Notas iniciais
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Olhei preguiçosamente para a estante de livros na minha frente, boa parte nunca abertos. Estava jogada na cama, pensando se estudava ou não. Eram três provas, eu tinha que estudar pelo menos para uma, para tirar uma nota no mínimo mediana.

Me levantei a muito custo e encarei os livros didáticos, física estava fora de questão, biologia provavelmente era muito assunto, sobrava química. Ia ser isso mesmo. Quando fui procurar o livro percebi que não estava lá. Lembrei que tinha perdido no meio do ano em... algum lugar por aí. Eu não ia procurar meu livro agora, então, nesse caso, acho que teria de ser biologia... Então tive um clic.

O livro! O livro de bolso todo surrado que eu comprei do carinha maluco em uma loja aí! Abri minha gaveta, e ele estava lá, bonitinho (Ou quase isso). Deitei na minha cama de novo e abri o livro, primeiro folheei as folhas, e então fui para a primeira página, era toda em branco exceto por uma frase no centro:

“A Química é a ciência da transformação”

Passei algumas folhas, pulei a parte de química orgânica (Que provavelmente era o assunto da prova) e fui para química inorgânica, queria revisar os elementos da tabela periódica, seria muito ruim uma aluna do segundo ano só saber 15 de 109 elementos da tabela periódica?

Antes de chegar na tabela, parei em uma folha com o título Alotropia, pensei: “Alerta. Alerta. Nome estranho e complicado. Melhor eu saber o que é isso.” Comecei a ler o texto:

Ø Alotropia

Alótropos são diferentes substâncias simples formadas por um mesmo elemento químico. Quando um elemento apresenta alótropos, diz-se que ocorre o fenômeno da alotropia.

O elemento químico carbono (símbolo C, número atômico 6) forma os alótropos naturais grafite e diamante.

A grafite é um sólido opaco e pouco duro. Já o diamante é um sólido transparente e muito duro. Existe uma única substância artificial (não natural) que é mais dura que o diamante. É o nitreto de boro.

Grafite e diamante tem natureza macromolecular. A diferença entre eles é a sua estrutura. As ligações covalentes feitas por um átomo de carbono apresentam disposição geométrica trigonal plana formam a grafite. Já a ligações que apresentam geométrica tetraédrica formam o diamante.

—Então, resumindo... O elemento carbono pode formar várias coisas, só mudando os átomos em suas estruturas, coloque em trigonal plana e você tem a grafite, coloque em tetraédrica e você tem um diamante. Somente mudando os átomos... – Pensei em voz alta.

Espera aí... Parei um segundo para rever o que eu tinha falado. Átomos, certo? Minha mente estava a mil. Eu controlo átomos, a fonte do meu poder é essa... Sendo assim, será que eu...

Eu tinha largado o livro na cama aberto na página, mas, talvez o vento, o próprio peso das páginas ou então alguma força sobrenatural que eu não compreendo fez o livro voltar para a primeira página.

—A Química é a ciência da transformação, certo? Vamos ver se isso é verdade...

Fui até a mesa, abri algumas gavetas a procura da caixinha de tubos de grafite, quando achei peguei uma ponta de grafite e a segurei nos dedos.

—Tudo bem, e agora? O que eu faço? – Perguntei a mim mesma.

Peguei o livro na cama e olhei para as estruturas na imagem. Talvez eu pudesse tentar fazer os átomos se reorganizarem dessa forma, na forma de diamante.

—Muito bem. – Respirei fundo. – Átomos da grafite, é o seguinte: eu quero que vocês se reorganizem, quero que fiquem na forma tetraédrica agora por favor.

Olhei para a grafite inalterada. Vamos de novo.

Vi novamente a estrutura do diamante no livro e a imaginei no meu cérebro. Enquanto isso, procurei sentir os átomos de carbono na grafite, os prótons, os elétrons, os nêutrons, tudo. Senti então a atual disposição deles, mentalizei os átomos se reorganizando em outra estrutura, formando uma linha de geometrias tetraédricas.

