Aquele Último Verão
4 III. As férias – Pt. 2
Notas iniciais
(http://amtravel.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Cost%C3%A3o-do-Santinho-2.jpg)
POV Narradora
– Acorda filha. Vamos descer para tomar café da manhã. – Heloisa sacudia delicadamente a filha.
Julie abriu os olhos e sorriu levemente ao encontrar os olhos da mãe, que retribuiu. Coçou os olhos e se esticou de forma preguiçosa.
– Bom dia. – disse a mãe dela.
– Bom dia. – respondeu com a voz manhosa. – Me esperem eu me vesti, por favor.
– Tudo bem. Veste-se logo.
Heloisa saiu do quarto. Julie finalmente levantou, fez sua higiene matinal, procurou por uma roupa bonita e confortável e penteou os cabelos. Saiu do quarto e encontrou os pais e irmão a esperando.
– Eu demorei? Vocês estão com umas caras entediadas. – Julie quis saber.
– Imagina filha. Nós nem estamos com pressa. – seu pai a tranqüilizou.
Julie deu de ombros e toda a família desceu para o restaurante para tomar o seu desjejum.
A família de Daniel já se encontrava no restaurante. Carlos viu que a família de Julie estava vindo e acenou para eles, os chamando para sentar com eles. Aproximaram-se.
– Sente ai. Ontem vocês fizeram a gentileza de nos convidar para sentar com vocês. Hoje é nossa vez. Sente e fiquem a vontade.
– Muito obrigado. – agradeceram em uníssono.
– Julie. Senta aqui do meu lado. – Daniel chamou.
Julie sorriu e sentou-se no lugar que Daniel queria: ao lado dele.
– Dormiu bem? – perguntou Daniel, para puxar conversa.
– Dormi muito bem. E você? – respondeu.
– Também. Dormi maravilhosamente bem. – aproximou-se do ouvido de Julie e sussurrou: – Sonhei com você a noite toda.
Julie corou até a raiz dos cabelos. Ela sentiu a pitada de malicia nas ultimas palavras ditas pelo Daniel, mas deixou passar.
As duas famílias tomaram o seu desjejum, embalado a muita conversa e risadas.
[...]
– Vamos jogar ping-pong comigo? – Daniel pediu fazendo uma cara de cachorrinho pidão.
– Não sei. Você viu? Eles fazem torneio de ping-pong.
– Então. Nós vamos de dupla. – pausou. – Vem jogar comigo. Por favor, Julie.
Julie mordeu o lábio.
– Tudo bem. – concordou, arrancando um sorriso de Daniel.
Julie e Daniel jogaram o dia quase inteiro.
[...]
Mas alguns dias passaram. Daniel quase não conseguia esconder o quão apaixonado estava por Julie. Julie se sentia entranha. Feliz e mais animada. Não sabia dizer o que sentia em relação ao Daniel. Ela tinha duvidas se estava mesmo se apaixonando por ele. Afinal, ela nunca tinha sentido algo igual antes. Ela só sabia que seu coração batia de um jeito diferente quando estava ao lado DELE.
Só de ouvir ou falar o nome dele era algo, como ela dizia, inevitável: ela sorria abertamente, feliz, de um jeito sincero e cheio de sentimento.
Os pais de ambos já notavam o que cada um sentia. Percebiam que eles estavam se apaixonando de verdade. Eles estavam cada vez mais próximos, como se se conhecessem há muito tempo. Como se fossem amigos desde a infância. Talvez até fosse como feitos para ficar juntos desde sempre. O amor. Isso até assustava um pouco a mãe de Julie, Heloisa.
– Eu fico preocupada com isso. A Julie se apaixona por esse rapaz... E aí? Como vai ser? As férias acabam, nós todos voltamos pra casa, eles dois, cada um vai para um lado diferente e talvez nunca mais se veem. E depois, como fica? Eu não quero ver a minha filhinha sofrer. Todos nós sabemos que os amores de verão não duram, principalmente com a distância.
– E eu não sei disso. – Raul concordou com a esposa. – Espero que, quando formos embora, a Julie não sofra muito. A Julie é muito sensível por qualquer coisa. Espero que ela esteja pensando nisso e que tenha plena consciência de que talvez esse relacionamento não tenha futuro. – finalizou e a mulher concordou.
Em um outro lugar, outro casal discutia o mesmo assunto: Julie e Daniel.
– Tomara que o Daniel tenha noção da situação que ele está se envolvendo. – Começou Carlos. – Espero que ele não se apegue tanto assim àquela menina. E quando formos embora? Eles vão se separar e às vezes nem se veem mais.
– Eu entendo o que você está dizendo. Também me preocupo com isso. Não quero nenhum dos dois sofrendo porque estão longe um do outro. – Lúcia concordou.
