdade, tento fingir que nossa mãe ainda se lembra de nós e nos ama.
Hanna sentiu uma imensa vontade de agarrar Fred e dar-lhe um beijo de consolo, mas se conteve “iria ser bastante esquisito” pensou afastando o pensamento da cabeça. Não sabia o que dizer muito menos o que fazer se levantasse e fosse dormir iria ser dada como insensível, mas se ficasse iria fazer exatamente o que não queria e o que tentava expulsar de sua mente. “Não eu não vou beijá-lo, não posso, tenho que me controlar, eu quero, mas não posso” Will percebendo que a aprendiza estava perturbada com seus pensamentos resolveu falar para o alivio de Hanna.
— Bem, ao menos que mais alguém tenha algo pra contar acho que vou me deitar. – Falou secamente. – Você vem também Hanna, acho que deve estar cansada, pois mais cedo correu feito um cavalo de arqueiro.
— Sim, vou junto, já está escurecendo e ficando frio, vou me deitar também. – Tentou manter a voz calma. – Boa noite...
— Acho que vou também. – Falou Emma.
— Também, vamos Fred?
— Vamos.
— Obrigada...— Hanna sussurrou somente para Will.
— Não há de que. – Respondeu
Foram todos para suas devidas barracas, Will, Hanna e Emma dormiam separados, Fred e Jorge dormiam juntos. Hanna jogou-se no saco de dormir.
— Quanta coisa para minha cabecinha processar.
Virou para o lado, brincou um pouco com seu pomo e dormiu um sono profundo, não teve sonhos bons nem ruins, dormira feito pedra e confortavelmente, já não era tempo, não dormia bem assim fazia algumas noites.
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