— Remus John Lupin — minha mãe joga a bolsa na poltrona e arremessa as chaves do carro na mesinha de canto que fica do lado da porta — não acredito que levou uma camisinha pra escola, onde estava com a cabeça?

— ELE FEZ O QUE? — Runa pula da cadeira com os olhos arregalados e um sorriso que vai de uma orelha a outra, ela vai me encher o saco depois, como a boa irmã que é.

— Não vejo nenhum problema em fazer essas coisas — ela gesticula desesperadamente, está aparentemente nervosa e zangada, o que é difícil de se ver em Hope Lupin — você já está na idade, é saudavel que faça, e fico contente que pense em se proteger e em responsabilidades... mas não que leve algo do tipo pro colégio!

— Mãe, eu entendi, me desculpa, não vai se repetir — sinto meu rosto queimando, ela tenta muito ser a melhor mãe possível, por conta disso as vezes exagera na explicação dando detalhes que envergonham qualquer um — só não vamos começar uma conversa sobre isso.

Ela bufa e concorda, suas bochechas estão avermelhadas, seu vestido que vai até os joelhos não para de balançar de um lado a outro por conta de sua agitação.

— Está bem, dessa vez passa e espero que não tenha uma próxima — ela coloca as mãos na cintura — agora vá fazer sua lição.

— Sim, senhora — caminho o mais rápido que posso até meu quarto, mas pelo visto não foi o suficiente já que minha irmã invade o cômodo — sai daqui antes que eu te expulse.

— Olha, eu já fiz muita merda — ela se joga na cadeira e rodopia com um pirulito na boca — entretanto você me venceu nessa.

— Agora vai começar a usar palavras difíceis? — ela dá de ombros e me encara enjoada — foi você que ficou girando, era óbvio que iria passar mal.

— E você nem me avisa? Ótimo irmão — empurro a cadeira, que sai deslizando pelo quarto e tiro meu material, o colocando na escrivaninha — me ajuda com uma lição de física? Eu odeio essa matéria...

— Depende — a encaro de canto, todo favor precisa ser tratado como uma negociação quando se trata de Runa — qual assunto e quantos favores?

— Aff, esquece — ela ia abusar, provavelmente era uma lista de exercícios ou um tema muito complicado — só não esquece que tu tá me devendo por aquela vez que eu deixei aquele cara sair daqui, nem contei pra mamãe.

— E eu achando que você ajudou porque tinha um bom coração — reviro os olhos e ela me lança um travesseiro, que desvio por pouco.

— E eu tenho, mas aprecio mais minha inteligência — devolvo o travesseiro e ela o coloca na cama, se levantando e saindo — e eu vou cobrar logo logo por esse favor.

Isso me preocupa, nada de bom pode vir de Runa Hope Lupin, muito menos algo que não vou poder negar.

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— Sente-se, Sr. Lupin — a professora Minerva fala sem parar de anotar algumas coisas — de preferência, longe do Sr. Black.

Concordo e mantenho a cabeça baixa, é impossível encara-la depois de tudo, é vergonhoso.

— Lupin — o garoto loiro levanta a mão pra mim do fundo da sala e acena — senta aqui.

Black e Potter me encaram com sorrisos marotos e me olham conforme eu ando pela sala, por que eles só não cuidam das próprias vidas?

— Desculpe por ontem — o garoto parece calmo, tanto pelo tom de voz quanto pela maneira de agir, seus olhos me analisam rapidamente e ele dá um sorriso fraco — as vezes, o Sirius é bem curioso e brincalhão e acaba fazendo besteira.

Assinto e nos voltamos pra frente, em silêncio.
Será que eu devia puxar papo com ele? Ele parece ser o mais controlado e responsável dos três... não, acho que eu deveria ficar na minha, quanto mais longe deles melhor.

— É... — ele coça a nuca e se volta pra mim — a gente tava vendo de irmos até os três vassouras, é uma lanchonete, depois daqui, você gostaria de ir?

Arregalo os olhos levemente, é um convite? O únicos convites que recebi foram da Lily, Dorcas, Mary e da Alice pra alguma festa do pijama ou sessão de estudos na casa de alguma.

Se fosse um daqueles dois eu negaria na hora, mas ele não parecesse ser um encrenqueiro sem causa que ofende e machuca os outros. Será que ele acaba levando a culpa do que aqueles dois fazem só por estar na companhia deles?