O marido deu um beijo cálido nos lábios da mulher e sorriu fraco, levemente preocupado com a felicidade do filho. Ele torcia que tudo desse certo e que talvez eles, Julie e Daniel, fiquem juntos.
Os pais de Julie e de Daniel almoçaram e, assim que saíram do restaurante, foram em direção à academia.
– Estão aproveitando bem as férias? Estão usufruindo de tudo que tem de bom nesse maravilhoso Resort? – quis saber Raul.
– Claro. Não se pode perder um único segundo desse lugar. Vou usar de tudo que tenho direito porque, afinal das contas, eu mereço. Não é? – Lúcia disse, num tom divertido.
– Com certeza. São as melhores férias da minha vida. – Carlos deu sua opinião.
– São férias incríveis mesmo. Tive momentos inesquecíveis aqui. Não é a toa que elogiam tanto esse Resort. – Heloisa disse. – Ah, ainda bem que vocês me lembraram. Mais tarde eu vou pra aula de dança.
– Ah, eu vou também. – Lúcia se empolgou ainda mais.
Carlos e Raul se olharam e menearam a cabeça em negativa.
– Essas são as nossas mulheres. – disseram em uníssono e riram no final.
[...]
– Anda Julie. Termina logo o seu café da manhã. – Daniel disse e pausou por uns segundos. – Puxa... Você acordou tarde hoje, hein?
– É que essa noite eu dei um pouco de febre e dormi mal. Quando consegui dormir já era de madrugada... Por isso levantei tão tarde.
– Febre? Está tudo bem com você? Você melhorou? – Daniel perguntou visivelmente preocupado.
Julie tentou disfarçar o sorriso por causa da preocupação do Daniel.
– Tudo bem. Não se preocupe. A febre nem foi tão alta assim. E eu tomei um remédio e melhorei. Às vezes eu dou febre assim mesmo. É normal para mim.
– É mesmo? Tem certeza que está bem?
– Está sim. Garanto. Estou bem melhor agora.
Daniel assentiu mesmo ainda tão preocupado com Julie. Ele, como sentia que estava apaixonado, se preocupava com facilidade. Julie não podia negar que adorou a preocupação de Daniel. Ela estava se apaixonando cada vez mais por ele e a atenção que ele tinha por ela só aumentava esse sentimento. Julie se sentia sortuda em ter conhecido alguém como o Daniel.
Julie terminou seu desjejum e Daniel soltou um suspirou por finalmente ela ter terminado. Ela levantou-se e Daniel segurou a mão de Julie, que abaixou o olhar para as mãos de ambos entrelaçadas e, inevitavelmente, corou fortemente.
– Então... – começou Julie com a voz arrastada, ainda muito nervosa com a aproximação deles. – Para onde você quer me levar?
– Vamos jogar um pouco. O que acha?
– Legal... Eu acho... – sorriu de lado.
– Eu esperava mais empolgação da sua parte, Julie.
– Não é questão de empolgação. É... Outra coisa. – Julie disse agora de cabeça baixa.
– O que é então? – Daniel perguntou, levantando o rosto de Julie e o virando para ele, usando a mão desocupada.
– É que... Eu não sou exatamente uma expert em esportes.
– Ah... É só por isso. Sendo assim, eu te ensino. Sem problema nenhum. Faço até questão. – Daniel disse, orgulhoso de si.
– Você não vai ter paciência para me ensinar. – Julie disse num tom de riso contido.
– Imagina. Vou adorar fazer isso. – disse com um sorriso malandro na cara. – Nem me importo. Pelo menos assim eu fico mais tempo com você.
Julie sorriu meio envergonhada e continuou seguindo o Daniel.
Eles foram para a praia jogar vôlei de praia. Pediram para jogar e esperaram a vez deles. Enquanto esperavam, Daniel aproveitou para ensinar alguns lances.
– Quando a bola vir, você faz assim, assim e assim... – disse fazendo gestos com as mãos. – Você deve saber que tem que dar três toques antes de voltar a bola pro campo do adversário por cima da rede, não é? – Julie assentiu. – Então... Você tem que... – e Daniel continuou explicando tudo o que sabia para Julie, que prestava total atenção a explicação.
Eles, finalmente, foram chamados para jogar. Julie, mesmo um pouco desajeitada, pegou rápido o jeito no jogo.
Depois do vôlei, eles foram jogar um pouco de tênis. Ambos não sabiam muito como jogava, mas logo já tinham conseguido entender as regras e jogar pelos menos um pouco, mesmo sem conseguirem ser bons no esporte. Eles se divertiram mesmo assim.
Eles também foram jogar um pouco de golfe, uma novidade para Julie que nunca tinha visto um campo de golfe antes, mas para Daniel já era um terreno conhecido, já que ele jogara uma vez antes.
