Aprendendo a ser pai
4 POV Hyoga
Notas iniciais
– Eu... tentei me matar. – eu disse e logo abaixei a cabeça.
Senti Milo me apertar um pouco mais naquele meio abraço. Talvez por ter presenciado o ato, aquilo também era muito difícil para ele. Mas nem se comparava com a dor que existia em meu peito. Eu estava ali, me expondo daquela maneira para a pessoa que eu mais admirava. Eu tinha plena consciência da minha fraqueza. Quando pensei em fazer aquilo, eu já estava no auge do desespero. Não sei como aguentei esse tempo todo. O fato é que eu sabia o quanto aquele era um ato covarde, patético e imperdoável. Se eu tivesse morrido, eu sabia muito bem o que me aguardava. Mas eu sobrevivi. E encarar meu mestre era pior do que qualquer um dos seis mundos do inferno. Não porque ele era rígido ou coisa do tipo. Talvez ele resolvesse me punir, sim, mas não era isso que me incomodava. A questão é que sempre considerei Camus um modelo a se seguir. Era meu ídolo, meu herói, meu... pai. Eu sempre fiz de tudo para que ele tivesse orgulho de mim. Fui capaz até mesmo de ignorar o meu enorme sentimento por minha mãe e batalhar contra ele. Tudo porque eu queria que ele se orgulhasse de mim. Que ele visse que, mesmo sendo fraco, eu ainda era digno. Mas então vieram os tempos de paz. E eu não consegui evitar que meu lado depressivo viesse à tona. Eu não fazia por mal. Só que aquela paz sempre me lembrava do quão desgraçada foi a minha vida. Não me arrependo de nada que fiz como cavaleiro de Athena. Mas, e agora? Athena não precisava mais de cavaleiros. Os tempos eram de paz. Eu dediquei minha vida toda a isso e agora... O que eu faria? Minha vida já não era mais necessária. Eu não tinha mais objetivos de vida. E esse vazio que eu sentia só fazia com que eu sentisse falta da minha mãe. Aquele sentimento infantil de querer estar nos braços de minha mãe, voltava para minha mente. E era um sentimento tão forte, que foi capaz de dominar meu corpo e me fazer tentar cometer aquele ato vil. Eu me sentia péssimo por isso. Era difícil de acreditar que um cavaleiro como eu teve a ousadia de tentar aquilo. Justo eu que lutei pela vida, estava tentando acabar com a própria. Aquilo não tinha perdão!
Eu não ia chorar. Não na frente do meu mestre. Não depois do que eu tive a petulância de tentar fazer. O errado ali era eu. Eu não tinha sequer o direito de derramar lágrimas. Milo, por outro lado, já estava soluçando do meu lado. Era realmente surpreendente o quanto ele se apegou a mim. Claro que a recíproca é verdadeira! Mas eu não esperava que ele se apegasse a mim ao ponto de me chamar de filho. Eu nunca sabia o que dizer nessas horas. Eu também tinha vontade de chamá-lo de pai, embora ele parecesse mais com uma mãe. Mas se nem meu mestre eu conseguia chamar de pai, imagina o Milo. E eu tive muita sorte por ter sido ele a me flagrar. Quando ele chegou, eu ainda não tinha feito nada, apenas segurava a faca na altura do pulso. Mas então ele gritou meu nome e, por impulso, acabei cortando-me. Ele tratou logo de me auxiliar, estancando o sangramento. Não foi fácil, já que se travava de um lugar onde o fluxo de sangue era intenso, mas conseguimos. Depois disso ele me deu um baita sermão, que eu ouvi totalmente calado. Eu não tinha coragem de dizer nada, pois sabia que estava errado. Mas, esperei que ele fosse me punir ou algo do tipo, tudo que ele fez foi me abraçar e dizer que estava tudo bem. Foi a primeira vez que não aguentei segurar o choro. Eu tinha cometido aquele crime e ele me dizia que estava tudo bem no maior carinho possível? Deixei que as lágrimas molhassem a camisa dele, mas não expliquei meus motivos. Prometi para ele que não voltaria a tentar suicídio, mas que não queria revelar o que me levara àquela decisão. Ele concordou, embora detestasse quando eu fazia isso. Mas ele disse que se eu voltasse a tentar algo assim ou não observasse melhora em meu comportamento, ele contaria para meu mestre. Claro que depois dessa ameaça eu me virei para conseguir, pelo menos aparentar, uma melhora. Por isso fui atrás de Shaka. Ele parecia controlar muito bem os sentimentos através da meditação. Pensei que comigo também funcionaria. Mas aí aconteceu tudo aquilo hoje de manhã e lá estava eu, agora, tendo que expor essa coisa pavorosa ao meu mestre.
