Arkhé - Perseguidos
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Acordei ainda tonta. Quer dizer. Acordei completamente atordoada, sem ter a menor noção de onde eu estava. Espera. Eu acordei? Não. Isso são os meus dons reconhecendo o local sem sucesso. A única coisa que eu conseguia perceber era uma voz, parecia distante mas devia ser coisa da minha cabeça.
—Nina? Nina? Niiiiinaaaaaa!
Abri os olhos. Dei de cara com os olhos verdes de Alex me encarando ansiosamente.
—Você tomou o que? Eu gritei no seu ouvido com um megafone e você não acordou.
—Espera o que? – Disse me sentando e me sentindo tonta novamente.
—Uou, uou, uou. Vai com calma. – Disse ele me deitando de novo delicadamente.
—Você fez o quê? – Falei, ainda com os pensamentos lentos.
—Eu gritei no seu ouvido com um megafone. Também cheguei a bater algumas panelas. Estava cogitando tentar um balde de água gelada mas aí você acordou. – Disse ele fingindo estar pensativo.
—Seu idiota! – Disse batendo em seu braço, sem força nenhuma, e no final quem ficou sentindo a dor de mexer o braço fui eu.
—Isso era para doer?
—Era.
—Ah então espera. Ai! Ai, ai, ai! – Disse ele caindo teatralmente no chão – Caramba tá doendo demais.
—Agora eu que pergunto: O que você bebeu Alex?
—Nada. – Disse ele se levantando rapidamente. – Ainda. Quer café?
—Nossa eu adoraria.
Ele se dirigiu em direção a porta, e foi aí que eu me dei conta.
—Onde estamos?
—Na minha casa. – Respondeu Alex com a mão na maçaneta.
—Qual delas?
—A dos meus pais, a bonitinha. E esse é um dos quartos de hóspedes. Quarto de hóspedes, Nina. Nina, quarto de hóspedes. Podem ir se conhecendo.
Franzi as sobrancelhas enquanto ele saia. Quando voltou eu já conseguia me sentar sem sentir tontura, o efeito estava passando. Ele me estendeu uma xícara enquanto bebia outra.
—O que houve? – Perguntei.
—Eu é que pergunto. Te encontrei deitada no chão do banheiro feminino desacordada.
—Como me achou lá?
Ele franziu a testa.
—Eu recebi uma chamada sua. Tentei te ligar de volta mas você não atendeu. Rastreei o sinal e era do banheiro feminino, cheguei lá e estava trancado, arrombei e te achei lá. Aliás... Isso me lembra de que você está me devendo outra por ter me feito entrar no banheiro feminino. De novo.
—Você está contando quanto estamos devendo um para o outro?
—Não. Achei que você estivesse.
—Não estou. Mas isso é muito simples de resolver, você está me devendo.
—Ah claro. Nem pensar. Você é que está me devendo. Eu já te salvei milhares de vezes.
—E eu também.
—Quites então. Recomeçando do zero.
Estreitei os olhos para ele.
—Ceerto.
—Você está fugindo do assunto. O que aconteceu naquele banheiro?
—Não me lembro muito, na verdade. – Parei para pensar – Do nada começou a sair uma fumaça branca, eram três dispositivos que soltavam, tentei sair de lá mas não deu certo.
—Relaxa Alex, eu tô bem, e vou continuar assim. – Disse ele imitando uma voz fina.
—Eu com certeza falo assim.
—Não é esse o ponto. Agora por favor, você tem duas opções: Ouvir o “Eu te falei” ou falar “Você tinha razão Alex”. Qual você escolhe?
—Eu não...
—O “Eu te falei”? Ok então. Eu. Te. Falei. Disse. Avisei. Alertei. Adverti...
—Pensei que fosse só “Eu te falei”.
—Eu mudei um pouquinho. – Disse ele sorrindo.
—Idiota. – Disse balançando a cabeça. – Bom, — Falei me levantando – acho que já estou melhor, vou indo para casa.
—O quê? Está maluca?! Você vai ficar aqui. – Disse ele me puxando para sentar novamente na cama.
—Espera. Oi? E desde quando você decide por mim?
—Desde que você não tem condições de decidir.
—E quem disse que eu não tenho condições de decidir?
