Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
12 #11 Estou cansado de esperar
Notas iniciais
Emmy jogou a faca mais uma vez e se surpreendeu quando viu a lâmina perfurar quase o centro, apenas uma casa antes do seu objetivo. A garota sorriu de contentamento e então alguém adentrou a sala juntamente com o som de salto alto batendo ao chão. Hell Girl virou-se rapidamente em direção a sua mestra Jane the Killer, que por sua vez se encontrava de braços cruzados. A princípio Emmy pensou que seria corrigida pela de cabelos negros, todavia Jane soltara um sorriso sem dentes.
— Seus treinos deram resultado.
A de cabelos brancos correu para abraçar sua mestra, e foi retribuída.
— Podes até ter tido um progresso, porém ainda não é o suficiente. — Yun também se juntara trazendo o restante do grupo. — Perdoe-me, mas é a verdade.
— Ha... — Ticci Toby esfregava a nuca. — Natalie onde está seu aprendiz?
Clockwork fuzilou-o com o olhar.
— Não sei. Talvez fora andar por aí.
— Yun — Jane falou de expressão fechada. — Acha que consegue encontrá-lo?
A morena encarou a mais velha.
— Posso tentar.
[...]
Yun ouvia música em seus headphones e devorava uma barra de chocolate enquanto caminhava pelas ruas atrás do colega de grupo. Death a seguia, farejando o chão por onde andava. O ar de outono cortava a noite e a garota tinha de admitir que sentisse frio.
Até que parou de caminhar no meio de uma esquina. Sobre a ponte de madeira que cortava um rio da cidade, Yun avistou o rapaz de cabelos arroxeados apoiado no corrimão e encarando o movimento das águas. O cachorro ao seu lado latiu. Filipe apenas virou rapidamente a cabeça em direção dela e voltou a observar o rio. Yun se aproximou calmamente.
— Hey, os outros estão a se preocupar contigo. — Ela pendurou os fones entorno do pescoço e procurou fitá-lo nos olhos. Contudo Filipe não os desviava da água.
— Preocupados? Não brinque assim. Eles só pensam em si próprios. Até mesmo isso que vocês chamam de grupo é uma desculpa para ter aliados na Guerra.
— Somos um grupo. — Garantiu Yun. Ambos não demonstravam expressões durante a discussão. — Protegemos uns aos outros e será assim até o fim da Guerra.
— E quando ela acabar? Isto é, se é que estaremos todos vivos até lá. Nossos mestres nos matarão apenas. — Agora ele a encarava.
— Não é verdade. Seremos nós quem estará a ajudar a espalhar a verdadeira justiça.
— Justiça... O que vocês sabem sobre justiça? — Filipe soltou as palavras e desviou o olhar novamente, encarando o chão com o cenho franzido.
Yun permaneceu pensativa por um instante, casualmente olhava para Death que por sua vez se mantinha sentado quietinho.
Após cerca de cinco minutos em silêncio, a garota estendeu o chocolate que trazia consigo para Filipe. Sabia que este gostava de doce.
— Tente dar uma chance a eles.
O rapaz encarou o tablete marrom pela metade e suspirou, quebrando um pedaço para si.
— Uma chance.
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— Ah! Unfair! Finalmente posso falar com você! Sou sua maior fã ♥
Maverik segurava firmemente no cabo de sua arma, pronto para reagir a qualquer ataque. Tommy se perguntava se ela não ligava para o fato de estar de ponta cabeça e com saia, pois a gravidade fazia seu trabalho.
— Quem é você? — Laughing Jack foi o primeiro a indagar.
A jovem de cabelos brancos aterrissou no chão sem dificuldade, caminhando em direção ao grupo.
— Meu mestre não deixa falar nada sobre mim. — Respondeu. A voz era suave e jovial ao mesmo tempo. — Ah! Legal, isso quer dizer que posso inventar um nome para mim mesma! Que tal... Key? Por causa da chave. — Ela apontou para o pingente de sua gargantilha. O objeto era engolido por seus seios.
— Pode parar de nos fazer olhar para aí? — Tommy murmurou.
— Então você tem um mestre? — Laughing pareceu se importar.
— Eu não sou louca de vir sem nenhum preparo no meio de assassinos como vocês — Key se pendurou no pescoço de Maverik que até ali se manteve calado. Ele teve de se curvar por causa do peso da jovem e também devido as suas diferenças de tamanho — Uaaa! De perto o azul dos seus olhos é tão mais belo!
Ninguém ali sabia ao certo como reagir com uma jovem daquelas, embora todos cogitassem em matá-la.
Maverik afastou-a de si e pela segunda vez naquela madrugada levantou sua arma, mirando no meio da testa da jovem. Key encarou o cano da pistola com as mãos levantadas na altura dos ombros, mas logo voltou a abaixá-las e fitou o mercenário nos olhos.
— Deve estar se perguntando quem é o meu mestre né? Mas vocês sabem, tenho de fazer suspense por estar no grupo zero.
Os olhos de Thomas se arregalaram brevemente.
— Grupo zero... Você está dizendo que é uma aprendiza do Grupo Número Zero?
— Sim. Por que brincaria com isso? — Tombou a cabeça para o lado, numa interrogação.
— Porque você parece brincar com tudo ao seu redor. — Falou Maverik com certa calma.
Ela riu.
— Sério, como sempre. Amo isso em você. — O jeito que Key tratava Maverik era um tanto irritante para ele, de fato. Mas mesmo assim o mercenário tentava mostrar-se paciente. — É uma pena termos de matar seu grupo inteiro... — Nesse momento Slenderman e Laughing se inquietaram ao perceberem que a jovem segurava uma granada de mão — ... Mas sabe como é, guerras são guerras.
Por um milésimo de segundo, Tommy e Maverik pensaram que estavam mortos. Key quase soltara o objeto que causaria uma explosão mortal, mas algo a impediu. Sentia algo pegajoso contornando seu pulso e dedos até virar-se para trás e dar-se de cara com uma figura de sobretudo. Offenderman mostrava seus dentes pontiagudos.
— Agradeçam depois — Adryan estava logo atrás apontando sua própria arma em direção à inimiga.
Key se livrou dos tentáculos do ser alto e pálido, dando uma cambalhota para trás. Maverik não hesitou em dar o primeiro tiro, que se não fosse por um reflexo rápido da garota, a teria acertado em cheio. A bala pegara de raspão sua máscara de gás e isso foi sua deixa para abandonar a casa de Unfair.
— Pegue-a! — Ordenara Laughing Jack para seu aprendiz, que com um aceno correu por onde Key havia passado.
— Não vai adiantar, mesmo que queira — Falou Offenderman — Se está no Grupo Número Zero só nos resta esperar.
Estou cansado de esperar. Pensava Slender e seu aprendiz ao mesmo tempo. Os dias pareciam nunca chegar.
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