— Hm — me mexo desconfortável, não é algo comum pra mim — talvez, não tenho certeza.

— Ok, se mudar de ideia, a gente vai ficar por lá até umas 18h — seus dedos batucam na carteira nervosamente — depois temos de pegar o ônibus pra voltarmos pra casa, então não poderemos ficar até muito tarde... apesar daqueles dois quererem muito isso.

O silêncio entre nós retorna, observamos Black e Potter rindo e tomando broncas, eles parecem nunca aprender.

— Se você se sentir mais confortável, pode levar as suas amigas também — o encaro e suas bochechas estão com leves avermelhados — eu sei bem como é se sentir deslocado sem os amigos.

Pelo visto, ainda que ele aparente ser totalmente diferente deles, a amizade que eles tem é bem forte...
O tempo passa voando enquanto me perco em meus pensamentos e desperto com a professora levantando e saindo, não antes de lançar um olhar desconfiado e ameaçador a todos nós.

— Vamos fugir? — Black pergunta aos dois assim que Minerva se vai — faltam só cinco minutos.

— Vem com a gente, Remus? — Potter me olha esperançoso — por favor, diz que vem.

— Posso mesmo levar quem eu quiser? — pergunto ao Pettigrew, que concorda — está bem, eu vou ver com minhas amigas e depois falo com vocês, nos encontramos na entrada da escola em alguns minutos.

O Potter e Black comemoram, apesar de eu achar que Sirius não liga muito pra se eu vou ou não, e Pettigrew se despede antes de eu sair correndo da sala.
Graças aos anos convivendo com as quatro eu sei muito bem onde elas estão.

— Lily! — grito e ela se vira com um sorriso, todas estão em frente aos armários escolares — o que acha de irmos ao Três Vassouras?

— Se você pagar eu vou — Mary pisca pra mim nos fazendo rir — mas tô dentro.

— É, pode ser divertido — Dorcas parece pensar por alguns segundos — também vou.

— Foi mal — Alice torce o nariz, meio triste — tenho teste de matemática amanhã, não vai dar.

— Quem vai? — a ruiva cruza os braços e franze a testa.

— Bem, sabe o trio infernal? — ela me encara incrédula — Pettigrew me convidou.

— Esquece — as três garotas disseram em uníssono.

— Eu pago? — os olhos de Mary brilham — faço a contabilidade do grêmio? — Dorcas dá um sorriso de lado satisfeito — e eu... te livro da Runa ou da Pétunia? — Lily levanta uma sobrancelha, duvidando se eu posso realmente conseguir isso.

— Tá, mas se o Potter ficar me enchendo o saco, eu vou embora — a ruiva suspira enquanto enfia a mochila no armário. O garoto tinha arrumado um jeito de inferniza-la quase que o dia inteiro, em todas as aulas — vamos?

Alice se despede de nós e começa a arrumar seu armário.

Nos dirigimos a entrada da escola, onde os três nos esperam. Potter parado olhando algumas crianças brincando de pega-pega, Pettigrew sentado na escada com os cotovelos nos joelhos e a cabeça entre as mãos e Black apoiado em um dos pilares, o vento sopra fazendo seu cabelo voar em sua cara, segurei a risada ao vê-lo quase comer o próprio cabelo.

— Estamos prontos? — Dorcas encara cada um dos meninos com desconfiança.

— Esperem! — Marlene veste trajes esportivos e corre na nossa direção — desculpem, a seleção pro time de basquete terminou agora.

— Achei que você era líder de torcida — Black levanta uma sobrancelha e dá um sorriso travesso.

— Você sabe que eu adoro dar uma variada — a loira pisca pra ele e se volta para nós — podemos acelerar? Ouvi dizer que os Três Vassouras tem uma bebida chamada "Cerveja amanteigada", dizem que é muito boa.

Com isso todos começamos a caminhar até a lanchonete que é muito famosa entre toda a cidade, de Abigail até Goodwing.
Peter e James estão na frente, Marlene e Sirius falam sobre os clubes de esportes com Dorcas próxima apenas auxiliando em informações mais técnicas (como o funcionamento dos clubes), Lily e Mary ao meu lado conversando. É uma tarde boa até agora.

— Calado, hm? — Black desacelera o passo, me acompanhando, o sorriso de sempre no rosto — achei que por estar com suas amigas você iria falar sem parar, principalmente sobre assuntos chatos como o grêmio.