Senti aquela sensação de novo, e dessa vez eu consigo descrever: O formigamento nas mãos, os impulsos nervosos no cérebro, a impressão da eletricidade percorrendo meu corpo, me senti mais viva do que antes (Isso faz sentido?).

Abri os olhos e ao invés de uma ponte de grafite de 6cm estava segurando um bastão de diamante de um metro e meio.

—Uou.

Manuseei o bastão, girando-o de um lado para o outro e trocando de uma mão para outra, era bem balanceado, mais pesado que o grafite, é claro, mas ótimo para lutar. Encostei uma parte do bastão em um ponto de luz, refletiu em vários pontinhos pelo quarto. Sem falar que era lindo.

—Adorei. – Disse em voz alta, examinando o bastão.

Muito bem, agora sim eu estou vendo vantagens em ser Arkhé, não que eu já não visse antes, telecinese é ótima (Embora alimente a minha preguiça, tipo trazendo o controle para a minha mão quando eu estou com preguiça de levantar do sofá e ninguém está olhando), mas, sei lá, consigo fazer diamante. Diamante! O que mais será que eu posso fazer e ainda não descobri?

*

—Muito bem, já podem começar. – Disse a fiscal na frente da sala, enquanto todos viravam as provas.

Olhei atentamente para o bloco de 30 páginas com 75 questões das provas de química, física e biologia na minha frente.

Preciso confessar: Eu não estudei nada. A menos que treinar com bastões de diamante conte.

Respirei fundo, abri a prova vagarosamente e comecei.

Não cheguei nem a questão 5 quando senti algo errado. Me desliguei da avaliação e procurei sentir o local.

Pausa para pixels de átomos se formando e se tornando nítidos na minha “visão”.

A agitação vinha da diretoria. O diretor Marelli tinha entrado lá e estava mexendo nas coisas, de modo não muito cauteloso, estava jogando tudo que não era o que quer que ele quisesse no chão. Pegou alguns papéis e objetos, fechou o notebook e colocou dentro da pasta. Então abriu uma gaveta com uma chave e começou a tirar dinheiro, cédulas e mais cédulas, e colocar dentro da pasta, no paletó, nos bolsos, em todo lugar.

Tudo bem, aquilo era suspeito, e o fato dele estar correndo não ajudava. Eu tinha que fazer alguma coisa, o que e como eu iria fazer era a questão.

Uma coisa de cada vez. Primeiro: Polícia. Eu tinha que arranjar um jeito de chamar a polícia. O problema era que, assim, eu acho, só acho, que eu estava no meio de uma prova, que tinha começado não fazia nem meia hora. Eu não tinha nem como entregar a prova e ir embora ou então pedir para ir ao banheiro, estava presa lá dentro.

Poderia fingir um desmaio talvez? Será que acreditariam? De repente, algo me passou pela cabeça.

—É isso! – Gritei, antes que pudesse perceber que tinha falado em voz alta.

Todas as cabeças na sala se voltaram para mim.

—Ahn, é... eu... eu finalmente achei a resposta para o problema. – Disse sorrindo encabulada e improvisando.

Muito bem. Voltando para a minha ideia. “Luce, em sala você está, preciso do seu dispositivo”, pensei enquanto procurava sentir Luce nas salas em que estavam ocorrendo as provas.

A achei no segundo andar, conseguia sentir o aparelho na bolsa dela embaixo da cadeira.

Telecinese não me falhe agora.

Fiz o botão apertar três vezes e então vi a luzinha vermelha se acender. Ótimo. Agora, quanto ao diretor... Mesmo que a polícia viesse o mais rápido possível ele já estaria longe daqui quando chegarem.

Eu tinha que sair daquela sala. Eu tinha duas opções: Fingir um desmaio (A ideia ficou na minha cabeça) ou tocar o alarme de incêndio.

