Arkham's Minds
3 Dra. Harleen Quinzel
Harleen Quinzel
ou
“Que nome bonito! Diga-me, seus amigos te chamam de ‘Harley’?”
—Tem certeza que consegue? – A Dra. Whistler fez a pergunta que Harleen tanto repudiava. Já era a terceira vez que ouvia a indagação num curto período de tempo.
Lembrava-se muito bem do contexto de todas. A primeira foi na sala do chefe: o coordenador da área de tratamento psiquiátrico, Dr. Hugo Strange.
◊
— Realmente, Srta. Quinzel, suas referências impressionaram não somente a mim, mas também ao próprio Jeremiah Arkham – o médico a elogiou, citando até mesmo o chefe administrativo (para não dizer “dono”) da instituição. Jeremiah era o sobrinho de Amadeus Arkham e o último membro vivo da família. Era uma pessoa extremamente reservada, sendo raros os momentos que abria a boca, especialmente para aplaudir alguém. – Tenho que admitir também que não estou surpreso por ter se voluntariado para ficar temporariamente no lugar da Dra. Young como a responsável pelo Joker.
O Dr. Strange lançou para Harleen um olhar calculista, porém, a jovem psiquiatra não vacilou nem por um segundo seu belo sorriso.
— O que posso dizer? Tenho um fraco por personalidades extremas. – Deu de ombros, cruzando as pernas. — Não há como negar o charme por trás dessas mentes criminosas.
— Pensei que Victor Zsasz tivesse saciado esse apetite, Dra. Quinzel. — O chefe rebateu, parecendo querer testar algo em Harleen que a mesma ainda não identificara.
A loira ajeitou casualmente os óculos.
— Há algo o perturbando, senhor?
Inicialmente, o Dr. Strange nada disse, apenas ajeitou a postura e pigarreou de leve, desviando logo em seguida os olhos para a papelada do novo paciente do hospício.
— Não temo por você, se é isso o que me pergunta – alguns papéis eram cuidadosamente avaliados pelo médico; outros iam diretamente para o lixo. – A mente do Joker trabalha de uma maneira diferente da maioria dos psicopatas que está acostumada a estudar, Harleen. Zsasz, Dent, Crane... Nenhum se compara ao conteúdo caótico que o palhaço tem na cabeça. Tem certeza que consegue fazer isso, doutora? É um trabalho perigoso, ainda mais para uma iniciante.
A Dra. Quinzel permaneceu quieta, esperando pacientemente Hugo Strange entregar-lhe todos os receios que guardava quanto à nova realidade.
— Senhor, com todo o respeito, eu me julgo perfeitamente capaz de lidar com o Joker – discretamente, ela se ajeitou no assento mole da cadeira, não querendo passar a imagem de estar desconfortável com a situação. – Se há alguém que possa substituir a Dra. Young, esse alguém sou eu.
— Sei que é – concordou o Dr. Strange calmamente. Embora seu tom de voz esboçasse certa neutralidade, seus olhos denunciavam a dúvida que ainda tinha. – E por isso mesmo não irei admitir nenhuma falha. Fui claro, Dra. Quinzel?
Um sorriso inevitável brotou nos lábios vermelhos de Harleen Quinzel. Ela sabia que a preocupação do médico não era com a sua segurança, como ele próprio entregara, mas sim com a reputação do Arkham Asylum... E dele próprio.
Imagine as atrocidades que falariam da habilitação do doutor como chefe de departamento se uma de suas médicas permitisse que algum acidente envolvendo o “príncipe do crime” ocorresse logo na primeira sessão?
Típico.
— Quando eu terminar meu livro, Doutor, pode ter certeza que mencionarei sua inquestionável capacidade como psiquiatra e patrão – assegurou ao seu chefe, fazendo questão de enfatizar o elogio. Harleen sabia o quanto Hugo Strange gostava de ser aplaudido pelos seus funcionários. – O senhor poderia até mesmo escrever o prólogo. Seria uma honra indescritível para mim.
A última frase em especial fez Hugo Strange mudar a postura a fim de ressaltar sua superioridade. Com o queixo erguido pelo ego recém amaciado, o Dr. Strange fez um sinal de concordância com a cabeça, e a Dra. Quinzel entendeu que era hora de se retirar.
