Notas iniciais
Yooo pessoitas XD Olha eu aqui de volta XD!! Desculpa a demora... Como falei, dei uma travada legal XD Non gostei de cap... huahauahauahauahauahauaahu XD!! Mas fiz o melhor q eu pude... De todo o meu coração, espero q vcs gostem XD Só abrindo um parênteses aqui, gostaria de agradecer a Demétria por recomendar a minha fic... Fiquei extremamente feliz *-* =** Boa leitura

– Não me chame de filho. – eu falei cabisbaixo.

Então era isso. Era isso que Camus queria me dizer. Eu deveria estar feliz, não é? Eu deveria estar chorando de alegria nos braços daquele que sempre considerei um pai. E eu estava, sim, muito feliz. Aquilo era o que eu sempre quis ouvir de meu mestre. Finalmente eu tinha a certeza de que ele me amava. Mas por que agora? Por que depois de tudo que aconteceu? Se ele tivesse dito antes, talvez a minha reação fosse diferente. Mas agora minha mente estava um caos. Aquele dia tinha me mudado completamente. Eu me senti livre. Pela primeira vez eu me senti livre para ser o Hyoga que eu era. Sem máscaras, sem fingimento, sem ter que ser perfeito. E eu gostei da sensação. Eu queria experimentar mais daquilo. Talvez assim eu pudesse encontrar um equilíbrio que desse sentido a minha existência. E acima de tudo, eu era livre de me sentir um peso para meu mestre. Eu não precisava mais me culpar por exigir algo de meu mestre que ele não poderia me dar. E agora? Ele disse que me amava como filho. Ele estava me oferecendo aquilo que eu achava que não tinha. Mas o Hyoga que eu era naquele momento, já não era o Hyoga que Camus tanto amava. Eu mostrei pra ele o lado que sempre fiz questão de esconder. Mesmo que ele aceitasse aquele novo Hyoga, eu voltaria para a prisão dentro de minha mente. Eu, inconscientemente, voltaria a querer ser perfeito para agradar meu mestre. Talvez ainda mais, afinal, eu queria poder retribuir aquele sentimento à altura. Eu queria ser o filho que ele merecia ter. Mas eu não era. E voltar a ser aquele Hyoga certinho só me causaria mais angústia. A vida já era um fardo pesado demais para mim. Eu não queria mais exigências.

Senti lágrimas correndo em minha face. Meus olhos já ardiam. Sentia minha cabeça pesada, zonzo como se eu fosse desmaiar. Podia ser efeito do álcool, mas não bebi tanto assim para ter esse tipo de reação. Era o stress! Eu estava dividido entre ser eu mesmo e ser aquele que Camus queria. Eu não sabia o que fazer. Por que ele não disse aquilo antes? Por que esperou até que eu descobrisse o quanto a liberdade de ser era atraente? Eu não queria magoar meu mestre. Eu não queria fazer nada do que eu fiz. Eu não queria tê-lo desobedecido, nem o desrespeitado, nem tê-lo afrontado. Aquilo me machucava também. Eu amava meu mestre. Eu amava meu pai. Eu não queria que esse novo Hyoga fosse um problema para ele. Eu não queria mais causar problemas para ele. Aquele vazio ainda estava dentro de mim. Eu não queria preocupá-lo. Ele passou por maus momentos tanto quanto eu. Ele estava sofrendo tanto quanto eu. Nunca pensei que fosse ouvi-lo dizer que estava acuado e sem reação, inseguro. Camus sempre foi seguro de si, centrado, firme. Vê-lo tão vulnerável por minha culpa, não era fácil. Eu fiquei sem reação também. Foi um choque. Eu era o causador daquilo. O verdadeiro Hyoga é que estava perturbando meu mestre daquela forma. Não! Não! Não! Eu não podia viver daquela forma. Eu não conseguia ser o filho que meu mestre merecia e também não conseguiria viver sabendo que eu causava aquele tipo de sofrimento na pessoa que eu mais amava. O que eu faria? Como sair dessa situação sem magoar Camus ainda mais?

Levantei da cama e encarei meu mestre.

Não posso! Não posso ser seu filho! Eu não consigo! – disse bastante aflito.

– Por que não, Hyoga? O que te impede? O que tem de errado? – meu mestre perguntou com o semblante já desesperado.

