Aqueles Seus Olhos Azuis

18 Missão Jantar na casa dos Egberts: parte 2


Notas iniciais
Eu prometi, eu cumpri. Tá aqui a segunda parte, e o décimo oitavo capítulo ùwu (WOW! alguém achou mesmo que eu ia chegar nesse ponto???) ~ME LEIA!!! IMPORTANTE!!!~ Bem, eu queria só pedir um favor pra vocês...como eu não consigo decidir sobre a capa dessa fic, eu preciso que vocês votem! Mas como, tia Dammy? Bem. A cada capítulo a partir de HOJE eu vou estar colocando uma capa diferente, uma que eu gosto muito, e nos comentários, vocês me dão uma nota de 0 a 10. Assim eu vou saber qual imagem que a maioria gosta~ Então, começando hoje, vamos lá? A capa desse capítulo já está na fic! Agora, vamos à história. Aproveitem ;3~

Aqueles Seus Olhos Azuis

Capítulo XVII — Missão Jantar na casa dos Egberts: parte 2

Não demorou muito para que estivessem todos apresentados e arrumados à mesa maior montada na sala, já servida. Sem muitos problemas – exceto que o Sr. Egbert tivera de fingir um pigarro para impedir Dave de ficar a noite toda com a língua na boca de John –, todos estavam sentados às oito em ponto. Os Striders estavam de frente para os Egberts e Pai fez de conta que não ouviu quando Bro comentou que guisado era “comida de velho”.

Quando começaram a se servir, as únicas palavras trocadas eram “hey, pode me passar a colher?” e um eventual “o guardanapo tá por aí?”. E foi o pai de John que quebrou esse clima de pouco diálogo.

–Hmm, Dave. –o rapaz ergueu a cabeça com cara de quem vinha aprontando- Obrigado por ter aceitado o convite para jantar, você e seu irmão. –olhou para o homem do outro lado da mesa- Fico muito honrado pela presença.

–Sem problemas, sr. –Bro engoliu o pedaço de carne e continuou- Não se recusa comida de graça, né?

O homem pálido de chapéu repuxou os cantos dos lábios para baixo. Dave arregalou os olhos para Bro, mas ninguém na mesa iria notar.

–Hum, eu vejo... –ele coçou a costeleta no rosto como se estivesse desenvolvendo uma alergia só pela presença de Dirk.

Continuaram a comer. O Strider mais novo tentava manter compostura, mas o mais velho, desacostumado a comer em público, praticamente avançava na carne ensopada, não poupando barulhos.

E Dave tinha certeza sobre ter avisado, mais cedo, que má compostura à mesa era uma das coisas que o pai de seu namorado detestava. Ele sabia, pois já fora comer lá várias vezes – e por várias vezes levara um sermão.

O Sr. Egbert mais uma vez tentou amenizar o clima tenso da mesa; uma atitude corajosa vinda dele, uma vez que o troglodita à sua frente pretendia repetir o prato.

–Então, hmm...senhor Strider.

–Pode me chamar só de Dirk –o mais velho engoliu, limpou a boca e ergueu os olhos sobre os óculos pontudos- Se bem que pra você, eu posso ser o que quiser. –e deu uma piscadela.

John produziu um barulho estranho com o nariz e cobriu a boca com o guardanapo. Dave soltou a faca com um tilintar contra a madeira da mesa e exclamou um “Bro!”. Enquanto isso, o Sr. Egbert disfarçava uma tosse e fingia que não estava corando.

Agora, se por paixão ou simples desconforto, ninguém sabe.

–C-certo, Dirk então. –decretou, claramente broxando a tentativa de sedução do louro- Como está a comida?

–Nota dez, sr. –ele ergueu a mão fazendo um círculo com o indicador e o polegar, para indicar coisa boa- Tudo que o senhor faz é gostoso assim? –perguntou, dando um sorriso cheio de segundas, e até terceiras, intenções.

Dave reprimiu o irmão com outro “BRO!” exaltado, que recebeu como resposta um “que é?!” claramente se fazendo de bobo. Pai fingiu que não ouviu e prosseguiu com o interrogatório:

–Agradeço...mas, se me permite, só estou curioso...o que o senhor--...

–Você.

–...o que você e Dave costumam comer? Afinal, um guisado é um jantar tão simples.

