Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
6 #5 Tente um inseticida
Notas iniciais
– Hey. HEY! – Uma voz feminina impaciente fez com que Myara abrisse os olhos, encarando a ruiva em sua frente. O dia já estava claro, porém acinzentado, o que significava que ela dormira cerca de três horas. O sol ainda se escondia, nascendo tímido aos poucos.
– Alison? – Myara indagou, sentando-se.
– E eu – A outra do lado de Alison acenou, sorrindo.
– Anmarie? O que vocês estão fazendo aqui? Onde estão os seus mestres?
– Bem – Começou Alison. Ela tinha cabelos encaracolados de ruivo intenso, sem contar os olhos verdes vibrantes que se destacavam em meio à pele morena clara. Ela colocou um dedo sobre o queixo – Você sabe como o Carazi é. Quase nunca está presente por ser um menino de seis anos, um tanto irresponsável (Tá bom, totalmente irresponsável) e que precisa ficar a noite e madrugada inteira atrás de suas vítimas. Francamente, como fui virar aprendiza de um garoto como aquele?
Myara olhou para o lado, onde Eyeless Jack deveria estar. Mas não ficou surpresa ao ver o lugar vazio.
– A minha mestra não sai do espelho... – Lamentou Anmarie.
– E o meu parece ter sumido também – Mya fechou a cara.
As três suspiraram simultaneamente.
– Pois bem, o que vocês contam de novos? – Alison resolveu puxar assunto, sentando-se na pedra que se encontrava logo atrás de Myara. Anmarie sentou-se na grama, ajeitando o vestido preto estilo lollita. A ruiva pegou o caderno de desenho de Myara.
– Não! – A outra pulou em cima de Alison, tentando tomar o caderno das mãos dela. Felizmente com sucesso.
– Espera aí. Estava tentando desenhar o teu mestre de novo? – Riu.
– Não. Não, não! – Mya estava vermelha de raiva e vergonha – É impressão sua. Este aqui é ninguém! Eu inventei.
– Sei. – Lançou um sorriso de canto.
– Hã... Acho que tenho novidades – Anmarie disse, mexendo no cabelo.
– Conta de uma vez – Resmungou a de cabelos cinzentos.
– Bloody Mary me disse que dois integrantes do nosso grupo rival, o três, sumiram.
– Isso é bom ou ruim? – Quis saber Alison.
Deram de ombros.
– Pra mim tanto faz – Myara falou – Nós iremos ter de liquidar todos os grupos mesmo. Com ou sem uns míseros integrantes.
– Acabaremos com todos eles – Terminou firme e determinadamente Anmarie.
:::::::::::::::::=Aprendizes de Assassinos=:::::::::::::::::::
– ELA ESTÁ NA MINHA CABEÇA! – Os gritos não cessavam. O jovem Thomas D’Sangria tinha esses surtos de repente, assustando muitas vezes o seu mestre Laughing Jack.
– Não tem nada dentro da sua cabeça moleque! – O palhaço em preto e branco sacudia-o pelos ombros.
Tommy parou por um instante, olhando para o nada. Tinha quatorze anos e se mantinha em pé com seus 1,67 metro de altura. Apesar de ser muito magro (Resultado de sua falta de apetite) seu corpo era forte o suficiente para se defender. A pele albina quase se perdia em meio aos cabelos curtos e brancos, fios sem cores desde nascença. Um de seus olhos era escondido por um tapa-olho, enquanto o outro, cinzento, lhe proporcionava uma ótima visão.
Subitamente Thomas deixou um sorriso despreocupado se alastrar pela sua face.
– Estou bem agora. – Se esquivou das mãos do mestre.
– Graaaande – Disse em tom de deboche outro garoto um ano mais novo encostado na parede da casa onde se encontravam. Embora estivessem do lado de fora. Este por sua vez tinha negros cabelos lisos e olhos cor violeta, que acabaram por se revirar durante a sua fala.
