Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
13 #12 Melhor Amigo
Notas iniciais
Anmarie Solancil tinha acabado de fazer mais uma vítima. Bloody Mary a ajudara como de costume e ambas se encontravam bem satisfeitas em relação aos resultados dos treinamentos. Mais um pouco e a Guerra poderia vir sem rodeios.
Treinavam ultimamente a matarem de um jeito sorrateiro, de modo que não chamasse a atenção de ninguém. Fora uma tarefa difícil até que finalmente atingissem o ponto preciso da técnica. E o treinamento dera espaço para que a outra dupla do mesmo grupo entrasse em cena.
Do outro lado da mesma casa, Eyeless Jack ensinava para Myara White como se matar um ser humano a base da tortura e ainda sair com uns rins como brinde. A vítima era um garotinho na casa dos dez anos. A verdade era que a baixinha estava se divertindo muito vendo os olhos esbugalhados e lacrimejados daquela criança enquanto seu mestre tomava as precauções adequadas para que o garoto não chamasse a atenção dos vizinhos através de gritos histéricos. Não demorou dez minutos até que estivesse completamente morto.
— Bom trabalho Mya — Eyeless elogiara ao fim da tarefa, na posse de um rim vermelho vivo, pingando sangue pelo chão.
— Obrigada — Soltou enxugando a testa com as costas da mão, limpando suor e respingos do líquido vermelho.
— Terminaram também? — Uma terceira voz se juntou ao ambiente escuro do quarto. Anmarie estava parada na porta, com um sorrisinho no rosto.
— Sim. Uma hora tinha de acabar. — Myara respondera.
— Vamos embora. Quero chegar à floresta antes que o dia amanheça por completo. — Eyeless se adiantou, já saindo, sendo seguido pelas outras duas.
— Hey, vocês viram a Alison por aí? — A aprendiza de Bloody Mary indagara durante a caminhada apressada dos outros dois colegas de grupo.
— Ela e o Carazi têm um jeito diferente de treinamento. — A outra garota respondera.
— Diferente como? — Anmarie se mostrou interessada e curiosa.
Myara não respondeu, mostrando que também não fazia ideia. Apenas continuaram a caminhar.
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[Primeira Pessoa]
Quando acordei, sentia-me dolorido. Principalmente a cabeça que latejava sem cessar. A primeira coisa que vi foi uma lâmpada forte brilhando no teto e logo a visão reconfortante de Tatsuya sentado em um dos cantos do quarto. O ruivo pareceu muito contente em ver que eu finalmente havia despertado de um “quase coma”, como ele mesmo chamou meu desmaio de pânico. Explicara que eu havia dormido por dezessete horas seguidas e já estava pensando em chamar uma ambulância.
Ao perguntar-lhe sobre como eu havia parado ali, Tatsuya explicara que pulou os muros do internato logo depois que Jeff me puxara para a floresta. Acrescentou ainda que ficara preocupado ao ver aquele ser sobre-humano me arrastando para longe dele. O ruivo ficara perdido na floresta por ter adentrado demais e já cogitava em sair o mais rápido possível e voltar para seu quartinho confortável do internato. Mas então ouvira alguns gritos que ele identificou como sendo meus chamando por meu mestre.
— Fiquei que nem bobo olhando para todos os lados em sua procura, Law — Contava ele — Mas felizmente você não parava de chamar o tal de Jeff e pude seguir sua voz. Só foi desesperante quando tudo voltou ao silêncio, pensei que você tinha morrido! Então olhei para cima e dei-me conta de que estava escuro e me lembrei de como você tem medo. Acelerei meus passos e finalmente te encontrei. O resto só se resume em te puxar até aqui.
— Muito obrigado — Foi tudo que consegui falar, com os olhos perdidos no edredom posto sobre minhas pernas. Lembrei-me da minha última discussão com Jeff e a lembrança de alguma forma era um pouco dolorosa. Era difícil acreditar que depois de meses nós havíamos partidos por caminhos diferentes e a culpa de largá-lo só na guerra me atormentava. Inconscientemente, eu apertava o edredom com força suficiente para deixar os nós dos dedos brancos. Mesmo querendo demais ter uma vida normal, sem ter de matar apenas por matar, não conseguia aceitar o fato de que Jeff the Killer não era mais meu mestre e eu não era seu aprendiz.
