Aquele Último Verão
3 II. As férias – Pt. 1
Notas iniciais
(http://www.floripamais.com.br/wp-content/uploads/2012/08/resort-costao-do-santinho-florianopolis.jpg)
POV Narradora
“Santinho — Florianópolis — SC”
Julie e sua família desceram do ônibus. Esticaram os ossos, sentindo estralar. Já fazia algumas horas que eles permaneciam dentro do veiculo. Caminharam até o bagageiro e pegaram suas malas.
– Ah... Nem acredito que já chegamos. – Julie disse eufórica.
– Pois acredite minha filha. – sua mãe disse. – Temos que aproveitar cada centímetro desse lugar; cada segundo que estivemos aqui. Nós não temos férias assim todo dia.
– É verdade. Vamos aproveitar muito. – o pai disse.
A família andou pro toda a rodoviária. Chegaram ao lado de fora e o Seu Raul foi chamar um táxi. Deu para o taxista o endereço do Resort e foram.
Em outro lugar, no aeroporto, outra família desembarcava. Daniel e seus pais desciam do avião. Após descerem, caminharam até ao portão de desembarque. Pegaram as malas e fizeram tudo o que tinha que ser feito. Caminhavam pelo aeroporto enquanto conversavam animadamente.
– Que maravilha. Viagem muito tranquila e agradável. – Seu Carlos disse e inspirou fundo o ar para dentro de seus pulmões. – Ah, já até estou sentindo. Estou sentindo que finalmente vou ter as férias que mereço. É tão bom sentir novos ares. Estou louco para chegar logo no Resort para poder relaxar.
– E eu pensei que eu era o mais empolgado da família. Mas já vi que é você. – Daniel disse com um sorriso torto e arqueando uma sobrancelha.
– Ah, qual é? Você acha que só você pode ficar assim por causa de uma viagem. “Tamó” juntos nessa, mano. – Carlos retrucou gargalhando e fazendo um gesto com a mão como os surfistas.
– Pai?! Não me envergonha. Não aja e nem fale como se você fosse um adolescente.
– E daí, filho? Idade não define nada. E, além disso, só fica velho quem quer. E eu não me sinto como um ‘Coroa’, como você vive me chamando.
– Acontece que, eu... – Lúcia interrompe o filho.
– Acontece que isso não tem nada a ver. Do mesmo jeito que você, filho, não gosta que chamamos você de criança, nós, seu pai e eu, não gostamos quando você nos chama de velhos. E o seu pai tem razão: Só fica velho quem quer.
Daniel deu de ombros, mas com um sorriso no rosto.
Após saírem do aeroporto, o chefe da família chamou um táxi. E ambos foram rumo ao Resort.
A família de Julie já chegava à porta do Resort e descia do táxi carregando suas malas. Entraram. Não muito atrás, a família de Daniel também já estava chegando, descendo do táxi, pegando suas malas e entrando.
– Está tão perto... Já posso até sentir a brisa do mar... Maravilha! – Carlos suspirou.
Seu Raul, pai da Julie, já estava na recepção confirmando sua reserva. Um pouco atrás, vinha Julie carregando sua mala, um travesseiro debaixo do braço e uma bolsa de mão.
– Poxa... Ninguém me dá uma ajuda aqui. Isso aqui tudo está tão pesado. – disse resmungando e arfando de cansaço.
– Venham logo, a recepção é logo ali. – Seu Carlos, pai de Daniel, disse e caminhou apresado até onde estava a “fila”, ou seja, logo atrás do Seu Raul.
Daniel também vinha trazendo sua mala. Daniel foi se aproximando e Julie, que não estava mais aguentando o peso da mala, derrubou tudo o que trazia consigo no chão. Daniel olhou para ela, ainda sem olhar seu rosto, depositou a mala no chão e foi ajudá-la.
– Deixe-me ajudá-la. – disse gentil, se agachando ao lado dela.
– Obrigada. – Julie disse.