–Ah, só umas coisas, sabe... –ele coçou a cabeça- Comida chinesa...às vezes japonesa...eu sou um fã da Ásia, você poderia dizer. –ele sorriu- Mas é, normalmente um hambúrguer ou pizza, mas várias vezes eu peço chinês. Você sabe como é, o garoto ‘tá em fase de crescimento e precisa de proteínas.

Dave revirou os olhos:

–Bro, eu já passei da “fase de crescimento” há pelo menos um ano.

–Cala a boca, pirralho, você nem tem treze anos direito.

–Eu vou fazer dezesseis!

Os protestos foram se tornando mais altos e Dave fazia menção de se levantar. Bro baixou uma mão até a canela, se curvando, e conhecendo os Striders, John tinha a certeza de que ele ia puxar uma shuriken da meia a qualquer segundo. Então, como um bom namorado, tocou o ombro de Dave, fazendo-o olhar para si.

–...desculpe. –murmurou o sardento mais jovem, sentando-se e baixando a cabeça.

–Tudo bem, tudo bem... –Sr. Egbert apertou a ponte do nariz, como se pedisse paciência a qualquer ser maior sobre eles- Vamos apenas terminar de comer, certo? Não queremos desentendimentos antes da sobremesa.

Bolo, Dave apostou. Sr. Egbert era um tipo de cara que dava muita importância para bolos.

Iam terminando o jantar em silêncio. Então, o pai de John virou-se para ele e pediu para que fizesse a gentileza de tirar a mesa, após perguntar a Dirk se estava satisfeito.

–Pode deixar, pai. –o moreno se levantou, e o loiro à sua frente fez o mesmo.

–Eu ajudo, Sr. Egbert. –Dave prontamente pegou seu prato- Pode ficar tranquilo conversando com meu irmão enquanto a gente pega a sobremesa.

–Está na geladeira! –orientou o senhor de branco, antes que os garotos saíssem com os pratos e talheres sujos.

*~*

–Cara, eu não acredito no meu irmão, algumas vezes. –Dave arfou com o peso dos pratos, os colocando sobre a pia- Ele parecia tão alinhado quando saiu de casa, que eu quase pensei que ele iria me ajudar nisso essa noite. –bufou, passando a mão pelos cabelos- Mas parece que me enganei, de novo.

John ergueu os olhos das travessas quase vazias, encarando o namorado com certa mágoa. Tinha pena dele. Sua relação com o irmão era tão duvidosa, na maior parte das vezes...

–Relaxa, Dave. –ele foi para trás do garoto e colocou as mãos em seus ombros, começando a massagear a área com os polegares- Você ‘tá muito tenso...olha só.

Dave soltou um suspiro e um “mnghh” satisfeito. Deixou os músculos relaxarem, fechando os olhos.

–W-whoa –ele soprou o ar- Onde você...onde você aprendeu isso?

John deu uma risadinha, ainda massageando seus ombros.

–Eu fazia com a Vriska. –ele desceu as mãos deslizando pelas costas do loiro e abraçou sua cintura- Ela costuma ter muita dor nas costas... –espalhou beijinhos pela lateral de seu pescoço, até que foi afastado com um empurrão na testa.

–Informação desnecessária, Egbert. –Dave se distanciou, bufando.

–OW! Mas você quem perguntou! –protestou o moreno.

Dave revirou os olhos escondidos pelos óculos escuros. Sim, ele havia perguntado. Mas não precisava de tanta informação! Ele não queria saber da vida privada de John e Vriska, quando seu relacionamento era uma gracinha e arrancava suspiros de Nepeta Leijon. Na verdade, ele não suportava ouvir sobre a época deles juntos. Só de pensar que a boca de John, preciosos lábios macios, já haviam tocado a fonte de veneno daquela...daquela aranha.

...que, pelo jeito, agora gostava de aranha. Mas não vamos perder o foco aqui.

O fato é que Dave tinha raiva de Vriska e seu passado relacionamento com John e...não, melhor ainda, não era raiva: era rancor. Era feio, era errado, era infantil, mas era um rancor muito grande que ele guardava da garota por ter de fato namorado com sua paixão secreta e melhor amigo por um tempo. No final, o namoro tinha sido um fracasso, mas eles terminaram sem ressentimentos. E isso sempre significava que existia a possibilidade de voltarem.

E o que lhe garantia que John não ia se arrepender e decidir traí-lo com a ex?

