Notas iniciais
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Abri a porta do meu quarto e tomei um susto com Camila sentada na minha cama.

—Ahh!! Aí está você! E aí? Como foi? O aconteceu? Me conta!! – Disse ela correndo na minha direção.

—Mas o que você...

—Ah por favor Catarina, eu estava lá quando o Guilherme te salvou. Foi tão fofo e romântico. Ele disse que ia levar você para a casa dele, por que o pai dele é médico e poderia ajudar. Eu até ia junto, mas sexta era o único dia que eu teria para tirar o visto do meu passaporte. E também porque eu sabia que você estava em boas mãos e que você e o Guilherme mais do que precisavam de um tempo sozinhos. – Disparou ela sem parar para respirar uma vez.

—Que amiga eu tenho, eu estou desmaiada e você me troca por um visto de passaporte.

—Você sabe que não é bem assim... Mas e aí? E aí? E aí? O que rolou? Não, eu sei exatamente o que rolou, quero é que você me conte todos os detalhes.

—Cami, desde quando você...

—Você está desconversando. Você está desconversando! Ai meu deus Catarina! Você dormiu com o Guilherme?!!!

—Vai, grita mais alto. Acho que tem um pessoal no Japão que não ouviu.

—Então é verdade?! É verdade! Espera. Por que eu estou mais animada com isso do que você?

—Por que não foi nada demais Camila.

—Impossível. Não acredito em você Nina. Eu vejo a forma como o Guilherme olha para você. E bem, eu conheço você. Você nunca chama uma pessoa de idiota tantas vezes a não ser que goste dela. E o Guilherme bateu o recorde.

—Tudo bem. Eu...

—Detalhes. Eu quero detalhes... Os mínimos detalhes. Um vídeo do acontecimento seria muito bom também...

Encarei-a.

—Você sabe que eu tô brincando. Mas dá para entender por que eu estou tão desesperada não acha Nina? Meu deus, parece que demoraram décadas para isso acontecer. Por que demorou tanto?

—Ahn... Talvez, por que eu conheço o Guilherme há um pouco mais de um mês?

—E o que isso tem a ver?

—Tem a ver com o fato de nós sermos apenas amigos, e de uma hora para outra... Vai logo tudo de uma vez. Pensando bem, talvez o álcool do vinho possa ter acelerado um pouquinho as coisas.

—Não vejo problema nenhum nisso. E vocês gostam um do outro, então... por que estamos discutindo isso mesmo? Bora, quero saber de tudo sobre o acontecimento marco na vida da minha melhor amiga.

—Marco?

—Claro. Tirar a virgindade é algo importante, pelo menos pra mim.

—Cami... Bom, essa... essa não foi a minha primeira vez...

O rosto dela ficou confuso.

—Se não foi agora, então... Quando?

—Ahn... Lembra do acampamento de verão que eu fui essas férias de meio de ano enquanto você estava em Londres? Bem...

—E você me disse que não tinha rolado nada demais naquele acampamento!

—Pois é. Eu não te contei, bem, porque... Olha, eu quero deixar claro que eu ia te contar, mas você chegou de viagem brigada com o Rodrigo porque a sua primeira vez tinha sido péssima, e eu não queria te desanimar ainda mais dizendo que a minha foi ótima.

—Não estou irritada. Talvez eu esteja fumegando por dentro, mas você pode se redimir então me contando os detalhes, das DUAS vezes de aconteceu então. E só para constar eu não estava brigada com o Rodrigo.

—Ah estava sim. Estava brigada, irritada e decepcionada porque a sua primeira vez não foi do jeito que imaginou. Mas foi fofo ele ter vindo por alguns dias para o Brasil para consertar as coisas com você. E se eu tivesse te contado o que tinha acontecido comigo, você provavelmente estaria na minha casa conversando animadamente sobre a minha “experiência” e não na sua casa para ser surpreendida pelo Rodrigo. – Ergui as sobrancelhas.

Ótima escolha de palavras Nina, muito bem.

—Tudo bemm... – Ela estreitou os olhos para mim. – Desculpada. Agora, duas coisas: Primeira, acampamento de verão? O que...?

—Não tem muito o que dizer. Ele era gatinho, fofo, engraçado, ligue isso mais a armação de algumas crianças menores, querendo juntar nós dois, e puf! Aconteceu. Nós fomos perdendo contato ao longo do tempo, se não me engano, acho que ele foi morar em outro estado. Não ia dar certo entre nós dois. Foi só uma paixão de verão, se você quiser ser poética. Está tudo terminado entre nós. Sem ressentimentos. Nenhum só.

—Certeza disso?

—Absoluta. – Disse sem acreditar em uma palavra. – Tudo acabado.

—Voltaremos a esse assunto outra hora. Nina. Esse acampamento só durou três semanas.

—E?

—Então por que diabos demorou tanto com o Guilherme!!? Eu nem conheci o... qual é o nome do cara?

—Daniel.

—Sim, Daniel. Eu nem conheci esse Daniel, e tenho 100% de certeza que você gosta mais do Guilherme do que dele.

—É complicado, com o Guilherme pelo menos. Eu não queria apressar as coisas.

—Você não gostava dele? Não tinham coisas em comum?

—Sim, e mais do que você imagina. Mas...

—Então eu continuo sem entender. Até onde eu sei você sempre foi uma pessoa decidida quando sabia o que queria.

—A questão é que eu realmente não sabia o que queria, bem não, não é isso exatamente. Talvez, talvez eu quisesse algo especial? Eu não conheço ele direito. Sim, alguma parte de mim sentia algo por ele, mas eu tentava de todo jeito reprimir. Sei lá, não conheço o lado dele, não sabia se ele gostava de mim também. Mas ele é uma caixinha de surpresas em todos os sentidos.

—Repete. – Ela piscou os olhos dramaticamente – Espera eu ouvi direito? Existe uma Nina romântica? É o fim do mundo.

Revirei os olhos.

—Mas aconteceu, finalmente aconteceu! O que importa é isso. E agora... – Ela deu sorriso malicioso.

O celular de Cami começou a tocar na bolsa dela, ela o pegou e olhou a mensagem.

—É o Rodrigo, só ele mesmo para poder interromper essa conversa, tenho que ir pra casa. – Disse ela pegando a bolsa. – E Nina? Não se engane, ainda quero e vou saber de tudo. – Sorriu e então saiu fechando a porta.

Notas finais
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