Notas iniciais
^-^ E por fim chegamos à reta final. Este é o penúltimo capítulo. Espero que gostem.

Eu era uma faxineira. Sério, meu padrão de disfarces regrediu muito, de mulher assaltada para aquela ali que está encerando o chão do segundo andar.

A lavanderia que lavava os uniformes do Complexo era a mesma que as pessoas que participavam da máfia usavam, vi o cartão na mesa do diretor e meu palpite estava certo. Porém, uniforme de faxineira foi o único que deu para pegar sem que ninguém notasse, tinham vários de faxineira e zelador. Eram macacões largos cor cinza que vinham com um boné cinza também, sério eu só usaria aquilo em casos de extremo desespero, como agora.

Passar pela catraca foi fácil, fiz um ID da empresa falso e imprimi em um cartão, coloquei um pequeno chip na tarja, que iria colocar um vírus no sistema e fazer todas as outras pararem. Não iriam perder tempo com isso, todos que estavam com o crachá entravam. Tudo bem, eu admito. Eu entrei no quarto do Nataniel e roubei esse vírus dele. Eu estava procurando a minha arma de circuitos, mas acabei achando algo bem mais interessante no computador.

Agora eu estava terminando de encerar o chão do segundo andar porque dois seguranças estavam de olho em mim. Enquanto isso, procurava sinais de vida do Alex pelo prédio. Senti algo no 10º andar, desliguei o encerador, coloquei no carrinho e comecei a ir em direção aos elevadores. Então percebi que era para o outro lado e virei, tentando fingir que nada tinha acontecido.

Como assim você não estudou as plantas do prédio? Você não era para ao menos saber onde ficavam os elevadores para rotas de fuga? Em minha defesa, eu tentei sim ver as plantas do prédio, mas elas estavam na casa de Alex do bairro perigoso e que eu não gosto de ir. Não que eu não tenha ido até lá, eu fui sim, mas ele tem 7 trancas na porta, é impossível eu conseguir abrir todas. Na 5º eu já estava cansada, não é tão simples quanto parece abrir um tranca, tem que se descobrir o mecanismo e fazer girar somente as peças necessárias. Então, tive que confiar nos meus poderes e fazer tudo no improviso, no final é isso o que acontece na maioria das vezes. O segredo na verdade é fingir que sabe o que está fazendo, todo mundo cai que nem patinhos, até mesmo eu.

Entrei no elevador e apertei o botão do décimo andar. Já era de noite, por volta das 21:00. As faxinas e consertos em prédios comerciais como esse só eram feitas à noite, mas depois de meia noite eu teria que começar a inventar desculpas para eu estar andando pelos corredores.

Abaixei um pouco mais o boné quando dois homens de jaleco entraram no elevador. Eu tinha feito um coque no meu cabelo deixando parte dele caindo sobre os olhos, para as pessoas me reconhecerem teriam que olhar bem para o eu rosto, e, francamente, ninguém olha para a faxineira, mesmo assim, meu coração disparou.

Só quando eles saíram, no 9º andar, foi que senti o meu corpo relaxar. O elevador parou então no 10º andar. Parei no corredor e senti o ambiente ao meu redor. Virei a direita, Alex estava em algum lugar por aqui.

Salas, salas, e mais salas. Tudo o que eu via naquele corredor eram portas que davam a salas completamente brancas. Havia um janelinha circular em cada uma delas e de vez em quando eu olhava. Algumas estavam vazias, em outras pessoas andavam de um lado para o outro como se estivessem entediadas.

Lá pelo final do corredor achei uma sala em que um menino estava sentado no chão, os braços ao redor das pernas e a cabeça apoiada nos joelhos. Como se sentisse minha presença ele levantou a cabeça para me olhar. A primeira coisa que eu vi foram os olhos verdes.

Ele se levantou e veio andando devagar na direção da porta, a cabeça um pouco inclinada para o lado, como se estivesse me avaliando. Parou então na frente da porta, me olhando pela janelinha.

A porta estava trancada por código, provavelmente ligado ao sistema de segurança interno do prédio. Quebre o painel e ative um alarme silencioso (Nunca entendi esses alarmes que fazem o maior barulho, tem muito mais sentido deixar um alarme silencioso tocando, assim o ladrão não sabe se já o descobriram ou não, mas nesse caso, um alarme barulhento iria ser ótimo, já que eu era a ladra em questão). Porém, quanto mais tecnológico é a segurança, mais fácil é de passar por cima.

Ao invés de tentar descobrir a senha, o que levaria séculos, resolvi sobrecarregar o painel. Peguei o encerador do carrinho, abri a placa e cortei alguns fios, puxei até o painel e coloquei nos dois cantos superiores, onde ficava a bateria. Liguei o encerador e o painel soltou faíscas. Sem bateria, bye bye tranca da porta.

Simplesmente girei a maçaneta e abri a porta.

—Como você...

Dei um tapa na cara de Alex, tão forte que deixou a marca da minha mão.

—Ai! Por que você fez isso? – Perguntou ele levando a mão ao rosto.

—Pelo sufoco que você me fez passar. Me sinto bem melhor agora.

—Ah claro, me desculpe por ter sido sequestrado. Foi tudo minha culpa.

Revirei os olhos.

—Vamos logo. – Me virei para sair.

—Ei espera. – Ele me pegou pela cintura, me puxou para perto dele e me beijou. –Obrigado, não pelo tapa, mas por ter vindo. Acho que no final eu que estou te devendo uma.

