Arcanum

2 Jogos de Inverno


Notas iniciais
Obrigada por estar lendo essa história.

Uma hora. Já deve fazer uma hora que eu estou nessa maldita fila! Quando cheguei aqui pensei que a inscrição seria a coisa mais rápida do mundo, que só teria que pegar o meu número e sentar, simples. Como eu fui ingênua! Tive que perguntar para umas cinco pessoas como chegar aqui, me perdi duas vezes, e quando eu chego ainda tenho que ficar em pé em uma fila por uma hora.

Quando cheguei à primeira impressão que tive sobre o lugar, foi que ele parecia muito com uma recepção de um hotel. Estava em uma sala, não muito grande, com paredes brancas, sem nenhuma janela e com duas portas (uma na esquerda, com a letra “A” bem na frente e outra na direita com a letra “B”) entre o pequeno balcão de inscrições, o lugar estava lotado. O balconista era um homem gordo e rabugento, o qual eu tinha quase certeza que fazia de tudo para atender as pessoas com a maior lerdeza possível.

–Próximo! – Finalmente tinha chegado a minha vez. Dirigi-me até o balcão.

–Complete esse formulário. – falou o balconista entregando um papel e uma caneta. Nesse tal formulário pedia o meu nome (Akane), idade (15), altura (1,65), peso (?), tipo sanguíneo (ok, isso já esta começando a ficar esquisito) e por fim pedia também para que assinássemos um termo, que dizia que eles não se responsabilizavam por nada que acontecesse conosco (ou seja, ninguém vai se responsabilizar pela sua morte).

Devolvi o papel. Logo em seguida ele me entregou uma plaquinha com um número, e disse:

–Não a perca. Ela vai ser um tipo de “identidade” para você. Agora já pode ir, entre pela porta a direita e vire a esquerda, depois fique esperando na sala.

Guardei a placa no bolso e fui até a porta. Ela dava para um longo corredor estreito, segui em frente, virei à esquerda e vi que dava em outra porta (implorei mentalmente que não tivesse que pegar outra fila). Quando passei por ela reparei que estava em uma sala enorme, cheia de cadeiras e com uma TV de tela plana grudada na parede. Igual à sala anterior, essa não tinha janela e também estava cheia de pessoas, porém nessa sala além da porta na qual eu tinha passado, só tinha mais uma saída: um elevador.

Sentei-me em uma das cadeiras e fiz a coisa que mais odiava no mundo, esperar. Na medida em que o tempo passava mais pessoas iam entrando, depois de mais ou menos uns trinta minutos um homem jovem saiu do elevador e pediu para que todos ficassem quietos, um silencio perturbador tomou conta da sala, até que ele começou a falar:

–O tempo das inscrições acabou e a verdadeira competição ira começar a partir de agora. Todos receberam uma placa como essa quando entraram aqui. – ele tirou do bolso uma plaquinha igual a minha, só que com o numero “0” no meio – Quando chamarem o numero da sua placa vocês devem se dirigir até o elevador, ele os levara até a arena onde vocês irão lutar contra outros competidores do grupo A, aliais vocês estão no grupo B. – ele deu um suspiro longo e dramático então continuou — Os "Jogos de Inverno" é evento realizado com o objetivo de dar uma oportunidade para o líder de cada Instituto achar novos membros. Será durante as lutas que eles estarão avaliando vocês, não só as suas habilidades físicas, mas também as psicologias. É por isso que se você perder alguma partida não quer dizer que você necessariamente não será escolhido. – ele já estava indo embora quando se lembrou de falar uma coisa – Ah, quase esqueci! Quando a sua luta acabar, independente se você perca ou vença, deve voltar para essa sala e esperar até que o evento acabe e também aqui você recebera qualquer tipo de tratamento médicos necessário.

Quando ele saiu à sala foi tomada por um sentimento de medo e ansiedade, a TV ligou automaticamente e anunciou os dois participantes da primeira luta (57 do grupo A X 89 do grupo B). Uma garota extremamente magra, que devia ser um ou dois anos mais velha que eu, se levantou e foi até o elevador. Ela estava com uma expressão preocupada no rosto, deveria estar até tremendo. Bem, eu não estava muito melhor do que ela.

Eu não conseguia parar de bater os pés no chão, estava ansiosa e com o coração a mil. Aquele homem tinha razão, a verdadeira competição tinha acabado de começar. Estava perdida nos meus pensamentos quando alguém me perguntou:

–Primeira vez né? – era o garoto que estava sentado ao meu lado, ele deveria ter por volta de vinte anos, tinha cabelos loiros e olhos bem pretos.

