Arkham's Minds

1 Dra. Penélope Young


Notas iniciais
Olá, pessoas, aqui estou eu postando mais uma fic, mas dessa vez sobre Batman, pois acho que minha paixão pelo universo do Cavaleiro das Trevas tem que ser compartilhada (é tanto amor que não to conseguindo guardar só pra mim). Já aviso que esse capítulo é bem confuso, então não se preocupe se não entender algo, tudo será explicado mais pra frente :)

Dra. Penélope Young

ou

“Doutora, você não parece muito bem”

Era uma fria noite de sexta-feira quando a Dra. Penélope Young foi interrompida pela secretária.

— E o que Cash quer? – Quis saber em tom irritadiço. Não gostava de ser perturbada enquanto fazia seus apontamentos finais do dia, especialmente as sextas, quando adicionava as conclusões da semana.

Estava saboreando a sensação de vitória com os bons resultados antes de ser atrapalhada. A psiquiatra sempre fora extremamente rígida quanto ao seu desempenho: era necessário dar seu máximo e obter, necessariamente, respostas compatíveis. Respostas equivalentes as que estava registrando com enorme prazer.

Dedicação, foco e capacidade eram apenas algumas das muitas qualidades que possuía, tinha plena noção disso. Após formar-se com altas honrarias na Gotham University Medical School, a jovem médica foi requisitada pessoalmente por Quincy Sharp, o atual prefeito de Gotham City e principal administrador do hospício, para seu atual cargo. Ser a subchefe do “Arkham Asylum" era meramente mais uma conquista que Penny Young adicionara em seu currículo invejável.

— Ele disse que tinha algo a ver com o Sr. Nigma. – Respondeu a secretária, dando de ombros. A falta de precisão da mesma irritava a Dra. Young. Se já a estava incomodando, que fosse direta. Seu tempo não era algo que podia ser desperdiçado com assuntos banais ou problemas corriqueiros. – Falou para se apressar, que era urgente.

— Diga que estou indo.

Assim que a secretária saiu, Penny Young respirou fundo. O desagrado aumentava a cada instante conforme repassava o recado mentalmente.

“Algo a ver com o Sr. Nigma.”

Bem no fundo, Penélope Young sabia que sentia verdadeiro desprezo por Edward Nigma, ou, como ele próprio se intitulava, Charada. Se havia algo que a tirava do sério era ser constantemente provocada pelos joguinhos de adivinhação do paciente. Todas as consultas eram a mesma coisa: Edward tratava os membros da equipe médica com desprezo e arrogância e se recusava a cooperar, o que gerava enorme dor de cabeça e uma exigência maior da paciência de todos.

A soberba dele era tamanha que nem mesmo passar algumas semanas na solitária quebrava seu ego inflado.

Relutante, a Dra. Young deixou de lado seu pequeno gravador, que adquirira nos tempos de faculdade, juntamente com as anotações e se dirigiu para fora de sua sala particular. O vento assobiava alto por entre os extensos corredores da Mansão Arkham, onde toda a equipe, tanto médica quanto a de segurança, utilizava para realizar as refeições diárias. Era dentro desta que havia também os escritórios dos demais doutores, os arquivos dos pacientes e a biblioteca.

É bom que esse maldito tenha um bom motivo para me incomodar...

Cruzou os braços a fim de conservar um pouco do calor corporal e se dirigiu para o grande hall, onde ficava a única porta de acesso para o exterior. Os passos da doutora eram firmes; sua postura transbordava confiança. Mesmo tendo apenas algumas pessoas que a observavam caminhar, Penny Young fazia questão de lembrá-las sua superioridade.

O barulho alto que os saltos faziam quando encontravam as tábuas velhas do chão parecia querer brigar com a triste canção do vento, permanecendo assim até sua saída do estabelecimento. De fora, a antiga Mansão Arkham parecia ter saído de um conto de terror. Era uma enorme construção velha de coloração marrom escura e desbotada pelos anos, as janelas eram compridas e pequenas, tendo alguns vidros quebrados pelo típico vendaval da ilha. Já a porta principal (que na verdade era a única porta que conectava o interior com o exterior do lugar) ostentava tons negros e rubros na madeira cuidadosamente entalhada com um escaravelho, o símbolo de Amadeus Arkham, o fundador da instituição.

