Aquele que já se foi
7 1° Fase: Perfects Strangers
Notas iniciais
Taylor atravessou a sala do apartamento depositando as chaves no balcão. Soltou um forte suspiro. Seu namoro deu uma reviravolta, seus estudos andavam péssimos, quando precisava de Violet não a encontrava, não conseguia mais falar com Lucian por conta do seu problema com Nas...
Soltou outro suspiro. O jeito era focar no trabalho, por mais miserável que fosse.
***
– Bacons com ovos aqui para a moça Taylor.
Taylor saiu da cozinha com os pratos na mão atendendo os clientes impacientes. Tinha que parar de pensar em Seth e focar em outra coisa. Uma semana. Na semana passada em que ele a deixou sozinha naquela boate, não incomodava o fato de que ela e Violet ficarem sem ter como voltar obrigando-as a pedir carona para estranhos que por sinal era um casal meloso que não viam a hora de elas saírem do carro para começarem a fazer sexo. Não, isso não a incomodava. Incomodava o fato de que durantes esses dias ela não tê-lo visto mais, mandava mensagens, ligações e nada de retornar. O pensamento de culpa a invadiu em cheio, será que tinha feito algo de errado? Será que ele não a amava mais?
Turbilhões de pensamentos e imagens a percorreram. Imagens de Seth com outra garota, dele beijando a tal Claire, ele na cama com a tal Claire...
– Ei Taylor, Acooooooooorda!!!!
Seus devaneios foram interrompidos pelos estalar de dedos de Clary. A garota a olhava com um olhar de preocupação, não era de surpreender aquele olhar, ela mesma ao olhar para o espelho se assustara. Seus cabelos negros repicados tornaram-se um emaranhado negro e despenteado, profundas olheiras formavam-se embaixo dos profundos olhos verdes água. Taylor já teve dias melhores.
– O que está acontecendo com você?
Taylor deu um sorriso forçado e amarelo.
– Tudo bem. Estou bem.
Os olhos azuis diamantes e frios de Clary a encarou de volta analisando-a.
– Ok, no final do expediente quero falar com você, tudo bem?
Taylor assentiu e continou o trabalho.
O sol lá fora estava quente, mas nada aquecia o frio repentino que Taylor sentiu.
Com os pensamentos a mil, Taylor não percebeu o quanto o tempo passou rápido. Após ela guardar suas coisas, já estava saindo e finalmente indo para casa quando Clary a puxou pelo braço.
– Taylor, está realmente tudo bem com você?
Na verdade não, minha vida está se esvaindo pelas minhas mãos, Seth não retorna mais minhas ligações, não consigo mais dormir...
Taylor queria dizer tudo isso, mas apenas disse:
– Sério Clary, realmente está tudo bem.
Aqueles olhos gélidos a avaliaram novamente.
– Sabia que é uma péssima mentirosa?
Não tinha como se afugentar de Clarissa Klaus, apesar de sua aparência de donzela, nada tinha a ver com isso. Cabelos loiros brancos, olhos azuis afiados, com sua aparência angelical e doce como uma flor brotando em plena primavera. Podia-se pensar em Clary como um sol acolhedor. Nada daquela aparência surpreendia Taylor, conhecia Clary perfeitamente bem para que não se enganasse mais com sua aparência.
– É que... Seth não fala comigo a exatamente uma semana e... isso não está me fazendo bem, estou confusa aliás, muito confusa.
A garota franziu o semblante.
– Quer conversar sobre isso? Sou boa ouvinte.
Taylor começou a falar rápido e gesticulava a cada palavra que dizia, contou tudo que estava acontecendo naquela miserável semana e contou-lhe sobre como estava se sentindo á aquilo tudo. Clary apenas a observou, esperando que ela terminasse pacientemente.
– Ele deve ter uma boa explicação Taylor. Não se precipite á toa.
Taylor apenas a escutou, absorvendo o conselho da amiga.
– Por que não vai até a casa dele e descubra por si mesma o que está acontecendo?
– Aí é que está o problema... Não sei onde ele mora...
Clarissa soltou um suspiro e pegou em um dos ombros de Taylor.
– Sabe Taylor, tenha um pouco de fé!