— E você... Vai me explicar o que aconteceu durante todo esse tempo? — Tatsuya indagara, arrancando-me de meus pensamentos. Voltei meus olhos para ele, hesitando se realmente deveria. Soltei um suspiro.
— Nada demais — Respondi simplesmente — Só conheci gente nova que é louca por mortes...
— Caramba. Como você consegue andar com gente assim? É óbvio demais que essa gente não é boa companhia!
— Você não entende mesmo, não é Tatsuya? — Lhe lancei um olhar que lembraria ele sobre aquela noite, onde tudo desabou. E o ruivo com certeza deveria ter se lembrado, levando em conta a expressão derrotada no rosto. — Eu sou perigoso.
Seguiram-se alguns longos segundos de silêncio antes que ele desfizesse sua cara e sorrisse para mim docemente.
— Você não é perigoso, é meu amigo.
De certa forma, a frase me fazer sentir-me bem. Sorrir de volta não foi suficiente para mostrar minha gratidão em ainda tê-lo como amigo mesmo depois de todo o ocorrido. Eu tinha muita, mas muita sorte mesmo em poder ter conhecido Tatsuya, que apesar de ser diferente de mim, ainda sim arranjava milhões de motivações para continuar ao meu lado. Não tinha formas de descrever como eu era grato por isso.
O abracei prontamente, fazendo com que ele se assustasse de primeira.
— E você é meu melhor amigo.
...
Assim passaram-se mais alguns dias. Aliás, semanas. O tempo voava num piscar de olhos e a data marcada para a guerra se aproximava. Passei a me esconder no quarto de Tatsuya no internato, já que eu não podia de jeito nenhum ser exposto aos olhos dos alunos e funcionários. Com certeza saberiam que fora eu quem matara aquele traste que chamavam de aluno.
Admito que eu haja passado por vários apertos e quase perdi a cabeça inúmeras vezes, porém, até ali as coisas estavam estáveis. Mas a pressão de se viver preso em um cubículo, sem poder fazer nada a não ser ler e reler os mesmos livros de filosofia e contos de terror, fugindo dos olhos que qualquer coisa estava acabando comigo. As lembranças de quando eu ainda fazia parte daquele grupo pesava mais que um elefante, colaborando para meu nervosismo e falta de sono. Minhas mãos já estavam cheias de cortes causados pelos meus dentes, já que mais um de meus passatempos se tornaram ficar me mordendo durante as pesadas memórias.
Mas no amanhecer cinzento daquele dia, resolvi que já estava na hora de dar uma fugida.
Abri a janela do quarto e encarei o chão lá embaixo. Eu deveria descer três andares, o que dava cerca de dez metros, já que o salão do térreo tinha um tamanho mais elevado. Respirei fundo e passei pela janela, me segurando no parapeito e apoiando os pés em um duto de ar que felizmente saía bem abaixo do quarto do Tatsuya. A altura me deixou um pouco tonto, mas nada que afetasse tanto.
Havia uma grande árvore bem perto dali, mas não o suficiente para que minhas mãos a alcançasse e também não havia nada em que eu pudesse me segurar.
Recordei-me de um treinamento de Jeff. Havíamos acabado de abandonar uma cena de homicídio dentro de uma casa de dois andares. Alguém tinha chamado a polícia e os carros já estavam se aproximando. Nossa única chance de escapada era pular pela janela. Meu antigo mestre se pendurou no parapeito e indicou uma árvore logo ao lado de onde ele se encontrava. Fiquei boquiaberto ao vê-lo pegar impulso pela parede com os pés e usando o tronco da árvore para fazer o mesmo, assim descendo aos poucos apenas pulando em coisas posicionadas num ângulo de noventa graus e aterrissando sem dificuldade no chão. Depois disso me incentivou a fazer o mesmo. Por ter sido minha primeira e última vez, no meio do caminho acabei tropeçando e caindo de bunda no chão. De qualquer forma, ainda sim conseguimos fugir.
A altura do prédio do internato era duas vezes maior e se eu caísse no meio do caminho com certeza acabaria quebrando uma perna no mínimo.
Fechei os olhos, me motivando a tentar. Eu não tinha muito o que perder, então simplesmente, com uma coragem que não sei de onde havia saído, pulei em direção ao tronco.
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