Arqueira perdida

25 Marcas do passado


Notas iniciais
Então galera, mais um capitulo novinho pra vocês! espero que gostem e desculpa a demora... vejo vocês lá em baixo!

Hanna acordou com um barulho do lado de fora da barraca, levantou rapidamente, colocou a capa, pegou seu arco, colocou sua aljava nas costas e seu cinto de facas na cintura, foi andando o mais silenciosamente possível para fora da barraca, pelo visto mais ninguém, nem mesmo Will, escutaram o barulho, pensou por um minuto se era fruto de sua imaginação, mas logo abandonou o pensamento, a uns 10 metros de distância viu as arvores altas se mexerem, agachou quase ficando de joelhos e foi arrastando pelo chão com o arco já com uma flecha e pronto para atirar, permaneceu parada por alguns instantes e vendo novamente o movimento se deslocou um pouco, de modo que ficasse cara a cara com o “espião”.

Então do meio da floresta surgiu uma bela mulher com cabelos pretos cumpridos, trançados de lado e uma coroa de prata sobre a cabeça, seus olhos eram castanhos claros e sua pele tão branca que às vezes parecia transparente, seu vestido era cumprido preto e em estilo grego, sua beleza era estonteante, mas ao mesmo tempo amedrontadora, pois sua face mesmo tendo ternura, por vezes mostrava dureza e seriedade. Hanna não fez nenhum movimento, permanecia parada no mesmo lugar de antes, mas a mulher parecia vê-la mesmo que estivesse quase invisível.

— Pode sair Hanna, não tenha medo.

Ela não queria se levantar, mas a voz maternal da mulher a fez fazer, mesmo que contra sua vontade, ficou de pé, com o arco ainda apontado para ela, não iria facilitar as coisas.

— Quem é você? – Disse controlando a voz ao máximo.

— Você já sabe a resposta minha querida.

— Não, não sei, e se você não falar vou chamar ajuda. – Não era verdade, mas pela primeira vez sentia medo de uma mulher.

— Pode chamar, mas eles não ouvirão, se você não percebeu não está mais no acampamento.

Hanna olhou em volta e era verdade, estava em um tipo de castelo, não o de Redmont, mas um castelo sombrio, sem ar de lar e sim de uma prisão, um calabouço. No momento não soube onde estava, mas sua memória foi ativada, já vira aquele castelo antes, já esteve lá quando mais nova, com um ano para ser mais exata, antes de ir para o castelo que sempre julgou ser sua casa, mas que sempre se sentia deslocada nele, naquele, porém se sentia em casa se sentia confortável. E no mesmo momento descobriu quem era aquela mulher.

— Mãe?

Ela só concordou com a cabeça e não disse mais nada, ficou admirando a filha, como havia crescido, quando mais nova adorava brincar com Cérbero, mesmo ele sendo cinco vezes seu tamanho, mesmo sendo muito nova era bastante esperta, fazia bastantes perguntas como do tipo: Porque aqui é tão escuro?, Porque não posso encostar em suas flores mamãe?. Era dura quando precisava, mas ao mesmo tempo formosa como uma flor, nunca gostou de vestido e coisas de garotas, e isso não havia mudado. Sofrera bastante quando teve que levá-la para longe de casa.

— Era aqui que eu morava?

Mais uma vez a mulher respondeu apenas com um aceno de cabeça, por mais forte e concentrada que fosse não conseguia falar, se falasse sua voz a trairia, muitas vezes só vira sua filha de relance, não podendo falar com ela, não podendo tocá-la, agora poderia fazer isso, mas tinha receio de que a filha a rejeitasse, então continuou o mais impassível possível olhando sua filha que observava com curiosidade o castelo.

Hanna andava de um lado para o outro como se fosse uma criança, aquele lugar sombrio e sem vida já fora sua casa há muito tempo, tanto tempo que nem se lembrava direito, mas por incrível que pareça se sentia feliz naquele lugar, uma paz invadiu seu peito e pensou “Finalmente um lugar que posso chamar de casa” Sua mãe pelo que pareceu ouviu seus pensamentos e logo em seguida respondeu...

— Pensei que o castelo Redmont era sua casa

— Pra falar a verdade nunca me sentia feliz lá, nem mesmo quando Sam e Meth estavam por perto, me sentia sozinha...

— Então você realmente era amiga desses dois?

— Sim, por quê?