Ambos levantaram o rosto no mesmo instante e fixaram seus olhares. Julie e Daniel pareciam hipnotizados um com o outro. Sem se conter, Daniel sorriu. Julie sorriu timidamente, logo em seguida corando fortemente. Romperam o contato visual e Daniel a ajudou.
– Obrigada, mais uma vez.
– Imagina... Foi um prazer. – Julie corou. – Qual o seu nome?
– Juliana. Mas todos que conheço me chamam de Julie. – sorriu. – E o seu?
– Daniel. – pausou. – E você pode me chamar do que quiser. – disse sorrindo galanteador.
– Mu-muito prazer então. – disse e Julie quis se bater por ter gaguejado assim. Mas, ela não resistiu. Na opinião dela, ver aquele sorriso a fez tremer nas bases. A deixou totalmente “desarmada”.
– Pelo jeito, vamos nos ver muito. Vai ficar muito tempo aqui?
– Ah... Praticamente as férias todas. E você?
– Também... E isso é ótimo. Vamos ter muito tempo para nós conhecer.
Julie sorriu e corou um pouco.
– Filha... Vem logo. Vamos conhecer nosso apartamento. – seu pai chamou.
– Preciso ir. Até.
– Até. – Daniel se despediu sorrindo e acenado levemente para Julie que sorriu.
Daniel ainda olhava o mesmo ponto. O lugar por onde Julie foi. Seus pais vieram em sua direção.
– Que foi, campeão? Viu um passarinho verde? – seu pai quis saber
– Não. Vi foi uma sereia mesmo. – disse tentando disfarçar o sorriso.
– Hm, já vi que vou ter que me preocupar. – Lúcia disse.
– Que isso, querida. Se preocupar com o que? Nosso filho tem juízo. E pelo jeito, essa menina deve ser mesmo especial para deixar o Daniel assim. Garota de sorte essa. – disse Carlos sorrindo e dizendo a ultima frase num tom irônico, mas sonhador. – Vamos logo. Estou curioso para conhecer nosso apartamento. Dizem que é muito luxuoso e aconchegante.
E assim, ambas as famílias conheceram suas luxuosas acomodações.
[...]
– Como ficou o biquíni, mãe? – Julie perguntou se olhando no espelho.
– Ficou ótimo, filha. – Heloisa disse sorrindo.
– Julie, vem cá. Tem TV a cabo aqui. – Pedrinho chamou Julie animado e ela foi correndo. Os pais sorriram com a empolgação dos filhos.
– Estão todos prontos? Estou louco para aproveitar a piscina. Vocês viram só o tamanho dela? – Seu Raul disse.
Todos concordaram com ele.
E as coincidências não paravam aí. Daniel e a família também se vestiram para usar a piscina.
– Estou me sentindo estranho nesse calção. – Daniel resmungou.
– Então usa sunga. Não está a usando por baixo do calção? Então... – seu pai disse.
– Mas... Eu... – Daniel paralisa ao olhar para a beira da piscina e ver Julie, que colocava a ponta do pé na água, testando a temperatura. – Não... Quer saber. Vou ficar assim mesmo. Não quero voltar pro apartamento para trocar.
Carlos sorriu maroto para o filho ao perceber a intenção dele. Daniel andou em direção a Julie, que ainda não tinha entrado na piscina.
– Quer parar com essa frescura? – perguntou para Julie, que levou a mão ao peito, por causa do susto.
– Não é frescura. Não entro em piscinas sem antes verificar a temperatura da água. Ainda bem que a água da piscina é aquecida.
– Ah, fala sério. – pausou. – É como diz o ditado: Quem ‘tá aqui é pra se molhar.
– Não é assim. O certo seria: Quem ‘tá na CHUVA é pra se molhar. – Julie o corrigiu revirando os olhos.
– É... Mas como não está chovendo — ainda bem... – Daniel disse e empurrou Julie para dentro da piscina.
