Amantes são como garrafas. O recíproco de seu amor é como a água enchendo a garrafa, que quando fechada vai guardar o sentimento que recebeu. Um amor platônico faz de uma pessoa uma garrafa vazia. Não significa que elas se tornem pessoas vazias, significa que nesse período de amor platônico, elas são esvaziadas cada vez que se enchem. Isso faz o ar entrar em seus corações e os congelar, de uma forma dolorida.

E Thomas Sangster era uma garrafa vazia em meio a tantas outras cheias. Mantinha sua paixão o mais escondida possível, presa nas folhas de seu caderno e acorrentada no traço cinza de seu lápis e nas manchas de suas tintas aquarelas. Preferia deixá-la lá, os desenhos eram como suas únicas memórias do garoto de olhos azuis. Era tudo que ele tinha, aqueles vários rascunhos que fazia durante as aulas enquanto o observava discretamente. Thomas nunca falou com Dylan, nunca se apresentou, nunca ouviu a voz do mais novo próxima a ele ou falando seu nome. Mas o amor simplesmente o atingiu como um soco no estomago, um soco que lhe tirara o ar, acelerara o coração, e fizera o sangue correr mais rápido. Quando vira seu sorriso alegre e sua barba mau feita pela primeira vez, quando viu os cabelos bagunçados e o espírito calmo o loiro não pode evitar que seu coração disparasse, mesmo que se esforçasse para que isto não acontecesse. Quando Dylan estava por perto, mesmo que o perto significasse uma mesa, cinco metros de um piso antigo e mais cinco classes ocupadas por universitários, seu coração quase pulava para fora do peito.

Este sentimento apenas se tornou ainda mais forte ao ter acesso aos desenhos do calouro. Como ajudante de Rosaline, a doutoranda de curto cabelo picotado em um tom de vermelho como o mais escuro sangue, olhos negros como ônix e pele bronzeada. Thomas estava presente em todas as aulas da matéria da artista. Suas tarefas se resumiam em organizar papeis, provas, desenhos, vigiar a turma, supervisionar as provas, entregar os materiais... Nem sempre era tão atrativo e dinâmico, mas, todo o aprendizado que absorvia ao acompanhar as criticas da mulher mais velha em relação às obras dos outros alunos, escutar novamente as aulas e ter tempo de discutir sobre arte com Rosaline o enriquecia intelectualmente, e, claro, levava pontos para seu currículo. Além disso, Dylan se tornou um ótimo pretexto para continuar lá. Dylan... Ah como Thomas gostava de como esse nome soava, gostava do seu estilo de desenho simples com traços fortes. Dylan... Thomas poderia observá-lo o dia inteiro. E na verdade era apenas a isso que seu amor se resumia, observação. O pequeno veterano nunca fora bom em apresentações ou qualquer coisa que envolva socialização, aquilo o assustava. Então se manter em sua área de conforto, atrás da espessa mesa de madeira branca respingada de tinta, com um lápis velho em mãos e seu caderno surrado de desenhos que sempre carregava com sigo, enquanto Dylan seguia sua vida em uma classe longe do loiro, parecia ser a opção mais fácil e correta. Nenhuma outra opção era cogitada em sua mente, afinal, todas as suas paixões foram assim. Às vezes, Thomas era apenas um mero observador de sua própria vida. Assim como observava e avaliava nos mínimos detalhes as paisagens e modelos que pintava, Thomas observava, como um mero telespectador a sua própria vida passar lentamente.

Dylan seguia uma vida completamente paralela ao Sangster, apesar de todos os dias ambos se encontrassem no mesmo horário, no mesmo dia da semana e no mesmo atelier, o veterano de lindos olhos que pareciam chocolate não lhe chamava atenção, sempre enfurnado em um canto do atelier, atrás de sua mesa com a cabeça baixa e papéis em mãos.

O moreno completava seis meses no curso de artes plásticas, e como digno de um calouro, ainda com a chama do orgulho de ter chegado até a universidade escolhida queimando em seu peito, estava mais animado do que nunca com as aulas praticas, entediado com as teóricas e vivendo a base das festas durante os finde semanas, e, ocasionalmente durante a semana. Como todo calouro bonito de olhos azuis e sorriso fácil, tinha várias garotas escrevendo seu nome em torpedos enviando as amigas. Dylan gostava daquela atenção, gostava de tê-las a seu dispor. Não se considerava um mulherengo, ou ao menos era isso que tentava se forçar a acreditar. Seus namoros não duravam mais de duas semanas e ele gostava assim. Não queria quebrar corações, mas, Dylan queria aproveitar o máximo da vida, queria provar de tudo que ela poderia oferecer a ele no curto espaço de tempo que a teria, queria experiências novas, gostos novos, idéias novas, portanto garotas o prendendo ou se tornando repetitivas se tornavam dispensáveis para ele.

Personalidades opostas em diversos pontos, estilos de vidas diferentes e filosofias diferentes, até mesmo seus estilos artísticos eram distintos. Thomas gostava da delicada aquarela, Dylan preferia o carvão forte, Thomas possuía um olhar detalhista e nostálgico enquanto Dylan era direto e simples.

Mas é claro que o destino não se importa com estas regras.

Notas finais
Este fanfic é um teste, se gostarem comentem para eu saber que há um publico para o casal Dylmas (Thomas e Dylan ) e então continuar ^^