Continuei perdido em meus pensamentos, apenas esperando alguma reação. O silêncio tinha dominado aquele quarto. Ouvi passos em minha direção, já que estava de cabeça baixa. Senti que meu mestre se sentou ao meu lado e pegou em meu braço, deixando a cicatriz à mostra. Ele parecia analisar aquilo.
– Por quê? Por que escondeu isso de mim? – sua voz era de pura mágoa.
– Eu... eu não queria que visse isso. – foi tudo que consegui dizer.
– E você achou que ia esconder isso para sempre? Que ia conseguir me enganar sempre?
– Eu não estava tentando te enganar. – respondi tentando me defender.
– Omitir é a mesma coisa. Você está se forçando a sorrir para mim, quando, na verdade, você quer chorar. Se você não está querendo me enganar, está querendo enganar quem? A si mesmo?
Eu não consegui responder. Sim, eu queria enganar a mim mesmo. Fingir que aquilo não tinha acontecido. Mas, pelo visto, não teria como.
– Hyoga, olha pra mim. – ele mandou. Droga! Isso era tudo que eu não queria.
– Pra que? – acabei respondendo atravessado.
– Vai dar uma de atrevido agora? Tem certeza que é por esse rumo que você quer dar sequência a essa conversa? – ele disse e eu suspirei pesado.
Levantei meu rosto e olhei dentro daqueles olhos. Não! Eu não queria ver aquilo! Eles estavam decepcionados. Eles estavam tristes. E eu era o alvo daquilo. Era por isso que eu não queria que ele soubesse. Eu não queria aquele olhar. Eu não suportaria aquele olhar. Não dele! Não ele! Todos podiam olhar assim para mim, menos ele. Eu não aguentava aquele olhar sobre mim! Não! Não! Não! Tentei segurar o choro, mas foi em vão. Senti lágrimas descendo pelo meu rosto, contra a minha vontade.
– Hyoga, você achou mesmo que essa era uma coisa com a qual eu não deveria me preocupar? Achou mesmo que isso era algo simples que não merecia minha atenção? Eu não consigo entender! Confia assim tão pouco em mim? Acha mesmo que eu não poderia te ajudar?
– Não! N-não é isso, m-mestre! – falei soluçando.
– Então, por quê? Por que escondeu de mim?
– P-porque é v-vergonhoso. Eu não queria q-que você se decepcionasse c-comigo.
– E quando você tentou se matar, não pensou a mesma coisa? Não imaginou que eu ficaria decepcionado?
– E-eu não estaria aqui p-para ver.
