Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
7 #6 Vamos Nos Ver Em Breve
Notas iniciais
[Primeira pessoa]
Se tiver algo que eu detesto com certeza é bichos barulhentos. Acontece que é muito ruim quando se procura um lugar para relaxar e acaba por encontrar esse tipo de coisa.
Vamos começar do início.
Quando Jeff e eu saímos daquela casa que foi arrombada por Amy, a aprendiza do seu irmão maluco que teve um passado traumatizante com o meu mestre, caminhamos pelas ruas desertas da cidade. Meu pulso já estava doendo enquanto ele me arrastava pra onde bem quisesse. Eu não conhecia aquele ponto do município, mas pouco me importava. Só queria que Jeff parasse de apertar tanto.
Bem, ele em si nunca foi delicado (Pelo menos nas últimas horas desde que eu o conheci ele nunca fora). Parecia que me insultar era sua diversão, como se já não bastasse tudo que eu passei estou tendo de aguentar um assassino em série me dando sermão a cada cinco minutos.
Jeff não disse nada desde a briga com Liu, e apesar do sorriso permanente, não pude deixar de notar os olhos raivosos.
Estávamos passando perto de um conjunto de montanhas que cercavam metade da cidade. Em torno delas, uma densa floresta quase nunca antro-pisada crescia e só não engolia as casas ali perto, pois o governo resolveu fazer algo descente e determinar até onde as árvores de pinheiro poderiam alcançar.
Naquele ponto, Jeff me soltou, e saiu andando por aí como se eu não existisse. Fiquei totalmente perplexo, porém me mantive ali por cerca de uma hora (Nas circunstâncias atuais, eu não queria enfurecer mais ainda meu mestre imprevisível). Todavia, como ele não voltou a aparecer, eu tomei a liberdade de andar por aí livremente. Talvez ele tivesse me deixado uma chance para escolher se quero mesmo participar de toda essa guerra que acontecerá. E minha reposta, obviamente era um belo de um “NÃO”. Posso ter largado mão da minha vida anterior e pedido ajuda para essa cara muito, mas muito biruta. Maluco, psicótico dos infernos!
Adentrei a floresta para caminhar enquanto pensava melhor. Aquela cor verde escurecida abria minha mente, por que sim. Não me pergunte o motivo.
Subi em algumas rochas grandes que se encontrava mais perto do pé de uma montanha e olhei para o céu com as mãos nos bolsos, apertando o cabo de minha faca. Como teria sido se eu não tivesse matado aquele cara? Eu teria conhecido o Jeff e toda aquela gente louca?
Com certeza não. Agora eu estaria dormindo ou então “estudando” alguma matéria engraçada com Tatsuya. Ah... Fiz isso por tanto tempo, mas agora me parecia que foi em um passado bem distante.
Então começara os gritos do bicho barulhento. Fiz algumas caretas graças aos berros agudos e ensurdecedores. Só então fui prestar atenção. Não se passava de um bicho, mas de alguma pessoa. Gritava coisas sem nexo como “ELA ESTÁ NA MINHA CABEÇA!”.
Morrendo de curiosidade resolvi me aproximar com cautela. Quase fui visto, mas felizmente consegui desviar dos olhos de qualquer um, se escondendo atrás de um tronco de árvore.
Um palhaço nada normal sacudiu um garoto albino de tapa-olho pelos ombros.
— Não tem nada dentro da sua cabeça moleque!
Pelo menos acabei de descobrir que eu não sou o único a ser tratado com delicadeza, pensei com sarcasmo.
De repente o menino de cabelo branco já estava bem como se nada tivesse acontecido. Pude ver mais um garoto bem mais novo que a mim e um homem muito mais estranho do que qualquer coisa dali. Alto, magro, de chapéu e boca larga com dentes de tubarão. O problema é que: A única coisa no seu rosto inteiro era aquela boca!
Perguntavam-se onde estava tal de Slender e seu pupilo. Arregalei de leve os olhos. Já desconfiava, mas aquilo só confirmou minha suposição. Eles eram mais um grupo que lutaria naquela guerra de assassinos. E só porque consegui desvendar isso eles começaram a citar explicitamente sobre A Guerra.
Com isso, chegara mais outro cara. Este sim parecia ter mais ou menos a minha idade e só pelo jeito de falar e agir julguei que ele era o mais sinistro dos humanos ali presentes. Com ele, vi uma figura esguia de terno preto. Slender, provavelmente.
— Ficaram sabendo? – O palhaço preto e branco começou – Me parece que Jeff the Killer conseguiu arranjar um aprendiz. Era o único assassino que faltava encontrar um.
Pisquei algumas vezes. Só poderiam estar falando de mim. Os olhos do cara com quase a minha idade se arregalaram brevemente, então suspeitei que este fosse mais um que fazia parte da história do meu mestre.
Logo voltaram a falar sobre um bicho peçonhento que o garoto albino dizia ter dentro da cabeça. E mais uma maldita vez, ele começou a gritar em pânico. Alguns do grupo tamparam os ouvidos e eu fiz o mesmo, acompanhando o gesto. No meio daquele surto todo, os dois humanos restantes disseram algo que eu não pude ouvir direito.
