Aprendendo à Viver
4 Pietro "Princeso"
A forma como as pessoas me veem, me afeta?
A forma como pessoas que amo me veem, me afeta?
A forma como ela me vê, me afeta.
EM CASA
Depois de comer a custas do meu irmão eu vim para casa, fiquei jogando vídeo-game a tarde toda, não iria trabalhar na adega hoje e nem poderia, Maju vai vir jantar aqui em casa, eu só preciso pensar como falar com ela sem ser interrompido.
"Pie, vem me ajudar aqui, por favor!" A mãe do João, Ana Paula, grita do portão, ela havia saído para fazer compras com o Pedro.
"Estou indo!"
Depois de colocar tudo para dentro "Pedro, ajude o Pietro a guardar as coisas, João, o que você vai preparar para hoje? Eu trouxe o macarrão parafuso que pediu" Desde que chegamos do Clube João e Cath não saíram da cozinha, Maitê foi trabalhar e voltaria mais tarde para o jantar. Começamos a guardar tudo.
"Eu queria fazer alguma sobremesa" falei como quem não quer nada porque esperava a reação que tiveram.
"Você?!" Pedro e Ana Paula foram os mais surpresos.
"O que você pensou?" Cath e João pareciam contentes
"Algo simples... mousse de limão" Eu estava claramente envergonhado, mas sem a ajuda deles eu não vou conseguir, sou um desastre na cozinha e outra se eu não pedir ajuda, João não me deixará ficar em sua cozinha. Ele quem faz todas as nossas refeições.
"Simples e fácil, ótima ideia" A Cath adorou.
Pedro se aproximou e colocou seu braço envolta do meu pescoço "É o predileto da Maria Julia?"
"É? Não sei" Ironizei.
"Mano, não fica fazendo essas coisas, é humilhante" Ele fala e sai andando "Não quero ver uma cena dessas, o que as outras garotas vão pensar quando descobrirem que Pie o Princeso faz mousse para agradar alguém que nem dá bola para ele?" subiu as escadas.
"Às vezes eu só quero socar a cara do Pedro, como ele pode ser tão machista vivendo com a gente? E a Lou, como ela aguenta isso?"
"Calma Cath, assim não vamos chegar a lugar nenhum, vamos focar aqui, preciso fazer isso"
"Precisa? Por quê?" Ana Paula ri "vou deixar vocês sozinhos, estarei no bar, se precisarem me chamem"
"Mãe, quando voltar passa na lanchonete? Pedi que Mamie separasse algumas coxinhas"
"Beleza!" Ela saí.
"Coxinha? Para que vocês querem coxinha?" Esses dois só inventam.
"Para a Taisla, são as vegetarianas, ela pediu que eu comprasse" seu celular tocou "A Taisla vai se atrasar, a reunião vai terminar um pouco mais tarde, mas a Maju e Sofia chegarão antes" meu irmão parecia tão energético, um pouco fora do comum.
"Que foi, Pie?" me belisca.
"Cathylin! Isso doeu!"
"Desculpa, você está com uma cara estranha, o que aconteceu?" Ela parecia arrependida.
"Posso confessar uma coisa a vocês?" Eu preciso desabafar.
"Desembucha que eu já estou preocupada!"
"Calma" me sento "eu quero ver a Maju"
"É isso? E qual o problema nisso?" João questionou como se aquilo fosse nada.
"Estou apaixonado" ficaram em silêncio.
"Você? Pie, você não se apaixona, não está nem ai para isso, lembra? Já viu como está seu whatsapp? Você lembra o nome de todas as garotas que ficou só ontem?" Ele está querendo dizer o que com tudo isso.
"Eita Joãozinho! Esculacha mais!" Ironizou.
"Não é isso Cath, é que ele tem que saber o que provavelmente ela pensa dele" ele se virou para as panelas.
"Ela pensa assim? Ela pensa tudo isso sobre mim?" Será?
"Pietro, você é um cara muito legal, sabe disso, ama isso, mas não é a melhor opção para um namoro, e eu duvido que o lance da Maju seja ficar" ela também se vira para as panelas ajudando o João.
Ficamos em silêncio por um tempo. Eu sei que eu não sou o melhor exemplo de cara que quer uma namorada, sendo bem sincero, eu nunca quis, cresci com a Maria Julia, moramos no Monzal desde pequenos, a Maju não era o tipo de criança que brincava fora de casa, parecia uma boneca que não podia se sujar ou ralar os joelhos.
Eu nunca me apaixonei, sempre que estava perto de me envolver profundamente eu saia fora, não é exatamente o que um príncipe faria, mas eu ganhei esse apelido porque mesmo sendo esse tipo de cara eu sempre fui muito cavalheiro com as garotas com que ficava, sou do tipo que da presente de dia dos namorados para todas, mando flores, faço textinhos e por aí vai, e ai quando tento cair fora, elas simplesmente não deixam e param de me pressionar, melhor me ter do jeito que eu quero, do que não me ter.
A Maria Julia não é igual as garotas que eu gosto de ficar, não falando mal das minhas meninas, é que foram criadas de formas diferentes, Maju é uma boneca, frágil, uma princesa presa na torre, pais um tanto severos, sem muita liberdade. Pelo menos era o que eu pensava.