– Aaahhh... – ela gritou antes de cair, chamando a atenção de algumas pessoas. Afundou e emergiu, logo em seguida. – Seu... Seu... Eu te pego. – mal teve tempo de dizer e Daniel já tinha pulado na piscina, aparecendo atrás dela. Ela transferiu um tapa fraco no braço dele, que ria.
– Desculpa. Não resisti.
Julie sorriu e meneou a cabeça em negação. Daniel retribui o sorriso, encantado com o sorriso da garota a sua frente.
[...]
– É mesmo? – Julie pergunta admirada.
– É... – Daniel responde apenas.
Julie e Daniel conversavam sobre vários assuntos aleatórios, enquanto caminhavam até uma sala de jogos eletrônicos. Estavam se conhecendo. E isso, era aos poucos. Eles ainda tinham as férias todas.
– Há essa hora meus pais estão na Hidroginástica. – Julie comentou despretensiosamente, como que jogando conversa fora.
– Os meus devem estar na Hidromassagem. Eles dois estavam loucos por isso, desde que decidiram vir pra cá. – Daniel respondeu ao comentário de Julie.
Eles entraram no salão de jogos e logo foram procurar algum para jogarem juntos.
– Você vai ver. Eu sou fera em todos os tipos de jogos. Ninguém me vence. – o rapaz desafiou.
– Então vamos ver quem é melhor. Você vai perder pra mim. – Julie retrucou convencida.
Daniel arqueou a sobrancelha de uma maneira arrogante e ambos aceitaram o desafio. Depois de um bom tempo, Julie já tinha ganhado 15 vezes e Daniel, 13. Ambos já estavam bem cansados, mas Daniel se recusava parar e dar a vitória para Julie.
No fim de mais uma rodada, Julie ganhou a 16ª vez e comemorou.
– Ah, você tava me deixando ganhar. Não é possível. – Julie comentou fazendo sua dançinha da vitória, coisa que o Daniel achou extremamente fofa.
– Talvez eu só esteja meio fora de forma. Tem um tempo que eu não jogo. – deu uma desculpa.
– Sei... Isso é uma típica desculpa de perdedor. – finalizou rindo.
[...]
Alguns dias passaram e Julie e Daniel continuaram bem próximos. Pela manhã de mais um dia, eles acordaram bem animados. Eles tinham combinado praticar juntos alguns esportes ecológicos, como caminhada, escalada. Vestiram com roupas confortáveis e se encontraram com alguém que os monitorariam.
– Nunca pensei fazer esse tipo de esporte. Eu sou totalmente urbana. – Julie disse, arfando pelo cansaço da caminhada.
– Também sou “da cidade”. Mas, é legal nós fazermos algo assim de vez de em quando. – Daniel concordou.
Em outro lugar, em um dos restaurantes do Resort, Raul e Heloisa procuravam uma mesa para sentar. Era hora do almoço. Sentaram.
– Olha, querido. Não é aquele o casal, pais do rapaz que virou amigo da nossa filha? – Helóisa se questionou. – Vamos chamá-los para sentar aqui?
Seu Raul concordou e acenou para Carlos e Lúcia que assim que viram foram em direção ao outro casal.
– Sentem-se. Vamos confraternizar, já que nossos filhos se dão tão bem. – disse.
– Claro. Eles se tornaram tão próximos. Concordo em nos conhecermos melhor.
Pouco tempo de conversa e eles já se entrosavam bem. Julie, Daniel e Pedrinho, que vinha da brinquedoteca, viram seus pais juntos e estranharam. Mas, se juntaram a eles, que explicaram o porquê de estarem juntos. Foi um almoço tranquilo.
[...]
No final do dia, ambos voltaram para seus apartamentos. Aquelas estavam sendo ótimas férias, Julie e Daniel tinham que concordar. Julie, de frente para a televisão, não parava de pensar em Daniel. Ele também estava pensando nela o tempo todo. Julie foi pra cama com um sorriso no rosto, torcendo para sonhar com o garoto de cachos e de lindo sorriso. Estava na metade das férias e o que ela mais queria era poder aproveitar cada minuto ao lado dele.
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