–Sim. E você? Também é a sua primeira vez? – ele também parecia estar nervoso, não parava de esfregar as mãos uma na outra.

–Não. Ano passado também participei, mas fui eliminado na primeira partida.

–É... bem, sinto muito. – não sabia muito bem o que dizer o coitado não parecia ser nem um pouco forte, mas era bom saber que mesmo assim ele não perdeu a esperança.

–Eu sei que isso parece muito patético, mas em minha defesa a outra competidora era bem forte, tive até sorte de ter escapado com apenas uma cicatriz. – ele mostrou uma pequena cicatriz que ficava na parte direita do seu rosto.

–Nossa! Essa competidora, ela venceu a competição do ano passado?

–Não. Parece que quando o seu oponente anunciou que queria desistir da luta ela continuou atacando-o e ele acabou morrendo, coitado. Com isso ela foi desclassifica.

–Qual era o seu nome? O da competidora.

–Odette, filha única do presidente de uma empresa rica de cosméticos. Ela era gorda, tinha cabelos ruivos bem bagunçados e muitas sardas, seus olhos eram pretos que nem os meus. — ele começou a suar – Fiquei sabendo que esse ano ela se inscreveu de novo, e a ultima coisa que eu quero é enfrentar ela outra vez.

–Calma, isso é impossível, seria muito azar para uma pessoa só. – a ideia de enfrentar oponentes tão fortes assim estava me deixando animada – Por sinal, meu nome é Akane, Akane Melrose. E o seu?

– Eric Nightcore – nós demos um aperto de mãos e começamos a conversar.

Eu estava conversando com Eric sobre os participantes daquela sala que também tinham participado da competição do ano passado, quando as portas do elevado se abriram. A primeira participante (a garota que era extremamente magra) saiu do elevador todo machucada e chorando, ela não precisou dizer nem uma palavra, todos entenderam que ela havia perdido.

A segunda luta já estava sendo anunciada: (16 do grupo A X 176 do grupo B).

–Merda! – falei com uma voz baixa, de modo que só Eric conseguiu ouvir.

–O que foi?

Tirei a minha placa do bolso e mostrei a ele.

–Ah. – eu era a candidata numero 176 – Bem, boa sorte.

–Obrigada. – me levantei e fui até o elevador, ignorando o fato de todos os olhares estarem voltados para mim.

Assim que entrei no elevador ele começou a subir, não tinha nenhum botão e (ironicamente) também tocava uma musica extremamente irritante, que geralmente nós ouvimos em alguns elevadores de hotéis.

Quando as portas se abriram eu estava parada no meio uma enorme arena, em sua volta havia vários mastros (um em cada canto da arena) exibindo dez enormes bandeiras com os símbolos de cada um dos Institutos mais importantes, havia telões e câmeras por todos os lados, as arquibancadas estavam todas lotadas. Parecia que o meu coração ia sair pela boca!

–Não acredito que tenho que passar por isso mais uma vez, como se eu não tivesse coisas mais importantes para fazer do que esta aqui lutando contra esse bando de merdinhas. – falou uma voz fina e feminina que vinha do outro lado da arena.

Virei à cabeça e percebi que meu oponente estava lá também, ou melhor, a minha oponente. Uma garota gorda e ruiva, que usava um tipo de kimono curto com uma estampa azul cheia de flores vermelhas. Ela estava parada a alguns metros de distancia, pela sua cara ela já tinha passado por tudo aquilo antes e provavelmente achava tudo um saco.

Os telões e toda a plateia começaram uma contagem regressiva para que a luta começasse. Nesses poucos segundos só consegui pensar na minha conversa com Eric.

“- Qual era o seu nome? O da competidora.

–Odette, filha única do presidente de uma empresa rica de cosméticos. Ela era gorda, tinha cabelos ruivos bem bagunçados e muitas sardas, seus olhos eram pretos que nem os meus. — ele começou a suar – Fiquei sabendo que esse ano ela se inscreveu de novo, e a ultima coisa que eu quero é enfrentar ela outra vez.”

–Não acredito... – sussurrei — Então essa era a tal Odette – não posso evitar de abrir um enorme sorriso no rosto – Isso vai ser mais interessante do que eu pensei.

Notas finais
Se tiver alguma duvida ou critica a respeito desse capítulo por favor deixe nos comentários.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.