Aquele que já se foi
1 1° Fase: Somebody mixed my medicine
Notas iniciais
Acordo. Mas não quero levantar e tampouco abrir os olhos, Sinto o forte sol da minha janela bater no meu rosto e...
Não, espera um pouco.. Eu não tenho janela no meu quarto!
Desperto e observo ao meu redor, estou no quarto de Violet. Ao meu lado um despertador toca estridentemente, sinto uma forte dor de cabeça por causa do barulho e ainda são 06:00 da manhã.
Levanto-me, meu estômago começa a revirar e gosto de bile sobe na minha garganta.
Isso só pode ter sido da noite anterior
Mas logo dou um sorrisinho ao me lembrar da noite passada.
Na noite anterior Clary resolveu dar mais umas de suas festas. As festas de Clary não são simplesmente festas, são festas de verdade, com direito a mulheres nuas servindo bebidas, drogas e fumo a vontade, uma sala só para orgias e muita música alta. A festa começava as 12:00 e ás 01:00 já estava batendo na porta de Clary.
Subindo as escadas já sentia a vibração da música alta nas paredes e quando cheguei a porta 310 o som era ensurdecedor, interrompi meus devaneios quando uma mulher seminua abriu a porta pra mim. A casa de Clary era um apartamento enorme que mais parece um labirinto, são muitas salas e sabe Deus onde cada uma vai dar.
Logo na entrada tinha um casal se agarrando contra a parede, as mãos do rapaz passava ferozmente pelo seio dela, como se suas mãos necessitasse daquilo, enquanto ela gemia. Passei direto por eles. Entrei numa sala onde mais parecia um galpão velho, onde tinha dois sofá surrados e uma mesinha de centro, escolhi um dos sofás que tinha uma mulher fumando loucamente e no outro lado um homem, sentei-me no meio deles, peguei um cigarro e deixei o tempo passar.
***
– Nunca duvide de mim cara! — disse para Lucian no meio da multidão aglomerada.
– Então pegue logo essa bebida — disse Lucian com um sorriso sedutor.
Peguei a garrafa de vodka e comecei a beber. A multidão gritava meu nome
Taylor. Taylor. Taylor. Taylor.
Aquilo era música para os meus ouvidos, gosto de ser desafiada isso me dá uma sensação de liberdade. A vodka descia como um fogo na minha garganta, mas não me importava.
Quando deu 25 segundos, estava no meio da garrafa, sou boa quando se trata de bebida.
E aos 45 segundos, terminei toda a garrafa joguei-a no chão fazendo-a se estraçalhar em pequenos pedaços de vidros.
– Falei para nunca duvidar de mim.
Ele puxou-me para um abraço e debrucei-me sobre seus ombros, estava totalmente suada, minha blusa branca já estava transparente, mas nada disso importava quando estava em seus braços. Respirei fundo o seu cheiro de menta e o soltei.
– Vou procurar a Violet, ela deve estar em uma dessas salas — Minha cabeça estava pesando e raciocinar estava ficando difícil, mas tudo bem...
– Não demore.
– Ok.
Sai a procura de Violet, passando por cada uma das salas. Como disse o apartamento de Clary é um labirinto, cada sala era uma surpresa. Entrei em uma sala em varias mulheres serviam algum doce com um formato de flor de lótus, peguei um e gostei. Aquele era um doce diferente e te deixava bem mais leve. Entrei em outra sala e pelo alto som das guitarras e baterias era de lá que vinha a maior parte do som, várias pessoas se encontravam ali, se jogavam para um lado pro outro, não existia um tipo de dança ali cada um tinha seu próprio ritmo. Enquanto passava pelas salas ia pegando todo tipo de bebida que ofereciam-me e em pouco tempo parei em uma sala que tinha vários casais se pegando, homens e mulheres, o odor que reinava daquela sala era de sexo.
Em um canto da parede duas mulheres de cabelos coloridos se beijavam exibindo a língua durante o beijo, elas já estavam de sutiã. No lado oposto da sala um homem estava sentado e uma mulher nua estava sobre ele beijando-lhe o pescoço enquanto subia e descia lentamente, ela olhou para mim e deu um sorriso. Esta sala com certeza era a sala das orgias. Enquanto atravessei a sala tudo começou a girar, minhas pernas começaram a ficar bambas, fui de cara com o chão e ali fiquei.
Comecei a rir desesperadamente, não sei por quê mas tudo parecia ter graça. O carpete estava imundo, restos de comida rodava aquele local, a muito tempo ele deixara de ser branco e agora ele tinha uma cor amarelada nojenta, mas naquele momento nem me importei com isso..
O tempo pareceu se esticar, não sei se fazia minutos, horas ou semanas que eu estava ali deitada observando as bolhas coloridas passarem por mim. Tudo parecia tão... Calmo. Um tigre verde acabou de passar pelas minhas pernas, alisei seu pelo, era muito macio.
– O que faz deitada nesse chão pútrido Taylor?
aaah, era aquela voz, nunca iria me cansar de ouvir. Meu melhor amigo Lucian.
– "Você fere onde dorme. E você dorme onde se deita". mas cuidado com o bebê no armário, ele pode te ver. — Falei caindo na risada depois. Nada fazia sentido, tudo estava tão calmo e bom que poderia ficar ali para sempre.
– Vamos Taylor, eu te levo daqui.
Lucian me levantou e tentou me fazer andar, o que foi quase impossível por quê eu não sentia mais minhas pernas, não sentia nada na verdade.
Depois disso não me lembro de muita coisa, as imagens ficam vagas na minha cabeça. Lembro-me de Lucian me levar até seu carro, lembro-me de sentir as mãos dele em meu cabelo enquanto eu vomitava. Lembro-me dele sussurrando coisas calmas enquanto eu chorava no fundo do seu carro e lembro de Violet abrindo a porta de casa. E depois disso só tem a escuridão.
Fale com o autor