Arqueira perdida
15 Descubro que tenho poderes... Mais ou menos
Notas iniciais
Hanna
Achamos uma clareira bem pequena e confortável para dormir na noite seguinte, montamos uma fogueira e fizemos um pouco de café, sim Will acabou me viciando naquela bebida. Eu particularmente não queria dormir, mas Will insistiu em fazer a primeira vigia, dizendo que em duas horas e meia me acordaria para eu tomar o meu posto. Fui deitar a céu aberto (não montamos barraca, pois ficaríamos só uma noite) observei as estrelas por alguns instantes e adormeci.
“– Não sei, ela só deixou esse bilhete.”
Dizia uma voz conhecida...
“– Um bilhete obviamente.”
“– É eu sei que é um bilhete, mais porque ela escreveria isso? Sam porque ela escreveu isso?”
“– Não sei Meth, sinceramente que não sei.”
Seguiu um silêncio depois daquelas palavras e em seguida...
“– NÃÃÃÃO.”
“– O que você fez?”
“– Sinto muito Sam, não queria fazer isso, mas infelizmente tenho que fazer.”
Levantei de um sobressalto, Will me chamava, pelo visto minha hora de vigiar havia chegado, isso, ou eu estava gritando feito louca, e sim, foi a segunda opção.
— Você está bem? Tava gritando feito louca.
— Não, não estou bem, lembra do que te disse ontem? Que estava com um mau pressentimento?
— Claro que lembro você ficou falando disso a noite toda.
— É, pois é, e estava certa de pensar, tive um sonho e Sam e Meth estão mortos.
Ele recebeu a noticia com um pouco menos de surpresa que eu esperei, ele simplesmente levantou virou as costas e ficou andando de um lado pro outro (ele fazia isso enquanto pensava ou tinha certeza de uma coisa intrigante) e naquele caso era a segunda opção.
— O que foi dessa vez? –perguntei.
— Hmm? Ahh... Sim, do que falávamos mesmo?
— Dos meus amigos que acabei de descobrir que estão mortos, e do nada você levantou e começou a andar pra lá e pra cá! O que te incomoda tanto?
— Nada não, só estava pensando um pouco sabe...
— É, pensando com aquela cara de que tem certeza de uma coisa que te intriga, fala logo antes que eu fique brava!
Faltavam somente duas horas para o sol nascer novamente, não queria colocar aquele tipo de pressão em Will, ainda mais por que ele ficara acordado por duas horas e meia vigiando atentamente a paisagem.
— Não é nada, é só que estava desconfiado de uma coisa, mas não sabia que ia acontecer tão cedo assim.
— Como assim? Você sabia que meus amigos iriam ser mortos e não me falou nada?!
— Não é bem assim, eu só suspeitava disso, mas pensei que iria acontecer um pouco mais tarde, que ela os usaria para um fim.
— É e pelo visto usou para um fim, pra me magoar, só que acho que ela não conseguiu. E acho que eu deveria me preocupar com isso não devia? hmm, não devia?
— Às vezes acho que não, porque você é filha do Deus dos Mortos, então ela não te afeta tanto quanto afeta os outros.
Acho que ele estava certo, mas ele devia me explicar mais detalhadamente isso, ele era tão próximo do meu pai, ou é ainda, não sei. Acho que não contei o sonho em que meu pai estava em uma reunião com três pessoas (tirando ele), minha mãe, a mãe da minha mãe (a ouvira chamá-la de mãe nesse sonho) e pra completar Will. Sei que ele não é um Deus, mas ele estava lá e eu tenho certeza disso.
— Will me responde uma coisa com sinceridade?
— Dependendo do que você for perguntar.
— É que um dia tive um sonho e você estava nele ao lado do meu pai, não ouvia o que vocês estavam conversando, mas acho que era sobre mim, posso saber o que era?
Ele hesitou por um momento, foi andando em direção as suas coisas, acho que ele queria ir embora, porque não me olhava e ele definitivamente não era de fazer isso.
— Por favor, me reponde! Tem tanta coisa acontecendo comigo. Estou com medo porque tenho que fugir de alguma coisa que não sei o que é, meus amigos morreram ontem e não sinto nada a respeito disso, e agora você me ignora como se não tivesse me ouvindo!
— Olha eu sei que é difícil passar por isso, mas você tem que esperar mais...
— Não, eu não tenho que esperar nada! – Minha voz já estava alterando. – Vocês sempre se metem em minha vida, sabem coisas que eu não sei. É a minha vida e tenho direito de saber.
— Tudo bem, tudo bem. Vou te explicar.
Ele sentou em um tronco ao meu lado e suspirou tantas vezes que achei que ele iria roubar todo o ar daquele lugar, mas por fim ele começou a falar.
— Nunca pensei que teria que explicar isso pra você tão cedo...
— Para de enrolar e vá direto ao ponto.
— Ok, ok. É o seguinte. Como você sabe, seus pais não podem ter filhos.
— Sim sei disso.
— Então, só que a lei só é aplicada quando um Deus no caso seu pai ou sua mãe tiverem um filho com um mortal. O que não aconteceu, você é uma filha de um deus e uma deusa, Só que Zeus, o deus de todos os deuses, não sabe disso, porque você é a única Deusa que foi criada por mortais.
— Perai, eu sou uma Deusa? Eu tenho algum poder?
— É isso já complica um pouco. É que como você é filha do Deus da morte e da deusa das flores, você adquire um “poder” especial.
— E que poder é esse?
— Hades se fortalece dos mortos, e Perséfone se fortalece quase que da vida, como é deusa das flores ela prefere vida a morte, como são opostos, os dois te dão poderes opostos uns aos outros.
— Não entendi.
— Você tem praticamente todos os poderes do seu pai misturados com os da sua mãe, você é indestrutível em termos de vida ou morte.
Não sei se isso é legal ou não, espero que seja, porque se tiver um tanto de monstros correndo atrás de mim, agora eu sei o motivo, mesmo assim isso não é nem um pouco legal.
— Só uma coisa, porque os monstros estão atrás de mim?
— Porque você, Hanna, está destinada a grandes coisas, e depois de amanha, pelo que sei, é seu aniversário, você fará 16 anos, e já vai estar pronta pra treinar seus poderes oficialmente. Você tem o poder que um filho de Hades jamais teve antes em muito tempo. Você tem o poder de salvar ou destruir o mundo.
Isso é uma responsabilidade enorme! como que eu vou salvar o mundo se não dou conta de cuidar nem se quer de um bichinho?! Acho que escolherem a pessoa errada, mas não quero pensar nisso agora, como Will disse, tenho dois dias para meu aniversário, tenho que estar feliz mesmo não sendo verdade.
Falei com ele que poderia dormir que eu ficaria vigiando o resto da noite, ele nem sequer reclamou, foi direto para seu saco de dormir e caiu em um sono profundo. Procurei uma arvore com boa vista para a clareira e para mais adiante, achei uma, não muito alta, mas grande o suficiente para que eu avistasse alguma coisa de longe, subi em seu galho mais alto e fiquei o resto da noite vigiando e pensando ao mesmo tempo.
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