Perséfone demorou um pouco para responder, ficou pensando se seria hora de sua filha descobrir a verdade sobre aqueles que chamava de amigos, não queria estragar a visita de sua filha, queria mais do que nunca abraçá-la e dizer o quanto a amava e sentia que se revelasse a verdade estragaria tudo... “Não, não posso fazer isso, é egoísmo, mas ela é minha filha” pensou “E não posso demorar se Hades descobrir que ela veio aqui antes da hora...”

— Senhora? – Não sabia como chamar ela, tinha medo de falar mãe ou pronunciar o nome dela e ela não gostar!

— Não me chame de Senhora meu bem, me chame de mãe...

— Não consigo, passei a vida inteira pensando que não tinha uma e depois descubro que ela é uma deusa e que está diante de mim...

— Então você me odeia? – Estava tentando controlar a voz, mas era difícil.

— Não, eu não te odeio, tenho raiva às vezes, mas passa, sei que você fez aquilo para me salvar, demorei bastante para aceitar, mas finalmente o fiz, não sou daquelas meninas idiotas que se revoltam com tudo mesmo tendo uma vida boa, e olha que a minha não foi assim e não guardo rancor de ninguém! Tento pelo menos.

Perséfone ficou bastante feliz ao ouvir aquilo, só de pensar que a pessoa que mais amava no mundo não a odiava, não conseguia descrever o que sentia, queria correr e envolver a filha em um apertado abraço, mas mais uma vez se conteve, não era posição de uma rainha se comportar como uma doida varrida... Hanna nem percebera a cara de felicidade da mãe, pois estava cara a cara com um cachorro de sete metros ou mais e com três cabeças, mas não sentira medo.

— Oi coisinha fofa, tudo bem com você?

O cachorro respondeu com um grande abano de rabo que deu resultado a uma ventania onde a fogueira que estava acesa desnecessariamente quase se apagara, o cão cujo corpo era demasiado grande demais para o salão deitou-se no chão com barriga para cima como um sinal para Hanna fazer carinho nela, e ela foi correndo com um grande sorriso no rosto, as três cabeças colocaram as línguas para fora e fungava com força, a mão de Hanna era muito pequena para a grande barriga do cão então se cansou logo, o cachorro entendeu e se levantou novamente, logo se cansou e foi andando para fora do aposento. Persefone olhava para filha com admiração e respeito. “Tão nova e não tem medo de nada” pensou.

Os cabelos pretos de Hanna estavam esvoaçados, mas ela continuava bonita, seus olhos cinza estavam alegres pela primeira vez na vida, e sua pele branca parecia mais clara e bonita, como se estivesse rejuvenescendo. Foi andando de volta em direção a mãe.

— Qual é o nome daquele cachorro?

— Cérbero, é ele que protege os portões do castelo.

— Com aquela doçura duvido que alguém tenha medo...

— Ele só foi bom com você porque é uma filha legitima de Hades, tecnicamente o pai dele, então ele sente afeição por você. Claro que existem outros cães infernais, mas nem chegam aos pés de cerbero

— Hmm, entendi.

Ouviram um pequeno barulho vindo do lado de fora, Cérbero havia se agitado bastante e seu rabo balançava novamente, Hades havia chegado e Hanna ficara eufórica também, nunca vira seu pai, somente em sonhos, mas quase não se lembrava de seu rosto, Perséfone, porém ficara rígida, sua face foi tomada por alguma coisa semelhante ao medo.

— Você tem que ir, ele não pode saber que você está aqui...

— Mas...

— Shhhhh, fale baixo, não quero que ele escute, tchau minha querida, vejo você em breve.

Antes que Hanna pudesse protestar já estava de volta ao acampamento, Will estava sentado e impassível a seu lado, fazia café e o cheiro estava realmente muito bom, Hanna ainda continuava de pé com as mão erguida para frente como se tentasse segurar em alguma coisa, mas logo recobrou os sentidos.

— Pensei que você iria ficar desse jeito até amanhã. – Disse Will por fim.

— Isso foi um sonho? – Perguntou Hanna se sentando ao seu lado.

— Não e sim, aconteceu e não, é como se sua mente estivesse lá e seu corpo aqui, estranhei a demora, pois sua mãe me disse que iria ser rápido, suponho que o que ela tinha que te dizer fosse realmente grave!

— Como assim? Ela não me falou nada, ficou só me olhando com cara de boba, e antes que eu pudesse falar algo Hades havia chegado e ela me mandou embora!

— Bem, isso complica um pouco as coisas.

