Armações do destino
8 Inesperado
Notas iniciais
Após sair da sala do auditório eu fui direto me encontrar com Sam, no caminho até a lanchonete da faculdade eu não conseguia tirar aqueles lindos olhos azuis e o belo sorriso dele de minha mente. Vê-lo bem de perto me fez ter certeza do quanto o senhor Grissom era lindo, como se já não tivesse certeza, afinal, fiquei com cara de boba quando o encarei após ter sido repreendida na frente de todos. E tenho mais certeza que Sam notou e irá fazer questão de me atormentar com isso!
“Nos veremos amanhã, senhorita Sidle?"
Estou tentando pensar que essa pergunta foi relacionada a próxima palestra, mas infelizmente só consigo imaginar nós dois a sós, no parque e uma bela cesta de piquenique.
—Droga! Nada disso, Sara. _Me repreendo por pensar assim.
É algo impossível por vários fatores, então, o melhor é me afastar.
Embora não queira!
Sam e Brandon estão em uma mesa bem ao fundo, acenam assim que me vêem chegar. Fui de encontro a eles e tentei agir normalmente, como se nada de mais tivesse acontecido, embora por dentro meu estômago esteja fervilhando, quase entrando em ebulição.
—Oi Sara. _Brandon me cumprimenta. _E então, o que achou da palestra, ou melhor, do palestrante?
Um olhar e um sorriso divertido aparece em suas feições. Sam tentou ficar séria, mas caiu na gargalhada. Joguei uma batata frita nela.
—Você contou a ele, sua chata!
Os dois caíram na gargalhada e eu me joguei na cadeira vazia, sabia que havia ficado como uma boba, tudo bem, mas daí os dois também saberem, não era bom. Depois paparem de ri, Sam perguntou.
—E então, Sara, o que achou dele?
—Ele é muito bom. Consegue explicar bem e de um modo claro. _Sam estreitou o olhar, não era essa a resposta que ela queria.
—Não quero saber sobre isso, mas dele. Você achou ele bonito? E não adianta mentir, porque ele é lindo!
—Ei, eu estou aqui! _O namorado protestou.
—Desculpa amor. Você sabe que amo você.
Ele assentiu e Sam o beijou rapidamente nos lábios. Me encarou, esperando minha resposta. Se admitisse, ela iria usar isso contra mim, se mentisse, também usaria contra mim. E alegaria que estou apaixonada pelo palestrante.
Droga!
—Sim, ele é lindo! _Admiti, mais uma vez ela atraiu atenção após soltar um gritinho vitorioso. _Satisfeita?
—Sim. _Ela concordou. Brandon sussurrou que iria ao banheiro. E Sam ficou séria ao me questionou. _O que você foi falar com ele, em?
—Nada demais. Fui apenas pedir desculpa por ter atrapalhado a aula. Só isso!
"Nós veremos amanhã, senhorita Sidle?"
Droga! A pergunta e modo com ele sorriu a obter uma resposta positiva, invadiu minha mente.
—Você deveria ter chamado ele pra sair.
—Tá maluca, ele deve ser casado ou...
—Ele é solteiríssimo! _Avisou, me interrompendo. E uma expressão de surpresa estampou o rosto dela. _Eu sabia! Você está.. _Sam se inclinou sobre a mesa, cochichando o que eu mais temia ser verdade. _apaixonada por ele.
—Claro que não! _Tentei soar verdadeira.
—Está sim. Nunca vi você ficar boba assim por nenhum garoto. Nem mesmo com Liam.
—Vamos esquecer isso. E eu não estou apaixonada por ele!
Claro que Sam não esqueceu e passou o resto do dia me atormentando, como eu já esperava. Não iria admitir a ela, mas eu realmente estava... encantada com a beleza, o sorriso e os lindos olhos azuis do senhor Grissom, o homem que fez meu coração disparar e ao mesmo tempo parar. Era algo que não conseguia explicar, porém, nunca havia sentido. Meu único momento de paz foi quando Sam saiu para jantar com Brandon e eu coloquei os fone de ouvidos e comecei a estudar para a prova que faria no dia seguinte, na qual eu havia esquecido completamente. E por causa disso, infelizmente eu não iria à palestra, pois era no mesmo horário.
