Notas iniciais
Essa é a minha primeira fanfic, espero que gostem.

Em uma pequena ilha chamada Dakhay vivia uma garota, ela tinha longos cabelos pretos e olhos verdes como esmeraldas. Por mais inofensiva que parecesse, os outros habitantes da ilha a abominavam e faziam de tudo para que ficasse isolada de todos. Isso acontecia porque ela não era igual a eles. Ela não sentia o calor, tinha reflexos bem melhores que todos, mas acima de tudo ela possuía um dom um tanto peculiar, um dom de controlar a terra. Tinha em suas mãos um poder muito especial e por causa disso ela se odiava.

Frequentemente pensava se em alguma outra vida, tinha feito algo de errado. Ela simplesmente não entendia o “por que” de ter nascido assim!

Por causa desse maldito poder que ela havia sido isolada de todos, por causa dele ela não poderia brincar com as outras crianças e nem fazer amigos, pois sempre que chegava perto de alguém essa pessoa saia correndo ou começava a encara-la com ódio e repulsa. Até os animais fugiam dela! Mas mal esperava ela que logo as coisas iriam mudar.

Em um dos raros dias em que fazia Sol, um navio (mesmo não sendo muito grande, em comparação aos outros navios da ilha ele, era bem moderno) ancorou na ilha. Todas as pessoas, inclusive a abominável garotinha, se reuniram no porto para ver quem eram os visitantes.

Um homem, que deveria ter mais ou menos uns cinquenta anos, desembarcou seguido por outras vinte pessoas. A garota ficou maravilhada com aquela cena, essas pessoas eram diferentes de todas as outras que ela já tinha visto! Elas emanavam um tipo de aura diferente da das outras pessoas da ilha, a aura deles era bem mais... poderosa. O homem disse que ele e sua embarcação iriam ficar na ilha por alguns dias e pediu um lugar no qual eles pudessem se hospedar.

A medida que os dias iam se passando a curiosidade da garotinha a respeito desse grupo ia aumentando cada vez mais, não só dela, mas de todos os habitantes da ilha também. Ela passava praticamente o dia inteiro seguindo o homem de cinquenta anos que seria (provavelmente) o capitão, parecia que ele nem percebia, ou se percebia, nem ligava.

Na manhã de sábado, em que faria uma semana deis que os viajantes haviam chegado. A menina, que já estava se encaminhando para o bar que eles geralmente ficavam boa parte do dia, percebeu que dois meninos vinham em sua direção.

-Hey, monstro!- falou um deles- O que está fazendo aqui?! Não sabe que NINGUÉM te quer aqui?

Estava embasbacada, não sabia o que fazer, mesmo que fosse para lhe ofender era muito raro alguém dirigir alguma palavra para ela.

- O que foi?- disse o outro garoto- Não sabe que falar?

-É-É-É c-claro que eu sei falar!

-Sério? Não é o que parece!- os dois explodiram de risadas da cara desconcertada que a pobre garota fez. Ela tentou passar por eles, a única coisa que queria fazer era ir logo para o bar e ficar observando o que o (provável) capitão estaria fazendo.

- Ei!- falou o garoto agarrando o seu pulso com força- Para onde você pensa que vai?! Aqui é a NOSSA cidade não é lugar para aberrações que nem você!

- Isso aí! É melhor você voltar para o lugar de onde veio! – disse o outro garoto lhe empurrando.

-Deixem-me em paz! Eu tenho uma coisa importante para fazer!

-O que?! Vai ficar continuar espionando os viajantes? Pare logo com isso! Eles devem estar incomodados por uma aberração como você ficar olhando para eles o tempo todo!

-Cale a boca! – a menina tinha aprendido a conviver com o sofrimento e solidão, mas de certo modo aquelas palavras tinham despertado todos os sentimentos que ela havia reprimido todos esses anos.

-Cale a boca você! – berra um dos meninos avançando em sua direção e lhe derrubando no chão – Você é apenas um monstro que veio para essa ilha atormentar as nossas vidas! Todos aqui te odeiam! Você deveria morrer!

Eles começaram a bater na pobre garota. Mesmo sendo dois contra um ela sabia que se lutasse utilizando seus poderes venceria facilmente, mas também sabia que se os usasse só daria mais uma razão para que aquelas pessoas lhe tratassem como um monstro. Então decidiu não reagir. Decidiu ficar parada enquanto lhe batiam, a dor que sentia naquele momento era muito menor do que a dor emocional na qual convivia todos os dias.