Lembrei do isolamento acústico que tinha na sala dos professores, nos escritórios, mas convenientemente não existia na sala do diretor. Ótimo, adeus tocar o alarme, ele ouviria e se mandaria ainda mais rápido. Meu plano tinha outra falha, como os policiais iriam saber sobre o diretor? Sobre onde ele estava?

Bom, era para isso que servia a internet.

Peguei a caneta, fiz algumas contas aleatórias nas questões da prova e marquei (Entenda-se: chutei) algumas. Vai que eles olham minha prova? Virei a folha, comecei a fazer uma conta, mas interrompi e então deslizei a caneta pelo papel até o final, fazendo um risco que percorria os dois extremos da folha.

Derrubei a caneta no chão. Girei um pouco e coloquei as mãos na cabeça, e então cai no chão. Espero que isso dê para enganar como um desmaio.

As fiscais correram ao meu encontro, fechei os olhos, prendi a respiração, fiz de tudo para diminuir meus batimentos e deixei meu corpo ficar inerte.

—O que aconteceu com ela? – Ouvi uma das fiscais dizer.

—Parece que ela passou mal. Deve ter sido a pressão da prova, ou então passou a noite inteira estudando. Levem ela para a enfermaria. – Disse outra.

Me colocaram em uma cadeira de rodas (Que eu não faço a menor ideia de onde veio) e alguém me levou para fora da sala. O caminho para a enfermaria passava pela diretoria, antes de chegarmos lá, fingi me agitar e acordar do nada.

—O que...? Mas...

—Está tudo bem. Você passou mal na prova. Estamos indo para a enfermaria. – Disse uma mulher, a fiscal que estava empurrando a cadeira de rodas.

—Eu... eu estou bem.

—Bom, vamos para a enfermaria só por precaução. Você dormiu esta noite ou madrugou estudando?

—Eu dormi, claro. Acho que comi algo estragado. Estavam distribuindo umas barrinhas de chocolate na entrada, um monte de gente comprou. Provavelmente devem estar passando mal também, ou vão passar. — Me levantei da cadeira. — Faz assim. Olha eu já estou bem o suficiente para conseguir ir andando sozinha para a enfermaria, mas é porque eu tenho um organismo forte, outras pessoas não podem ter. Eu consigo ir daqui sozinha e você vai nas salas para checar se não tem mais alguém mal.

—Tem certeza?

—Absoluta.

—Tudo bem então.

Ela saiu andando apressada pelo corredor, empurrando a cadeira de rodas. Quando sumiu de vista, eu peguei o meu celular do meu all star de cano longo do pé direito. Comecei uma live no youtube, peguei o link e mandei para todos os meus contatos. Coloquei o meu celular no bolso da frente da minha calça, deixando a parte da câmera para fora, filmando tudo.

E então entrei na diretoria, e encontrei o diretor com duas bolsas transbordando notas nas mãos.

—O que você está fazendo aqui?! Não era para estar fazendo sua prova agora!?

—Anh... É que eu cheguei atrasada... Então... Eu vim aqui pensando que você poderia me ajudar, talvez eu pudesse começar a prova agora, ou então...

—Não tenho tempo para isso, desculpe. – Ele foi passar por mim para sair pela porta.

Não podia deixar ele sair.

—O que é isso? O que tem nessas bolsas? – Peguei o zíper de uma e abri um pouco. Cédulas de 100 reais caíram no chão.

—Ahn... Pode ficar com essas. Não conte nada do que você viu aqui e não virão atrás de você. – Ele puxou a bolsa da minha mão e tocou a maçaneta.

—Espera aí. – Corri e fiquei entre e a porta, tirando a mão dele da maçaneta e fazendo dar alguns passos para trás. – Eu não vou fazer isso. O que está acontecendo aqui? Por que você está fugindo com tudo isso de dinheiro?

Eu não sou burra, eu sei bem que ele faz parte da máfia. Fiz essa analogia no momento em que ele começou a pegar o dinheiro. Mas eu queria ganhar tempo, e é assim que ganha tempo. Não falando que você sabe que seu diretor é um ladrão ao pega-lo no flagra, para que ele simplesmente pegue uma arma e enfie uma bala na sua cabeça.