— Que coisas? Porque eu não sei de nada? Tem a ver com Sam e Meth? Por que ela tinha mencionado eles e...

— Vai começar de novo?

— O que?

— A fazer perguntas intermináveis?

— Pelo menos não estou respondendo elas com outras perguntas...

— Você acabou de fazer isso...

— Quando?

— Quando você perguntou o que?

— O que, o que?

— O que você perguntou o que?

— Mas era o que?

— Não sei, só sei que você me respondeu com, o que?

— Mas por quê?

— Aah, esquece, já estou ficando confuso.

— É, eu também.

Antes que pudessem continuar a conversa Fred ou Jorge, era difícil saber, apareceu do lado de fora de sua barraca, seu cabelo estava desgrenhado e seu pijama amarrotado, parecia que tinha ficado bêbado antes de dormir, então Hanna ficou pensando se acordava assim também.

— A resposta é sim. – Falou Fred.

— Sim o que?

— Você também acorda desse jeito.

Jorge aparecera no momento seguinte, menos apresentável do que Fred, seu nariz estava torto e vermelho, estava com parte da camisa desabotoada, isso fez Hanna pensar em uma coisa não muito agradável e desnecessária que a fez rir descontroladamente, o que provocou olhares de confusão entre eles...

— O que foi? Ta tão ruim assim? – Perguntou Jorge

— Não... Não é isso, é por que uma ideia veio na minha cabeça. Mas esquece, é melhor não saberem.

— Dá pra vocês calarem a boca? Minha cabeça está doendo... – Emma tinha acabado de sair de sua barraca com cara de assassina.

— Desculpa. – Hanna falou levantando as mãos em forma de redenção.

Emma, Fred e Jorge se juntaram a Hanna e a Will para beberem café com mel, o que fez a aparência de cada um melhorar bastante. Ficaram sentados por um tempo sem conversar, então Fred se levantou para trocar de roupa e logo foi seguido por Emma e Jorge, Hanna também percebeu que estava de pijama só havia colocado a capa por cima dele. Will continuou sentado pensando, e pela sua cara não era coisa boa. Os quatro voltaram em dois a três minutos, então Will resolveu quebrar o silencio.

— Desmontem as barracas, vamos partir agora.

— Mas por quê? – Emma perguntou indignada. – Vamos esperar o frio diminuir pelo menos.

— Não, vamos agora. – Respondeu com aquela voz que causava medo em qualquer um até mesmo em Hanna. – Andem, não fiquem parados ai, vamos, mexendo, mexendo!

Hanna não entendera a pressa do arqueiro afinal chegaram ontem e não tinha tempo de monstro algum detectá-los ali, mas achou melhor não discutir naquele momento, alguma coisa o perturbava e Hanna aprendera a nunca, nunca mesmo questionar a decisão de um arqueiro, ainda mais se esse arqueiro fosse Will Tratado. Os três foram rapidamente desarmar as barracas, o primeiro a terminar foi Fred e Jorge, pois estavam em maior numero então em seguida eles foram ajudar elas, Jorge foi ajudar Emma e Fred foi ajudar Hanna. Não falaram nada, somente desmontaram a barraca.

Quando tudo havia sido recolhido foram andando em marcha lenta em seus cavalos de arqueiros, já estavam passando pelas planícies de Uthal, Hanna pediu para pararem, já que estava na hora do almoço e estavam todos famintos, Will depois de muita teimosia concordara, mas não deixou que acendessem uma fogueira, pois poderia chamar a atenção de monstros, ladrões e bárbaros, então se “deliciaram” com pão duro, carne defumada e chá gelado de ervas que traziam consigo, logo continuaram a caminhar.

A noite já ia caindo quando chegaram nas ruínas de Gorlan, Will insistiu que dava para continuar e que chegariam ao castelo ao amanhecer, mas os quatro protestaram, pois suas pernas já estavam rígidas e doloridas e seus olhos mal conseguiam ficar abertos, armaram as barracas entre as ruínas e logo foram dormir, não aconteceu nada durante a noite toda, nenhum pesadelo perturbara Hanna, mas por outro lado, Fred e Jorge não estavam muito bem.

POV Fred e Jorge:

— Quando tempo será que vai demorar? – Perguntou Jorge.

— Não sei, mas espero que seja rápido, não vejo a hora de libertar nossa mãe.

— E se não acontecer?

— Vai acontecer!

— E se não?

— Nos viramos como sempre fizemos!

