Hanna

Quando sai dos aposentos do barão minha mente estava a mil. Quem ele pensa que é pra me esconder uma coisa tão importante desse jeito? Ele disse que é para minha segurança, mas não entendo como me esconder esse fato vai me deixar mais segura. Passei pelo corredor de cabeça baixa quando uma coisa me puxou.

— Ai! – resmunguei.

— Shhh, somos nós Hanna, o Sam e a Meth

— O que os dois pensam que estão fazendo aqui? — Perguntei furiosa. – Se alguém pegar vocês, vocês estão fritos.

— Nós só queríamos saber como que foi a sua conversa com o Barão – Disseram os dois quase ao mesmo tempo.

— Não é da conta de vocês. – Disse irritada

Livrei-me das mãos de Sam, que por incrível que pareça estavam mais forte, deve ser por causa do trabalho na cozinha (e claro pelos furtivos treinos de esgrima que ele fazia. Na nossa idade não era permitido, mas sempre que ele ia praticar eu ia junto para assistir). Sai correndo pelo corredor até chegar ao dormitório. Para variar não consegui dormir, fiquei pensando no que o barão me dissera aquela noite.

"- É para sua segurança Hanna."

Porque será que ele disse isso? Eu nunca vi um louco psicótico correndo atrás de mim, acho que a unica coisa de grave que já aconteceu comigo foi eu ter escorregado com um monte de pratos na cozinha e em consequência A Srt. Jenny me deu uma colherada de pau na cabeça, só isso, mas devo admitir que doeu pra caramba.

Esse pensamento me fez rir, e melhorou meu humor, não a ponto de eu sair correndo e pulando distribuindo flores pra todo mundo, mas sim, fiquei um pouco melhor. Com esse devaneio na minha cabeça finalmente consegui dormir.

**

Tive um pesadelo horrível, sonhei que Sam e Meth estavam amarrados pelo pescoço em uma arvore, sangue escorria por suas jugulares e estavam brancos como mortos. E eles estavam mortos. Tentei ajudá-los, mas percebi que também estava acorrentada com eles, mas somente minhas mãos estavam amarradas fazendo com que eu ficasse de frente para eles. então uma voz sussurrou em minha cabeça:

— Pobre garota, pensa que pode ajudar os amiguinhos, mal ela sabe que eles já estão mortos. – Disse uma voz.

— HAHA. Ela pensa que pode fazer alguma coisa para nos impedir...– Começou a outras voz.

Eu queria gritar e perguntar quem era, mas a minha voz não saia. Entrei em pânico. Até que o sonho mudou, eu estava nos corredores do castelo com uma cara fechada, estava segurando uma faca e ia em direção ao quarto do Barão, abri a porta, mas percebi que havia algo errado, o Barão já estava morto com uma faca atravessada no peito, eu queria correr até ele, mas algo me impediu. Não consegui ver o seu rosto, mas a voz era de mulher, não igual a das outras duas, mas mais fina e cortante.

— Olha só o que sua cabeça pode produzir, você tem tanta capacidade de matar que até sonha com isso. Não me surpreenderia se isso acontecesse de verdade.

Então todas as três vozes começaram a rir, um riso estridente, ensurdecedor, que causava dor de cabeça. Em meio a eles eu gritava.

—NÃO, não. Isso não é verdade, isso é só um sonho. – Disse tentando identificar aqueles rostos. – Quando acordar tudo vai voltar ao normal!

A sala foi se distanciando e o Barão ficava cada vez mais longe de mim, eu tentava correr para alcança-lo e ajuda-lo, mas foi em vão, o lugar foi ficando vermelho sangue, fui me sentindo sufocada e caia em um buraco sem fundo.

**

Acordei com Meth me chacoalhando pra frente e para traz, ela gritava desesperada.

— Hanna! acorda Hanna! por favor!.

— O que foi? – Perguntei atordoada. – Pra que tanto alvoroço? Ainda é de madrugada, o que você quer?

— Hanna, você está bem? Eu ouvi você gritando.

— Eu... eu estou bem sim, estava tendo só um pesadelo.

Contei a Meth o pesadelo, e ela escutava cada palavra com a maior atenção possível. Quando acabei ela disse desesperada:

— Vamos. – Disse ela me puxando pra levantar da cama. – Temos que andar depressa.

— Vamos pra onde?

— Temos que acordar Sam e tirar você do castelo o mais rápido possível.

— Por quê? O que está acontecendo? Você sabe de algo que eu não sei?

— Não ha tempo de explicar agora, vem, ponha uma roupa rápido, vou acordar Sam.

Coloquei a primeira roupa que vi pela frente, uma calça de couro uma blusa colada preta e uma capa de frio, pois estava nevando, e botas cano longo igualmente pretas. Não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, Meth reagiu de uma maneira tão esquisita quando contei meu sonho.

Quando chegamos ao dormitório de Sam, ele já estava completamente vestido, usava uma calça de couro meio parecida com a minha e uma blusa branca e larga, tinha uma espada pendurada na cintura, mas decidi deixar isso para depois.

— O que vocês dois estão fazendo? Porque querem me tirar daqui? É impossível e o barão vai acabar descobrindo.

Sam pegou em meus ombros e olhou no fundo dos meus olhos, fiquei totalmente sem graça olhando para aqueles olhos negros. Mas por fim ele me disse:

— Hanna, escute, o Barão já sabe que nós vamos levá-la do castelo, na verdade ele nos pediu para protegê-la...

— Proteger-me de que? –perguntei nervosa.

— Não há tempo para explicações agora, por favor, venha conosco eu prometo que te explico tudo no caminho.

Eu não queria ir, queria lutar e ficar ali até que eles me explicassem tudo direitinho, mas como poderia recusar um pedido de meu melhor amigo? Não tinha escolha, fui atrás deles, ainda com várias duvidas na cabeça.

Notas finais
Gente, sou muito ruim para decrever roupas, então se vocês quiserem ter ao menos uma ideia de como é a da Hanna: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/01/16/231010-970x600-1.jpeg Sim gente é a Maria... HAHAHHA