Aquele que já se foi
2 1° Fase: Coping
Notas iniciais
Depois de levantar da cama, fui direto para o banheiro. Parei com as mãos na pia tentando impedir em vão a tontura que estava sentindo, e a forte dor de cabeça também não ajuda em nada. Levantei a cabeça e olhei minha aparência. Eu estava parecendo um panda, a maquiagem preta borrou meu olho todo, formando um círculo e marcas de lágrimas secas adornava meu rosto.
Fui até o sanitário, levantei a tampa, abri a torneira da pia, molhei meu dedo e o enfiei na garganta. Vomitei toda a bêbida de ontem, peguei anti-ácidos e tomei, me senti mais aliviada.
A manhã de segunda já começa insuportável.
Pensei enquanto chegava atrasada no trabalho. Sr. Mongestem, o dono da lanchonete onde eu trabalhava, nunca estava de bom humor e nessa manhã não foi diferente.
– Você não tem jeito mesmo né garota, sempre atrasada, sua alcóolotra, vai morrer de overdose, sendo que melhor pensando vaso ruim não quebra, agora largue de conversa fiada e vamos trabalhar...
Blá, blá, blá. Era assim todas as manhãs, como se fosse uma rotina, até estranharia se numa manhã ele parasse de gritar comigo
– Não precisa dizer o quanto me ama Charles, já sei que é incondiconal.
E assim tem começado a minha manhã desde que comecei a trabalhar aqui, há uns 2 anos atrás pra ser mais exata.
***
– Ei garota, cadê meu pedido? — Reclamou outro velho rabugento
Por mais que eu gostasse de trabalhar, tem alguns clientes que me tiram a paciência, como o Sr. Klaus que sempre me atormenta com os pedidos.
– Já estou indo Sr. Klaus — e dei um sorrisinho encantador
Virei-me e fiz cara de nojo, sai patinando pela lanchonete
Ah! já falei que o Sr. Mongestem teve a brilhante idéia de fazer com que trabalhassemos de patins? Pois é.
Clary (isso mesmo, a garota das festas) viu a minha a minha expressão e comentou comigo.
– Vá com calma Tay, é só mais um cliente. — e logo saiu com outros pedidos na mão.
Resolvi seguir o conselho de Clary e fiz tudo com calma e cuidado, ah e claro sempre com um sorriso no rosto por que claro cliente feliz é cliente bem servido!
O meu expediente já estava terminando, fui pra o interior da lanchonete tirar o avental e o patins. Clary já tinha ido e o restante também, só restou eu e o Sr. Mongestem. Já estava saindo e conversava com Lucian no telefone
– Lucian, só queria agradecer por ontem á noite, você não precisa sempre me acompanhar nas minhas loucuras...
Parei de falar assim que ouvi o tilintar do sino na porta da lanchonete.
Droga!
Mas já estava terminando e chega esse maldito cliente.
Estava chegando lá na frente, quando levantei os olhos e me arrependi das minhas palavras anteriores.
Congelei onde estava enquanto apreciava o homem que estava na minha frente. Homem era um termo simples pra ele, ele era magnifíco, esplendor, glorioso. Tudo nele chamava atenção, seu ombros largos, seu jeito de vestir, seus olhos dourados..
Pelo Anjo.
– Ei, você poderia me trazer um café, por favor!
Sai imediantamente do meu transe após ouvir aquela voz firme. Eu devia estar babando, que vergonha..
– Desculpa, mas já estamos fecha...
Mal terminei a frase e o Sr. Mongestem começou a gritar.
– Taylor, mova-se daí, não te pago pra você virar estátua.
– O que você estava dizendo mesmo? — Disse o príncipe de olhos dourados
– Nada, nada — Respondi cabisbaixa, corando de tanta vergonha.
E lá vamos nós...
Servi o café para aquele homem perfeito e pude observá-lo melhor. Seu rosto era anguloso, sua pele branca e alva, o cabelo rebelde que se espalhava pela testa pela testa como se ele tivesse levantado da cama e deixado como estava, o cheiro forte de canela exala dele. Ele se levantou, e foi até o caixa pagar , equanto eu pegava o dinheiro meu dedo se esbarrou em suas mãos e senti uma corrente elétrica passar pelo meu corpo, aquilo me despertou. Ele deu um sorriso de lado e disse:
– Até a próxima, Taylor...
Andou até a porta e se foi.
Fale com o autor