Aquele que já se foi

8 1° Fase: Love comes with a hell of a cost


Notas iniciais
Boa Leitura!

O campus estava vazio. Exceto por Violet que andava de um lado para o outro esperando a biblioteca abrir, carregada com os livros pesados nas mãos, sendo a primeira a entrar na biblioteca e a última a sair. Vida de acadêmica não era fácil.

Fazia uns bons tempos que não voltava para a cidade, sentia falta de casa, do Lucian e principalmente da Taylor, sua melhor amiga.

Não entendia o porquê que tinha de ler esse romances machistas que o professor homofobico tinha que passar, ainda bem que tudo isso iria acabar. Mal esperava Violet para que o ano acabasse logo, enfim iria se formar.

Enquanto isso não acontecia podia pensar na noite da festa em que fora com Taylor.

Meu Jesus Cristinho.

Que língua era aquela?! Nunca iria imaginar que poderia sentir tanto prazer somente com uma língua. Ainda podia sentir o mármore gelado contra as suas nádegas, o som abafado contra a porta que estava trancada, e a língua faminta que saciava o meio entre suas pernas.

Um arrepio percorreu o sua pele fazendo seu âmago se contorcer de desejo.

– Nos vemos por aí Violet.

Disse-lhe com um sorriso safado e satisfeito antes de desaparecer pela porta.

Enfim a porta se abriu e Violet entrou com seus pesados livros.

***

Quando Taylor era mais nova, quando tinha uns 13 anos por aí, sonhava com um príncipe encantado. Sonhava que enquanto ela chorava no quarto por conta de seus pais ele viria e lhe afagaria as bochechas, secaria todas as suas lágrimas e a levaria embora. Então ela ergueria os olhos, olharia profundamente para os deles e veria os olhos mais encantadores do mundo, seria os olhos mais castanhos que já vira, não seria simplesmente olhos simples e marrons, seria um castanho profundo, mais ou menos como um uísque com doses almiscaradas de avelã, seria adornados por longos e volumosos cílios negros dando um ar angelical. Então ela se perderia naquele olhar com aquelas belas sobrancelhas naturais e bem feitas. Ele deixaria ela tocar as pontas dos dedos em seu cabelo acobreado, não seria alaranjado e tampouco ruivo, um tom de cobre parente do dourado, não tão resplandecente como um dourado, apenas um dourado adormecido. E a partir daquele momento ela seria eternamente feliz e finalmente poderia se abrir para o amor.

Mas quando o amor chegou ela não imaginou que essa pessoa seria justamente o Seth, o oposto do “seu cara ideal”, o oposto de seus sonhos. Não que isso importasse, só era surpreendente. Seth com seus cabelos negro carvão, olhos de um mel tão claro que se parecia com dourado e uma pele tão alva que não sabia como fica queimada durante o sol.

E ali na frente dela estava o mesmo Seth por quem se apaixonara, o mesmo Seth encantador e nervoso. Extremamente nervoso.

Mas que porra foi aquela que aconteceu em seu apartamento?

De repente lá estavam eles e na outra tudo começou a ficar confuso.

– Imagino que você deve estar confusa.

Disse Seth passando as mãos no cabelo.

– Ah... não, não, claro que não. Seu pai acabou de aparecer, falou de sei quem lá da Granja, chamou-me de inútil sem ter feito nada contra ele. Quer saber? Acho que o odeio, é isso. Eu odeio seu pai. E claro, não estou nem um pouco confusa.

– Na verdade é Granger.

Taylor ergueu os braços numa aceitação de derrota.

– Foda-se os Grangers e as Granjas.

Seth resmungou um palavrão.

– Isso vai ser mais complicado do que pensei.

– Tenho o tempo que precisar.

– Bem... Como explicar que o pai de seu namorado é um cafetão? E que faz tráfico humanos?

Taylor não sabia qual seria sua reação, mas a que fez com certeza foi a que menos passou por sua cabeça. Taylor começou a rir debochadamente, riu tanto que se contorceu. Seth só podia estar de brincadeira com a cara dela.

– Vamos ver se eu entendi... Seu pai é um mafioso?

Disse Taylor secando as lágrimas de tanto rir.

Seth soltou um rosnado do fundo da garganta.

– Não estou brincando de mentiras Taylor. Falo sério. E se você parar de rir loucamente, irei explicar tudo.