Voltei a abaixar meus olhos. Eu não queria continuar aquela conversa, eu não queria continuar a chorar na frente do meu mestre. Expor-me daquela maneira estava acabando comigo. E agora? Meu mestre estava decepcionado! O que ele faria? Ele continuaria me tendo como discípulo? Ele continuaria me tendo como... filho? Será que ele me considerava seu filho? Eu o considerava meu pai, mas às vezes eu me questionava se aquele sentimento era recíproco. Quer dizer, nada mudou desde quando ele me treinava para me tornar cavaleiro. Eu não sentia nenhuma diferença. Eu via como Saga e Aiolos tratavam o Seiya. Cara! Era algo muito especial. Seiya vivia me contando o quanto Aiolos era atencioso com ele, ensinando-lhe dever de casa, jogando videogame com ele, saindo para passear juntos, dando presentes e muitas coisas mais. Saga fazia mais o tipo rigoroso. Era ele quem cobrava notas boas, bom comportamento, resultado nos treinos, educação e etc. Mas Seiya sempre me contava que Saga o elogiava muito, conversava bastante com ele, lhe recompensava sempre que achava que Seiya merecia e coisas do tipo. Eu via esse mesmo sentimento em Shiryu, Shun e Saori. Em Ikki menos, apesar de que ele já tinha me confidenciado que não se importaria em ter Shaka como pai e Mu como se fosse uma espécie de “mãe”. Mas tudo aquilo era diferente do meu mestre e eu. Eu me esforçava ao máximo para dar orgulho ao meu mestre, procurava sempre ser um pupilo exemplar e meu mestre apenas me parabenizava como se eu não estivesse fazendo mais que minha obrigação. Sempre fora assim! Não estava reclamando disso, afinal, eu já estava acostumado. É só que... o fato de não ter a certeza sobre minha importância na vida dele, apenas reforçava ainda mais aquele vazio que eu sentia. Eu não estava culpando-o, de maneira nenhuma. Eu não tinha esse direito, afinal, eu era o fraco ali. Se alguém tinha culpa, esse alguém era eu. Afinal, por que eu tinha essa necessidade de ser necessário? Eu não podia ser um adolescente normal e ser convencido de que eu era importante? Eu não sabia mais o que pensar.
Senti meu mestre se levantar da cama e o ouvi suspirar pesado. Aquilo estava me perturbando. Senti meu coração se apertando a cada segundo que se passava naquele silêncio sepulcral.
– Hyoga, eu quero perguntar uma coisa a você. – meu mestre começou. – É tão ruim assim morar comigo e com o Milo? Está tão insuportável assim?
Ele perguntou e não consegui evitar levantar o olhar, arregalado, para ele. Eu via em seus olhos certa mágoa. Será que... Será que ele pensava que eu fiz aquilo por não gostar da companhia deles? Não! Não foi por isso!
– Como pode me perguntar algo assim, mestre? – perguntei assustado.
– Eu não sei, Hyoga. Estou apenas tentando entender. O que tem de errado com sua vida? Você tem tudo que quer, tem amigos, tem o Milo e a mim. O que mais falta? Eu não consigo ver nada. Então, se não falta nada, só pode ser por insatisfação. Não consigo pensar em algo diferente. – ele continuava, agora o tom magoado estava mais evidente.
– Não, mestre! Por Athena, não é isso! – falei firme.
– Então por que, Hyoga? Por que fez algo tão... tão... Não consigo sequer achar uma palavra apropriada para esse ato. – ele passava as mãos pelos cabelos, nervoso.
Eu continuei calado, sem saber o que responder. Aquele motivo era tão ridículo que eu sequer tinha coragem de dizer ao meu mestre. Eu sabia que não justificava. Eu sabia que nada que eu dissesse justificaria. Mas mesmo assim eu o fiz. Por quê? Por que eu fiz algo tão idiota? Se eu tivesse morrido, pelo menos eu não teria que enfrentar aquilo. Aqueles olhos sobre mim, aquela mágoa, decepção, tudo aquilo me matava por dentro. Era como se enfiassem adagas em meu peito a cada segundo. Eu não podia ser imperfeito assim! Não na frente dele! Ele não... não ia mais me querer. Ele não ia mais querer ser meu mestre. E, mesmo inseguro sobre a correspondência ao meu sentimento, eu não podia negar que havia uma esperança. E se essa esperança se findasse, aí sim, eu não teria mais nada. E aquele vazio tomaria conta de mim. Eu sabia que não tinha forças para aguentar aquilo. Não sozinho.
