Aprendendo a ser pai

11 POV Hyoga / POV Camus


Notas iniciais
Yoo pessoas XD!! Mais uma vez estou aqui para postar dois caps e dar uma triste notícia pra vcs XD Travei no cap q tô escrevendo... hauhauahauahauaau XD!! Sabe aquela hora q vc escreve e lê o cap de novo, mas acha tudo péssimo e tem vontade de apagar tudo e fazer de novo? Pois é XD Essa sou eu no momento XD!! Please, torçam pra q minha criatividade permaneça na minha cabeça, pq se der crise... fudeu XD!! Tentarei fazer o q puder pra non ficar atrasando, mas ultimamente tô meio sem tempo T-T De qualquer forma, aí está mais dois caps ^^ Espero q gostem XD Agradeço imensamente pelos comentários... Vcs são perfeitos *-* =** Boa leitura

POV Hyoga

Eu subi para o quarto do meu mestre lentamente. Eu não queria ter aquela conversa. Eu não queria saber mais nada, não queria escutar mais nada. Por que Camus tinha que aparecer? Eu estava praticamente no paraíso com Ikki. Eu poderia viver daquele jeito para sempre. Se fosse daquele jeito, eu não teria problemas para cumprir minha promessa de não tentar me matar de novo. Eu confiava que Ikki me faria feliz e eu a ele. Sem mais ninguém. Só eu e ele. Eu teria o tempo e a segurança necessários para esquecer tudo aquilo que me perturbava, para organizar toda a bagunça que havia dentro de mim. E, quem sabe, um dia eu poderia voltar para o Santuário e encarar meu mestre como ele desejava, como um mestre e nada mais. Por quê? Por que ele estava fazendo aquilo? Tudo que eu queria era o bem de todos. Eu só queria parar de incomodá-lo com aquela pressão ridícula que eu fazia, esperando que ele fizesse algo por mim, que ele tivesse uma consideração que ele não tinha. Ele poderia viver com Milo sem ter um estorvo por perto. Um estorvo, sim! Era isso que ele pensava de mim! Era isso que eu era naquela casa. Não éramos uma família! Camus e Milo só estavam comigo por ordem de Athena. Quer dizer, lógico que era isso! Depois de anos eles finalmente poderiam viver como um casal. A última coisa que eles precisavam, que eles queriam, era alguém no caminho deles. E eu estava sendo esse alguém. Nada mais que um empecilho. Como se já não bastasse essa existência sem sentido, agora ela se tornou um peso completamente desnecessário. Era por isso que eu queria me matar. Eu sabia que isso aconteceria. Quando algo existe onde não há necessidade, acaba se tornando algo incômodo. Eu não queria representar isso, ainda mais na vida de meu mestre. Mesmo que não fosse recíproco, eu o amava. Mesmo que isso fosse apenas uma perturbação para ele, eu o considerava meu pai. E eu não queria causar qualquer tipo de problema para ele. E quanto mais eu percebia que estava perturbando, mais agoniado eu ficava, mais eu sofria. Aquela casa já não era meu lugar. Não enquanto Camus e Milo estivessem ali. Eu ainda era o cavaleiro de Cisne, então não tinha motivos para que eu morasse ali. Meu lugar era na Sibéria, perto da minha mãe. Talvez Ikki não fosse para lá comigo, mas, mesmo que não fosse a Sibéria, qualquer lugar seria melhor do que a décima primeira casa do Santuário.