— Mas que merda você tá fazendo aqui, seu retardado?! – Jeff surgiu, dando uma tapa no topo da minha cabeça por trás – Te procurei por todos os cantos.
Mais uma vez o palhaço que deveria ser o mestre do albino o sacudiu e até chegou a dar um peteleco no nariz dele, fazendo-o acalmar. Tentei imaginar se o meu mestre era melhor do que aquele ali. Definitivamente não.
— Você me largou por uma hora sem me dar explicações e eu sou o culpado? – Indaguei levantando uma sobrancelha.
— Você cale a boca. Não tem direito de se dirigir a mim deste modo e... – Os olhos dele foram perdidos quando viu o grupo que antes eu espionava. Jeff me deu um empurrão para poder ver melhor. Então seu rosto voltou a ser aquela coisa assustadora – Watterson... – Rosnou.
Eu não fazia a menor ideia de como diabos ele conhecia aquele sujeito. Mas pelo modo que cerrou os dentes, não foi coisa boa que passaram no passado. Ótimo, tive de pegar o assassino mais detestado do mundo...
Mas para a minha surpresa, de repente um sorriso se esticou pelo seu rosto pálido, fazendo com que o esculpido parecesse maior ainda.
— Jeff? – Indaguei, já começando a me assustar.
— Isso vai ser mais interessante do que eu esperava. Ainda mais com Slenderman no meio – Ele riu.
Uma faca passou raspando pela minha bochecha, indo parar presa bem funda na árvore que estava atrás de mim. Olhei assustado para a sua origem e vi o louquinho de tapa-olho ainda na posição que a jogara. Passei os dedos pelo corte e pela quantidade de sangue, imaginei que passei perto de perder um olho ou coisa do tipo.
Em uma velocidade impressionante, o tal Watterson tirou de algum lugar uma submetralhadora e o garoto mais novo dentre os demais apontou duas Berettas em nossa direção. E nenhum deles parecia estar contente em nos ver ali. O som das armas sendo destravadas soou nada amigáveis.
Meu impulso eram de levantar as mãos aonde eles pudessem ver e descarregar qualquer coisa perigosa que eu tivesse nos bolsos, porém Jeff teve uma ideia bem melhor... Deixou suas mãos dentro do moletom, tomou uma pose relaxada, jogou a cabeça para trás e gargalhou.
— Acho que ri alto demais – Comentou, voltando a fitar com um sorriso verdadeiro no rosto.
— Bastardo – Grunhiu Watterson, ameaçando com sua arma.
— Ora – Jeff cruzou os braços – Apenas te acordei pra realidade, garoto. Ela não é tão bonita, não é mesmo? Você sempre viveu em luxo e mordomia, Maverik.
Eu não fazia a mínima ideia do que eles dois estavam falando. Mas me mantive calado.
— Eu vou atirar – Falou com certa calma o mais novo, talvez o aprendiz do cara alto de chapéu.
— Não, não. Tá interessante – Garantiu o albino.
— Vai chorar? – Meu mestre voltou a caçoar, e mesmo que os olhos de Maverik brilhassem não me pareciam lágrimas de tristeza, mas de ódio – Me poupe dessa besteira. Deveria ser grato por eu ter te deixado viver naquela noite. Comigo foi bem pior. Vê as cicatrizes? – Nesse ponto, Jeff começou a se aproximar. Quando estava perto demais, cogitei em tentar puxá-lo de volta para trás. Os que estavam ao redor, os humanos pelo menos, deram alguns passos para trás, menos Maverik e Slender. Ambos sequer se mexiam, como que para desafiar meu mestre – Você vê?! – Seu tom havia mudado.
O rapaz de cabelos ligeiramente azulados e piercings sobre a sobrancelha não parecia que iria reagir, apesar de sua mão tremular entorno do gatilho. Jeff tentou pegar o rosto do rapaz como fizera comigo antes, porém um tentáculo saiu das costas de Slender e tacou o assassino contra uma árvore ao meu lado.
— Não sou cego – Respondeu mais calmamente Maverik.
Hesitei em ajudar meu mestre, mas de nada adiantou qualquer movimento, ele me empurrou, se pondo de pé. Sinceramente estava começando a me cansar daquele tratamento.
— Vamos resolver isso na Guerra – Disse o albino, guardando uma faca que antes empunhava.
— Até lá não quero ver a sua cara novamente – Falou seriamente o mais novo.
Maverik não disse nada, apenas guardou lentamente sua arma no bolso da calça enquanto se virava e caminhava para algum lugar desconhecido por mim, sendo a todo instante seguido por Slender.
O palhaço rajado e o homem anormal do chapéu lançaram um aceno de vamos-nos-ver-em-breve para nós e então seguiram os outros.
Éramos apenas eu e Jeff novamente.
Por incrível que pareça, seu humor parecia ter mudado... E para melhor.
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