Aquele que já se foi
3 1° Fase: He kissed my lips
Notas iniciais
Não, não e não
Não podia deixar com que um estranho me abalasse facilmente, que coisa estúpida.
Nunca aconteceu isso comigo, não simplesmente deixar que alguém me domine assim, mas aqueles lábios carnudos, aquele cheiro de canela. NÃO. Preciso manter o foco.
Foco.
Desde que sai de casa tive dois pensamentos. Primeiro queria minha liberdade, queria ser livre, arcar com minhas próprias consequências e Segundo estudos, isso mesmo. Vocês devem pensar que isso é impossível, como uma garota que vive bebendo pode querer algo sério da vida. Mas sim, eu quero ter algum futuro, quero ganhar meu próprio dinheiro..
Meu forte mesmo é o ramo de imobiliária, meu pai era imobiliário, como andava com ele o tempo, ele foi me ensinando algumas dicas fazendo-me apaixonar por essa carreira.
Daqui a uns sete meses mais ou menos vai ter concursos e vestibulares, todos os alunos que já terminaram o ensino médio já estão loucos atrás de cursos e estudos para ficaram com notas boas, eu não estava diferente.
As inscrições em cursinhos já estão abertas. Assim que sai da lanchonete fui para o forúm, me inscrevi, peguei a lista de aulas e os materiais.
Assim que cheguei em casa Violet não estava, deixei a chave da moto em cima da bancada e vi um bilhete dela.
Tay, tive que ir pro campus, volto assim que der.
Bjs. Não faça nada que eu não faria!
Violet. Sempre estudando.
Mais tarde naquela mesma noite recebo um torpedo de Lucian.
Filiperama do Boo?
Minha cidade é pequena, pequena e antiga. Nada aqui é atualizado, é como se estivessemos parado na década de 90, como no cenário de footloose, temos as lanchonetes, os cinemas antigos que ainda passam Titanic e Ghost e temos a sinuca. Mas o povo sabe como se divertir.
O filiperama do Boo é um lugar em que aparece todo tipo de gente, Funcionava somente nas madrugadas, ficava em um subterrâneo e quase na margem da cidade.
Respondi a mensagem de Lucian e fui me trocar.
***
Assim que desci as escadas para o subterrâneo, senti o ar bolorento invadir meus pulmões, as escadas já estavam bem gastas e com limo, ainda bem que vim de botas. O local estava bem cheio e o show ainda não tinha começado. Reconheci várias pessoas que frenquentavam a lanchonete.
– Quer alguma bebida Tay? — Perguntou Lucian
– Claro, claro
Essa noite não pretendia ficar bêbada, só queria curtir com meu melhor amigo.
O filiperama consistia em um palco, no lado oposto tinha assentos acochoados com mesinhas de centro, do lado direito do palco tinha um bar, perto do bar tinha uma saleta que era onde ficava várias mesas de sinuca.
Sentei em um dos bancos gastos do bar e olhei ao meu redor. Lucian veio com uma garrafa de cerveja pra ele e um drink pra mim. Instantes depois o show começa e logo as pessoas estão dançando animadamente no centro. Como sempre a música era antiga mas bastante divertida, terminei de beber o drink e arrastei Lucian para o centro também, a música da vez era footloose. Eu me mexia conforme a música. No início estalando meus dedos, movendo os ombros e batendo os pés ritmicamente. O salão todo se movia alegramente batendo os pés, era uma sifonia. Na hora do refrão Lucian pegou minha mão e me rodou, me puxando para seus braços, deixei que ele me conduzisse, coloquei meus braços em seus ombros e ele a mão na minha cintura, dançamos ao estilo country. O sorriso no nosso rosto era visível, todo meu corpo dançava e queimava devido a dança. O final da música era a minha melhor parte, desvencilhei de seus braços e sai rodando, dançando por conta própria, abri meus braços e cantei junto com a música, tudo estava tão bom, tão perfeito, até que eu esbarro em alguém e no meio daquela confusão sinto o cheiro forte de canela
– Opa, desculpe..
Viro-me para ver em quem esbarrei e me deparo com os olhos dourados.
– Olá Taylor, é bom te ver de novo.
E lá estava aquele homem perfeito me encarando, coincidência não?
– Ah.. Olá.. ?
– Seth. Meu nome é Seth.
Se naquele dia ele estava glorioso, hoje ela estava esplêndido, de um jeito simples. Usava botas coturno, calças escuras, uma simples blusa branca e uma jaqueta de couro, mas de um jeito que eu não sei como, ele estava esplêndido, exalava sensualidade.
A música já tinha terminado, e começava outra não tão animada. Como não estava dançando, arrastei Seth pra um canto do sofá mais próximo e lá ficamos conversando. Além de ser super lindo, ele é maravilhoso, era novo na cidade mas conhecia algumas coisas, algumas vezes enquanto conversávamos me perdia naqueles olhos dourados, encarava aquela boca carnuda e ficava imaginando como seria a sensação da boca dele na minha.
Então ele se aproximou de mim. Senti o cheiro dele invadir meus pulmões, já podia sentir sua respiração se fundindo com a minha. Ele foi desviando dos meus lábios até o meu ouvido e disse.
– Me concede a dança?
Meu coração estava na boca, fiquei imaginando como seria beijá-lo que achei que fosse fazer exatamente isso. Terra chamando Taylor...
– Claro.
A música agora era mais calma, era para amantes.
Cant take my eyes off you. Amava essa música. Fomos para o centro junto com os outros casais, mas a frente podia ver Lucian com uma garota. Acho que era a Nas, gostava dos dois juntos.