Eu já estava no quarto, parado no meio dele. Eu estava me sentindo perdido. Eu não sabia o que fazer. Aquela angústia estava crescendo dentro de mim. O desespero estava começando a tomar conta. O vazio se espalhava pelo meu corpo. Eu ainda estava tremendo. Era mais do que eu conseguia segurar. Eu consegui dizer o que queria para meu mestre, mas eu não estava feliz com isso. Pare de mostrar fraqueza! Pare de mostrar o quanto é imperfeito! Ele só vai se decepcionar ainda mais! Era o que se passava em minha mente. Se alguma hora eu tive a esperança de que as coisas mudassem, como um milagre, agora eu tinha a certeza de que eu permaneceria daquele jeito para sempre. Meu mestre nunca me perdoaria depois de toda aquela falta de respeito. Ele detestava ser desrespeitado. Sempre deixou isso muito claro. E eu sabia que ele se irritaria se eu agisse como um adolescente rebelde. E por um lado eu queria que ele se irritasse. Eu queria que ele pudesse se irritar tanto ao ponto de pedir para que eu não fizesse mais parte de sua vida. Por outro lado, eu tinha medo disso. Eu estava cavando minha própria cova. Se para ele seria fácil me ter longe de si, para mim seria como o inferno. Eu vi minha mãe morrendo na minha frente e estava matando dentro de mim o homem que sempre vi como pai. Não seria algo simples. Superar algo assim seria quase impossível. Eu apenas o fiz porque Ikki estava do meu lado. Tê-lo ali me trouxe uma coragem que eu não sabia que existia. Era como uma garantia de que eu sobreviveria. Mas... Agora ele não estava ali! E o que eu faria? Eu permitiria que aquela coragem permanecesse? Ou será que a covardia tomaria conta de mim mais uma vez? Sentei-me na cama com o rosto em minhas mãos. O que eu faria? O que aconteceria? Meu coração batia forte e rápido. Era como um grito silencioso de socorro. Eu tinha que sair dali. Eu tinha que dar um jeito de evitar aquilo.

Ouvi a maçaneta se mexendo. Logo a porta se abriu. Eu não tive coragem nem de erguer meu rosto. Apenas esperei que algo acontecesse. Pude ouvir cada passo sincronizado com as batidas em meu peito. Senti que ele se sentou ao meu lado. O cheiro de meu mestre, que eu tanto conhecia, invadiu minhas narinas como droga. Quanto mais perto ele ficava, mais meu peito se apertava. Aquilo era demais para mim. Eu não ia aguentar.

– Hyoga, olha pra mim. – ele disse com a voz mais suave do que eu imaginava.

– Eu não quero. Eu não posso. – eu disse com a voz cansada e embargada.

– Por favor, não torne isso ainda mais difícil. Eu apenas quero conversar com você. Tenho certeza que podemos n...

Não! Não podemos! – o interrompi. – Eu não quero ouvir! Eu não preciso ouvir! Eu estou cansado disso!

– Hyoga, eu ainda nã...

Não importa! Não acredito que o que você tem a me dizer vá mudar algo! E... Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando decidi vir aqui! E... eu não posso! – coloquei minhas mãos em meus cabelos, eu estava entrando em desespero.

– Acalme-se. – ele ainda estava paciente.

– Me acalmar? Me acalmar? ME ACALMAR? Você fala como se entendesse o que eu estou sentindo, o que eu estou passando! Eu não preciso me acalmar! Eu preciso sair daqui!

Eu me levantei da cama e já estava de saída. Até que senti meu braço sendo agarrado.

Você não vai sair daqui até que terminemos essa conversa! – agora ele já estava falando em seu tom autoritário, o que significava que estava começando a perder a paciência.

Não! Eu não preciso ouvir nada disso! Qual é o seu problema? Uma hora você finge que se importa, na outra deixa claro que não, mas agora está querendo que eu acredite que sim! Quanto mais você vai bagunçar meus sentimentos? O que você quer de mim? Eu não entendo! EU NÃO ENTENDO! – eu não sabia se tremia, se chorava ou se gritava. Minha cabeça estava girando.

– Você entenderia se me deixasse explicar! – ele voltou a usar seu tom normal, mas ainda mantinha o aperto em meu braço firme.

Eu não quero! Eu não quero ouvir! – eu abaixei a cabeça, sentindo meus olhos arderem com as lágrimas que teimavam em cair. — Por quê? Eu já sei que você não me considera mais que um discípulo! Eu já sei que você não se importa comigo! Eu já sei que você está decepcionado, que está irritado e que está magoado pelo que eu fiz! Eu já sei que você não vai aceitar nada mais que a perfeição! E eu não posso te oferecer isso! O Hyoga perfeito que você conhecia era apenas uma ilusão! Ele nunca existiu e nunca vai existir! – suspirei, para então voltar a falar em um tom completamente depressivo. — Então por que não me deixa ir? Por que ainda me quer aqui? Por que quer verbalizar a rejeição que eu já conheço? Não percebe que se você disser, vai doer ainda mais? Por que quer tanto me ver sofrendo assim?