Penny Young não conseguia deixar de pensar na trágica história do velho Arkham quando se deparava com a figura do escaravelho. Eram poucos os registros que sobraram, contudo, eram suficientes para compreender um pouco do drama vivido ali há mais de 100 anos.

Foi em fevereiro de 1852 que Amadeus Arkham construiu o “Elizabeth Arkham Asylum para Criminosos Insanos", dando o nome da mãe, uma vitima de demência, à instituição. O primeiro paciente do Arkham Asylum fora um homem chamado Martin “Mad Dog” Hawkings, sendo esse atendido pelo próprio Amadeus. De acordo com alguns documentos policiais da época, Martin “Mad Dog” foi internado no lugar após assassinar a esposa e a filha de Arkham. Não foi uma grande surpresa para Penny saber que Arkham deu uma sessão de eletrochoque fatal em seu paciente, mesmo os registros alegando ter sido um evento acidental. Depois do episódio, Amadeus Arkham perdeu completamente o juízo, e de renomado psiquiatra passou para mais um paciente do recinto. Sendo diagnosticado com esquizofrenia, era ainda possível ver naqueles dias atuais os desenhos circulares que o velho Arkham fazia em sua cela durante seus momentos de delírio.

Uma brisa gelada fez a Dra. Young mover um pouco mais rápido para o carro que a levaria ao prédio onde era realizado o tratamento intensivo.

— Boa noite, Dra. Young – cumprimentou cordialmente o Sr. Tavarez, o motorista particular de Penny Young. – Para onde iremos?

— Norte. Tratamento Intensivo. – Instruiu de maneira breve e seca. Não estava nem um pouco interessada em manter uma conversa.

Enquanto era transportada, a Dra. Young observava a paisagem por detrás do vidro. A ilha onde se situava o Arkham Asylum não passava de um pedaço de terra que se isolara do resto de Gotham pela gélida água marinha típica da região norte do país. A neblina que encobria todo o território era constante, todavia, Penny Young não se importava com aquilo. O que realmente a irritava era o barro que se formava nos trajetos, resultante do tempo úmido local. Odiava sentir a aquosidade do mesmo quando pisava acidentalmente em alguma poça, por isso quase nunca andava a pé.

Assim que cruzaram o portão que dividia a parte Leste da parte Norte, a Dra. Young começou a se preparar para descer. As distâncias entre os diversos estabelecimentos da ilha não eram relativamente longe, de carro era possível ir da Mansão Arkham na parte Leste até a Penitenciária na parte Oeste, por exemplo, em no máximo 10 minutos.

— Chegamos... – Penny Young saiu rapidamente do banco de trás e bateu a porta, ignorando por completo o restante da cortesia do Sr. Tavarez.

O Tratamento Intensivo era um prédio cinzento e feio perto das demais construções do recinto. Porém, para a Dra. Young, era de longe o mais importante. O Jardim Botânico, o Centro Médico, a Penitenciária... Nenhum deles tinha um valor que poderia se equiparar com o daquele edifício. Mentes consideradas como as mais perigosas de Gotham City eram mandadas diretamente para lá a fim de encarar tratamentos radicais.

Espantalho, Killer Croc e Victor Zsasz eram apenas alguns exemplos das personalidades que poderiam ser encontradas dentro das entranhas do prédio. Mentes que, mesmo sendo praticamente impossíveis de curar para alguns, representavam meramente um pequeno desafio para a jovem psiquiatra.

Assim que adentrou no pequeno hall, foi abordada pelos dois seguranças noturnos, Aaron Cash e Eddie Burlow, que pareciam mais dois fantasmas de tão pálidos que estavam seus rostos.

— Dra. Young! Ainda bem que chegou rápido! – Eddie estava ofegante; sua respiração vacilava sem parar enquanto algumas gotas de suor brotavam da testa vermelha.