Clary não soube o que queria dizer com aquela frase. Apenas surgiu em sua mente e falou. Mas percebeu que em Taylor teve algum efeito. Os ombros tensos da amiga logo relaxou e ela lhe deu um sorriso, fraco, mas ao menos era verdadeiro.
– Obrigado Clary, sério.
Clary assentiu, já estava pensando em sair quando Taylor perguntou.
– Hum... Como está seu irmão Clary? Melhor?
A pouco tempo o irmão adotivo de Clary estava tendo umas crises de tuberculose e ficara internado devido a isso. Taylor ao observar Clary, reparou que uma sombra de preocupação passou pelos seus olhos e logo se foi, assim como veio.
– Claro, claro. Ele recebeu alta ontem á noite. Catarina ficou muito aliviada.
Não era de conhecimento exclusivo de Taylor saber que Clary era adotada. Catarina era a mãe adotiva de Clary, por quem ela nunca chamou de mãe, e o pequeno Peter seu irmão adotivo. Ela o amava muito e o considerava como irmão de sangue. Clarissa não sabia quem era seus pais verdadeiros e tampouco se importava. Mas ás vezes, bem no fundo, ela se perguntava o por que fora abandonada, será que era tão detestável ao ponto de a rejeitarem?
A menina fora abandonada ainda pequena e recém nascida a porta de Catarina, que a considerava seu presente maior, algo divino. Catarina depois de casada nunca conseguiu engravidar, sempre no terceiro mês de gravidez perdia seu pequeno bebê, a situação era tão frustrante que parou de tentar engravidar e começou a aceitar seu destino quando a pequena Clary apareceu em sua porta sem nenhum cartão ou qualquer coisa que pudesse identificá-la. Amou-a no primeiro momento que a viu.
– Sabe Tay, eu o amo muito, você sabe disso e também sabe que eu só trabalho nessa espelunca por causa dele.
– Sim, eu sei.
E com isso Taylor saiu do recinto avançando para a porta. Parou apenas para observar o crepúsculo que surgia.
***
A noite estava quieta. Nem o barulho do vento, nem o sussurrar dos fantasmas, nem o barulho de carros. Gostava do silêncio, mas sentia falta do barulho. Taylor desistiu de pensar em Seth, não estava levando a nada. Estava terrivelmente entediada, nada naquele apartamento lhe distraia, não queria saber de festa ou algo do tipo. Só queria dormir profundamente em delicados sonhos e não acordar...
Taylor que estava deitada de cabeça para baixo no sofá levou um susto fazendo-a cair no chão.
Quem seria uma hora dessa?
Caminhou vagarosamente até a porta, nem se importou com sua aparência. Ao abrir não sabia qual seria sua reação e ao fazê-la explodiu em sensações mistas, prazerosas e um pouco de raiva talvez?
Ali na frente dela estava Seth.
Tamanha era sua beleza que transbordava ali mesmo naquele corredor, seu cheiro de canela tão familiar invadiu os pulmões de Taylor, que aspirou profundamente. Todos aqueles pensamentos confusos e devaneios que causavam olheiras pesadas e profundas, em um estalar de dedos sumiram. Teve uma vontade imensa de agarrá-lo e beijar como nunca tinha feito antes, de sentir suas mãos fortes nas curvas de sua cintura, apertando-lhe as costelas. Teve vontade de fazer muitas outras coisas que sua mente "puritana" nem imaginava. Mas tudo o que fez foi ficar parada no hall encarando-o. Não fez nenhum movimento, o rapaz fez por ela. Seth invadiu o apartamento de Taylor abraçando-a com força, como se estivesse protegendo-a. Protegendo de que?
Seu abraço tão familiar e caloroso, se aquele abraço tivesse sabor, com certeza seria de nostalgia.
– Acabou os segredos?
Dessa vez a voz foi de Taylor.
Seth passou a mão no cabelo, um gesto que ela conhecia como nervosismo.
– Apenas... confie em mim.
– Da última vez que confiei fui abandonada em uma casa noturna, e privada de qualquer notícias suas. Tem ideia do quão terrível foi essa semana?
– Eu sei...
– Não, não sabe!!!
A garota interrompeu antes que ele pudesse completar sua frase.
Seth soltou um suspiro.
– Por favor Taylor. Confie em mim. Sua falta de fé é decepcionante.
Falou colocando a mão no peito, no lugar onde fica o coração, dando mais ênfase ao falar.