Ficou silêncio por um momento. Apenas meu choro abafado ecoava pelo quarto. Senti que ele afrouxou o aperto. Ouvi o suspiro sair de sua boca. Será que ele finalmente ia desistir? Será que eu poderia sair? Tentei me controlar. Cada palavra dita me feria também. Feria porque era uma verdade que eu preferia deixar escondida. Feria porque cada frase dizia ainda mais o quanto eu era imperfeito e eu não conseguia impedir que a vergonha se apossasse de mim. Feria porque eu estava dizendo para a última pessoa que eu queria que escutasse. Eu não queria que ele visse ainda mais daquele ser patético que eu me tornei. Quanto mais eu ainda mostraria? Quanto mais ele ainda se decepcionaria? Eu não queria mais! Chega! Chega!

– Hyoga, as coisas não são do jeito que está pensando. É por isso que eu preciso que você me escute. Apenas se acalme e eu prometo que todo esse sofrimento vai se dissipar.

Aquela fala me irritou profundamente. Se ele tinha todo o poder de dissipar meu sofrimento como dizia ter, por que permitira que eu sofresse por todo esse tempo? Como ele queria que eu acreditasse naquilo? Desde que as guerras acabaram se passou mais de um ano e nada tinha mudado! O que o fazia acreditar que meia dúzia de palavras poderiam fazer uma diferença? Aquilo fez meu sangue ferver. Aproveitei que ele afrouxou o aperto em meu braço e o puxei com mais violência do que eu realmente queria.

– Promete? PROMETE? SE VOCÊ ACHA QUE É TÃO FÁCIL ASSIM, POR QUE NÃO FEZ NADA ANTES? COMO QUER QUE EU ACREDITE QUE ALGO VAI MUDAR DEPOIS DE TUDO?

Pare de gritar, Hyoga! Você acha que está falando com quem? – ele voltou ao seu tom autoritário.

SE NÃO QUER ME VER GRITANDO, ME DEIXE IR! QUAL PARTE DO “EU NÃO QUERO CONVERSAR COM VOCÊ” NÃO FICOU CLARO? ESTÁ DIFÍCIL DE ENTENDER? DIZ QUE NÃO GOSTA QUE TE FAÇAM DE IDIOTA, MAS ESTÁ AGINDO COMO UM AGORA!

NÃO FALE ASSIM COMIGO! NÃO ME FAÇA PERDER A PACIÊNCIA! – agora ele também estava gritando.

VÁ À MERDA!

Eu gritei com todas as minhas forças. Eu estava fora de mim. Eu realmente afrontei meu mestre assim? Eu o mandei ir à merda? Onde que eu estava com a cabeça? Eu estava apenas fazendo o que eu não queria. Minha mente falava uma coisa e meu corpo fazia outra. Ainda sentia o sangue todo em minha cabeça, provavelmente estava vermelho. Agora eu já tinha feito tudo errado, foda-se! Eu estava jogando toda a minha racionalidade para o espaço junto com o bom senso.

~//~

POV Camus

Eu não estava acreditando que Hyoga estava agindo daquele jeito. Eu sabia que ele estava magoado, mas aquilo estava passando dos limites. Não era motivo para aquela falta de respeito. Eu estava tentando manter o controle, até então. Ele falava tantas coisas que eu não tinha nem tempo de dizer o quão distorcido eram seus pensamentos. E quando eu menos esperava, ele me solta o máximo da falta de respeito que ele poderia ter para comigo. Nesse momento eu não consegui mais manter a paciência. Aquilo já era demais para mim. Senti o sangue se acumular em minha cabeça, aproximei-me dele e o segurei bem forte pelo braço. Eu o olhava de cima, demonstrando o quanto ele me devia respeito.

O que foi que disse? Repete, Hyoga! Repete se for homem! – eu disse em um tom grave e desafiador.

Eu – disse – vai – à – merda!

Ele repetiu e ainda pausadamente, de uma maneira completamente atrevida e desrespeitosa. Aquilo me deixou ainda mais irritado. Eu o joguei bruscamente na cama e comecei a desabotoar meu cinto. Eu ia ensinar aquele moleque o lugar dele. Eu tirei o cinto das presilhas da minha calça e o dobrei em minha mão.

O que pensa que vai fazer? – Hyoga olhou para mim, perplexo.

EU vou lhe ensinar a me respeitar! Se não quer conversar por bem, vai ser assim!

Eu me aproximei dele, e antes que tentasse escapar, o virei de costas na cama e segurei uma de suas mãos nas costas.

SHLAP*****... AAAAAHHHH – ele gemeu, pois a cintada foi forte.

SHLAP** SHLAP** SHLAP**... PAAAAARAAAA – ele gritou, mas eu ignorei.

SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**... AAAAAHHHH

SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**... PA-PAAAARAAAA

SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… M-ME SOOOLTAAAAA – ele gritou, colocando a outra mão em cima do traseiro.

Tira a mão, Hyoga!

– EU NÃO VOU TIRAR!! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA FAZER ISSO COMIGO?!

Quando ele falou aquilo, senti meu coração se apertando. Eu tinha que deixar claro para ele quem eu era ou aquilo não daria certo. Afrouxei o aperto e ele rapidamente se ergueu. Ele levantou-se e ficou esfregando o traseiro dolorido. Eu larguei o cinto na cama e fui até ele. Coloquei minhas mãos em seus ombros e olhei bem dentro de seus olhos.

– Você quer saber quem eu sou? Pois eu te digo! Eu sou seu pai, Hyoga! – ele olhou para mim com os olhos arregalados e confusos. – Isso mesmo que você ouviu. Eu – sou – seu – pai!

Hyoga ainda ficou olhando para mim durante um tempo. Eu sabia que aquela informação demoraria para ser processada naquela cabecinha loira e teimosa. Esperei até que ele tivesse alguma reação.

– Mentira. – ele falou baixo e com o olhar perdido.

– Não, meu filho. Não é mentira. – falei calmamente, mas tentando transmitir segurança em minha voz.

– Está falando isso só para que eu não vá embora... qu-quer dizer, você não... – segurei seu rosto e ele parou de falar.

– Hyoga, meu filho, eu amo você. Você é o filho que eu sempre quis e não pude ter. E eu me sinto assim desde quando você ainda era um aprendiz de cavaleiro.

– Eu me recuso a acreditar nisso! – ele virou o rosto e eu suspirei.

– Hyoga, olha bem dentro dos meus olhos. Você me conhece melhor do que ninguém. Olhe para mim e me diga se você vê algum rastro de mentira.

Ele olhou dentro dos meus olhos e eu o encarei com o máximo de sinceridade que eu podia expressar. Finalmente eu vi meu filho. Aqueles olhos eram meu do meu menino, do meu garoto, do meu Hyoga. Aqueles olhos cheios de tristeza, de insegurança, de carência. Eu vi aquele garotinho, que chegou até mim há muitos anos atrás, novamente. E a vontade que eu tive foi de pegá-lo no colo e embalá-lo em meus braços. Poder beijar aquela cabecinha loira e dizer que estava tudo bem, dizer que tudo ficaria bem. Eu tinha conseguido chamar sua atenção. E eu queria continuar daquele jeito. Mas Hyoga realmente estava perturbado. Ele tremia e seus olhos começaram a marejar. De repente vi um desespero crescente naquele par de diamantes.

– Não! N-não! V-você não pode estar falando sério! É-é mentira! – ele colocou as mãos na cabeça, com se estivesse ficando louco.

– Por que não quer acreditar em mim? Não deseja ser meu filho? Não me vê como um pai? Porque se for isso eu vou entender. Jamais forçaria algum tipo de sentimento que lhe fosse inconveniente. – falei tentando entender porque ele estava tão relutante.

Para! Para! Para! Para de confundir minha cabeça! Pare de me fazer de idiota! O que você quer de mim? O que você quer que eu pense? Como posso acreditar em você depois de tudo que aconteceu essa semana? ME DIGA! – Ele estava se descontrolando de novo.

Não grite comigo! Nem se eu me considerasse apenas seu mestre toleraria tal falta de respeito! Você sabe disso! – falei em tom de autoridade e suspirei logo em seguida. – Eu sei que eu errei com você nessa semana que se passou. E é sobre isso que quero conversar. Por favor, acalme-se e eu vou te explicar tudo. Sei que estou te pedindo muito depois do que eu fiz você passar, mas eu não posso permitir que você vá embora antes que saiba a verdade. Se você quer mesmo tomar essa decisão, pelo menos saiba de tudo para que não se arrependa depois, ok?

Ele pareceu considerar o que eu falei. Respirou fundo e limpou algumas lágrimas que teimavam em cair.

– E-eu não sei se consigo me acalmar. Será que o Milo poderia ficar aqui durante a conversa?

Surpreendi-me com o pedido. Confesso que me enciumei, mas talvez fosse melhor. Ele não estava conseguindo sequer me ouvir sem se exaltar. Não imaginei que eu o tinha chateado daquela maneira. Tive que me resignar.

– Tudo bem. Eu vou chamá-lo. Espere-me aqui.

Continua...