— Você realmente acha que eu não faço nada não relacionado a escola, né? — ele me olha como se fosse óbvio — claro, como eu poderia pensar em fazer algo como viver?

— Tá bom, então o que faz? — posso ver a curiosidade no rosto dele, ele é tão fácil de ler em alguns momentos.

— Estudo, ouço música e leio — ele deu um risinho e levantou uma sobrancelha — e isso é o que você vai saber, pois não vou te contar mais nada.

— Então você tá escondendo algo? — consigo sentir seu olhar sobre minhas cicatrizes por alguns segundos antes dele desviar a atenção, sinto meu estômago revirar com isso, odeio essas malditas marcas — interessante... de qualquer forma, logo vou descobrir.

— Se você não fosse um idiota, eu invejaria a sua confiança — reviro os olhos e ele ri.

— O que vocês fariam conosco caso não tivéssemos pedido desculpas? — seu sorriso some e ele fica totalmente sério, eu coro envergonhado com suas palavras e fico um pouco chocado com sua mudança de humor.

— Nada — ele me encara incrédulo — era um blefe... eu não poderia mandar vocês a diretoria de novo, temos coisas mais importantes pra nos preocupar do que a punição de encrenqueiros, mas eu me senti realmente furioso por aquilo... não me orgulho do que fiz e prometo não fazer novamente, desculpe por aquilo.

Com o pedido de desculpas ele arregala um pouco os olhos porém concorda e começa a andar mais rápido, ficando ao lado dos amigos e voltando a conversar animadamente.
Viramos uma esquina e já podemos admirar a beleza da lanchonete, que por fora se assemelha a uma cabana de férias, uma chaminé vermelha solta fumaça e um cheiro de pão saindo do forno nos atinge e começo a salivar, a barriga de Pettigrew chega a roncar.
Entramos no estabelecimento, a visão do interior é tão linda quanto a do exterior, o chão de madeira escura ressalta o papel de parede amarelo das paredes.
Fomos mais pros fundos, onde é mais escuro e tem lugares para mais pessoas.

— Uau — McKinnon observa o lugar admirada.

— É, aqui é perfeito — Mary senta ao lado da loira e coloca algumas mechas de seu cabelos atrás da orelha — principalmente se quiser ficar com alguém e ninguém notar.

— Se Mary MacDonald diz, então é verdade — Dorcas ri ficando próxima de Marlene — ela passa o rodo na escola, se tem alguém que sabe bem onde é melhor pra se pegar, é ela.

A mesa é redonda, porém grande o suficiente pra todos nós, James tentou a todo custo sentar do lado de Lily mas após ela o ameaçar de morte ele desistiu, ficando ao lado do Black.
Com Peter e Lily sentados próximos de mim até que não me sinto tão incomodado quanto pensei que estaria.

— O que vamos pedir? — Mary puxa um dos cardápios — ou vamos seguir a tradição?

— A tradição, obviamente — Dorcas abre um sorriso divertido — não se pode vir aos Três Vassouras e não beber uma cerveja amanteigada bem gelada.

— Paul! — Lily grita chamando a atenção do rapaz magro de cabelo encaracolado bagunçado atrás do balcão — traz umas oito cervejas amanteigadas, tão gelada que faz os dentes doerem!

— Pra já, madame! — ele ri e corre pra cozinha.

— Vocês vem sempre aqui? — McKinnon se debruça na mesa.

— Moramos aqui perto então é quase que um ritual a gente vir aqui de sexta — a morena cutuca um pedaço da mesa que está soltando uns fios de madeira — mas hoje é uma exceção, já que é terça ainda.

— Acho que alguém terá de compensar de alguma forma — a ruiva levanta uma sobrancelha pra mim e sorri maldosamente — me pergunto quando a Runa vai te cobrar aquele favor.

Antes que eu pudesse questiona-la sobre o que ela estava falando, minha irmã pula em meu pescoço.

— Rem! — ela me aperta um pouco antes de me largar, em seu rosto ela tem o mesmo sorriso de Lily — já sei o que quero!

— Depois falamos sobre isso — ela faz um bico porém se cala e vai pra uma mesa cheia de outros alunos, me viro pra Lily — o que você sugeriu que ela pedisse?