—Olha, Catarina, é Catarina? Eu realmente não queria fazer isso mas você me obrigou. – Ele puxou uma arma do paletó.

Tudo bem, ele pegou a arma de qualquer jeito.

Arregalei os olhos.

—Dê um pio e você acaba com uma bala no peito. Você vai ser minha saída daqui agora. Abra a porta.

Opa. Meus sentidos soltaram um alerta. Os policiais chegaram no colégio. Eu já estava sem tempo agora, Marelli ia fugir de qualquer maneira. Talvez um pouco de agitação dificultasse as coisas.

Tinha um alarme de incêndio no corredor da diretoria, logo do lado da porta.

Fiz o vidro trincar, lentamente, mas consegui, e então “apertei” o botão. O som ecoou pelo colégio, tapei os ouvidos por reflexo, Marelli levou um susto. Acho que eu ouvi mais do que senti as pessoas correndo agitadas e descontroladas pelos corredores.

Marelli levou um tempo para entender o que estava acontecendo, e eu usei isso a meu favor. Peguei uma estatueta na estante da parede e joguei na cabeça dele, o que o fez cambalear. Então abri a porta, sai e fechei novamente, trancando a fechadura com telecinese.

As pessoas que tinham saído do colégio provavelmente já tinham checado a live e avisado a polícia o que estava acontecendo, por que no momento que Marelli conseguiu arrombar a porta e eu cai para trás, os policiais chegaram atrás de mim. Um me tirou do caminho, vi detetive Montini, o pai de Luce, prender Marelli e alguns outros policiais entrarem na diretoria.

*

—Finalmente o interrogatório acabou. – Disse enquanto estava saindo da delegacia com Cami. – Me fizeram ficar lá por três horas, três horas! Só para repetir as mesmas coisas várias e várias vezes. E eu achando que a live me salvaria disso.

—É o procedimento padrão, infelizmente, não tem como mudar. – Disse Luce, vindo se juntar a nós. – Também só saí agora.

—Você teve que dar depoimento? Por que? Você estava fazendo a prova assim como eu e todo resto dos alunos e nós não tivemos que fazer isso. Eu só estou aqui porque a Nina é uma azarada, as coisas simplesmente só acontecem com ela. – Perguntou Camila.

—Parece que foi o dispositivo que meu pai me deu que chamou a polícia, eu não tinha nem tocado nele, estava dentro da minha mochila o tempo todo. Mas enfim, deu três toques e a polícia veio por causa do código de emergência. Deve ter sido o peso dos livros sobre ele que fez tocar, foi uma grande coincidência pelo fato de que realmente tinha uma emergência no colégio e a Nina estava sendo feita de refém.

Eu particularmente prefiro dizer que fingi ser refém e que tudo era minimamente planejado, mas isso não aconteceu. Nem a parte do refém e nem de eu ter planejado tudo.

—Eu ainda não entendo como só você, Nina, que consegue se meter nessas coisas. – Disse Cami.

Dei de ombros.

—Vai saber...

—Eu só sei que esse aparelhinho tem vida própria, aconteceu a mesma coisa no dia da biblioteca, em que pegaram Dante. Ele mandou sinal sem eu nem ter mexido na bolsa. Ainda bem que pelo menos ele sempre acerta, se ele ligasse de repente quando nada estivesse acontecendo eu ia ter sérios problemas...

—É... Cami, mas então, você foi a única de nós três que ficou no colégio, o que aconteceu?

—Fecharam o colégio.

—O que?! – Eu e Luce dissemos ao mesmo tempo.

—Pois é. A escola já estava “morrendo” por assim dizer, antes de descobrirem sobre a corrupção. Ser uma das únicas escolas públicas do país a nível das mais altas escolas particulares só era possível por causa da máfia. E dizem que os negócios e transações não estavam indo muito bem. Parecem que só criaram a escola para encobrir os desvios, boa parte dos professores estavam envolvidos, poucos foram os conseguiram comprovar plenamente sua inocência.