“O que é bastante difícil” pensaram os dois em sincronia, é a consequência de ter um irmão gêmeo, a maioria das coisas que um pensa ou sente é pensada ou sentida pelo outro, e no caso das frustrações um meio que culpava o outro por não ter feito o que pensava sendo que os dois pensavam a mesma coisa! Deu pra entender? Não né?! Nem eles entendem às vezes. Os dois se deitaram e dormiram ao mesmo tempo. E como sempre tiveram o mesmo sonho.

— Oi de novo Jorge.

— Oi de novo, quando será que isso vai acabar?

— Não sei, mas é legal te perturbar em sonhos também.

— Digo o mesmo.

Na verdade não era bem um sonho, os dois se encontravam em uma lembrança, é como se alguém quisesse brincar com os sentimentos dos dois, sempre que dormiam tinha “sonhos lembranças” da mãe, nos momentos felizes e tristes, passaram muito pouco tempo com ela e como eram muito novos, as lembranças eram picotadas ou modificadas de acordo com seus pensamentos, então várias vezes se separavam nos sonhos e tinham o seu próprio, mas dessa vez aquela lembrança estava viva nos dois e sempre estaria.

— Mãe, Jorge me beliscou.

— Mas ele me bateu primeiro.

— Vamos garotos, não briguem, você são irmãos, não devem brigar.

— Mas mãe... – Falaram em uníssono

Naquele momento a porta se abrira e três homens apareceram por ela, o do centro usava uma armadura prateada e tinha uma barba longa e preta, o da esquerda usava um tipo de blusa de pescador e calça branca, o da direita era mais reservado e sério, usava uma toga preta e seus olhos perfuravam os que olhavam diretamente! Havia um quarto que não tinha visto antes, tinha um ar brincalhão no rosto e era um pouco magro comparado com os três.

— Hermes? É você?

— Oi querida, meninos...

— Não há tempo para cordialidades, vamos entrem. – Falou o do centro.

— Pai, tios! – Falou a jovem com cabelos loiros indicando o sofá. – Sentem-se!

O do centro e o da esquerda sentaram, os outros dois permaneceram de pé, o de toga estava impassível, o outro brincava com os dois gêmeos! Começaram a conversar sobre alguma coisa que os dois não entendiam, mas umas partes ouviram com bastante atenção, pois a mãe havia os colocado no sofá!

— Morgana, você tem que fazer isso, é para o bem de seus filhos.

— Não. – Disse em meio às lágrimas. – Não posso. Nunca mais me lembrar de meus filhos? Isso é impossível, eu não posso, diga a eles Hermes, diga...

— Infelizmente não posso contradizê-los sem razão Morgana, se você não virar o oráculo eles morrerão cedo, pois não poderão ir para o acampamento, mas se você tomar esse compromisso eles terão um futuro.

Morgana cedeu aos poucos, foi soltando os filhos de seus braços, e deixando eles no sofá, se levantou e andou de um lado para o outro, estava pensando no que deveria fazer.

— Pai, diga para mim que há outro jeito?

— Sim minha querida tem outro jeito, só que esse é pior.

— Como assim?

— Bem, se você se recusar a aceitar o espírito de Delfos, ele ficara preso em algum objeto, porém seus filhos sofrerão as conseqüências, Hermes sabia disso, sabia que se a mulher que desposara tivesse gêmeos teria de virar o oráculo, pois foi previsto pelas irmãs cinzentas! – Respondeu Hades. – Se essa esposa se recusar a aceitar o espírito as irmãs cortarão o seu fio de vida e essa morrerá, deixando seus filhos a deriva, eles podem até sobreviver, mas não seriam amigos, pois é por você que eles não brigam, se você estiver viva eles ainda terão um elo para se apoiar!

— O que há de tão mal eles brigarem de vez em quando? – Morgana perguntou

— O que há de errado querida é que isso afetara o equilíbrio das coisas, pois para um futuro melhor os dois precisam estar unidos, hoje e sempre.

Depois de pensar bastante Morgana cedeu ao espírito aceitando-o de bom grado, pois não queria morrer, mas antes fez um acordo com os deuses, que algumas vezes iria recobrar a memória e iria ver os filhos, mas iria se esquecer rapidamente, para que quando o espírito se apossar de outra pessoa ela possa morrer com a imagem de que teve filhos maravilhosos.

Então a lembrança acabou, pois os primeiro raios de sol já nasciam e eles tinham que continuar a viagem o mais rápido possível!

Notas finais
então o que acharam??? algum comentário?? bjs lindos