—Eu. Nina me escuta, fica aqui, só esse final de semana, sua casa é o primeiro lugar onde vão procurar, eles nunca vão pensar que você pode estar aqui. Pensa. É pura lógica.
—Mas se o primeiro lugar em que vão procurar é a minha casa... os meus pais, o meu irmão...
—Você sabe que o Complexo não vai sair atirando e prendendo todo mundo, eles vão fazer uma busca silenciosa. E se bem me lembro, os seus pais não se lembram muito de você e seu irmão é uma peste que sabe entender quando tem que ficar de boca calada. – Disse ele erguendo as sobrancelhas.
—Você não ia me deixar sair daqui mesmo...
—Não ia mesmo.
—Então eu vou ficar presa aqui, é isso?
—Ei, você tem a mim.
—Você não conta. E, se não me engano, você é que é o meu carrasco.
—Caramba quanta consideração. – Disse ele fingindo ter se ofendido.
*
Não foi tão ruim afinal, mas claro que nunca vou admitir isso em voz alta. Fizemos as mais diversas coisas, entre elas ganhar de Alex no Detetive, Banco Imobiliário e damas e perder para ele no xadrez (Típico da minha pessoa); detonar a cozinha tentando fazer alguma coisa para comer e que no final comemos biscoito mesmo; socar um saco de pancadas diversas vezes (Tenho que dizer que adorei esse exercício, muito embora eu não consiga mover um milímetro sequer na maioria das vezes. Então, em boa parte do tempo, eu pulo no saco de pancadas e fico me segurando enquanto ele gira.); conversar e entre outras coisas.
No sábado à noite, Alex fez o jantar. A cozinha estava ainda um pouco acabada depois do que eu fiz então ele nem me deixou entrar. Aproveitei e tomei um banho enquanto isso, ainda bem que Alex lembrou de trazer minha mochila que estava no chão do banheiro quando perdi a consciência, peguei uma muda de roupa e vesti. (Só para constar: Nada extravagante. Um short jeans e uma blusa de seda preta.)
Desci as escadas já sentindo um cheiro bom da cozinha.
—Ok. Eu sei que você não me deixou entrar mas esse cheiro está simplesmente... – Coloquei a cabeça pela porta da cozinha e fui perdendo a fala aos poucos com o que vi.
—Ei! – Alex se virou e veio mais para frente, barrando minha visão.
—Caraca! Quanta coisa...
—E que você vai ter que esperar estar pronto.
—Ainda não terminou? Impossível. Você está nessa cozinha desde o final da tarde, são quase oito horas da noite, eu estou sem o que fazer já.
—Meia hora. Me dê meia hora. – Disse ele e então fechou a porta.
Fui até a janela e fiquei olhando o céu (Para você ver o meu nível de sem nada para fazer). Ouvi alguns barulhos atrás de mim e o som de passos subindo a escada, nem virei. “Deixa ele acabar tudo” pensei. “Quanto mais rápido ele colocar a comida na mesa, mais rápido eu como aquela torta perfeita que eu vi na cozinha” pensei.
—Pronto. – Disse ele chegando por trás e colocando uma das mãos nas minhas costas.
Me virei rapidamente.
—Finalmente! – Ergui as mãos para o alto, passando apressadamente por ele.
Uau. U-A-U. Só uau. Simplesmente uau.
—Desculpa, seus pais podem ser ricos, mas eu não sei para que servem metade desses garfos ok?
Ele riu.
—Nem eu. É só para causar uma boa impressão e fazer parecer que eu sei de etiqueta.
—Garoto esperto. – Disse rindo.
Ele puxou a cadeira da mesa para eu me sentar e então foi para a cozinha buscar a entrada.
—Muito bem. Aqui está. – Ele chegou fingindo ser um garçom e colocou um prato em cima da mesa e se sentou à minha frente, então tirou a tampa.
Arregalei os olhos.
—Quantos sabores de pastel tem aqui???
—Não sei. Tem queijo, carne, presunto, frango com catupiry, chocolate, abacaxi, banana com chocolate, doce de leite, romeu e julieta...
Nem esperei ele terminar de falar, já fui pegando os pasteis e colocando no meu prato.
—Eu fico com o de queijo, frango com catupiry, carne e chocolate e talvez com o romeu e julieta também. – Ele só ficou me olhando embasbacado enquanto eu, supereducada, colocava pastel por pastel inteiros na boca.