– Onde está Slender e aquele seu pupilo? – Um alto homem de sobretudo indagou com sua grande boca de dentes serrilhados. Offenderman já estava ficando impaciente.
– Tsc. Quem se importa? – O garoto que estava encostado cruzou os braços. Seu nome era Adryan Moore e nunca foi segredo que tinha uma pequena repulsa por Slenderman, assassino de seu tio e pais. Porém, infelizmente o destino fora cruel o suficiente para colocá-lo no mesmo grupo de assassinos aliados para lutar na Guerra.
– Eu me importo – Retrucou Offenderman para seu aprendiz – Temos assuntos a discutir. Assuntos importantes, Adryan. Que envolve sua vida.
A princípio o menor pareceu ter se convencido, fitando a face do outro boquiaberto. Mas logo desviou os olhos novamente para o chão, dando de ombros.
– Você também Thomas – Laughing Jack disse seriamente – Deveria parar de normalizar tanto as coisas.
– Ah, o que tem de divertido ficar se preocupando a toa? Ainda temos muito tempo para A Guerra acontecer. Não é mesmo? – Respondeu o mais novo, esfregando o ouvido. Ainda podia imaginar uma lacraia caminhando dentro de sua cabeça. Todavia resolveu pensar em outra coisa, senão passaria por mais um surto de pânico.
– Errado – Outra voz retrucou fria. Logo Maverik ficou a vista de todos, acompanhado por Slenderman.
– Ah, e aí Watterson? – Acenou o de cabelos brancos. O outro nem se preocupou em dar um sinal que escutou Thomas. Mas já estavam acostumados com aquela personalidade de Maverik.
– Como assim? – Voltou Adryan no assunto, se virando para seu mestre – A Guerra está mais próxima do que eu imaginava?
– Detesto datas, mas tenho quase certeza que isso irá acontecer daqui a três ou quatro meses.
– Ainda é muito tempo para mim – Tommy murmurou.
– Ficaram sabendo? – Laughing Jack começou – Me parece que Jeff the Killer conseguiu arranjar um aprendiz. Era o único assassino que faltava encontrar um.
Os olhos de Maverik se arregalaram rapidamente. Estava esperando para ouvir aquilo; seu maior medo. Detestava ter de admitir, mas Jeff não era nada burro. Com certeza apenas escolheria alguém realmente digno para ele de ser um aprendiz. O assassino era tão exigente nas características que acabou sendo o último a se satisfazer com um. Agora só bastava Maverik saber se este novo combatente da Guerra era pior ou melhor do que o próprio Jeff.
– Isso vai ser interessante – Adryan sorriu de canto.
Slender esticou uma nota com um de seus tentáculos:
“Sem subestimações”
– Slender tem razão. Não vamos ser ingênuos. – Concordou Offenderman – Não temos nem ideia de quem é este aprendiz.
– E como vão os treinos? – Laughing ousou perguntar.
– Me diz você – Falou Offender – Deveria existir uma espécie de treino para acabar com esses surtos do Thomas.
– Impossível – O próprio garoto respondeu – Exceto se me arrancarem este bicho peçonhento de dentro da minha cabeça!
– Esse inseto repugnante já deve se encontrar morto dentro de ti – Adryan comentou.
– Não – Thomas fitou com os olhos vidrados, quase loucos, o colega – Eu posso sentir – Bateu com o dedo indicador uma das têmporas freneticamente – Posso sentir ela andando aqui dentro. Caminhando com aquelas dezenas de patas venenosas!
– A não ser que o veneno dela cause loucura em você, acho que não acredito nisso – Retrucou Adryan.
– Ela... Ela... AI! ISSO DÓI! Livrem-me dessa agonia! – Começou a surtar novamente, fazendo Maverik tampar os ouvidos com tamanho escândalo.
– Como faz esse cara parar de gritar agora?! – Adryan indagou alto, em meio aos berros para que o escutassem.
– Tenta um inseticida – Debochou Maverik, de cara fechada.
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