Levantou-se devagar e agradeceu mais uma vez Hugo Strange, andando então em direção à porta da sala. Porém, antes de sair propriamente do local, Harleen lembrou-se da promessa que fizera mais cedo.
— Dr. Strange? – Ela chamou o médico com a voz num tom meigo e submisso, atraindo o par de olhos negros do chefe. – Esqueci-me de discutir algo com o senhor.
— E o que seria, Dra. Quinzel?
— É sobre a paciente Pamela Isley – a loira esperou um pouco para continuar, observando cautelosamente as feições de Hugo Strange se contorcerem ao ouvir o nome de Poison Ivy. Como continuou em silêncio, Harleen decidiu prosseguir. – Gostaria da sua permissão para levá-la ao Jardim Botânico algumas vezes ao longo da semana...
— Isso é impossível, Harleen – cortou-lhe prontamente o chefe, não esperando que ela terminasse de falar. – Desde o acidente envolvendo o Dr. Kellerman, ninguém mais se sente seguro o bastante para ficar ao lado de Pamela Isley sem qualquer tipo de proteção. Lamento.
Mesmo sabendo que não era a escolha mais sensata a se fazer, a jovem psiquiatra não aceitou as palavras do chefe e tentou mais uma vez.
— Por favor, senhor, eu mesma me habilito a permanecer com ela no Jardim – Não sabia se estava tomando uma atitude correta. Ela mal conhecia Ivy, que garantia tinha de que não lhe faria algum mal? Nenhuma, apenas uma sensação estranha que dizia que poderia confiar na mulher.
— Não sei se acho uma boa ideia. – Hugo Strange continuou impassível em sua posição. – A Srta. Isley não mostrou ser alguém digno de confiança.
— Eu confio nela – Harleen soltou sem pensar, porém, não voltou atrás. Estranhamente a moça confiava em Pamela Isley como se fossem amigas íntimas de muitos anos de convivência. – Se o senhor preferir, posso levá-la apenas uma ou duas vezes por semana ao Jardim Botânico, sendo eu a responsável por qualquer imprevisto.
O Dr. Strange permaneceu em silêncio por um tempo considerável, provavelmente ponderando a proposta da jovem. Mesmo fazendo o máximo de esforço para permanecer calma, Harleen sentia-se nervosa, temendo que havia ido longe demais com seu apelo.
A verdade é que sentia enorme empatia por Pamela Isley. Ela parecia ser a única a entender o que era ser considerada menos que os demais. Mesmo limitando-se a escutar o que Harleen lhe dizia, a expressão avexada da paciente evidenciou que fora vítima de circunstâncias similares.
Se queria fazer a diferença dentro do Arkham Asylum, seria com Ivy que começaria.
— Espero não ter qualquer arrependimento sobre isso então, Dra. Quinzel.
— Garanto que não terá, senhor. Agradeço sua generosidade.
◊
A segunda vez, e a que mais irritou a jovem psiquiatra, fora quando estava na ala hospitalar do Centro Médico, no quarto especial onde se encontrava a Dra. Young, ainda inconsciente. Visitou-a acompanhada de uma colega, a Dra. Sarah Cassidy.
◊
— Os médicos disseram que ela vai acordar logo – anunciou Sarah, mostrando-se aliviada com o conteúdo das próprias palavras. Ela e Penny eram algo relativamente próximas ao termo “amigas”.
Harleen franziu o cenho.
— Como sabem disso?
— Disseram que não inalou uma quantidade significativa para deixá-la por tanto tempo nesse estado – a Dra. Cassidy mordeu seus lábios finos, enquanto mexia sem parar no cabelo ruivo. – Fico morrendo de medo só de pensar em como o Espantalho, quero dizer, o Dr. Crane conseguiu fazer tudo isso...
— Tem medo do seu próprio paciente? – Harleen perguntou sem muita surpresa. Sarah era uma boa pessoa, mas não poderia afirmar o mesmo quanto à sua capacidade de ser uma boa profissional. Acabava se envolvendo de uma maneira negativa com os residentes do Arkham Asylum, um erro que a jovem prometeu jamais cometer.