—Pode ir com calma, assim, só se quiser, sei lá. – Disse ele rindo.
—Caramba, isso tá muito bom. Onde pelamordedeus você aprendeu a cozinhar? – Disse quando terminei de mastigar e engolir a comida.
—Minha mãe. Desde pequeno ela sempre me colocou para ir ajudar ela na cozinha, ela me arrastava até quando eu não queria. Acabei aprendendo algumas coisas.
—Algumas coisas. Percebe-se. Eu, como você já viu, sou um desastre. Na verdade, de vez em quando eu até consigo fazer algo bom, mas o estado da cozinha nunca é o mesmo depois que eu passo por lá. – Disse rindo.
Depois comemos o prato principal: Filé mignon com outras guarnições variadas. Sério, eu ia contratar o Alex para ser meu chef particular.
—Ok. – Disse quando acabei de comer. – Agora eu quero a sobremesa.
Alex levantou as sobrancelhas.
—Sobremesa? Eu não fiz...
—Não tem como me enganar Alex. Eu vi a torta, estou sonhando com ela desde o início deste jantar. Vamos, vamos. Disse batendo palmas para ele se apressar.
Ele foi para a cozinha rindo.
—Muito bem — Disse ele voltando e trazendo um prato com uma fatia da torta – Prove e vamos ver a nota.
Levei o garfo a boca.
Vamos parar e dar um minuto de silêncio e apreciação a torta, ela merece.
—Meu Deus. Alex. Me explica como você não é um chef?
—Tecnicamente...
—Ah lá vem, você foi treinado secretamente pelo chef oficial de operações secretas da CIA e recebeu um diploma que teve que se autodestruir depois de lido?
—Não. – Disse ele sorrindo – Mas minha mãe tem diploma de chef, sendo assim...
—Você é aprendiz de chef, não chef. HÁ. O que não adianta de nada porque você continua bem melhor na cozinha do que eu e... Meu Deus essa torta está maravilhosa.
Ele começou a rir. E de repente eu me dei conta de uma coisa.
—Calma. Para que foi o jantar espetacular?
—Ahn?
—Duas opções: Ou você fez esse jantar para me agradar e pedir alguma coisa depois ou foi somente para me humilhar com as suas incríveis habilidades culinárias?
—Nenhum dos dois. Sei lá. Você mesma disse que não gostou de ficar presa aqui, o jantar foi para te agradar e fazer a estadia ficar melhor...
—Corrigindo: Menos pior.
—Claro. E de quebra ganhar de você só um pouquinho em alguma coisa.
—Sabia! Mas... Isso não tem completamente nenhuma lógica. Você é bem melhor do que eu em várias coisas. Quem tem que provar que é melhor em alguma coisa sou eu.
—Por que eu com certeza sei como consertar uma arma de circuitos.
—E eu sei resolver um problema de física nível de 5º ano de faculdade de engenharia em minutos.
Ele deu de ombros.
—Tudo bem, concordo. Estamos quites quando se trata de habilidades.
—Não foi bem isso que eu...
—Você por acaso sabe qual é o engenheiro mecânico que consegue consertar uma arma de nível quântico, que nunca estudou ou viu na vida, em questão de minutos e sobre pressão?
Aquilo calou minha boca.
Depois do jantar resolvemos abrir um vinho e então ficamos bebendo e conversando até tarde. Uma hora resolvemos subir e entramos em um dos quartos de hóspedes.
—Sério, por que eu? Qual era o problema eu ter uma vida normal e deixar esses dons e vida maluca para outra pessoa? – Disse eu me jogando na cama.
—Por que aí não seria você. – Ele se encostou na parede.
—Você é outro, é só um garoto bonito e idiota que apareceu para atrapalhar e confundir a minha cabeça.
—Ei eu... Espera o que? – Ele sorriu de repente – Você me acha bonito?
—Se você não souber disso eu tenho mais outro motivo para te chamar de idiota.
—E eu confundo sua cabeça? – Disse ele vindo para mais perto de mim.
—Ah... Sim... Você virou minha vida de cabeça para baixo.
—Não foi exatamente isso o que você falou.
—Ahn... Foi sim.
Ele se sentou ao meu lado na cama, olhando para a parede.
—Sabe, eu realmente, realmente, tentei não pensar em você desse jeito. Mas desculpa, é impossível.
