Aprendendo à Viver
5 Taisla "BB" (Parte 1)
Decidi me preocupar com a decoração da festa na segunda-feira, principalmente depois que minha prima disse sim ao Pietro.
Na quinta-feira antes do jantar na casa dos cinco...
"Precisamos conversar, Maria Julia" liguei para ela no caminho para a reunião.
"Aconteceu alguma coisa? João cancelou o jantar?" reparei na voz de Sofia no fundo, já estava com Maju.
"Sim, eu estava agora a pouco com os cinco"
"E?"
"Eu precisava dizer isso antes de irmos lá hoje, nós já entendemos o que João quer, sabemos que aqueles cinco são muito unidos, se Pie está mesmo interessado em você é óbvio que os outros iriam ajudar"
"Sim, João não mente muito bem"
"Mas mente bem para eles, duvido que Pie esteja desconfiando do que o irmão está fazendo" era nítido como minha prima estava preocupada com a situação, Maju não fala muito com o pessoal do Monzal, eles tem uma visão muito distorcida de quem ela é, imagino como se sente sabendo disso "eu quero te pedir uma coisa, sei que é apaixonada por ele, e eu sei o que eu disse da última vez que nos vimos, eu sei dos seus medos, entendo eles"
"Desembucha, por favor"
"Por favor? Não está fácil, não é mesmo"
"Nem um pouco, vou ir lá, sei o porquê, mas não sei o que dizer se ele chegar perto, e se ele pedir para eu ficar com ele, Taisla, eu não faço essas coisas, eu sequer sei fazer isso, eles acham que sou uma Princesinha, me da enjoo só de pensar, mas estaria mentindo se eu dissesse que não quero que ele me trate assim, é idiota querer me sentir diferente das outras?"
"Quem não quer se sentir diferente? O que eu digo para você é que não se prenda ao que os outros falam, eu sei como ele é, mas seria ridículo tratar como se ele fosse só isso, hoje ele me lembrou o porquê eu tenho tanto carinho por ele, não posso te prometer que será diferente dos outros, mas talvez eu possa dizer que ele vai tentar se você for sincera, se conversar com ele e mostrar quem é essa garota que ele está olhando diferente, então caso ele não ouça, infelizmente, ai sim, deverá esquecer isso"
"Cinco anos, não são cinco meses"
"Cinco anos de algo que não foi tocado e sim idealizado"
"Eu ainda estou aqui!"
"Eu sei, não quero te machucar, mas não vou mentir, por que eu sei que não é como você imagina, nem para o lado bom, nem para o ruim"
"Então por que não me conta?!"
"Maju, a única pessoa que realmente pode te dizer algo está ansioso em te ver mais tarde"
Ela respira fundo, sei que estou sendo dura, mas ela precisa fazer uma escolha e sabe disso.
"Tudo bem, eu sei que tenho que fazer algo, tenho medo que essa oportunidade não apareça novamente, obrigada e por favor esteja lá caso ele não seja meu príncipe encantado" no fundo a Sofia grita que não existem príncipes encantados e sim sapos vestidos em uma roupa elegante.
"Beijo, meu amor, nos vemos mais tarde" desligo o telefone.
"Que situação" Belinda diz com sua cabeça encostada em meu ombro, volto a lhe fazer cafuné.
"Nem me diga" dou um beijo em sua testa, respiro fundo e deito minha cabeça na sua.
Segunda de manhã, começa a correria dos preparativos, eu já havia comprado muitas coisas e encomendado muitas outras mais, o problema é que não havia a decoração em si, então liguei para todos que poderiam me ajudar e pedi que segunda de manhã estivessem ali, e como sempre eles concordaram.
Pensando bem, pode parecer estranho eu sempre estar fazendo festas, como se eu tivesse muito dinheiro, muitas pessoas acreditam nessa história, a verdade é que muito do que eu faço e consigo é por que todos se juntam, eu organizo e as pessoas me ajudam, compram, me entregam, então as festas são colaborativas, e como são muito divertidas o pessoal compra as minhas ideias, essa eu comprei mais coisas, porque eu literalmente fui obrigada a guardar meu dinheiro, meus pais não me cobram para fazer ou comprar coisas para casa então eu tenho ele todo para mim, aproveitei e fiz mais dessa fez.