– Eu... prefiro não dizer. – respondi cabisbaixo.
– Essa não é uma opção, Hyoga. Eu fiz uma pergunta e exijo uma resposta. – agora de magoado, seu tom passou para autoritário.
– Eu não quero. – continuei insistindo.
– Hyoga, precisamos entender. Só queremos te ajudar, meu filho. – Milo disse.
– Mas já está tudo bem. Eu prometi que não faria de novo e eu sou um jovem de palavra. Vocês sabem disso! – falei determinado, apesar do tom embargado em minha voz.
– Essa não é a questão, Hyoga. Sei que é um jovem de palavra, mas, como mestre, tenho que garantir que algo assim não acontecerá novamente. E dadas as suas atuais circunstâncias, só a sua palavra não me basta. – ele disse dura e friamente.
Aquilo foi como um tapa na cara. Ele não confiava mais em mim. Eu estava certo. Eu nunca devia ter mostrado aquilo para ele. Eu sabia que seria assim. Se eu não fosse perfeito, não teria sua aprovação, sua confiança, seu orgulho. No fundo eu não acreditava nisso. Eu não queria acreditar nisso. Mas eu sabia que era a verdade. Por mais esperança que eu tivesse que ele me considerasse um filho, eu sabia que não era correspondido. Aquele olhar, aquela fala, aquele tom só me provavam que eu estava certo. E, naquele momento, senti o chão faltar em meus pés. Eu poderia tentar me matar novamente só por ter confirmado meu maior medo. Mas agora eu já tinha dado minha palavra de que não o faria. E eu era orgulhoso demais para voltar atrás. Então, o que eu faria? Como eu viveria tendo aquela realidade esfregada na minha cara? Será que meu destino era aquele? Ser órfão para sempre? Não saber o que é ter o amor e carinho de um pai? Já não bastava terem me tirado a mãe, agora eu não tinha sequer direito a um pai? Mesmo sendo um cavaleiro que lutara pela paz, amor e justiça, era esse o meu destino? Não tinha outro jeito. Mais uma vez eu teria que abaixar minha cabeça para algo que eu não poderia questionar, algo que já estava pré-estabelecido, e continuar vivendo um dia após o outro.
– Hyoga, eu estou esperando. – o tom de meu mestre se fez mais firme.
– Sinto muito, mas me recuso a falar. – agora olhei dentro dos olhos de meu mestre, para mostrar que eu não estava disposto a ceder.
– Hyoga, pare de teimosia. Obedeça! – ele continuava firme e em uma postura completamente autoritária, de braços cruzados.
– Meu filho, pondere. Não seja orgulhoso. Você sabe que pode confiar em nós, não sabe? – Milo falava passando a mão delicadamente em meus cabelos.
– Não é uma questão de confiança, Milo. Eu tenho consciência do meu erro, sei que fiz algo inaceitável e, não importa o que eu diga, nada será suficiente para justificar meu ato. Sendo assim, que diferença faz saber o motivo? – disse olhando para Milo, que parecia me entender melhor que meu mestre.
– Faz porque vou acabar com esse motivo agora mesmo! Não vou permitir que isso continue dentro de você! Eu não aceito que você tenha pensamentos assim, Hyoga! – meu mestre continuava frio e rígido em sua maneira de falar.
– O motivo deixou de existir no momento em que eu prometi não fazer novamente! Será que não conseguem entender? – perguntei de maneira aflita.
– Ah! Não queira me empurrar essa desculpa, Alexei! – agora ele estava bravo. Só me chamava assim quando estava nervoso. – Se o motivo disso não existisse mais, você não teria tido o trabalho de incomodar o Shaka, preocupando-o desnecessariamente.