Ele se virou para olhar para mim.
—Eu não to entendendo... – Por favor, não seja o que eu estou pensando, não o que eu estou pensando.
Ele ergueu uma sobrancelha
—Tenho certeza de que está. E se você não sente que...
Dane-se a cautela.
Me levantei da cama e fiquei andando de um lado para o outro.
—Olha, a questão é que você é uma pessoa confusa, uma hora é todo sarcástico e age como um idiota, outra hora se preocupa comigo e faz jantares maravilhosos. Você toda hora aparece com uma habilidade nova. E sinceramente, você deveria ter sido proibido de ter nascido com esses olhos, são hipnotizantes. Eu realmente não sei o que acontece comigo quando estou perto de você. – Falei tudo de uma vez rapidamente sem parar para tomar fôlego.
Inicialmente ele ficou confuso com tudo o que eu falava velozmente, mas depois um sorriso se formou no canto de sua boca.
—Isso me livra do momento embaraçoso que eu ia me fazer passar e me confirma algo muito importante. – O sorriso aumentou ainda mais.
—Espera, isso confirma o qu...
Alex nem me deixou terminar a frase. Avançou para perto de mim, me encostou na parede e me beijou. Apertei os dedos contra seus ombros, sentindo a resistência dos músculos abaixo e retribui o beijo. E então ele se afastou, não muito, apenas o bastante para me pegar pela cintura e me colocar em cima mesa que ficava encostada na parede. Enganchei os dedos nas alças da calça dele que prendiam o cinto e o puxei para mim, ele se deixou levar sem problemas. Voltamos a nos beijar e dessa vez freneticamente. As mãos de Alex deslizavam pela minha cintura, enquanto as minhas estavam em seus cabelos.
Alguma parte do meu cérebro estava gritando “O que você está fazendo? Pare com isso!”, mas meu corpo não queria obedecer.
Estávamos nos encostando em todas as partes: pernas, peitos e quadris. Alex me beijava longa e lentamente, me fazendo tremer. Ele me apertou com mais força e suas mãos foram para minhas coxas, passei a mão por baixo da bainha de sua camisa e deixei meus dedos caminharem sobre a sua pele firme e quente sobre as costelas, as sobressalências do abdômen, o ângulo dos ossos dos quadris acima da cintura da calça...
Ele me levantou pela cintura novamente e me carregou até a cama, onde me deitou lentamente e continuou a me beijar, ficando por cima de mim.
E então eu acordei. Parecia despertar de um sono profundo, do qual eu definitivamente não estava a fim de sair. Interrompi o beijo.
—O que nós... Alex... Não, nós...
—Nina... – Aqueles olhos verdes brilhantes (Okay. Tudo bem. Essa é a última vez que eu falo dos olhos. Prometo. Ou talvez não.) me encararam – O que você quer? Por que acho que já deixei bem claro o que eu quero. Você é a única que está me confundindo.
—Eu... Eu não...
Ele se aproximou para continuar a me beijar, mas eu coloquei as mãos em seu peito o empurrando para trás. Hora de retomar o controle.
—Alex, se você não quiser ser jogado para fora dessa cama eu sugiro que você pare.
—Ah vai ser o vento que vai me tirar daqui então?
—Não, quem controla o vento e os elementos é você. Você vai ser jogado por telecinese mesmo se não parar.
—Ah você quer que eu pare? – Disse ele sorrindo malicioso – Claro.
Eu podia sentir o corpo dele colado contra o meu, ele se apoiou com os cotovelos, seus olhos brilhavam. ôou, isso definitivamente não pode ser bom.
—Quando você quiser, é só dizer. – Ele tocou levemente os lábios contra minha bochecha, fazendo calafrios percorrerem o meu corpo. – Diga agora. – Sussurrou no meu ouvido e mordeu de leve o lóbulo da minha orelha – Ou agora. – E passou a boca na cavidade da minha têmpora – Talvez agora. – e contornou a linha da minha maçã do rosto – Ou agora. – Seus lábios estavam contra os meus – Ou...
Quer saber? Dane-se. Dane-se tudo. Eu quero isso.