"Minha filha, deixa logo essa porta aberta, esse povo não vai parar de chegar" minha mãe estava irritada que a todo momento a gente ficava indo abrir a porta.
"Tudo bem, vou deixar" digo no meio de uma risada.
Já estavam em minha casa, Sofia, Luis, Maju, Túlio, ele mora aqui, Maitê, João, Bandin, Gabriella, faltavam chegar mais cinco pessoas. O Bandin e a Gabriella, nossa Mamie, estavam fotografando o processo, amo postar esses eventos no meu instagram, graças a eles eu já montei alguns para outras pessoas.
"Cunhadinha me ajuda aqui, como é para cortar isso mesmo?"
"Usa o molde, João" ela pega e coloca o molde no EVA mostrando para ele como se faz "espera, você sabe como fazer isso" olha para ele emburrada.
"Eu só queria me certificar que você atenderia quando eu te chamasse de cunhada" abre um largo sorriso e volta a fazer os moldes.
"Você está fazendo isso desde quinta" ela saí para pegar mais palha.
"É divertido, é a primeira vez que Pie namora, temos que aproveitar esse momento" completa.
"Aproveitar o momento? Você quer dizer que não irá durar muito?" Luis se sentiu incomodado com aquilo, ele não é muito próximo de Maju, porém ama nossa família e ela faz parte, o que abala qualquer um de nós vai mexer com ele também.
"Não sei" subiu seus ombros demostrando duvida "não que meu irmão seja uma pessoa ruim, mas como eu disse ela é sua primeira namorada e ele não é um santo, não acho que irá traí-la, no entanto não vou mentir" João ficou irritado "não se meta, está bem, ele vai fazer seu melhor, você não precisa se preocupar tanto assim"
"Você só não quer que eu fale mal do seu irmão" começou, João e Luis não se dão bem, Luis não gosta do jeito que João trata as coisas e as pessoas.
"É isso mesmo, você não tem moral nenhuma para falar dele!"
"Se os dois não pararem agora vou pedir que saiam da minha casa" Não aceito essa situação.
"Taisla!" minha mãe não gosta quando trato as pessoas dessa forma, ela é um doce de pessoa, é difícil não brigar comigo quando acredita que estou sendo mal educada.
"Mãe, eles não podem se comportar assim, o relacionamento não é deles, eu também fico preocupada, porém não vimos nada que tivéssemos que nos meter" me viro para eles "vocês sabem que odeio a frase em briga de marido e mulher ninguém mete a colher e que eu me meto mesmo, então relaxem, vamos intervir se for realmente necessário e não Luis, coração partido não é motivo, se Pie for um babaca ela vai ter que se afastar, mas não podemos livrar ela de viver"
Não disseram mais nada, voltamos para a decoração e as fotos. Depois de um tempo fomos ajudar a Maju a subir os materiais para a laje, hoje seria isso, começar os pequenos detalhes e levar o que for chegando, tenho que aproveitar que hoje estou de folga, porque depois de hoje só sexta a noite que não irei para a faculdade.
Miguel, Pietro, Feio que de feio não tem, Tomas, que só ajuda se meu irmão pedir, e Cath chegaram com as últimas coisas que eu precisava. Eu tinha dito que deixei para fazer a decoração para segunda, mas passei o fim de semana pedindo o que precisava, tenho que admitir que sou ótima no que faço.
"Big Baby! Me explica para que tanta palha?! Para que tanta folha de bananeira?! E principalmente, por que eu estou carregando esse maldito tronco?!" Miguel estava muito bravo comigo, eu pedi sua ajuda na sexta e hoje ele descobriu para o quê.
"Migo, não fala assim comigo, sabe que eu te adoro, olha já estamos terminando de subir" no clube foi preciso tirar uma árvore e ela era muito grande, mas infelizmente estava caindo, aproveitei e peguei algumas partes dela, fiz alguns bancos, e uma mesa dividida em duas partes, não era muito alta ou muito grande, no entanto era bem pesada.