Droga! Meu mestre não deixava passar uma! É verdade. Eu não tinha mudado meu modo de ver as coisas. Continuava achando a minha vida desnecessária. Continuava achando que não tinha sentido continuar com aquela existência patética. Que falta faria? Quem sentiria minha falta? Meu mestre? Ele acabara de demonstrar que não. Milo? Talvez. Mas minha relação com Milo era tão recente que eu não tinha certeza se minha não existência o afetaria. Talvez fosse até melhor, já que ele poderia ter meu mestre só para ele, sem ter um “filho” para atrapalhar a relação. Fora eles, eu não era próximo de mais ninguém. Mantinha uma relação saudável, porém distante, com os outros cavaleiros. Até mesmo Shun, que todos consideravam ser mais próximo a mim, eu não permitia ir além de determinada linha. E ele me respeitava. Nunca insistira. Sendo assim, não tendo nada que me prendesse aquele mundo, por que eu precisava continuar naquela vida? Sinceramente, eu apenas queria voltar para os braços da minha mãe. Ela me amava! Ela sim me amava! E envolto naqueles braços eu me sentia feliz. Era lá que eu encontrava a verdadeira felicidade. Por que não podia voltar a ficar com ela? Por que as pessoas não se importavam com a minha existência e, mesmo assim, insistiam para que ela perdurasse? Qual era o significado disso? Eu não entendia! Eu estava cansado de ser o garoto perfeito, de ser o sempre certinho discípulo do cavaleiro de Aquário. Aquele não era eu. Eu nunca fui perfeito! Eu era todo errado, na verdade. Eu não tinha dignidade, eu não era bom, eu não era aquilo. Eu não passava de um pobre coitado que não teve muita sorte e nem muitas opções na vida. Era só isso! Eu estava cansado de usar aquela máscara bonita só para que as pessoas continuassem a ignorar meu lado feio! Eu apenas estava cansado. Cansado daquela vida sem sentido! Esses pensamentos não mudaram. E não havia nada que meu mestre podia fazer para mudar isso. Quer dizer, talvez até houvesse, mas não acredito que ele estava disposto a fazê-lo. Afinal, eu não era o pupilo perfeito do qual ele tanto se orgulhava.
Eu continuei calado. Eu não diria. Eu não daria mais um motivo para meu mestre se decepcionar comigo. Agora que eu já tinha a certeza de que eu precisava ser perfeito e não poderia mais cometer suicídio, pelo menos tentaria manter as coisas como estavam. Eu tinha que dar um jeito de recuperar a confiança e o orgulho do meu mestre. Eu precisava provar que estava tudo bem, que ele não tinha que se preocupar. Eu estava cansado de ser perfeito, verdade. Mas se eu deixasse de me importar, a vida se tornaria tão insuportável que mesmo o orgulho não seria capaz de me frear. Eu precisava fazer com que ele esquecesse aquela falha. Eu precisava apagar aquele deslize. E se eu contasse o motivo de tudo, ele ficaria cismado e perceberia que eu não era quem ele achava que eu era. Se aquela imagem se desfizesse por completo, não teria mais volta. Eu não podia deixar isso acontecer.
– Você não vai falar, não é? – meu mestre disse, resignado.
– Não. – falei determinado.
– Pois, bem, ficará de castigo até que resolva me obedecer. – ele disse, me surpreendendo.
– Camus, eu não acho que... – Milo tentou, mas foi interrompido.
– Está decidido, Milo. Hyoga vai me obedecer! E eu sinceramente espero que um castigo seja suficiente. Afinal, ele sabe muito bem o quanto minha paciência é curta! – ele falava com Milo, mas olhava diretamente para mim.
Fiquei sentado. Não foi por rebeldia, apenas fiquei sem reação. Será que ele não ia mesmo desistir disso? Não! Eu não estava disposto a arriscar. Ele podia fazer o que quisesse, até me torturar, eu não revelaria meu motivo. Eu não lhe daria uma razão para se decepcionar ainda mais comigo. Fiquei olhando para meus pés, ainda sentado.
– Ouviu o que eu disse, Alexei? Pro quarto, agora!
Meu mestre falou e eu, sem falar mais nada e sem olhar para trás, saí do quarto.
Continua...
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