— Ah, nada demais — ela mexe nos cardápios, troca olhares com as outras garotas e se volta pra mim — apenas uma festa sexta a noite na sua casa.

— Isso sim, ruivinha! — Black pula em animação, James e Marlene parecem tão animados quanto — podemos ir?

— Podem, quanto mais melhor — Dorcas me interrompe e me olha esperançosa, suspiro e me dou por vencido, não tenho controle da situação mesmo.

— Me falem que, pelo menos, vai ter bebida — os quatros que não são do grupinho parecem surpresos enquanto minhas amigas me encaram com desdém — e vocês arrumam, eu só vou ser responsável pelo local, de resto é com vocês e com a Runa.

— Ela sempre dá um jeito em tudo — Mary dá de ombros e Paul traz uma bandeja cheia de copos com um líquido amarelado.

Brindamos, só levantando as garrafas mesmo, e bebemos, eu e Dorcas observando a reação dos novatos.
James ficou em choque e encarou o copo, Peter arregalou os olhos e quase virou tudo de uma vez, Marlene manteve o líquido na boca por um bom tempo, provavelmente apreciando, antes de engolir e Black bebeu lentamente de olhos fechados.

— Notas? — levanto uma sobrancelha e sorrio, é sempre divertido fazer isso, fizemos o mesmo com minha irmã, ela bebeu quatro copos naquele dia e passou mal a noite inteira.

— Sensacional! Esplêndido! — o loiro quase grita nos fazendo rir. Ele tá certo, é uma das melhores bebidas de toda WizardLand.

Todos começam a conversar, hora ou outra trocando o assunto e as pessoas envolvidas. É, está sendo bem confortável na verdade...

— Com licença — Runa aparece do meu lado, ela sorri e põe a mão no meu ombro — eu sei que ele é incrível, mas posso roubá-lo de vocês por um minuto?

— Depende, devolva ele rápido e não morto — Dorcas pisca pra minha irmã, arrancando um riso da mesma enquanto me puxa pro balcão.

— Rem, por favor, me deixa fazer uma festa sexta — ela faz biquinho e junta as mãos como se implorasse — a mamãe e o papai vão sair pra um dos jantares deles e a casa vai estar livre, vai fazer bem você beber e se divertir um pouco.

— Ok, ok — passo a mão nos cabelos, é meio estressante ter de lidar com Runa, mas ela está certa e a ideia de beber e bagunçar com as meninas não me parece ruim — porém você arruma tudo depois, terá de deixar a casa brilhando, não vou te defender se o Lyall descobrir.

— Já falei que te amo? — ela me abraça e me empurra em direção a mesa que eu estava antes — agora, vai curtir um pouco. Eu vou pra casa, beijos.

— Espera, acho que também vou — ela balança a cabeça em negação e aponta pra mesa — o que eu ganho em troca?

— Eu não invado seu quarto e fico longe dos seus chocolates, agora vai — reviro os olhos e volto pro meu lugar.

— Você tem uma irmã? — Potter se inclina, se aproximando pra conseguir conversar comigo — que legal!

— Ela é insuportável às vezes, adora me fazer ficar em dívidas com ela, completamente maluca — a observo sair do estabelecimento — mas é impossível não amar aquela idiota.

Ele parece ter ficado meio chateado por um minuto, porém logo seu sorriso retorna.

— É, eu só entendo isso por causa desses idiotas aqui — ele abraça Black e Pettigrew de lado — eles são meus irmãos.

Encaro a ruiva, ela sorri pra ele. Claro, Lily ama a família, se qualquer um que esteja interessado nela não entende o valor disso, então ela não vai dar nem atenção pra pessoa.
E ele entende.

— Vai dar uma chance a ele? — sussurro e a mesma cora.

— Não, nos conhecemos a apenas um dia e algumas horas — ela suspira — mas quem sabe mais pra frente...

Sorrio, finalmente Lily Evans está interessada em alguém, depois do que aconteceu da última vez não a culpo por ser tão cuidadosa.
Só espero que o Potter não a machuque como ele... ou eu mato ele.

— Caramba — Mary joga seu longo cabelo pra trás, enquanto encara seu relógio de pulso — já são 17h45, temos de ir.

— Nós também — Peter diz se levantando e indo até o balcão — podem deixar que eu pago, fui eu que convidei todos mesmo.