— O que está acontecendo aqui? – Penélope Young inquiriu aos dois funcionários, já prevendo diversas opções de resposta em sua cabeça.

— É o Nigma, doutora – Aaron Cash parecia estar mais contido que seu parceiro, o que fez Penny ficar um pouco menos irritada com ambos. Não estava disposta a ficar parada e esperar que alguém explicasse, já sabia que deveria ir ao encontro do paciente, independentemente do que ouvisse.

O que foi que você fez dessa vez, Nigma?

— Ele sumiu.

A notícia pegou a Dra. Young de surpresa.

— Ele o quê?! – A fúria da médica era tamanha que nenhum dos dois guardas ousou responder. – Como assim ele sumiu?! — Idiotas. Penny Young estava rodeada de completos idiotas. — Vocês dois, corram para as celas e verifiquem se todos os pacientes continuam nelas! Eu vou verificar a do Charada.

Correu o mais rápido que seus saltos permitiam. Ainda se questionava sem parar o porquê de Aaron ter-lhe chamado ao invés de contatar diretamente a central de segurança da ilha.

O que ela poderia fazer para impedir o Charada? Fazer ele sentar e responder o que vê no borrão preto?

Ainda que seu jeito arrogante lembrasse mais uma criança desesperada por atenção que um assassino, Edward Nigma era perigoso. Se lhe fosse dada a oportunidade, mataria com tanto prazer quanto o próprio Victor Zsasz.

A ideia de ter o Charada andando em liberdade por Arkham Asylum fazia arrepios subirem a coluna de Penélope Young. Normalmente, não se deixaria assustar por ameaças vazias vindas de seus pacientes. Na verdade, a doutora estranharia se não recebesse pelo menos uma durante as sessões.

Mas a última sessão que teve com Edward Nigma no período da manhã foi... Perturbadora.

Aquele deveria ter sido seu último encontro com o homem, algo que Penny Young desejara desde o dia em que conversaram pela primeira vez. A mente de Nigma não a atraia como um desafio profissional, como Harvey Dent, por exemplo, que era considerado um caso extremamente difícil. Charada estava mais para um gênio compulsivo por atenção e reconhecimento de seu intelecto.

A Dra. Young tinha tudo ainda fresco na memória:

“ ‘Registro 44, minha última sessão com Edward Nigma, autointitulado Charada. A partir de amanhã, a Dra. Whistler assumirá o caso, visto que fui designada por Hugo Strange a tratar de um novo paciente que requer minha total atenção: Joker.

Pelo visto, Batman conseguiu enfim capturá-lo e será transferido amanhã de Blackgate para o Asylum, onde receberá seu diagnóstico e tratamento. É a primeira vez que teremos algum contato próximo com ele, por isso, pretendo desenvolver uma ficha completa com os mínimos detalhes.

Qualquer ponto será essencial para conseguirmos curá-lo.

Voltando para Nigma, o mesmo teve uma evolução mínima ao longo do tratamento. Aparentemente, tudo não passa de uma folga para futuramente continuar a transformar Gotham City em seu playground. Sua insistência em resistir a qualquer tipo de tratamento provoca atraso em nossas metas, todavia, acredito que o paciente tenha chances, mesmo que remotas, de cura ’

— Bom dia, doutora, como está hoje? – Perguntou Edward Nigma em tom casual, como se quisesse puxar assunto.

— Bom dia, Edward, estou bem, agradeço a preocupação – embora fosse mais do que óbvio que Charada não dava a mínima para seu bem-estar, a doutora preferiu dançar conforme a música. – Você parece estar bem-humorado.

Era engraçado como o sorriso debochado de Edward nunca saia de sua face. Mesmo não querendo admitir, Penny Young ficava um pouco amedrontada com o fato.

— Você já acordou com uma sensação de que algo bom iria acontecer? — ‘ É claro, hoje mesmo consegui me livrar de você e ser a responsável pelo caso do Joker, que vai ser o maior desafio da minha carreira. Conheço bem a sensação, Eddie. ’ ­— É simplesmente maravilhosa.