Sorri.

—Eu sempre disse isso, idiota. Agora vamos porque esse plano não é a prova de falhas. A qualquer momento pode aparecer alguém e...

Por quê? Só me diz, por quê? Estava tudo bem. Por que eu tinha que mencionar que algo ainda podia dar errado? Só pra acontecer mesmo, só pode.

—Ei! Vocês! – Disse um segurança no corredor.

—Muito bem, agora a gente corre. – Disse Alex, então disparamos para fora da sala e pelo corredor no sentido oposto ao do homem.

Puxei do bolso os meus dois fones de ouvido, enrolei um em cada mão. Alex me olhou como se eu fosse sem noção.

Vindo por um corredor a esquerda, vinha um cara de jaleco. Quando viu Alex, se pôs a nos perseguir também. Alex estava na frente, diminui um pouco o passo e deixei o cara me alcançar. Assim que ele colocou a mão no meu ombro me puxou para trás, desenrolei o fone e mirei o plugue na barriga dele, ele se curvou de dor quando o fone o atingiu e aproveitei para joga-lo no chão e então correr.

Encontrei Alex nas escadas de emergência.

—Como você fez aquilo? Isso é um fone de ouvido! – Perguntou Alex enquanto descíamos as escadas.

—Acredite, doí mais do que parece. Qualquer dia desses eu ainda vou te bater com isso.

—Não obrigado. Já basta o meu rosto ardendo por causa do seu tapa.

Voltamos ao corredor no 3º andar para despista-los, iriam dobrar a segurança no térreo, teríamos que encontrar outra forma de sair de lá.

Fomos andando cautelosamente pelo andar. Até que achamos o caminho de saída perfeito (Bem, mais ou menos): O duto de lixo. Alex estava começando a entrar, quando alguém me pegou por trás, derrubei a pessoa no chão. Era um segurança. Desenrolei os dois fones ao perceber que mais estavam vindo.

—Alex, é melhor se apressar aí. Eu acho que não vamos ter muito tempo de...

Me deram um choque nas costas que fez meus joelhos cederem e eu caí no chão.

—Nina!

Alex veio ao meu encontro.

—Você está bem?

—Que tipo de idiota você é? Pelo amor de Deus, saí logo daqui!

—Só saio com você.

—Então acho que nenhum dos dois vai sair daqui hoje. – Disse uma voz no meio dos seguranças que nos cercaram rapidamente, bloqueando o duto.

Fechei os olhos, eu conhecia aquela voz.

—Alexandre meu caro, eu admito que tentei de tudo. Tentei ser gentil e fazer de você um membro da corporação, tentei a força e você resiste a qualquer tipo de tortura, e, infelizmente, você resolve amar justamente uma garota que sabe se defender. Assim você me deixa sem opções. – Disse Victor Whithill, os seguranças abrindo espaço para ele passar. – Eu só pedi uma coisa, uma pequena coisa. Fui benevolente com você. Sei bem como seu pai era, afinal, éramos irmãos!

Arregalei os olhos com essa informação. Alex abaixou a cabeça.

—Eu não sei fazer o que quer que meu pai fazia aqui, não pode me obrigar a simplesmente traze-lo dos mortos para me ensinar.

—Duas coisas: — Whithill colocou dois dedos finos e esqueléticos na cara de Alex – A primeira, eu sei que você não é seu pai Alexandre, e também sei que ele é um homem muito protetor, não iria compartilhar a vida dele com você. Mas, sei que você é um menino muito curioso, e tenho certeza que sabe onde está o que eu estou te pedindo há 5 anos.

—Eu não sei onde está a porcaria da chave! Eu já disse e repeti isso milhares e milhares de vezes!

—Estava certo de que um dia você iria contar, mas acho que me enganei. É fiel ao seu pai mesmo até hoje.

—O que te faz pensar que eu sei onde está?

—Porque o próprio Robert me disse. Fico me lembrando dessa conversa toda vez que você diz que “não sabe onde está”. Uma vez perguntei onde ele guardaria algo de valor extremo, e ele me respondeu que estaria com algo de valor extremo. Você era o bem mais precioso dele, você e eu sabemos que ele e Adele estavam tendo problemas, ele não daria para ela. Todas as pistas levam a você, porque não acabamos logo com isso e você me diz onde está?

—Eu não sei nem o que é essa chave!? Como quer que eu saiba onde está!? A não ser que esteja falando da chave da minha casa, mas nem sei porque você precisa, pode arrombar o apartamento sempre que quiser!

Whithill abaixou a cabeça e falou calmamente.

—Vejo que não irá ceder. Nesse caso, é com pesar que tomo essa decisão. – Ele elevou a voz e se dirigiu aos homens atrás de nós. – Leve-os para o último andar e prepare a execução. – E então deu as costas para nós e começou a andar enquanto os seguranças tentavam nos segurar.

Eu deveria ter ficado em pânico. Sério, que tipo de pessoa não fica em pânico quando dizem que vão executá-la? Ao que acabamos de descobrir, eu. Minha mente estava mais do que a mil, simplesmente não liguei execução ao significado, foi só uma palavra que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Consegui abrir a boca para falar.

—E a segunda?

—O que?

Whithill se virou para olhar para mim.

—Você disse que havia duas coisas, falou a primeira, e a segunda coisa qual é?

—Ah. – O rosto dele se abriu em um sorriso diabólico. – A segunda coisa, é que Robert Aguiar Whithill não está morto é claro.

Notas finais
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