De repente as palavras que Clary disse ecoou dentro de sua cabeça. "Tenha um pouco de fé Taylor..."
– Está louco.
– Louco por você.
– Seth!!!
– O que foi?
Taylor apenas revirou os olhos e o seguiu. Aonde quer que ele a levasse, não importava. Confiava plenamente nele.
***
Não sabia para onde ele estava levando-a, mas ele parou em frente ao um apartamento não muito sofisticado e nem muito comum. O prédio tinha uma aparência sombria e reconfortante.
– Por quê me trouxe aqui?
– Porque é onde eu moro, e quero que você a conheça. Aliás ninguém além de você veio aqui.
Taylor pasma, de todas as coisas que ele podia fazer nunca esperou que ele algum dia a levaria para conhecer seu apartamento. De todas as vezes em que pediu que ele a levasse, todas as vezes fora negada. Portanto aqui estava ela dentro desse mesmo apartamento.
O apartamento de Seth era todo incrivelmente mobiliado em preto e branco, e tudo tinha o leve aroma de canela. Sua cozinha era em um estilo americano com um balcão de mogno negro, algumas das paredes lisas ostentava algumas obras de arte. Taylor não sabia qual era a sua expressão, mas devia estar engraçada pois Seth olhou para ela com um olhar travesso e um sorriso brincalhão.
– Venha Taylor, quero te mostrar meu quarto.
Não muito longe da sala, logo após um pequeno corredor tinha o quarto. Tudo era extremamente organizado. Taylor nunca podia imaginar que seria assim, pensou em restos de comida no chão, em cuecas largadas em qualquer canto sem importância... Mas estava errada.
O forro da sua cama era de seda preta, em frente ostentava uma grande visão da cidade, dois criados mudos, e mais ao lado uma estante repleta de livros. Em cima de um dos criados mudos chamou a atenção de Taylor, possuía dois retratos. No primeiro retrato encontrava-se uma mulher com cabelos negros, pele de porcelana, e um homem de cabeleira branca, supôs que era o marido da mulher, na foto pareciam muito felizes e a mulher abraçava um pequeno garoto muito parecido com ela. O que mais chamou a atenção de Taylor não foi a felicidade que se encontrava naquela foto e sim os olhos. Tanto a mulher tanto o garoto possuíam os mesmos olhos dourados. Logo concluiu Taylor que aquela era mãe de Seth e o pequeno garoto era ele mesmo.
Na foto ao lado um Seth mais novo segurava uma bebê no colo, tão frágil e delicado, com uma cabeleira branca. Seth a segurava com cuidado, talvez com medo de derrubá-la.
– Não sabia que tinha uma irmã.
Seth que até então estava calado espantou-se, seu rosto que estava com uma expressão nostálgica, desaparecera. Voltando a ser o Seth sedutor de sempre, transbordando eletricidade de beleza por onde passava.
– Não achei necessário contá-la... Isso foi a muito tempo.
Seu rosto voltou a ser impassível, era difícil saber qual era sua expressão.
– Quer falar sobre isso?
– Jurei pra você que não iria mais manter segredos... Minha mãe nunca fora uma mulher forte, em termos de saúde, foi até um milagre ela me ter... Mas quando eu tinha quatro anos, ela engravidou da minha irmã, a gravidez era arriscada mas tudo deu certo. Estava muito feliz, era apenas uma criança de quatro anos, mas amava minha irmã profundamente, queria protegê-la de todos os males que existiam... Depois de três meses felizes... Diana Mansulini faleceu, sua imunidade baixou e logo sua doença a afetou, levando junto minha irmãzinha, Serena Mansulini. Não lembro muita coisa, era muito novo, só sei essa história porque meu pai dissera-me.
Taylor não sabia o que dizer, aquelas palavras rodaram sua cabeça, queria abraçar Seth e consolá-lo e foi isso o que fez.
Seu cheiro de canela invadiu os pulmões de Taylor e as fortes mãos de Seth tornaram a abraça-la. Sentiu falta daquele abraço, sentiu falta de Seth. Aquele gesto de carinho logo foi interrompido pelo soar da porta sendo destrancada.
– Alguém mais tem a chave de sua casa?
– Não...