— Não há nada específico que tenha em mente sobre o que esse sentimento pode trazer? — Questionou, interessada com o que pudesse alegrar tanto o humor instável do paciente. — Foi por isso que rabiscou todos aqueles enigmas nas paredes da sua cela... De novo?

— Ora, doutora... – Ele começou, agora já voltando com seu tom sarcástico de sempre. — O que há de errado com alguns singelos enigmas?

Ela deu de ombros.

— De fato, nada.

— Que tal resolver um?

‘ Por que não? Esse será o último. ’

— Muito bem.

Edward Nigma se ajeitou na cadeira, apoiando ambos os braços nas coxas separadas. Seus olhos estudavam Penny Young como se quisessem achar algum ponto fraco para atacar.

— O que cai em pé e corre deitado?

Não foi preciso mais que meio segundo para desvendar a conhecida charada.

— A chuva.

Ao contrário do esperado, Edward Nigma limitou-se a rir com desdém da resposta que lhe foi entregue. A atitude aborreceu a psiquiatra, mas essa não permitiu que Nigma percebesse.

— Um bom palpite, Dra. Young, mas receio que não — ele se ajeitou na cadeira, procurando a melhor posição para dramatizar mais a situação. — É o sangue que jorra de uma garganta recém-cortada. Pequenas gotas caem nas roupas e sapatos dos envolvidos, e quando a vítima começa a agonizar no chão, pinta-o rapidamente com seu tom rubro. O que achou?

— Horrível. Como pode brincar com uma coisa dessas?

— Simples, doutora, não é meu sangue. “

Preciso achá-lo antes que seja tarde.

Assim que chegou aos aposentos de Edward Nigma, sentiu uma enorme tontura. Suas pernas cambaleavam sem parar enquanto gotas de suor brotavam em sua testa. Uma sensação de náusea começava a querer tomar mais espaço em seu corpo.

— Boa noite, doutora, você não parece muito bem – Edward Nigma observou, sarcástico. Estava com uma faca empapada de sangue na mão. O corpo no qual embebedara a arma branca jazia caído em seus pés; a garganta aberta e exposta pra quem quisesse ver. — Há algo que eu possa fazer por você?

Algo estava muito errado. Mesmo estando com a visão turva depois de vislumbrar a cena macabra envolvendo Nigma, Penny Young pôde perceber uma coisa extremamente importante: a porta de sua cela permanecia fechada. Não havia quaisquer sinais de uma tentativa de derrubá-la.

Penélope Young respirou fundo e fechou os olhos, abrindo-os logo em seguida. Mas de nada adiantou, apenas ficou petrificada ao encontrar um Edward Nigma sentado casualmente na cadeira, sem qualquer indício de ter acabado de degolar uma pessoa.

Tanto o corpo como a faca havia desaparecido.

— Sabe, doc, posso não ser um especialista como você, mas acho que está prestes a vomitar. – Debochou de maneira alegre.

Céus, o que está acontecendo aqui? Onde estão aqueles dois inúteis com ajuda?

Sua cabeça girava cada vez mais rápido, diminuindo o campo de visão da médica aos poucos. Penny Young começou a ouvir gritos de terror vindos do corredor principal, mas quando tentou acossá-los, acabou caindo no chão duro de cimento, batendo a cabeça com força.

Antes de perder a consciência, um enorme vulto preto se aproximou de seu corpo caído, rindo do estado medíocre no qual a Dra. Young se encontrava.

— Obrigado por participar do meu experimento de hoje, doutora – uma voz sombria ecoava dentro da cabeça da médica, que tentava tapar os ouvidos devido ao volume exagerado do ambiente a sua volta. – Muitas pessoas teriam medo de me ajudar... E não posso negar que elas estavam certas.

Notas finais
Bom, é esse o começo da fic o/Espero de todo o coração que tenham gostado, e por favor, comentem! Isso me ajuda muito a melhorar :) Beijocas e até o próximo cap õ7