"A sua sorte é essa!"
"Vai fumar narguilé! É isso que dá!" eu sabia que Sofia ia aproveitar esse momento.
"Fica quieta pirralha!"
"Minha irmã não sabe o que é isso"
"Calma gente, começa não Tomas, vamos terminar isso logo que eu sim quero ir fumar" Meu irmão não tem vergonha.
"Best, já disse que isso te faz mal, toma cuidado" A Maju e eles são melhores amigos.
"Best, você também deveria tomar cuidado"
"Eu sei" ela ficou chateada.
"Desculpa, você entendeu o que eu quis dizer" ele abraça ela.
"Tudo bem, já conversamos o final de semana inteiro sobre isso, não quero voltar agora"
"Isso tem haver comigo?"
"Isso tem haver comigo?" Acho que todos ali presentes imitaram ele, até a Maju.
"Calma gente, oxe, maldade" ele subiu com o banco de tronco, foi uma cena muito engraçada.
"Mas me explica uma coisa Taisla" Bandin chegou do meu lado "Por que você pegou essas coisas, não era mais fácil comprar os de EVA?"
"Claro que não, eu nem queria nada de EVA, só estou usando por causa que já estava aqui em casa, reutilização" falei essa última palavra tocando no nariz dele "por isso as outras coisas são naturais, você vai ver, vai ficar lindo"
"Como tudo que você faz" ele diz olhando nos meus olhos.
"Sofia!" chamei ela para me ajudar.
"Saí dessa Bandin, você é meu" ela puxa ele pela orelha.
"Pensei que não era ciumenta?"
"Não com você, minha prima não, entendeu?"
"Pode deixar"
Esses dois me preocupam, mas não é o momento. Voltamos a decoração, o que tinha começado oito horas da manhã, estava terminando sete horas da noite. Como estavam todos cansados, eu pedi pizza, quando eu vi já tinha mais gente do que os que estavam de manhã, os cinco irmãos estavam ali, Henrique também, Belinda, o pessoal da barbearia e a Malu.
Eles não conseguiam esconder como estavam curiosos pelo fato de que eu não parecia uma idiota perto da Cath, eu só estava me controlando o máximo possível, sentia que ia fazer algo errado a qualquer momento, mas a Belinda me ajuda muito com isso, perto dela eu fico mais tranquila, nós duas não temos nada além de amizade, gostamos de trocar carinho, dormir juntas, porém não havia essa vontade de nos tocar de uma forma sexual, conversamos e alinhamos que tipo de relação queríamos e era isso.
"Agora é só sexta, peço com muito amor que vocês me ajudem, vamos finalizar tudo sexta, sábado eu tenho que ir para o terreiro, mas só vou ajudar em algumas coisas e de noite estarei aqui, então por favor, venham" estávamos do lado de fora da minha casa, Belinda estava sentada no chão ao meu lado e eu estava em um tronco que deixei na entrada.
"Você não vai poder beber?" Belinda me perguntou de forma que só eu conseguiria ouvir.
"Vou, eu vou ir para lá para ajudar com umas roupas, o Túlio também vai, ai de tarde nós voltamos"
"Ah, tudo bem" Ela parecia chateada.
"Que foi?"
"Nós marcamos de encontrar meu pai" às vezes eu sou tão burra e por que ela perguntou da bebida?
"Desculpa, eu esqueci completamente, eu vou conversar com o Túlio e pedir que vá com minha mãe" peguei em sua mão "não vou deixar você sozinha nessa"
"Obrigada" ela me abraçou e deitou sua cabeça em meu colo.
Belinda tem vinte nove anos e se descobriu lésbica a menos de três meses, ela fica chateada com esse fato, agora quer contar a seu pai, Beli acredita que ele não receberá isso bem, no entanto o conheço e não parece ser esse tipo de pessoa, a Beli é adotada, foi abandonada em uma caçamba de lixo e seu pai a encontrou, desde então são só os dois, mesmo assim me pediu ajuda, não a abandonaria.
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