— Ok, vocês vão andando, de ônibus ou tem algum motorista particular? — MacDonald encara os três que não são Abigail's.

— Ônibus — Black a olha tediosamente como se tivesse perdido toda a animação de minutos atrás — o bom é que Goodwing fica pro mesmo lado que Lux, só demora mais.

— Espera — Dorcas franze a testa, batuco nervosamente na mesa e Lily e Mary olham pra todos os cantos, menos pra Sirius — você é um Goodwing?

— Sim? — ele levanta uma sobrancelha — mas não sou um babaca estúpido que acredita em superioridade, diferente de vários.

— Ah — Meadowes continua a encara-lo desconfiada, e eu concordo com ela, se tratando de Goodwing's sempre é bom tomar cuidado.

— Bem, iremos juntos até o ponto, porém teremos de pegar ônibus diferentes — MacDonald se levanta, claramente incomodada — vamos?

Saímos do local acenando pra Paul, que falou pra voltarmos semana que vem.
Os pontos de ônibus estão por todo lugar em Hogsmeade, já que é uma área predominantemente comercial.
Os carros quase não passam a essa hora e por não estarmos no centro não há muito movimento além dos vários jovens que se divertem.

— Vocês odeiam Goodwing's, né? — ele anda ao meu lado com os braços cruzados, ele está sério, porém de um modo não tão ameaçador como mais cedo.

— Você já deve saber o motivo — ele concorda mas mesmo assim continuo — Goodwing's se sentem superiores a tudo. Gente como nós, Abigail's, sempre são maltratados, caçoados e tratados como lixo por eles... é normal que mantenhamos uma distância.

— Acho que vou ter que conquistar a confiança de vocês — ele olha pra frente, em um olhar que não consigo decifrar — vai ser um pouco mais difícil por conta dessa primeira impressão.

— Não é uma primeira impressão — ele me encara, franzindo levemente as sobrancelhas — nenhum de nós tivemos direito a isso, sempre seremos julgados por "ah, é um Lux, então deve agir com bravura e sinceridade" ou "um Abigail? Com certeza deve ser encrenqueiro e sem futuro".

Ele sorri de lado e suspira, se voltando pra frente.
Minhas mãos suam um pouco, estranho, isso não acontece a menos que eu esteja em um palco, fazendo um pronunciamento ou envergonhado.

— Devíamos fazer uma promessa — James diz assim que chegamos ao ponto — ou algo do tipo.

— Do que você tá falando, cara? — Marlene sorri debochada, pronta pra adicionar uma brincadeira mas Potter a interrompe.

— Sei lá — ele me encara ansioso, intercalando seu olhar entre mim e as outras garotas — só pensei em algo, tipo participarmos das reuniões de sexta-feira que vocês fazem na lanchonete.

— Está se auto convidando pro nosso evento super particular? — levanto as sobrancelhas, estou brincando, obviamente, mas pelo jeito James não entendeu porque ele cora e coça a nuca — não vejo problema algum.

— Eu também não, principalmente se eu não tiver que pagar — Mary ergue a cabeça em satisfação, nos fazendo rir.

O ônibus branco e azul claro para, o destino em letras alaranjadas no painel.

— Bem, nos vemos amanhã, ou sexta — digo subindo no transporte e acenando pra eles, que retribuem o gesto ou acenam com a cabeça.

Me sento no terceiro banco, os olhando. Black dá um sorriso e acena enquanto me encara, sinto um gelado na região do estômago... acho que a cerveja amanteigada me fez mal.

Notas finais
Capítulo narrado totalmente pelo Remus porque eu sinto que escrevo mais da perspectiva do Sirius. Assim, eu sei que a forma como ele chama todo mundo é meio repetitiva mas quis manter isso pra mostrar que o Remus ainda não sente intimidade o suficiente pra chamar eles nem pelo nome direito, imagine por apelidos (tirando a Dorcas, Mary, Lily e Alice, que ele as vezes vai chamar pelo sobrenomes ou características só pra não ficar repetindo os nomes mesmo, ok?) E sim, Abigail's seriam nascidos trouxas ou mestiços, Lux's os "traidores de sangue" e os Goodwing's os puros sangues preconceituosos, apenas dei uma modificada aqui e ali (acho que exemplo disso seria a Alice, que na história, se não me engano, é puro sangue porém aqui ela é uma Abigail) ♡'・ᴗ・'♡