De repente, os garotos pararam de bater nela e saíram correndo, sua visão estava meio embaçada por causa das lágrimas, mas pode ver a expressão de terror de um dos meninos. Um homem se ajoelhou ao seu lado e perguntou:

-Você esta bem?

- S-sim... — nesse momento ela percebeu que ele não era um homem qualquer, mas sim o (provável) capitão. Foi como se uma onde de alegria tivesse passado por todo o seu corpo. Não importava mais o fato de estar sangrando, nem as dores que sentia, a única coisa que importava naquele exato momento era que aquele homem misterioso no qual ela havia seguido há semanas, estava lá na sua frente, aparentemente preocupado com ela.

-E-e-eu estou bem! – falou se levantando – Estou ótima! Nós só estávamos...hum... BRINCANDO! Só estávamos brincando!

-Isso não parecia uma brincadeira para mim – ele disse com um tom severo – ELES não pareciam estar brincando, poderiam ter te machucado seriamente, garota.

-Não importa. – falou relembrando tudo o que eles haviam dito – Ninguém se importaria se eu morresse... na verdade acho que ficariam felizes se isso acontece.

-E por que acha isso pirralha? – disse ele com um olhar curioso.

-Porque eu sou um monstro! – seus olhos estavam cheios d’água – Eu não queria nascer assim! Não queria nascer com esses poderes!

Esse foi o começo de uma bela amizade a solitária garotinha contou tudo ao (provável) capitão, contou sobre o povo da ilha ter isolado ela, sobre os seus poderes. Mas nada disso pareceu causar espanto ou surpresa no capitão. Na verdade quem foi surpreendido de verdade foi a própria garota. Ele contou os poderes que ela possuía não era nada anormal de onde ele vinha, que das terras por onde ele andou ter poderes era “normal”.

Desde então a garota passou a encontra-lo todos os dias para que ele lhe contasse as histórias sobre o mundo a fora, sobre os diferentes poderes que as pessoas tinham, inclusive ela ficou sabendo que o próprio capitão possuía poderes, mas quando perguntou quais eram ele disse que ela deveria descobrir por si mesma.

-E então? E então vovó o que aconteceu?

-Calma Akane. Antes de fazer perguntar ouça a história até o final.

-O que aconteceu com a menina, vovó?

- Um dia essa menina pediu para que o Capitão a levasse junto com a sua tripulação para o mundo a fora, ela disse que queria explorar o mundo e reunir pessoas com o mesmo tipo de poder dela.

-Hum... então foi assim que a nossa aldeia nasceu?

-Exatamente querida. Alguns anos depois dela ter ido embora da ilha, ela descobriu que esse tipo de poder pertencia aos descendentes diretos dos “Caçadores de Dragões”. Você sabe o que isso significa?

-Hum... acho que sim... isso que dizer que como esses caçadores injetavam sangue de dragão no seu corpo eles adquiriam várias características dessas feras. E por isso que ela tinha o poder de controlar a terra né? Os seus ancestrais provavelmente tinham o sangue do dragão tipo terra injetado no seu corpo e consequentemente ela também.

-Exatamente isso. Mas não se esqueça, que também existem algumas pessoas que possuem mais de um tipo de sangue de dragão no seu corpo ,a maioria dessas pessoas geralmente só consegue despertar apenas um sangue, mas existem alguns casos que conseguem despertar os dois tipos. Antigamente quando os dragões ainda existiam e os caçadores ainda os caçavam, quando alguém despertava mais de um sangue essa pessoa era chamada de “Mestiça”. Os mestiços eram extremamente poderosos, porem também eram muito temidos pelos outros caçadores. Hoje em dia o número de mestiços aumentou muito, mas continuam sendo difíceis de encontrar.

-Então quer dizer que como papai tem sangue do dragão do raio e a mamãe tem sangue do de fogo eu tenho chance de despertar esses dois tipos de sangue?

-Sim querida. Mesmo que a chance seja pequena disso acontecer, nunca desista, eu sei que se você treinar muito um dia conseguira despertar os dois sangues!

-Ok vovó! Eu juro que, não importa o quanto digam que não vai dar certo, eu vou continuar tentando despertar os meus sangues! A partir de hoje eu treinarei muito para ficar bem forte e despertar o meu sangue!

-Esse é o espírito florzinha! Mas acho que podemos começar a treinar só amanha, já é muito tarde e sua mãe vai me matar se souber que eu deixei você acordada até essa hora.

-Tá... Boa noite vovó!

-Boa noite querida.

Notas finais
Esse começo pode parecer meio confuso então por favor comente se tiver alguma dúvida a respeito da história (ou alguma crítica). Obrigada por ler a minha história.