Estava quebrando minha promessa de vê-lo novamente. E estava me sentindo mal por isso!
*****
—Ei, Sara. Estamos indo ao Charles River. _Louise e Sam anunciam, apontando para elas e mais dois colegas. _Está tendo um evento de cultura japonesa. Não quer ir com a gente?
Depois de duas horas de prova, eu iria adorar. Mas recusei.
—Desculpa. Mas já tenho compromisso. _Menti. Embora fosse tentar me encontrar com um certo palestrante.
—Ah, não, Sara. Vamos, vai ser legal. _Sam implorou, cruzando as mãos. _Eu sei que você não vai fazer nada aqui. E hoje está de folga do trabalho.
—Sério, gente. Fica pra próxima.
—Ok! _Sam me lançou um sorriso malicioso. _Te mandamos fotos para te fazer inveja. Quero saber de tudo quando chegar.
Sussurrou para mim e seguiu os colegas.
Eu sabia bem o que se passava pela mente da minha amiga. Disposta a me “encontrar” com o senhor Grissom, faço o caminho mais longo para o refeitório, apenas para passar pelo auditório na esperança de vê-lo. Estava fechado, então me dou conta de que era hora do almoço.
Meu estômago ronca. Melhor comer algo.
Como sempre, o refeitório estava lotado, eu tinha que passar por uma fila enorme para me servir. Dez minutos depois, com uma bandeja nas mãos, encontro uma mesa vazia e sento. Ataco a comida, solto um gemido ao provar o delicioso purê de batatas, alguém para na minha frente e quando levanto o olhar fico paralisada. Novamente aqueles lindos olhos o maravilhoso sorriso e o belo homem estavam bem na minha frente.
Não consigo dizer nada.
Sorrindo, ele pergunta.
—Posso sentar aqui? _Aponta para o local vazio. _As outras mesas estão cheias. Mas se estiver esperando alguém...
—Não. _Saio do transe e engulo o purê. Declaro. _Pode sentar. Não estou esperando ninguém.
Ele concorda e senta à minha frente.
—E sua amiga? _Conto a ele, que assenti. Dispara. _Esperava vê-la na palestra. Por que não foi?
—Tinha uma prova, era no mesmo horário. _Ele balança a cabeça. _Desculpa.
Ah droga! Por que estou me desculpando?!
Ele apenas sorri. Começa a comer sem tirar os lindos olhos de mim. Desvio o olhar. Ficamos assim por cerca de quinze minutos, ele me encarando com um sorriso e eu meio constrangida, desviando o olhar. Até que deixo a vergonha de lado e o encaro também. Pergunto.
—De onde você e quanto tempo ficar na cidade?
—Moro em Los Angeles. _Concordo, sorrindo. _Em três semanas volto a minha vida de perito criminal.
Seu comentário me diz que ele é solteiro, ou tenha omitido, por ser algo que não me interessa. Digo a ele onde morei, quando me pergunta e fica admirado ao saber que quero ser psiquiatra. O celular dele toca, ele atende e por alguns minutos explica a outra pessoa sobre o que dar a um besouro para mantê-lo vivo. Anuncia depois de desligar.
—Foi bom almoçar com você. Preciso ir, tenho outra palestra em dez minutos. _Ele pisca para mim e levanta. E eu fico totalmente sem ar. _Soube que terá uma festa amanhã à noite. Nos veremos lá, senhorita Sidle?
Droga, vou ter um troço.
Sem conseguir falar, apenas concordo balançando a cabeça.
Claro que eu ia à festa, não perderia por nada!
Quando o senhor Grissom vai embora, olho-o, elegantemente ele segue para a saída do refeitório e noto várias mulheres virarem o pescoço para admira-lo. E sem se importar com os olhares, ele continua o seu caminho.
E me dou conta de que havia dito a Sam que não iria à festa.
E agora, o que vou dizer sobre minha mudança?!
Droga! Teria que pensar em algo bem convincente.
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