Notas iniciais
foi o capitulo mais rápido que já escrevi...espero que gostem

Hanna

Eu tinha realmente ficado muito brava com o Sam, não era ciúmes, era apenas... Não sei o que era, mas me recuso a admitir que era ciúmes. A noite já estava chegando, fui me deitar pra que Meth não me enchesse de perguntas. Quando ela entrou fingi que estava dormindo, ela se deitou e depois de uma hora coloquei minha capa e fui aonde costumava treinar.

—JÁ ESTOU AQUI! – falei irritada, não sei se iria ter cabeça pra treinar hoje.

— É eu percebi, não parava de fazer barulhos tanto com os pés quanto com sua boca. E não precisa gritar eu to aqui há muito tempo, e você esta atrasada meia hora e...

— Ta já entendi, não precisa dar esse sermão, porque essa é a primeira vez que isso acontece, não to com cabeça pra isso então vamos logo ao que interessa?

— Mas primeiro quero que você sente-se ali naquele tronco e vá meditar um pouco.

— Mas por que...

— Porque se não vou acabar perdendo minha cabeça hoje, – Me interrompeu – e isso no sentido literal.

Não discuti com ele até porque era verdade, a primeira coisa que aprendi nesse período de treinamento é que uma mente com raiva é uma mente pequena, não queria arrancar a cabeça do meu mentor, mesmo que ele me fizesse querer isso às vezes.

— Ok então, estou indo.

Sentei-me no tronco e comecei a meditar. Sempre que fazia isso meu mentor me instruíra a manter a mente limpa e se eu não conseguisse manter tal estado era possível também manter o pensamento sempre em uma lembrança feliz, não possuía muitas, mas daquela vez uma única lembrança me ocorreu. Quando eu e Sam nos conhecemos. Ele estava no castelo a mais tempo do que eu, então já tinha bastante amigos, eu por outro lado sempre me isolava e evitava contato com os outros protegidos.

Um dia dois garotos mais velhos começaram a implicar comigo, Sam me defendeu, mesmo ele tendo apenas sete anos (sendo que ele era mais velho que eu três anos), e desse dia em diante passamos a ser melhores amigos, então Meth entrou, ela me odiava, não sei o motivo, mas depois de umas brigas começamos a nos entender.

E aquela lembrança doía muito, pois não éramos mais unidos como antes, começamos a nos separar, a ter segredos. Então percebi que comecei a chorar e acho que meu mentor também percebeu porque ele me balançou um pouco e perguntou:

— Está tudo bem?

— Sim, é só que tive uma lembrança tão feliz que chega a doer.

— Sei bem como é isso, se você quiser falar a respeito. Sei que isso não é um papel de mentor, mas o meu sempre foi muito duro comigo então amoleço um pouco com os meus aprendizes.

— Fiquei sabendo que seu mentor era o maior arqueiro de todos os tempos, mas até hoje não sei quem é. Você poderia me dizer o nome dele?

— O nome dele era Halt. Morreu em batalha há poucos meses, sempre foi como um pai pra mim, e ele, acho pelo menos, me considerava um filho.

É claro que era Halt! o maior arqueiro de todos os tempos, como não descobri? Que burrice da minha parte, considerando que o meu mentor se chamava Will, como não relacionei antes? Nossa como eu sou burra. E parecendo que lia minha mente Will falou:

— Não se culpe por não ter pensado isso antes, é bem difícil de acreditar que eu um homem cheio de alegria já fora aprendiz de um carrancudo como o Halt.

Começamos a rir depois que ele falou aquilo, então como se fosse um baque comecei a chorar mais uma vez, um peso jazia dentro de mim e não conseguia jogá-lo fora, isso era a pior sensação do mundo, eu tinha apenas 14 anos e sentia que o mundo estava em minhas costas.

Will me abraçou e eu retribui o abraço, precisava de alguém pra isso, mesmo Meth que era minha melhor amiga... Sentia que não podia mais contar com ela, é como se a cada momento que passasse desse a impressão que ela fosse me abandonar.

— Me desculpe por isso. –disse recuando.

— Não tem problema, se quiser pode falar comigo estou te escutando.

— Sabe, tem tanta coisa me rondando ultimamente, que nem sei por onde começar.

— Que tal do começo?

Contei tudo que sentia pra ele, e parecia que ele ouvia com atenção, pois a cada frase terminada ele coçava a barba torta como sempre fazia quando uma coisa o interessava, se eu pensar bem, foi à mesma coisa que ele fez quando me conheceu. Nunca me senti tão ligada a alguém como me senti a ele, nem mesmo Sam e Meth me faziam sentir assim. Quando terminei de contar tudo ele finalmente disse.

— Bem sua história é um pouco parecida com a minha, e, sem querer me gabar olha como estou hoje?!

Abafei um riso e ele percebeu e fez uma cara de desapontamento.

— Tudo bem, sei que não é muita coisa mas...

— Não é isso, é porque você falou engraçado.

Começamos a rir juntos então olhei para o céu e percebi que já estava quase amanhecendo, meu deus eu passara mais de cinco horas conversando com Will e nem percebera. Por fim levantei-me e disse.

— É melhor eu ir, antes que alguém sinta minha falta. Foi um prazer conversar com você

— Digo o mesmo.

E antes de sair me lembrei de uma coisa que queria ter dito a muito tempo.

— E aah... Will.

— Sim?!

— Porque não vai a um barbeiro? Sua barba vive torta.

— É eu sei, aprendi com meu mentor.

Dei um sorriso antes de sair e ele retribuiu. Quando voltei o sol já estava quase nascendo, me apressei pra chegar à caverna, mas já era tarde de mais, todos estavam do lado de fora, sentados na mesa e quando perceberam minha presença logo fecharam a cara.

— Onde diabos você estava? –perguntou Meth.

— Estava passeando por ai.

— Passeando? Por seis horas? Que tipo de pessoa faz isso? –perguntou Sam

— Sim por seis horas, e daí? Bem eu sou uma pessoa e fiz isso então eu sou desse tipo.

—HA-HA-HA, engraçadinha você não? É sério por onde andou?

— Por lugar nenhum, só estava andando na floresta.

— De noite, onde todos os tipos de bichos perigosos saem pra caçar? A não ser que tenha algo interessante lá, não vejo motivos pra você ter ido.

— Teve sim um motivo muito bom, VOCÊ, e se me der licença vou deitar.

Todos se calaram depois que disse aquilo, mas ninguém me seguiu até a caverna, puxei meu cobertor e dormi um pouco, pois estava realmente cansada.

Notas finais
O que acharam?