Todavia, mesmo sabendo do seu ponto fraco, Sarah Cassidy ainda pertencia à equipe médica do Arkham Asylum. E como tal, jamais o admitiria.
— Não seja boba, Harleen, é claro que não! – respondeu-lhe em tom sério. – Se bem que a maioria deles parece vilões vindos diretamente do Scooby-Doo. Com as fantasias e tudo mais... — Acrescentou a fim de amenizar o clima de mal estar.
Harleen riu por educação.
— Estão dizendo que você vai assumir o caso do palhaço – Sarah comentou aleatoriamente, fitando a loira ao seu lado com evidente interesse. – É verdade?
A Dra. Quinzel confirmou com um aceno.
— É apenas essa primeira consulta. O Dr. Strange não quer esperar até a Dra. Young acordar para começar a estudar o Joker... Tem ordens expressas de Jeremiah Arkham para iniciar imediatamente o tratamento.
Ainda observando a Quinzel, Sarah Cassidy balançou a cabeça, como se quisesse afastar certos pensamentos.
— Você é corajosa, Harleen, tenho que admitir...
— Obrigada.
— Mas você tem certeza que consegue? – Duvidou a Dra.Cassidy.
Mesmo parecendo ser uma pergunta que, normalmente, seria levada como uma maneira de mostrar interesse no bem estar de alguém, Harleen interpretou o questionamento de Sarah como uma falta de fé no seu talento.
O pensamento irritou profundamente a Dra. Quinzel, que, no momento em que cuspiria algumas palavras frias para a ruiva, foi impedida por um barulho vindo do celular da colega.
— Tenho que ir – anunciou a Dra. Cassidy, levantando-se rapidamente da cadeira ao lado da cama de Penelope Young. – Meus enfermeiros disseram que o Mr.Freeze se recusa a tomar o remédio. – Ela abraçou desajeitadamente Harleen com um dos braços, sussurrando um ‘boa sorte’ antes de deixar a Dra. Quinzel sozinha com a inconsciente Dra. Young.
Durante vários minutos, o único som reproduzido na sala eram os ‘bips’ vindos das máquinas que monitoravam os batimentos cardíacos de Penny Young. Harleen observou os quatro cantos do pequeno cômodo e, quando certificou-se de que não estava sendo observada, tomou o lugar na cadeira onde a Dra. Cassidy havia sentado minutos antes.
— Engraçado como essas coisas acontecem tão de repente, não? – Ela perguntou num tom animado para a Dra. Young. – Uma hora você estava lá na Mansão Arkham, esfregando na cara de todos que seria a primeira pessoa a examinar o Joker... E agora está aqui, deitada enquanto EU serei a primeira. Uma verdadeira tragédia para o seu currículo perfeito, não, Penny?
A Dra. Quinzel tinha a melhor das intenções, mas ainda assim não poderia ser considerada um anjo. Nunca foi e nunca seria.
Na verdade, um dos maiores prazeres da médica era justamente provar aos seus adversários que não eram páreos para o seu potencial. E não era grande fã de jogar limpo.
Harleen ficou muito feliz em descobrir que o Dr.Crane adorava testar seu gás do medo nos residentes do Arkham Asylum, especialmente naqueles que trajavam jalecos brancos. Tudo o que precisou fazer foi um acordo e esquecer a chave da cela do Espantalho num lugar onde ele pudesse facilmente encontrá-la.
Sabia que não estava sendo nem um pouco profissional, mas que outra escolha tinha? Queria provar que era capaz, queria ser reconhecida no ramo. Mas também queria mudar o modo como os pacientes eram tratados. Não gostava de vê-los serem julgados por serem o que eram, aliás, achava-os mais fascinantes que pessoas comuns e sem graça.
Porém, com Penélope Young insistindo em sempre ser o destaque, como Harleen conseguiria apoio em seus projetos?
— Eu vou mudar as coisas pra melhor aqui, Penny, você vai ver – a loira se levantou da cadeira e seguiu para a porta. Em poucos minutos estaria cara a cara com seu primeiro paciente: o temido e cobiçado palhaço do crime. – Vou deixar tudo anotado pra quando você puder assumir, ok?
