Aprendizes de Assassinos-Creepypasta Interativa
11 #10 "Sou sua maior fã"
Notas iniciais
Maverik não parara de treinar duro a partir daquele dia em que voltou a se encontrar com o assassino de seus pais. Naquela noite nada era diferente. Debaixo da luz acinzentada do luar, o rapaz treinava seu físico, vezes socando algo, vezes fazendo flexões ou abdominais.
Só faltava praticamente dois meses e meio para que finalmente pudesse se vingar daquele ser imundo que se denominava Jeff the Killer.
Aquele nome nunca parava de ecoar em sua mente, fazendo com que a ira dentro de Maverik apenas aumentasse e seus treinos se intensificassem. Slenderman observava curioso seu aprendiz suando em meio à noite um tanto gélida. Não conseguia entender direito as emoções dos seres humanos, porém o ódio era algo que ele conhecia mais do que bem.
Em meio às árvores da floresta, as únicas coisas que preenchia os ouvidos eram as corujas despertas e a respiração pesada do rapaz de cabelos azulados. Este por sua vez finalmente pareceu dar uma pausa, sentando-se no chão e olhando para um lugar perdido enquanto esperava sua respiração voltar ao normal.
Unfair ainda permaneceu pensativo, e a expressão irada do rosto foi-se desmanchando aos poucos. Slender apenas se pôs a fitar aquela súbita mudança de humor de seu aprendiz, mesmo que sem olhos. Podia sentir o quão longe a mente do rapaz estava; talvez imaginando se tudo o que estava fazendo valia a pena. O que aconteceria depois que Maverik Watterson finalmente matasse Jeff?
Os arbustos logo próximos se mexeram fazendo com que o som de seus pequenos galhos chicoteando uns aos outros chamasse a atenção de mestre e aprendiz que de prontidão se voltaram para aquele ponto.
Maverik se adiantou em puxar uma pistola que se encontrava logo ao seu lado, apontando em direção ao estranho movimento. E do meio das folhas amareladas saiu um conhecido albino com seu mestre, que, logo depois que percebeu que estava em sua mira, mostrou-lhe as mãos em sinal de paz.
— Calma, sem precipitações.
O mais velho mantéu sua expressão fechada e guardou a arma no cós da calça, se pondo de pé e enxugando as últimas gotas de suor da testa com as costas das mãos.
— O que veio fazer aqui tão cedo? — Fez questão de jogar todo o sarcasmo na palavra “cedo”.
— Só vim ver como você vai. — Sorria Thomas.
— Corta essa... — Murmurou o maior, entrando em sua casa e sendo seguido pelo seu mestre, Tommy e Laughing Jack.
— Ainda não consegui dar um jeito nessa criança. — Resmungou Laughing.
— Tá. Tá! — Resmungou Tommy, cruzando os braços atrás da cabeça. — A verdade de estarmos aqui é que acho que estamos sendo espiados por alguém... Um único cara, na verdade.
— E? — Maverik levantou uma sobrancelha.
— Viu Jack? — Tommy fitou o rosto em preto e branco do mestre. — Eu disse que ninguém se importa.
— Me trate com mais respeito, moleque! — Laughing lançou um olhar matador em direção ao garoto de cabelos brancos. A princípio pareceu cogitar em dar-lhe uma tapa na nuca, mas logo se voltou seriamente para Maverik e Slender. — É uma mulher.
— Como sabe que é uma mulher? — D’Sangria quis saber, agora com os ombros um tanto encolhidos como se soubesse que já estava tratando com muita afinidade a Laughing, exatamente o que este disseste para não fazer quando se conheceram, ou seja, um mau sinal. Sinceramente não estava nem um pouco com vontade de apanhar do palhaço demoníaco.
— Ela tinha seios... — Laughing fechou a cara, como se não quisesse ter dito aquilo.
Maverik tentou abrir a boca para falar algo, porém foi cortado:
— Pode crer! — Uma nova voz se fez presente, assustando os quatro que ali estavam. — E dos grandes, olhem.
A primeira coisa que os olhos de todos ali focaram fora realmente no corpo pequeno, porém escultural da jovem. Os seios mais que fartos quase nem cabiam na justa camiseta preta. No pescoço carregava uma espécie de gargantilha de couro com uma chave antiga como pingente. Usava minissaia e duas blusas – que consistiam em uma azul com listras rosa-choques e uma outra inteiramente preta por cima. Sem contar as meias 7/8 listradas. Uma preta e outra rosa, por detalhe. Os cabelos eram ondulados e batiam um pouco abaixo do ombro, brancos-prateado. Além do corpo da jovem, o que chamava a atenção era a touca com imitações de chifres de “diabinho” e a máscara de gás que usava.
A garota estava agachada em cima da janela mais próxima, sendo iluminada pelo pálido luar, que refletia a chave em seu pescoço.
— É até difícil encontrar roupas para usar... — Pareceu lamentar ela.
— Quem é você? — Maverik indagou, sem se preocupar em mostrar-se simpático.
— Ah! Unfair! — Desta vez ela pareceu bem animada quando percebeu o mercenário. — Finalmente posso falar com você! — De alguma forma, ela deu um jeito de se pendurar de cabeça para baixo. Os outros simplesmente podiam senti-la sorrindo. — Sou sua maior fã ♥
:::::::::::::::=Aprendizes de Assassinos=::::::::::::::::
Alexa Montenegro passava a mão pela marca de agulhas no pescoço. Andava inquieta esperando que seu mestre saísse do mundinho virtual no qual se enfiou, ficando preso a tela do computador durante três dias consecutivos. BEN Drowned passara os últimos dias a ignorando por completo, como se Alexa sequer existisse.
A impaciência foi tomando conta da garota que com o passar das horas se sentia cada vez mais angustiada. Sem contar a hiperatividade dela.
— Mestre, esta noite está fazendo um clima agradável, não acha? — Esperou por uma resposta por alguns segundos, mas apenas o som dos cliques do mouse era ouvido pela sala da pequena cabaninha de madeira. — Sabe, já faz um tempo que eu não mato e... Bem, tenho que admitir que eu esteja esperando para treinar já faz um tempo.
Mais uma vez ficara sem resposta. Alexa apenas abaixou a cabeça, decidindo não insistir muito. Afinal, ele querendo ou não era seu mestre.
Passou-se cerca de cinco ou seis minutos quando o silêncio foi quebrado novamente:
— Lex. — A voz de BEN surpreendeu a garota loira que não esperava por uma resposta dele. — Cala a boca.
A expressão de expectativa se desvaneceu tão rapidamente quanto apareceu no rosto de Alexa. O que poderia ter esperado vindo de um duende homicida?
— Mas agora que você disse — BEN virou a cadeira giratória onde estava sentado, fitando o rosto de sua aprendiza —, realmente já faz muito tempo que eu não te vejo em ação. Por acaso eu já te ensinei a invadir um computador?
— Como? — Ela juntou as sobrancelhas.
— Você é a minha aprendiza. Ao menos deveria saber disso, não é?
— Sim, mas... Isso é possível?
BEN deu um sorriso de canto.
— Então vou te ensinar a viajar para qualquer lugar do mundo apenas usando o PC.
Fale com o autor