Dave ergueu os óculos escuros para secar os olhos por trás deles. John, que parecia bravo consigo, emburrado e com os braços cruzados, desamarrou a tromba naquele momento.

–...Dave? –ele chamou, delicado. O loiro fungou e virou-se de lado, querendo evitar que o namorado visse aquele momento de fraqueza. Mas nem adiantava esconder, agora.

John chamou-o de novo, e de novo, ele ignorou. Mas dessa vez, o moreno se aproximou, tirando sua mão do rosto.

Estavam agora há centímetros de distância. As pontas dos pés de John encostavam nas suas. Sua cabeça estava levemente tombada para a direita e os olhos azuis o fitavam profundamente. Tão claros, tão...tão hipnóticos.

–Hey. –John tocou seu rosto- ...me beija.

E como um bom namorado, Dave obedeceu.

Os dois beijavam de olhos fechados, mas John era mais afobado e abria-os antes. Nisso, acabou por pegar uma amostra grátis do rapaz à sua frente quase colado em si, os narizes se roçando. Seus olhos fechados tremiam de leve por trás dos óculos, e daquela distância, ele conseguia ver; suas sardas eram destacadas pelo rubor das bochechas e a expressão era calma, como se ele não tivesse pressa nenhuma e pudesse, preferivelmente, passar a vida toda ali.

O coração de John falhou uma batida. Oh, não.

Os dois se distanciaram ao mesmo tempo, como se houvessem ensaiado. A mão de John, ainda em sua bochecha, lhe acariciou com o polegar. Dave segurou seu pulso e soltou um suspiro.

–Vamos voltar. –murmurou.

John pegou o bolo na geladeira – um belo bolo, de fato; Sr. Egbert tinha acertado em cheio na quantidade de glacê, dessa vez – e os dois retornaram à sala.

E qual fora a surpresa ao encontrarem os dois guardiões conversando alegremente, Bro debruçado na mesa, com Lil Cal nas costas – quando aquele boneco do demônio aparecera?! – e Pai recostado na cadeira bem à frente, pressionando o fumo no cachimbo.

–...aí eu ouvi uns barulhos no banheiro –contava Bro, segurando o riso- E fui ver o que era, né. E não é que eu encontro o pimpolho gorducho entupido na banheira de bebê? –o Sr. Egbert explodiu em uma gargalhada que seu filho só o via soltar quando conseguia enganá-lo em uma pegadinha de aniversário- Juro pra você! Quatro anos na cara, dá pra acreditar? Foi tentar entrar na banheirinha de plástico que eu usava pra dar banho nele quando ainda era recém-nascido...só o David mesmo! Eu mesmo não consegui conter a risada na hora, foi uma sorte que eu já estava no banheiro mesmo...

–AAAAH, QUÊ? –Dave pulou ao lado de Bro e estendeu as mãos à sua frente, em um claro sinal para calar a boca- Isso é mentira, é tudo mentira! Eu não lembro de nada parecido!

–Com licença, Dave, por favor –pediu o Sr. Egbert ainda entre risos, acendendo o cachimbo- E o que fez, Dirk?

–Tirei uma foto, claro! –ignorando completamente o irmão mais novo arrancando os cabelos ao seu lado- Tenho até hoje, acho que ainda está na memória do meu celular.

–Oh, estupendo!

Dave, completamente envergonhado, bateu o pé e rosnou.

–EU SOU LEGAL DEMAIS PRA ISSO!!

John se apressou em colocar o bolo na mesa, tentando distrair o pai e o cunhado para outra coisa.

–D-Dave, calma...

–Calma de cu--! –foi interrompido por um peteleco na orelha, cortesia do irmão.

–Ô, pirralho. Vocabulário. –repreendeu. Dave o olhou com cara de morte.

–Ah, o bolo! –o Sr. Egbert, agora de melhor humor, sorriu para o filho- Obrigado, rapazes. Dirk, espero que goste da sobremesa...eu mesmo fiz, mais cedo.

Bro agradeceu e os meninos se sentaram. Cada um se serviu de um pedaço generoso, menos o pai de John, que não comia os bolos que fazia.

Em meio a tantos elogios à sua culinária (apenas vindos dos Striders, já que John praticamente comia a mesma coisa todo dia), o dono da casa foi se sentindo cada vez mais orgulhoso. E reuniu segurança o bastante para prosseguir com o questionário de “Será que o irmão mais velho do namorado do seu filho é digno para tal posição?”.