◊
— Tenho certeza absoluta, Dra. Whistler – respondeu em tom seco. Já estava munida com um gravador, prancheta, caneta e a ficha do seu paciente enquanto recebia as últimas orientações de Gretchen Whistler.
A idosa suspirou, mostrando não gostar da situação.
— Você é muito crua pra pegar o Joker logo de cara, menina. Ainda dá tempo de desistir.
Harleen tentou esboçar seu melhor sorriso, esforçando-se para responder de maneira educada e gentil.
— Agradeço sua preocupação comigo, Dra. Whistler, mas peço que confie em mim. Vou ficar bem, acredite.
Como réplica, tudo que teve foi um rápido sorriso e um 'boa sorte' quase inaudível.
Depois de respirar profundamente pela terceira vez, Harleen Quinzel abriu a porta da sala branca devagar, procurando manter-se calma e centrada.
É agora, Harleen. Mostre a eles quem você é!
Assim que se virou para encarar seu paciente pela primeira vez, Harleen quase não conteve sua surpresa. Embora tivesse achado que a maioria exagerava com os comentários sobre a aparência perturbadora do palhaço, a Dra. Quinzel percebeu que se enganara.
Era alto e esguio, conseguindo facilmente passar os 1,72 m da médica. Os traços do rosto pálido eram longos e angulosos, especialmente o maxilar pontudo. Seu sorriso, além de extremamente chamativo pela maquiagem espalhafatosa, passava uma imagem macabra. Um sorriso sádico e constante. A coloração esverdeada dos fios bagunçados do cabelo contribuíam ainda mais para o visual tétrico do palhaço.
Porém, de tudo, os olhos eram os principais atrativos. As pequenas íris verdes brilhantes eram destacadas conforme as pupilas se contraiam sem parar, fitando a médica com evidente interesse. Aqueles olhos famintos pousaram na figura da psiquiatra desde que pusera o pé dentro da sala, e nela permaneceram quando tomou o lugar ao lado do paciente.
Antes de começar a falar diretamente com o enfermo, Harleen ligou o gravador.
“Primeira entrevista com o paciente, autointitulado Joker...”
— Então eu sou o seu primeiro, doc? – Ele interrompeu Harleen, perguntando sarcasticamente para a médica num tom empolgado. — Bem, é como dizem: você nunca esquece a sua primeira vez! Prometo tentar fazê-la memorável. – Joker, se possível, sorriu ainda mais.
— Oh, acredite, você já fez – Quinzel decidiu entrar no jogo do palhaço, pensando que assim o mesmo mostraria menos resistência com suas futuras perguntas. – Diga-me, há algum motivo específico para fazer as coisas que você faz?
O palhaço se mexeu um pouco no divã, pelo menos o que conseguia com as mãos e pés muito bem amarrados.
— Por que você acha que faço essas coisas? – Questionou-lhe, parecendo realmente interessado na réplica da médica.
Harleen ponderou a interrogação do paciente, procurando qualquer tipo de armadilha nas palavras de Joker. Porém, após constatar que não passava de singela curiosidade, respondeu com suas sinceras teorias.
— Fama, notoriedade, a necessidade de se apresentar para um público... Ou talvez até mesmo um humor sádico.
A médica esperava algo como deboche ou ironia como resposta, todavia, tudo o que ele fez foi fitá-la com um sinistro brilho nos olhos.
— Tenho que admitir, doc, você é boa – confessou fazendo uma careta. – Já estive nas mãos de muitos “especialistas”, mas nenhum se mostrou tão astuto e, se me permite dizer... – ele voltou a sorrir, mas dessa vez de maneira cortês. – tão atrativo como você.
Ele só pode estar de brincadeira comigo... Se acha que vai conseguir alguma coisa com essas cantadas baratas, está muito enganado!
Mesmo sentindo-se incomodada, a Dra. Quinzel procurou devolver num tom amistoso e convidativo.
— Agradeço o elogio, mas que tal voltarmos a falar de você? – Voltou sua atenção para a pequena ficha do paciente, percebendo que ali faltava uma informação básica. – Não gostaria de me dizer o seu nome?
