Arqueira perdida
10 Capitulo 10
Meth
Pela primeira vez em várias noites não tive um daqueles pesadelos horríveis, que envolviam tanto meus amigos quanto minha família, na verdade naquela noite não havia tido nenhum sonho e isso foi um grande alivio pra mim. Acordei com Hanna gritando do lado de fora, dei um pulo da cama peguei uma muleta improvisada e fui correndo pro lado de fora.
— O que houve?
No mesmo momento comecei a rir descontroladamente, Hanna havia caído com um monte de vasilhas na mão, acho que ela tinha tentado guardar todas ao mesmo tempo e isso foi um erro.
— Isso não é engraçado. — argumentou ela.
— Acredite, é sim.
— Queria ver se fosse com você.
Ajudei-a a se levantar e ajudaria a recolher as vasilhas, mas como minhas mãos estavam ocupadas, não consegui, algumas haviam quebrado outras estavam apenas com alguns rachados.
— Pode deixar que eu pego.
— Claro que não, você está machucada, e em falar nisso pode voltar pra cama.
— Olha acabei de me lembrar que você não é minha mãe!
— É, mas já que ela não esta aqui posso desempenhar esse papel.
— Não pode não ela era muito mais legal que você.
Estava começando a me irritar com aquela conversa, até parece que ela mandava em mim, nem eu mesma mandava, quem dirá ela, isso me irrita muito, já to cansada disso. Antes de ela me responder, virei às costas e sai batendo os pés com força no chão, mas não entrei na caverna fui pra uma parte da montanha, Andes de tomar distancia ouvi Sam falar.
— O que houve com ela?
— Eu é que vou saber? Ela vive irritada mesmo, daqui a pouco passa, pode deixar que vou atrás dela.
Hanna estava me seguindo e gritando ao mesmo tempo: "dá pra andar mais de vagar?" "me espera" Não respondia, continuava andando sem rumo, quando vi que não tinha mais lugares para andar parei e fiquei olhando pro horizonte.
— Aah, até que em fim parou.
— O que você quer?
— Nada, só conversar.
— Que pena, não estou com vontade.
— É, mas você vai me ouvir. Olha sinto muito ter agido daquela maneira, é que fico preocupada com você, não gostaria que nada de mal lhe acontecesse, não quero que pense que te acho indefesa, de maneira alguma, te acho até mais valente que eu, só que as vezes essa sua valentia se torna estupidez.
Ela fez uma pequena pausa e por um momento achei que havia acabado o discurso, mas depois do que me pareceu dois minutos ela voltou a falar.
— Você pensa que eu não te entendo? Eu te entendo sim, mais que ninguém até, sei como é não ter um pai e uma mãe por perto, sei como é ter que guardar um segredo que acha que não vai suportar, sei como é isso tudo. Mas por favor, não seja dura comigo, eu só quero o seu bem.
Ela finalmente havia acabado de falar, e uma pequena lagrima escorreu sobre meu rosto e parou entre minha boca, virei para ela com a cara fechada.
— Eu sei que você se importa comigo, mas às vezes você me trata como uma criança, e eu não gosto disso.
— É, mas às vezes você age como tal.
Quando ela falou aquilo senti minhas bochechas ficarem mais vermelhas que sangue, quem ela pensa que é pra falar aquilo? Não discuti, simplesmente respirei fundo e me virei novamente.
— Desculpe. -disse ela.
— Tudo bem, acho que temos que parar de brigar desse jeito, se não vamos acabar matando uma a outra.
Ficamos caladas por um bom tempo, acho que mais ou menos umas meia hora, o sol estava quente, mas bem atrás das montanhas uma massa de nuvens cinzentas se aproximavam, sinal de chuva. No mesmo instante Hanna falou.
— Bem acho que vem chuva por ai, acho melhor voltarmos.
— É também acho.
Depois de um bom tempo caminhando me lembrei de uma coisa que ela havia me dito enquanto dava aquele sermão.
— Hanna o que você quis dizer com "sei como é ter que guardar um segredo que acha que não vai suportar"
— Bem digamos que não é só você que tem segredos, acha que eu não sei do seu bracelete?
—O que? Que bracelete? -havia me arrependido de ter feito aquela pergunta, como ela sabia do bracelete?
— Não se faça de boba, quase todas as noites quando chego você fica falando dormindo de uma pulseira que vira adaga, que não pode contar a ninguém e blá, blá, blá...
— Uum, mas peraí você chega de onde a noite?
Pela parada que ela deu, aquela pergunta pegou-a de jeito.
— É que... É que, bem às vezes fico sem sono e vou dar uma voltinha é só isso.
— Você pensa que vou cair nessa? Pelo amor dos deuses que desculpa mais idiota!
— Problema é seu se não acredita.
— É não acredito mesmo, e pode ter certeza, vou descobrir o que você anda fazendo a noite.
— Para de bobagens Meth, não faço nada, só caminho.
— Vou fingir que acredito.
Fiquei pensando nas mil e uma possibilidades de onde ela estaria indo de noite, e quando fui perceber já estávamos no "acampamento". Lucy deu uma cotovelada em Sam que parou de falar alguma coisa e se virou.
— Ai está vocês duas, por onde andaram? Fiquei preocupado.
— Aham, até parece que você se preocupa com a gente. - Hanna falou aquilo com um tom de desprezo.
— Preocupo sim, porque acha que não?
— Bem desde que você veio pra cá só pensa em ficar com ela, nem liga mais pra gente.
— Ou ela aqui tem nome. — Lucy disse, tentando parecer ofendida.
— É eu sei disso.
Hanna entrou na caverna e ficou lá durante o jantar inteiro, ficamos sem assunto depois daquela briga, até que resolvi falar.
— Não fiquem bravos com ela. Dê um tempo, ela esta irritada, pensando em várias coisas ao mesmo tempo só isso.
— Mas ela não tinha o direito de falar aquilo, eu me preocupo sim com vocês duas e muito.
— Eu sei disso Sam, é só difícil pra ela ter alguém pra dividir você.
— Como assim?
— Não vai me dizer que não repara como ela olha pra você?
— Não.
— Esquece então.
Como assim ele não sabia? é possível uma pessoa ser burra a esse ponto, até eu que era meio desligada percebi isso, e Lucy também parecia ter percebido, acho que por isso ela se tornou mais intima de Sam do que o normal, mas ele agia tão normalmente com ela que parecia que eles já se conheciam a muito tempo, mesmo que tivéssemos ficado lá por uma semana e meia.
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