Durante a quarentena, bem no começo dela, eu estava vindo para casa depois do trabalho e eram mais ou menos meia-noite, a adega fica do outro lado do Monzal, na descida para o Diablo, para ir para casa eu sempre passo pela padaria, e é onde fica o ponto de ônibus, eu vi quando ela desceu dele e veio andando, conversando no celular, pensei o quão idiota ela era por estar essa hora fora de casa e ainda no celular, ouvi um pouco da conversa, ela falava como se tivesse dando instruções do que alguém deveria fazer "preciso guardar o celular, quando chegar em casa termino de explicar, fique calmo, confie em mim, sei o que faço"foi aí que olhei ela melhor, estava com uma mochila nas costas, e uma bolsa do lado, sacolas de compra nas mãos, estava com uma roupa chique, eu estava surpreso, aquela garota na minha frente não parecia a mesma pessoa que eu conhecia, ela tinha crescido, se mostrava muito confiante, como se aquela rua fosse sua e que não precisava temer nada, e era verdade, ela fazia parte do Monzal, ninguém ali dentro deixaria a filha do Luciano ser machucada, eu não deixaria ninguém tocar um dedo nela, então me toquei que Maria Julia era importante para mim também, a partir dai que eu comecei a ver ela de uma maneira diferente e percebi que não era uma princesa presa na torre, a torre era uma maneira de se proteger de nós, ela queria estar lá e eu queria subir e fazer ela descer e ver que as coisas aqui embaixo não são como ela pensa.
"Pietro, vai abrir a porta" Levantei no automático, abri a porta e paralisei, era ela, linda e com ar de superioridade, como sempre.
"Oi" sorri abertamente, ela quer acabar comigo?
"A gente não pode entrar" Sofia, continua a mesma.
"Entra gente" João pega na mão delas e as coloca para dentro "ele não está muito bem, dá um crédito Sofia"
"Que? Por quê? Agora eu tenho que aproveitar, descontar todas às vezes que ele me enche o saco quando saio da escola" Me recomponho.
"Pirralha, se fizer isso vou ligar para o Henrique e ele vai cuidar pessoalmente de você, quer?" Brincando, seguro meu celular.
"Esquece" emburrada, vai para a cozinha.
"Você é bom nisso, mas não deveria falar do Henrique, ela quase não veio por causa dele" Maju disse e foi andando para a cozinha junto com João.
O que ela quer que eu faça então? O que ela espera?
MAIS TARDE
"Estava uma delícia, Joãozinho" Taisla chegou um pouco depois da meninas junto com Thiago.
"Verdade, sua comida é maravilhosa, não me surpreendo com a escolha da Beli em colocar ela no cardápio e amei o mousse" falou Maju com os olhos encantados.
"É boa" Alguém explica o temperamento da Sofia.
"Ingrata" Henrique aperta suas bochechas "como pode ser tão linda e tão mal educada"
"Saí, não me toca seu chato" Ela dava tapas nele.
"Que deu em você? Joãozinho me contou que está com raiva de mim, já disse que se tem algum problema comigo me fale, odeio recados e sabe bem disso" Ele estava mesmo irritado.
"Você foi um idiota com o Luis e sabe disso!" Ah, foi isso, como será que ele vai sair dessa.
"Sofia, eu disse para ele que não poderia ajudar ele com a barbearia, foi só isso" ele soltou a bochecha dela e se sentou direito "inventaram que eu estava falando mal da barbearia, ele veio conversar comigo e já resolvemos, pode perguntar para ele você mesma se não acredita em mim"
"Então, porque não ajudou ele?" ela não sabe lidar com o Henrique.
"Ele precisava de ajuda nos cortes e era bem no dia que eu mais precisei trabalhar, ele entendeu, porque você também não entende" se vira para ela "me desculpa" o bom do Henrique é que ele sabe pedir desculpas, ele sabe dizer o que o outro quer ouvir e diz de verdade, sem fingimento.
"Tudo bem, se o Luis está bem, eu também estou" ela deu um beijo na bochecha dele.
"Também quero" Thiago pervertido, ela se levanta e da um nele também "obrigada, florzinha" todos riem.
Sofia, João, Henrique e Cath foram para o quarto, parece que Maitê estava fazendo um desenho no quarto dele e foram ver, Pedro foi para o quarto dele, Taisla, Thiago e Ana Paula foram para o bar, Maju havia ido no banheiro e quando saiu perguntou onde estavam todos.
"Melhor eu subir, é o primeiro quarto?" ela aponta para a escada.
"Espera" é minha chance.
"Aconteceu alguma coisa?" veio na minha direção.
"Sim, o que pensa de mim?" é agora ou nunca.
"Como assim? Porque está me perguntando isso?"
"Pode responder, por favor, sincero"
"Ah..." exclamou "tem certeza?" assenti "Está bem, então, eu acho você um cara legal, na verdade, é o que me dizem, tem aqueles que acham você um galinha, bem babaca, mas a Taisla te adora, ela diz que você se preocupa com as pessoas ao seu redor, só não sabe lidar com garotas, ela acha você bem machista nesse ponto"
Esses são os outros, como você me vê? Parecia que ela tinha entendido meu olhar.
"Eu cresci te vendo de longe, nunca brincamos ou conversamos só nós dois, no máximo um oi educado, Malu, minha irmã, me disse uma vez que quando eu te olho meus olhos brilham, que eu pareço uma idiota, ela não mente para mim" me surpreendo, ela se aproxima "eu não sei o que quer com isso, mas vou logo te avisando que eu não me entrego de graça, para mim você é um galinha, eu sei que como você ache com as outras garotas, o que faz por elas, mas eu também sei como é com seus amigos e irmãos, como é com sua família" da uma pausa, coloca suas mãos no meu rosto e olha nos meus olhos "eu vejo você, Pie, vejo o que quer mostrar, vejo que não é só uma coisa, só um tipo de pessoa, é isso que eu vejo"
"Namora comigo?" Não dá mais para aguentar, ela está nos meus braços, ela desceu da porra da torre, não posso deixar ela voltar.
"Sim" me beija.
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