— Qual a importância de saber o meu nome se já não o uso? – Novamente o palhaço devolveu a pergunta de Harleen com uma nova questão. – Por que não me diz o seu? Ou você também já o colocou em desuso?
Harleen ignorou o pedido e limitou-se a escrever seus primeiros apontamentos na prancheta.
“Há evidente resistência em cooperar com o tratamento. O paciente mostra-se irrequieto, tentando constantemente esquivar-se das perguntas que lhe são feitas.”
— Espero que sejam apenas coisas boas que tenha anotado aí. – Joker comentou, soltando uma risadinha de desdém. – Mas e você, doc? Não vai mesmo me falar qual o seu nome? Aposto que é tão encantador quanto seu rosto.
A loira respirou fundo e logo pensou numa maneira de conseguir tirar proveito da curiosidade do palhaço.
— Se eu falar, promete responder minhas perguntas? Nada de gracinhas ou cortejos, quero respostas diretas e objetivas.
O tom firme da psiquiatra fez Joker arquear as finas sobrancelhas verdes.
— Hum, vejo que tem atitude, doc. Gosto disso! Mostra que não é apenas um rostinho bonito, bem como eu disse! – Uma breve risada escapou pelos lábios vermelhos do paciente. – Por que não? Tenho certeza que irei me sentir mais confortável em me abrir com alguém mais... Próximo.
— Meu nome é Harleen Quinzel – entregou-lhe rapidamente, já querendo emendar uma pergunta para evitar possíveis comentários. – Agora, como você prometeu...
— “Harleen Quinzel” – Joker repetiu o nome da médica, saboreando o som do mesmo em sua boca. – Mas que belo nome! Apenas alguns ajustes e temos...
— Harlequin, como o palhaço – Adivinhou Harleen com um suspirou. Percebeu que as coisas não seriam tão simples como ela pensara. – Já sei, já ouvi isso antes.
Preciso pensar numa maneira de fazê-lo cooperar... Mas como? Talvez se eu permitisse que ele conduzisse a sessão... Poderia tirar algum proveito, não...?
— Diga-me, querida – Joker tirou a Dra. Quinzel de suas reflexões, trazendo-a de volta para a consulta. – Seus amigos te chamam de Harley?
Não foi preciso muito tempo pra Harleen pensar numa resposta.
— Na verdade não. – Aquela foi a primeira vez que alguém a chamou de tal nome, mesmo porque a jovem psiquiatra nunca fora muito sociável... Era uma pessoa muito seletiva, e, consequentemente, com pouquíssimos amigos em seu círculo de amizades.
A notícia pareceu entristecer um pouco o jeito vivo do palhaço, se é que tal coisa fosse crível.
— É uma pena, pois esse nome de fato traz um enorme sorriso no meu rosto! – E, como a loira previu, toda a alegria voltou em questão de segundos, já trazendo uma gargalhada mais alta e sonora que as anteriores. – Me faz pensar em alguém que possa entender o que eu sou... E todos os meus segredos.
Peguei você, palhaço.
— É mesmo? E quais seriam? – Incentivou Harleen, já se preparando para escrever na prancheta.
Contudo, quebrando as expectativas da jovem, Joker soltou uma estridente gargalhada, fazendo a Dra. Quinzel deixar cair tudo o que tinha em mãos. Para o desespero da loira, o gravador soltou um barulho esquisito quando encontrou o chão, exalando logo em seguida uma fumaça vinda de sua parte interna.
— Sabe, Harley, eu gostei de você! De verdade! Mas acha mesmo que pretendo falar tudo o que tenho aqui dentro nesse lugar cheio de olhos e ouvidos? – Indagou o palhaço, apontando para o próprio crânio com a mão presa.
Mesmo estando chateada pelo aparelho, a Dra. Quinzel procurou manter seu tom gentil. Ele parecia estar finalmente se abrindo um pouco mais, não poderia arriscar que regressassem.
— Onde então?
Joker estudou a expressão curiosa de Harleen e viu o quão fácil seria converter aquela jovem em sua aliada. Tudo o que a médica queria eram respostas, sendo tão evidente para ele que o desejo parecia berrar em seus olhos azuis.
— Não se preocupe, querida, tudo virá na hora certa.

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