Aquele que já se foi
11 1° Fase: Liar Liar
Notas iniciais
Seth tinha tido um dia de merda. Tinha saído muito cedo para resolver e fechar alguns negócios para seu pai e o pior de tudo era que tinha de representá-lo. A família Mansulini. Como representante dos futuros negócios teve que voltar a compostura e pompa de antes quando ainda morava com o pai. Aparou os cabelos que enrolava em volta da nuca, trocou as jaquetas de couro preta e as botas de cortuno pesado por gravatas e sapatos sociais.
Ao atravessar o saguão do prédio resolveu tirar o terno pousando-o nos braços e afroxou mais a gravata . Apertou o botão o botão do elevador e aguardou. Seth não morava em um andar muito alto, de modo que o elevador não demorou muito a chegar. Ele virou de costas para a porta e observou seu reflexo pelo espelho do elevador. Seus cabelos estavam penteados para trás e todo ensebado por gel para fixar. Assim que as portas se abriram seus olhos arregalaram de tamanha surpresa.
– Olá Seth, acho que precisamos ter uma conversa.
Ele virou-se devagar e disfarçou a surpresa no rosto.
– Olá Taylor.
Taylor estreitou os olhos olhando para Seth com certa incredulidade. Ele aparentava estar tão calmo e tranquilo enquanto ela estava um furacão por dentro explodindo de raiva e ao mesmo tempo do sentimento de não ser o suficiente. Ela tentou disfarçar o máximo que pôde e ergueu o queixo para encarar aqueles olhos mel que molhava calcinha de dezenas de garotas.
– Não tenho nada para falar contigo. Agora se me der licença, estar tapando a porta do meu apartamento.
O queixo da garota com certeza estava arrastando no chão. Parecia que aquele Seth maravilhoso dos últimos seis meses tinha desparecido e deixado um Seth mesquinho e pomposo. Ela se afastou do apartamento.
Seth andou até sua porta após Taylor se afastar da mesma e pôs a mão no bolso sacando a chave do apartamento. A porta fez um estalo para abrir e ele adentrou. Taylor, obviamente, entrou junto com ele deixando um rastro de perfume de flores. Seth inalou forte o perfume.
A menina olhou com curiosidade para o apartamento que agora estava quase vazio, olhou para trás pra encarar Seth, seu olhar o olhava curioso como se perguntasse o que tinha acontecido lá.
– Antes do meu rompimento com você, eu já estava com planos de mudança. Irei trabalhar para meu pai e pretendemos ir para a capital.
Taylor absorveu aquelas palavras sem lhe dar muita importância. Focou apenas na parte “trabalhar para meu pai”.
A frase ecoou pela sua mente. “trabalhar para meu pai”, “trabalhar para meu pai”, “trabalhar para meu pai”.
Ela olhou embabascada para ele e começou a se afastar lentamente. Seu rosto se fechou num careta de desgosto.
– Mas que porra Seth!! Vai virar uma porra de um cafetão agora? — A menina explodiu ainda sem acreditar naquela frase.
Seth olhou admirado para Taylor, ela quase nunca xingava e ali estava a mesma xingando sem nem mesmo se importar.
– Isso... Isso não é de sua conta. — Seth disse meio vacilante e se virou de costa para Taylor para que ela não pudesse ver o seu momento vacilante.
Ele se direcionou para o pequeno bar no canto da sala e ainda de costa ouviu a batida das botas ecoando pelo chão. Ele se serviu de um pouco de uísque e pôs os gelos para acompanhar, ainda meio de costa olhou por sobre os ombros e viu que Taylor foi até a porta de vidro que dava direto para a varanda. Ela apoiou a testa no vidro, cruzou os braços e fechou os olhos murmurando alguma coisa bem baixinho.
Seth aproveitou para olhá-la e quando ela levantou a mão direita para tirar o cabelo dos olhos, foi que ele percebeu que sua mão estava enfaixada. No mesmo instante pousou o copo com o uísque sobre a mesa de centro com um pouco de força e andou até Taylor.
Taylor contou de um até dez e depois de dez até vinte, quando terminava de contar começava tudo de novo e falando bem rápido. Quando era pequena costumava fazer isto para não ouvir a discurssão de seus pais no andar de baixo, isso sempre funcionava quando estava em algum momento de tensão e esse era um dos momentos. Enquanto contava, seu cabelo repicado, agora já ultrapassando os ombros, insistia em cair pelo rosto, ela ergueu a mão direita para afastá-los. Taylor não precisava abrir os olhos para saber que ele estava ao seu lado, somente as batidas forte do coração dela já indicava que ele estava por perto, mas mesmo assim ela o fez. Abriu seus olhos grandes e sentiu Seth pegar sua mão com preocupação.
– O que foi que houve?
Taylor ainda não acreditava nesse novo Seth. O olhava com desgosto e puxou sua mão de volta para si, quase rosnou ao repetir o que ele tinha lhe dito.