–Então, sr. Strider...

–Dirk.

–...Dirk. –ele tragou e soprou a fumaça para o lado, onde não incomodava ninguém com o cheiro- Com o que trabalha?

Todos além do homem congelaram. Dave e John trocaram um olhar nervoso, então o loiro se virou para o irmão. Sua expressão era calma como sempre, mas apenas o mais jovem conseguia perceber, por trás de seus óculos de anime, os olhos arregalados. Era bem claro que em sua mente, naquele momento, ele repetia “Não diga pornô de fantoches não diga pornô de fantoches não diga pornô de fantoches-”

–Pornô de fantoches.

John engasgou e quase regurgitou o bolo. Dave deu um tapa na mesa e repreendeu o irmão mais velho com um “BRO, PELO AMOR DA FODA” muito mais alto do que as últimas vezes. Todos se viraram, enfim, para o homem na cabeceira da mesa, esperando por sua reação.

O pai de John estava paralisado. Congelara a mão no caminho de levar o pito à boca, e lentamente, ergueu uma das sobrancelhas. Bro comprimiu os lábios, percebendo que havia falado merda.

Então, cortou o silêncio como cortava bundas de pelúcia:

–Nossa, bom esse bolo, hein, acho até que vou repetir. –e se serviu de mais um pedaço, enquanto o pobre Sr. Egbert apoiava o cotovelo na mesa e cobria o rosto com a mão correspondente. Uma clássica pose de desolação.

Pronto, pensou Dave. ‘Tô fodido. O Sr. Egbert nunca mais me deixa vir aqui.

Mas não houve nenhuma proibição ou expulsões antes que todos terminassem de comer em silêncio. Ao fim, sem dizer uma palavra, Dave e John recolheram os pratos e o bolo e, mesmo sozinhos na cozinha, não conseguiram trocar nada além de um olhar apreensivo. Nenhum dos dois sabia o que poderia acontecer agora.

De volta à sala, os guardiões já estavam de pé.

–Pirralho, vam’bora. –chamou, mas não havia em sua voz nenhuma dica do que acontecera naqueles minutos em que ficara sozinho com o pai de John- Já incomodamos os Egberts o bastante.

–Uh...’tá bem, então. –ele se virou para John, meio hesitante- Então eu...te chamo no Pesterchum?

–Pode ser –John sorriu de canto. Se aproximou para um beijo rápido nos lábios e, quando se separaram, sussurrou em seu ouvido- Não se preocupa, ok? Eu vou fazer o possível pro meu pai não dar ataque.

Dave se limitou a assentir. Seguiu com seu irmão até a porta, sendo escoltados pelo Sr. Egbert, que ainda não falara uma palavra na frente dos garotos. Isso acabou apenas quando abriu a porta da residência:

–Foi um prazer tê-los aqui, esta noite. –Dave se surpreendeu pela polidez e nenhum ressentimento em sua voz- Espero que possamos repetir com um encontro igualmente agradável em pouco tempo.

–Quando quiser, “seu” Egbert. –Bro sorriu- A gente volta quando ‘cê convidar.

Se retiraram, Dave acenando para John no meio da sala antes de entrar no carro. Bro buzinou e deu a partida, arrancando pela rua. O Sr. Egbert, então, fechou a porta e deixou cair os ombros.

John nervosamente o acompanhou com o olhar quando ele foi até o sofá, jogou-se no mesmo e tirou de debaixo da almofada um cantil. Abriu-o, virou-o e fez a expressão que se faz quando bebe algo bastante amargo e alcóolico. Ele suspirou e deixou a cabeça cair no encosto do sofá.

–Eu estou consideravelmente preocupado com a sanidade mental desse rapaz. –murmurou, passando a mão pelo rosto cansado.

Notas finais
E foi isso! O próximo capítulo sai em algumas semanas, dependendo do meu humor...e vem recheado com azedume, pros entendedores, hehehe~~ Mas bem! Vou pedir pra que COMENTEM UMA NOTA DE 0 A 10 PRA CAPA DA FIC, e claro, o de sempre: opiniões e sugestões pra que eu melhore, se tiver alguma x3 Agradeço sempre a participação e devoção de vocês~ Kissus, meus girassóis!~