—Eu quero uma notícia boa, por favor me diz que o Rontes foi acusado.

—Que horror Nina! – Disse Luce brincado.

—Não. – Cami suspirou. – Infelizmente, ele foi um dos que provou inocência.

—Ah não é possível. É carma, só por que física é uma das únicas matérias que eu não entendo.

—Além de biologia, geografia, matemática... – Disse Camila contando nos dedos.

Dei um soco fraco no ombro de Cami.

—Mas e agora? O que acontece? – Perguntei.

—Bom, o governo estava tentando manter as aulas, mas com a liderança e boa parte do corpo docente sendo acusados de corrupção... Fica um pouco complicado. Devem fazer um cálculo com as nossas notas para entregarem os boletins e dizerem quem foi aprovado e quem foi reprovado. Além disso... Sugiro que comecem a pesquisar novas escolas. – Disse Luce.

—Mas e a propriedade? O que vão fazer com ela? Vão simplesmente chegar com uma bola de demolição e destruir o local? – Perguntei.

—Não, vão vender. A área na verdade é bem cobiçada, bem localizada, relativamente bem cuidada, enfim. Se duvidar já deve ter compradores. – Cami falou.

Luce se despediu e foi encontrar o pai, eu e Cami saímos da delegacia e fomos de táxi para casa.

—No final você acabou dando sorte Cami. Vai estudar na Europa ano que vem e não ter que passar por todo esse drama.

—Talvez... Agora, senhorita Catarina, acredito que tenhamos uma conversa pendente, e que você está me devendo duas histórias.

—Você quer que eu conte aqui? No táxi?

—Se você não contar agora, não vai me contar nunca.

Ela estava certa. Eu não ia contar nunca, o que significa que não ia contar agora.

—Olha Cami, eu realmente não estou no clima para isso. Não foi bem o que aconteceu em si, o que veio depois é que eu estou tentando ignorar por enquanto.

—Aliás, você viu o Guilherme hoje? Ele era para estar na minha sala da prova mas não apareceu.

—É... — Graças a Deus bem na hora o táxi chegou na frente do meu prédio. — A gente continua essa conversa outro dia, tchau Cami!

Saí do carro antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.

*

—Armas. Eu preciso de armas. O que eu tenho aqui que pode ser usado como uma arma?

Estava olhando para o guarda-roupa aberto e bagunçado na minha frente, procurando qualquer coisa útil.

Você realmente pensou que eu tinha desistido do Alex? Estava muito enganado. Mas eu precisava resolver umas coisinhas primeiro, antes de sair invadindo o Complexo e quebrando tudo. Mas não contava com a conversa com Camila, foi a única coisa que eu não planejei. E é aí que você fala: Então você sabia que o diretor fazia parte da máfia? Não, isso eu não sabia. Mas eu planejava entrar na diretoria de uma forma ou de outra, aquilo só me fez adiantar um pouco as coisas.

Agora, armas. Por mais que eu odiasse admitir, Nataniel tinha razão, eu iria precisar de armas para invadir aquele lugar sozinha. Não dava para arriscar com os meus poderes e não sei bem se um bastão de diamante conta como poderes ou mesmo se seria útil a distância. Porque, obviamente, eu não estou nem um pouco afim de combate direto.

Remexendo nas minhas roupas, deixei cair um fio branco que fez um estalido quando caiu no chão. Peguei e vi que era um dos meus fones de ouvido (Não do tipo Headset, mas como os Earpods da Apple), eu tinha centenas de fones de ouvido como aquele perdidos em algum lugar do meu quarto ou embolados em uma das minhas gavetas.

Clic. (Imagine uma lâmpada se acendendo em cima da minha cabeça)

Tinha encontrado qual seria a minha primeira arma.

Notas finais
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