Seth e Taylor foram correndo pelo corredor afim de chegarem para ver quem era o estranho(a) que estava "invadindo" seu apartamento. Chegaram bem a tempo de ver um homem alto e muito elegante entrar pela porta, tinha uns olhos muito azuis, suas vestes era sofisticada e tinha aparentemente 35 anos e possuía uma cabeleira muito branca. Era o pai de Seth.
***
– Isso é inaceitável!!! – Disse a mulher xingando algo árabe logo após
Saari estava lendo o jornal recente, onde o tema principal era a guerra entre os palestinos e israelitas. Sua família era mulçumana e Nas ouvia sempre seus pais resmungarem sobre como os judeus eram idiotas. Era por esse e outros motivos que Nas nunca falou que namorava Lucian.
Pelo que diziam os jornais a guerra tinha o mesmo propósito de sempre, territórios e religião. Dessa vez os palestinos estavam realmente em vantagem, no último ano eles tinham feito um tratado de paz, uma pequena trégua. Todos sabiam que qualquer motim poderia começar uma nova guerra, enquanto este tratado estava de pé, os israelitas ficaram com as "suas terras" e os palestinos em silêncio, aliás... eram o que pensavam pois na verdade os palestinos estavam aproveitando que a guarda estava baixa e desenvolveram novos tipos de armamentos e munições para contra atacar os israelitas, começando esses novos experimentos e com a guerra que estava se seguindo, a moeda e a economia baixaram, todo tipo de comércio faliu e muita família migraram. A família de Nastasya não foi diferente. Fazia exatamente 2 anos atrás que isto aconteceu, todos os dois lados estavam com um pavio curto e cada um possuía países aliados. Os Estados Unidos após a morte do terrorista Bin Laden, fez uma aliança com os mulçumanos prometendo paz e ajuda em qualquer coisa que fosse necessário. Muitos diziam que isto nunca iria dar certo e que se um virasse as costas começaria uma nova guerra. Todos estavam enganados. A aliança tornou-se forte, e agora tinham como apoio os Estados Unidos, alguns países da América do Sul e a França, que tinham o maior número de massa. Os palestinos também não ficaram atrás, desejavam tomar as terras a qualquer custo e arranjou aliados poderosos também, A Rússia sempre foi contra os Estados Unidos, assim como são com os palestinos e israelitas, e percebendo que sua rival se aliou aos muçulmanos, logo aliou-se aos judeus. E assim começou a guerra.
Sua família obviamente nunca tinham ido com a cara dos judeus e agora tampouco. Nas deu um forte suspiro e tornou a se concentrar em sua comida.
***
– O que está fazendo aqui?
Seth quase rosnou ao dizer aquelas palavras, em 365 dias para aquele filho da puta aparecer e tinha que ser hoje. Exatamente quando trouxera Taylor para conhecer o apartamento.
Seus olhos dourados faiscaram e tinha um ar desafiador.
– Olá Seth, isso são modos de receber seu querido pai?
– Apenas Responda.
– Não fui claro em minhas cartas? Tenho negócios a tratar nesta pequena cidade e pretendo voltar para o meu apartamento.
Taylor não sabia o porquê Seth estava tão ríspido. Porque ser tão rude com seu pai?
Assim que Taylor ia perguntar os olhos de Sr. Mansulini desviaram-se para Taylor e um sorrisinho brotou em seus lábios.
– Suponho que esta deve ser sua namoradinha... Taylor não é?
Como aquele estranho sabia seu nome?
– Sim...
Respondeu trêmula. Aquele homem possuía os olhos mais profundos e intimidador que ela conhecia. Parecia enxergar até a sua alma.
– Seu novo brinquedinho é realmente muito bonita Seth. — Disse se dirigindo a Seth. — Pena que não irá durar muito docinho. Não tem a classe de uma Mansulini... Se lembra dos Granger? A filha mais velha deles está solteira e ela seria uma ótima Mansulini.
Taylor ficou petrificada. Quem era ele para dizer tais coisas? E quem era os Granger? Teve vontade de insultar aquele filho da mãe, cerrou os punhos querendo chutar o meio daquelas pernas, exatamente quando Seth falou por ela.
– Não irei mais responder ás suas opressões. Quando voltar quero você e suas coisas longe do meu apartamento. E...
Seth respirou fundo retornando ao controle e falou pausadamente.
– Nunca. Mais. Insulte. Taylor. Na. Minha. Frente.
Saíram porta afora.
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