O toque lerdo começou. Coloquei os braços nos seus largos ombros e apoiei a cabeça no seu ombro. Fechei meus olhos aproveitando a sensação daquele momento, senti suas mãos fortes em minha cintura. Deixe-me levar pela música
You're just too good to be true
(Você é bom demais para ser verdade)
Can't take my eyes off you
(Não consigo tirar meus olhos de você)
You feel like heaven to touch
(Você é como tocar o paraíso)
I wanna hold you so much
(Eu quero te abraçar tanto)
Quando chegou o refrão, ele pegou minhas mãos rodou-me e me fez cair em seus braços, uma eternidade se passou quando olhei naqueles olhos.
I need you baby
(Eu preciso de você baby)
Oh, beautiful baby
(Oh, lindo baby)
Don't bring me down, I pray!
(Não me derrube, eu imploro!)
A estava acabando quando ele sussurrou no meu ouvido.
– Que tal a gente sair daqui?
– Aonde?
– Confie em mim.
Como poderia confiar em um estranho? Quer dizer, não tão estranho assim. Quer saber foda-se, vou me arriscar.
– Está bem. — falei decidida
Quando estavamos saindo para o ar fresco, digitei uma mensagem pra Lucian.
Fui para outro lugar. Nos falamos depois.
Taylor
Eram exatamente 03:50
Montei na moto de Seth e fomos.
***
– Uaaaal, que lugar é este?
Eram exatamente 04:40 AM
Seth me levou a um bairro abandonado, do lado oposto da cidade, desde que vim morar nessa cidadezinha, nunca visitei este lugar, nem sabia que existia.
Na madrugada aquele tipo de lugar estava borbulhando de vida, gente fazia batalha de danças, boates subterrâneas, jovens escalavam prédios acho que o nome certo é buildering.
Ele olhava pro meu rosto dando risadinhas, acho que a minha expressão era a de todas as pessoas que visitavam este lugar.
– Venha, vou te apresentar a algumas pessoas.
Ele me levou a um grupo que participava da batalha de dança. Tinha umas pessoas que nunca tinha visto na vida e a maioria delas estavam com um cigarro na mão.
– Fala ae Seth, quem é a sua garota?
Um cara com a pele um pouco escura e com rastafaris falou.
– Fala Incy, galera essa daqui é a Taylor. Taylor estes são Joshua, Noah, Tyler, Rose e Amelia.
Joshua tinha os olhos azuis profundos como um oceano, Noah parecia mais um gato indefeso, Tyler era másculo lembrando-me um pitbull, Rose parecia uma boneca delicada e Amelia tinha longos cabelos loiros e maquiagem pesada.
– Olá Taylor
– Iae..
– Você é daqui mesmo?
Falaram eles.
– Sou sim, moro do lado oposto daqui. — Respondi Amélia
– Então você é virgem? — Falou Joshua surpreso
– O termo virgem se refere a quem nunca veio aqui — Falou Seth rindo.
– Nesse caso, sou sim — falei rindo um pouco.
– Leva a garota pra conhecer o lugar Seth — Falou Incy
– Vamos Taylor, até mais galera.
Seth me arrastou até onde o povo estava fazendo a escalada.
– Tem medo de altura?
– Não.
A adrenalina pulsava no meu sangue só de pensar em escalar aqueles prédios abandonados. Tudo parecia tão incrível. Seth colocou os equipamentos em mim e ligou com o dele, pra no caso de escorregar.
A subida não foi tão dificil, conforme subíamos o vento frio levantava meus cabelos, me sentia tão livre. Uma hora olhei pra baixo e me espantei com o quanto tinhamos subido, nada da altura me incomodou. Adorava altura.
No fim da escalada, eu estava cansada e animada com isso tudo, nunca tinha feito isso na vida. Lá de cima no lado oeste o sol começava a nascer a visão era de tirar o fôlego. Ao canto do prédio os jovens que subiram estavam descendo de tirolesa, era simplesmente inovador.
– Venha Taylor, vamos descer.
Um garoto ficava lá estava organizando tudo, ele colocava os aparelhos e pronto. Seth desceu primeiro e logo depois era a minha vez.
Minhas mãos tremiam, também era a minha primeira vez na tirolesa.
– Deitada ou sentada? — Perguntou o cara
– Deitada.
Assim que colocou os equipamentos, pegou meu corpo e deu impulso. Um grito de alegria ficou sufocado na minha garganta, ao meu redor tudo era um borrão, estendi meus braços como um pássaro. A sensação era incrível, o sol dourado no meu rosto, o vento passando pelos meu dedos, bagunçando meus cabelos. Me sentia liberta.
Quando estava chegando lá embaixo um par de gente fez uma rede de braços. Puxei o freio e cai. Seth pegou minha mão e me ergueu, eu não parava de rir, foi tão bom, nem ligava se estava descabelada ou não. Seth também ria da minha expressão, seus olhos faíscaram, estava tão atordoada que nem percebi que ele foi diminuindo a distância entre nois. Cada vez mais perto, perto, muito perto.
Apertou meu corpo contra o dele, senti aquela velha eletricidade pulsando de novo, tudo ao meu redor sumiu, o que eu falei lá no início mesmo?
Porque os lábios dele estavam demorando tanto? Em um ato de impulso puxei seu rosto e para o meu e enfim aqueles lábios. Eu beijei seus lábios, provei da sua boca, senti sua língua invadir minha boca, como se estivesse faminta. Ele me apertou, numa necessidade de fundir meu corpo com o dele. O ar me faltava, mas quem precisava de ar nesse momento, minhas mãos passavam em toda parte das suas costas querendo se livrar daquela roupa toda. Ele interrompeu o beijo, seu rosto estava corado de desejo.
– Vamos embora Taylor.
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