– Eu deixo você começar. Tudo bem? – Daniel disse e Julie assentiu. – Enquanto isso, eu te ensino tudo durante o jogo. – pausou. – Segura no taco assim.
Daniel ficou por trás de Julie e segurou as mãos da garota. Julie se arrepiou com o toque e com a aproximação. Daniel não se conteve ao sorrir com a reação que a Julie teve. Explicou um pouco mais do jogo e jogaram.
Daniel também jogou futebol. Julie só assistiu. Daniel fez um gol e o dedicou para Julie, que sorriu.
[...]
– É muito bom estar com você. – Daniel disse. Ele e Julie passeavam pelo Resort.
– Também adoro estar com você.
– Julie... Eu preciso fazer uma coisa que eu quero fazer a muito tempo. – Daniel disse parando e virando para Julie.
– O qu... – nem teve tempo de terminar de dizer...
Daniel a beijou. Na verdade, apenas juntou os lábios por alguns segundos. Agarrou a cintura dela com firmeza e pediu passagem com a língua, que foi cedida de imediato. As línguas estavam afoitas, desvendando o território desconhecido. Julie levou a mão aos cachos dele. Daniel gemeu entre o beijo. Há tempos, ambos queriam muito aquele beijo. O tempo parecia ter parado para eles. Depois de um tempo, eles se separam e sorriram.
– Desculpa. Não resisti. – Daniel repetiu, sorrindo sacana, a mesma frase que disse a Julie no dia que se conheceram. Claro, era uma outra situação.
– Eu também queria te beijar. – Julie sussurrou sorrindo e com as bochechas coradas. – Não se desculpe, porque se você queria, fez o certo. Além disso, se você não fizesse isso, eu faria. – finalizou e Daniel já estava sorrindo de orelha a orelha.
[...]
– Vamos filha. Temos que ir logo para o SPA... E depois, o salão de beleza. – Heloisa chamou a Julie. – À noite vamos assistir a um show que é oferecido pelo Resort.
No SPA, as duas aproveitaram tudo o que tinham direito. No salão de beleza também. A mãe de Julie queria que a filha ficasse muito bonita. Com pretensão, claro. E Julie sabia disso.
À noite, na hora do show, os olhares de Julie e Daniel se encontraram e eles sorriram.
[...]
Os dias se passaram quase que voando. As férias estavam chegando ao final e já era o último dia naquele Resort. Julie e Daniel foram dar um último passeio pela praia aproveitando as últimas horas ali.
– Não acredito que as férias estão acabando. – disse Julie com pesar na voz. Daniel segurou sua mão, a entrelaçando com a dele.
– Eu também não. – pausou. – Foram as melhores férias que eu já tive.
– As minhas também.
Daniel a olhou. Sorriu e se aproximou, beijando sua têmpora.
– Não quero te perder, Daniel. – Julie disse com a voz triste e chorosa.
– Não quero te perder também. – Daniel disse, segurando o choro e sentindo um bolo na garganta.
– Não quero que tudo o que aconteceu entre nós acabe assim. Não quero que nosso romance acabe nessas férias de verão. Eu... – engoliu a seco. – Eu te quero pra mim.
– Eu também não quero que você vá. Quero te ter aqui comigo. Do meu lado. Quero ficar com você. Eu nunca senti algo assim por alguém antes. Você foi feita pra mim. Feita pra ficar comigo... Pra sempre. Não quero te perder de vista agora que eu te encontrei. Você é o amor da minha vida. É pra você ser minha. Minha e de mais ninguém. – Daniel disse e a abraçou forte, quase a tirando do chão.
– Por que as coisas nem sempre são como a gente quer? – Julie perguntou, agora com lágrimas nos olhos.
– Não sei. – Daniel meneou a cabeça, também com grossas lágrimas escorrendo por seu rosto. – Mas... Olha. Eu dou um jeito de te visitar sempre que der.
– Ah, Daniel. Você sabe que relacionamentos à distância não dão certo.
– Eu faço qualquer coisa por você, Julie. – Daniel disse, agora olhando nos olhos de Julie.
– Julie. – seu pai gritou ao longe.
Julie limpou as lágrimas e virou para trás, acenando para o pai.
– Eu preciso ir agora. Eu não queria ir, mas... Eu preciso ir embora.
– Tudo bem. Daqui a algumas horas eu vou embora também. – pausou. – Eu espero te ver logo.
Julie assentiu. Daniel a puxou para si e tomou os lábios tão conhecidos para si. Eles ficaram se beijando por um tempo, mas logo se soltaram. Julie tinha medo de se apegar a um amor que ela não teria certeza se tinha futuro. Daniel ainda tinha esperança. Julie se despediu e partiu junto a sua família. Horas mais tarde, Daniel e os pais também pegaram suas coisas e foram para casa.
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