– Isso... Isso não é da sua conta. — Apesar de dizer isso, Taylor queria gritar e berrar para que ele ouvisse o quanto que aquilo era de sua conta, pois foi por causa daquela maldita mensagem que recebeu naquela maldita noite que fez com que ela quebrasse a porra do vidro com um soco.
Por um momento Taylor pensou ter visto um pouco de tristeza nos olhos de Seth, mas ignorou e continuou a murmurar dessa vez de olhos abertos e vidrados no movimento da rua.
– Seis meses, Seis meses. Sabe o que isso significa Seth? — O garoto não respondeu, ela não queria que ele respondesse. — Durante seis meses me entreguei para você... E o que eu recebo em troca? Uma maldita mensagem no meio da noite. Eu fui uma bela diversão Seth Mansulini? Eu fui seu passatempo? Quer dizer que você pode sair comigo, me comer, me dizer os caralho a quatro e eu fui uma bela diversão? O QUE FOI QUE ACONTECEU PORRA? — Dessa vez Taylor se virou para ele e gritou não se aguentando mais.
Mais um xingamento. Pensou Seth.
– Pensei que estivesse sido claro na minha mensagem. — Ao dizer isso ele foi se afastando dela afim de pegar sua bebida e degustá-la. Sorveu um pouco da bebida virou-se novamente.
Uma veia latejatava no pescoço alvo de Taylor. A garota estava com os punhos cerrados e a testa franzida.
– Querida Taylor, o fato é que eu não te quero mais, simples. Não sinto nada mais da atração que sentia por você antes. — um gole de uísque. — Foi adoravél fodê-la durante todo esse tempo, você tem belas coxas americanas, sem falar nos seios fartos...
– PARE. APENAS PARE DE FALAR MENTIRAS!!!!! — Taylor apertou as mãos ao redor dos ouvidos interrompendo aquele falatório de Seth. Não podia acreditar, por mais que ele estivesse lhe dizendo isso na sua frente, ela sabia que era mentira.
– Não tenho culpa se não suporta a verdade. — Seth disse-lhe enquanto terminava seu uísque. Ele se direcionou para a porta querendo indicar a Taylor a saída, ainda estava no meio do caminho quando resolve parar.
Augusto Mansulini discutia calmamente com um funcionário de alto cargo de seu trabalho.
– Já disse que sim, porra.
Ele estava atravessando o saguão do prédio onde o filho morava. Apertou o botão do elevador e passou a mão no cabelo em um gesto que indicava impaciência, odiava funcionários incompetentes.
– Sim, sim, estou preocupado com a fachada... Entendo... Você me ouviu? Já disse que sim... Não vou mais discutir isso com você.
Augusto digitou algum número no blackberry enquanto adentrava o elevador.
– Karen, por favor, providencie a demissão do Sr. Campbell... Sim... Depois falo a respeito disso contigo...
A porta do elevador abriu e o homem dentro dele se deslocou para uma porta de madeira branca lisa, antes disso parou um momento no corredor para retirar um cartaz que alertava sobre o tráfico humano. A porta estava encostada o que era estranho, Seth nunca deixava a porta encostada. Deu de ombros e abriu a porta. Se ele não estivesse parado no corredor para tirar o cartaz ridículo que estava preso, se estivesse dado ombros para isso com certeza aquele vaso o acertaria neste exato momento.
O vaso que Taylor arremessou para Seth, se ele não estivesse parado no meio do caminho, iria acertá-lo em cheio, acabou se espatifando em grandes cacos ao lado da cabeça grisalha de Augusto Mansulini.
– Karen... Ouve pequenos imprevistos, retorno a ligação mais tarde. — Disse Augusto encerrando a ligação e desligando o blackberry. Ele olhou para aquele projeto de garota na sala dele, uma garota extremamente magra, cabelos sem pontas, e sem refinamento. Avaliou-a de cima a baixo com um olhar de desdém e concluiu que tinha que se livrar das gentinhas repugnantes .
– Agora... Posso saber o que está acontecendo no meu apartamento e por que esse projeto de criatura está nele? Pensei que já estivesse dado um jeito nela Seth.
Taylor não conseguia se mover. O poder que aquele homem exalava era surpreendente, conseguia fazer até mesmo o mais rebelde se curvar diante de seu olhar, seu tom autoritário não foi diferente com Taylor. Ela imediatamente desatou a falar um monte de desculpa.
– Cale-se mocinha, enquanto não me dirigir a palavra a você, não diga nada.
Foi o suficiente para Taylor se acanhar.
– Já resolvi o problema, Taylor estava de saída agora mesmo.
Taylor não moveu um só músculo.
– Vamos Taylor, não torne as coisas mais difíceis.
Taylor pegou seu orgulho, sua raiva, seu coração e o resto da dignidade que lhe restava.
– Nunca mais me chame de querida. — E saiu porta afora.
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