Aquele que já se foi

6 1° Fase: Remembrance


Notas iniciais
Então.. A partir de agora os capítulos vão ser na terceira pessoa Boa leitura!

A garota dos cabelos platinados sorria para Taylor, não saberia dizer como aquela estranha sabia seu nome, mas isso pouco importava. Ela estendeu sua mão e educadamente Taylor apertou. Algo nela a incomodava não sabia dizer ao certo.

– Bem... não preciso apresentar-me — Disse Taylor

– Oh... Claro, claro, Seth falou-me de você

De início Taylor hesitou, não soube se ficava surpreendida ou enciumada, aquela estranha parecia saber tudo sobre sua vida quanta ela tampouco sobre Seth.

Num ímpeto Taylor arrastou Seth pelo braço através da multidão e o levou para um canto mais reservado.

– Até quando vai esconder as coisas de mim? — Disse a garota determinada

Seth que até pouco tempo, antes da noite começar, estava alegre como um garotinho feliz, não parecia mais. Sua expressão ficou dura acentuando as olheiras sobre seus olhos que somente agora Taylor reparou.

Será que já existiam ou só agora percebi?

Pensou Taylor enquanto olhava mais alguns detalhes daquele rosto perfeito.

Reparando bem o rosto de Seth havia ficado mais magro, demonstrando mais as maçãs do rosto. Dios, á quanto tempo isso vem acontecendo?

– Podemos não falar sobre isso agora Taylor?

Falou Seth abaixando mais a cabeça, como se estivesse escondendo algo, e aproximando-se mais de Taylor.

– E quando pretende falar sobre "isso"? — A garota fez um sinal de aspas com os dedos.

– Prometo falar disso mais tarde.

Seth sabia que estava blefando, não queria envolvê-la na confusão de que adiantaria de nada. Pelo menos ao dizer isto pôde ganhar mais tempo. Percebeu como aquelas falsas promessas devolveram os brilhos no olhar de Taylor e isso bastava. Para Seth nada importava quando estava com ela. Ela era a calma em suas tempestades, admirava isso.

Seth foi se aproximando de Taylor até não sobrar espaços entre eles, as respirações se fundiram e logo o garoto roçou os lábios carnudos nos dela apenas provocando-a de início para enfim beijar-lhe o lábio inferior. Suas mãos que estavam no gancho da sua calça subiram e tomaram o lugar na cintura. Taylor num impulso aprofundou o beijo tendo a consciência das mãos de Seth em sua cintura, ela pegou seu rosto para melhor aprofundamento do beijo e como uma tomada, todos os seus problemas e coisas que se passavam em sua cabeça desligaram-se dando espaço somente para Seth. Não se soube quanto tempo se passou ali, mas ambos sabiam que não queriam interromper.

Por necessidade tiveram que interrompê-lo, a respiração ofegante e os lábios vermelhos e inchados buscavam o ar. Seth encarou os olhos verdes águas de Taylor.

– Desculpe Taylor...

E logo após isso ele disparou para a multidão. Deixando Taylor confusa e frustrada.

***

Lucian caminhava pelas ruas empoeiradas da pequena cidade. Estava perdido em seus próprios pensamentos se perguntando quando finalmente teria uma vida em paz com Nastasya. A família de Lucian era toda judeu e a família de Nastasya era árabes rígidos, seguia as tradições fielmente e por conta disso não permitiam o namoro. Lucian soltou um forte suspiro, esvaziando todo o ar dos pulmões seguindo pelas ruas vazias daquela cidade abandonada.

Nastasya bateu forte a porta do quarto, a face rubra de raiva. Seus pais nunca a entendiam, ela não queria se casar com um estranho e quanto mais com um estranho que tampouco a amava. O pensamento de perder Lucian doeu em seu peito, não podia permitir isso. De acordo com a sua tradição, ela já atingira a idade certa para um casamento e sua mãe não perdera a chance de anunciar isso no jantar.

Nastasya deitou em sua cama e observou o teto. Será que o casamento de seus pais também fora arranjado? Será que eles se amavam? Embora essas perguntas flutuavam em sua mente, nunca tinha visto demonstração de carinho entre eles, pelo menos não em público.

Sabia que Lucian era paciente e podia esperar por ela por algum tempo. Mas não para sempre. Uma hora ele cansaria dela de tanto esperar e não ter respostas.

Já podia até imaginar ele um dia terminando tudo com ela, podia ver ela desabando sem ele, obrigando-se todas as manhãs acordar e saber que falhou, podia ver os dias, meses e anos se passando enquanto ela casada com alguém que nem se quer a respeitava e ele com sua nova família, esquecendo-se completamente quem ela era.

NÃO!!!!!

Nada disso aconteceria, não permitiria tal coisa. Só precisava de tempo. Tempo.

***

O barulho do vento era audível e nada além disso. A moto derrapava pelas ruas deixando um pequeno rastro enquanto passava. Seth se sentia muito confuso, por que isso tinha que acontecer justo agora que estava indo tão bem com Taylor?

Um grunhido surgiu do fundo da sua garganta fazendo-o acelerar mais a moto. Estava furioso. Enquanto seguia pelas ruas abandonadas, sua jaqueta de couro gasta que tanto gostava balançava contra o vento e lembranças de quando era criança surgia em sua mente. Lembrava dos momentos mais felizes de sua infância, da imagem de sua mãe delicada segurando um pequeno embrulho no colo. Sua irmã. Lembrava-se de quando aquele pequeno embrulho nasceu, de como ele logo se apaixonou inteiramente por ela e a segurou com tanta delicadeza como se ela fosse se desfazer, a pequena criança apenas o olhou com seus olhos azuis profundos e tornou a dormir. Aquilo tudo fazia parte do passado, não deveria estar se lembrando daquilo, era tudo passado, elas não existiam mais. Estavam mortas.

Seth diminuiu a velocidade estacionando a moto em frente ao prédio que morava. Subiu as escadas correndo, despindo-se ao atravessar a porta seguindo para a água fria do chuveiro. Precisava esquecer os pensamentos, desligá-los novamente. Enquanto passava a mão pelos cabelos negros lembrou-se da carta que recebeu. Estou chegando. Espero que minha companhia o agrade. Senti saudade.

Filho da puta

Então seus pensamentos mudaram repentinamente pairando em Taylor.

Oh, a sua Taylor.

Seth apoiou suas mãos no box respirando ofegante.

Notas finais
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