Isso foi o suficiente para as risadas de Taylor cessarem.

– Quando minha mãe e minha irmã morreram... Meu pai se isolou, ele era um homem muito feliz e temo que amava muito minha mãe e que sua morte o desolou. Sempre quando novo ele me impôs regras, queria que eu herdasse o ramo dos negócios da família, negócios de automóveis. O problema é que nunca gostei que mandassem em mim, e até meus 16 anos fui contrário a tudo isso. Certa noite eu ouvi meu pai ao telefone e não resistir a curiosidade.

Seth cerrou os punhos como que se estivesse revivendo a mesma cena.

– Ouvi ele falar de mercadorias, pensei que era os veículos... Até que eu ouvi mais coisas. Ele estava falando sobre pessoas, sobre a venda de pessoas. Nessa mesma hora invadi a sala dele e o confrontei.

Ele apenas deu de ombros e contou tranquilamente sobre o trabalho enquanto fumava um charuto. Augusto Mansulini não um homem que se impressiona fácil. Ele mantém a rede de tráficos oculta, enquanto de fachada temos “os negócios com veículos”

O garoto deu uma risada seca e pois a continuar.

– Tudo isso foi tão irônico quanto surpreendente. Eu o confrontei, berrei e sabe o que ele falou?

“Apenas cresça Seth e pare de ser mais um babaca nesse mundo de merda”

Desde então vivo fugindo dele, nem sequer suporto olhar em sua cara, o que ele faz é desumano.

As pessoas sempre se perguntam como seriam nossas reações ao se deparar á alguma coisa ruim de se ouvir. Seria espanto? Raiva? Descrença?

Se essa for algumas das reações comuns de se imaginar... Não chegou nem perto do que Taylor sentiu.

Sentiu um mix reações enojadas. Como tinha acabado namorando com um filho de um cafetão? Tudo isso só podia ser um sonho. Fechou os olhos e contou até dez e os abriu novamente. E lá estava Seth a observando com cautela no meio de sua pequena sala.

– Por favor, diga-me que tudo isso é um sonho.

– Desculpe Taylor. Também queria que fosse.

– Acho que preciso de um forte xanax, prevejo uma dor de cabeça terrível.

– Eu sei que tudo é muito difícil de assimilar...

– DIFÍCIL? ISSO É UM EUFEMISMO. CACETE. POR TODOS OS ANJOS...

– Quer parar de gritar histericamente, isso não ajuda em nada.

Disse Seth num tom firme.

– Quer saber? Que se foda o xanax, eu preciso mesmo é de uma garrafa de gim, essa borra toda está me deixando nos nervos.

– Que seja...

Taylor foi até a cozinha, pegou a garrafa, tirou o lacre e bebeu boas doses só no gargalo mesmo.

– Já que a merda foi jogada no ventilador, o que você tem a dizer sobre nós Seth? Pelo visto o Mister Cafetão não ficou muito feliz ao me ver com você.

Taylor da cozinha ouviu um soco oco que veio da sala. Parece que Seth andou esmurrando as paredes.

– Não vou deixar que o filho da puta do Augusto destrua nossa relação.

O som de sua voz rouca estava mais próxima e quando Taylor se virou ali estava ele na porta da cozinha.

– Acredito em você Seth Mansulini. Acredito...

Taylor foi se aproximando de Seth, ao caminho depositou a garrafa de gim na bancada da cozinha, chegando perto do mesmo depositou um selinho demorado no canto de sua boca e foi se aproximando mais. Não demorou muito para que ambos estivessem ofegantes e corados de desejo. Taylor começou puxando seus lábios vagarosamente e por fim usando sua língua para abrir os lábios de Seth que a recebeu com satisfação. Ficaram somente nesse movimento com as línguas por um tempo. Ela agarrada ao seu pescoço sentindo cada sensação de prazer daquele momento.

– Desculpe Taylor, mas preciso ir. Sabe né... tenho que derrotar o dragão primeiro pra receber a princesa.

Taylor soltou uma gargalhada daquela coisa clichê que ele havia lhe dito.

– Vai lá meu herói perdido.

E assim Seth se foi e Taylor ficou sozinha em seu apartamento. Pegou o telefone e aguardou a ligação.

– Sabe Violet, você realmente precisa voltar para casa.

Notas finais
Obrigada pra quem leu até o fim!