Estiquei o braço e o puxei para cima de mim. Ouvi um ruído baixo em sua garganta e então ele me envolveu com os braços e me beijou suavemente. Fechei os punhos em sua blusa e o puxei mais para perto. (Como se ainda houvesse mais algum espaço que não tivéssemos preenchido. Estávamos colados um ao outro.) Ele intensificou o beijo e eu tirei sua camisa, explorando o corpo que havia embaixo.
Joguei meu peso contra o dele e fiquei por cima dele na cama, joguei o cabelo que caia na minha frente para trás e voltei a beijá-lo enquanto jogava o cinto dele no chão e desabotoava o botão de sua calça.
Ele então me virou e ficou por cima de mim novamente, talvez para fazer graça com o meu movimento, ele sacudiu o cabelo, e então tirou a calça. E continuou a me beijar enquanto tirava a minha blusa e jogava no carpete. Senti seus olhos aumentarem e percorrerem meu corpo admirados por alguns segundos e então ele perder o fôlego antes de voltar a me beijar gentilmente e cuidadosamente, enquanto eu tirava o meu short e jogava de lado.
Nós dois arfando, ele parou e me olhou longamente.
—O que você quiser. – Sussurrou ele, a voz rouca.
Sorri.
—Você ainda não entendeu? – Puxei ele para perto pelo pescoço, meu olhos se perdendo nos seus – Eu quero isso idiota. Eu gosto de você.
Ele sorriu. E então sussurrou no meu ouvido:
—Nós teríamos um grande problema se não gostasse, porque eu não pararia até você gostar de mim o tanto quanto eu gosto de você. Sério, eu não sei o que faria se você dissesse não, porque... porque, eu não sei se você já percebeu mas... eu gosto de você. Muito. Na verdade, eu te...
Entrelacei as mãos no pescoço dele e puxei seu rosto mais próximo do meu em um movimento um tanto rápido que o fez parar de falar.
Sorri.
—Eu também sinto o mesmo.
E então o beijei.
*
Nunca entendi essa história de sonhos dos filmes, em que tudo é nítido e claro (No máximo são enigmas, mas ainda assim tem algum sentido). Deixe-me deixar uma coisa clara: Isso não é real. Completamente inventado e história de hollywood e dos livros de distopia (Romance talvez?).
Eu realmente não me lembro uma vez em que meus sonhos fizeram sentido. No momento, eu estava sonhando comigo caindo continuamente, com tudo escuro ao meu redor. Do nada apareceram pedalinhos falantes em chamas, dizendo que tinha os queimado. Uma fenda se abriu no céu e um triângulo amarelo saiu dela rindo diabolicamente. Como eu disse, completamente sem sentido.
Acordei com o sol batendo na minha cara, olhei para o lado e não vi ninguém. Foquei em um papel em cima do criado-mudo com meu nome escrito, estiquei a mão, o peguei e abri.
Não me mata, por favor!
Eu realmente fiquei na dúvida se você gostaria mais que eu acordasse do seu lado ou então com café da manhã na cama. Me decidi pelo café, talvez isso me redima por não estar aí para te beijar enquanto você acorda.
Não vou esquecer do café relaxa.
Alex
—Idiota. – Murmurei enquanto me revirava na cama para levantar e ir até a cozinha.
Vesti minhas roupas e desci as escadas. Diminuindo o passo a cada degrau até parar no penúltimo.
O local estava completamente revirado. O sofá caído no chão e jogado para o lado, a mesa de jantar derrubada no chão também e as cadeiras quebradas, a tv trincada, vidro espalhado pelo chão e pelo carpete.
O que diabos tinha acontecido ali?
Fui correndo para a cozinha e lá a situação estava ainda pior: a pia estava transbordando água, a geladeira estava tombada para o lado, tinha panelas no chão, junto com tudo que era tempero. O fogão estava aceso e algumas partes da cozinha estavam queimadas, e até o teto estava molhado, obra de Alex provavelmente.
Procurei por toda a casa, fui em todos os quartos (Os do andar de cima estavam intocados, os de baixo no entanto...). Não havia ninguém ali, Alex tinha sumido. Ou o que dava a entender pelo menos, tinha sido levado.
Voltei para a sala e fui para a porta da frente, arrombada. Me virei para olhar para o apartamento no caos. E na posição em que eu estava agora, pensei, deveria estar vendo a mesma coisa que Alex viu no dia em que o pai dele sumiu. Por que com certeza o que o eu estava sentindo era pior.
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