– Eu... – coloquei a mão direita em meu rosto, como se estivesse entrando em colapso. – Eu não agüento mais essa vida. Eu não agüento mais fingir ser aquilo que eu não sou. Qual o sentido disso? – eu comecei a rir, minha cabeça latejava cada vez mais.

– Por que está fingindo ser aquilo que não é? Você não precisa fingir, Hyoga! Eu amo você de qualquer jeito! – Camus começou a vir em minha direção.

NÃO! – gritei dando um passo para trás. – Se eu não for perfeito, se eu não for aquele Hyoga, você vai chorar de novo. Você vai sofrer de novo! Eu não quero isso! Eu... eu...

Não consegui falar mais. Senti como se algo tivesse se quebrado dentro de mim. Eu não sabia de mais nada! Eu estava ficando louco. Aquilo tudo veio muito de repente. Eu estava completamente sem esperança. Então o Ikki apareceu e eu pensei que as coisas estavam se encaminhando de alguma forma. Mas meu mestre apareceu com toda aquela história e eu não estava esperando por aquilo. Eu não sabia como reagir! Eu não sabia como encará-lo depois do que eu fiz! Eu não sabia como proceder depois de ter mostrado aquele lado horrendo que escondi durante toda minha vida. Eu estava me sentindo exposto. A vergonha tomava conta de cada milímetro do meu corpo. Eu queria desaparecer! Eu queria sumir daquele mundo! Eu queria...

Braços. Senti braços me envolvendo. Aquele perfume... era meu mestre. Ele estava me abraçando? Ele estava me abraçando? Ele nunca tinha se aproximado daquele jeito antes. Senti que ele me apertava firme, como se quisesse me proteger. Proteger do que? Talvez de mim mesmo. Senti um calor envolver meu peito. Aquele sentimento... Era o mesmo de quando minha mãe me abraçava. Aquela segurança que transmitia um amor sem igual. Até então ela tinha sido a única que conseguira me transmitir aquele calor, toda a chama de seu amor através de um gesto de carinho. Quando foi que...

– Hyoga, acalme-se. Por favor, fique calmo. Você está confuso, meu filho. Ainda não terminamos de conversar. Não se precipite dessa forma. – ele sussurrava em meu ouvido.

A voz de meu mestre era suave, como eu jamais havia ouvido antes. Estava realmente me sentindo uma criança em seus braços. Eu tremia muito, mas aos poucos eu também o abracei de leve. Assim que sentiu que eu retribuí o abraço, ele me apertou mais forte. Como se realmente não quisesse mais me soltar. Aquilo estava me surpreendendo. Meu mestre realmente me amava como um filho? Ele realmente me queria ao seu lado? Aquilo realmente estava acontecendo? Eu não conseguia acreditar. Parecia um sonho! Se fosse eu não queria acordar. Não para aquela realidade em que eu estava inserido na última semana. Uma realidade de solidão, rejeição e angústia.

Desfiz-me em lágrimas. Eu me permitiria ter aquele momento, mesmo que fosse o último. Eu queria ter aquela sensação. Eu queria sentir mais daquele amor. Pelo menos por um tempo, pelo menos uma vez. Era como me encontrar com a minha mãe de novo. Aquele sentimento de plenitude, aquele sentimento de estar cheio de amor. Aquilo era o que realmente dava sentido a minha vida. Saber que eu era importante para alguém. Saber que eu fazia diferença para alguém. Era isso que eu queria e precisava. Mas eu não queria que aquilo terminasse como aconteceu com a minha mãe. Eu era tão importante para ela que acabei perdendo-a. Ela deu sua vida em troca da minha. Eu não queria que Camus fizesse isso. De novo não! Eu não seria esse estorvo! Eu não seria esse peso! A realidade voltou para meus olhos e tentei me afastar de meu mestre, mas ele não deixou. Tentei forçar um pouco mais, mas continuou me apertando firme em seu abraço. Ele estava com medo de me perder? Era isso? Não! Pare de demonstrar isso! Assim não vou conseguir me desvencilhar desses braços. E eu amo demais meu mestre para vê-lo chorar por minha causa.

Usei um pouco mais de força para me afastar.

– Eu não posso ser seu filho! – falei cabisbaixo. – Eu não mereço.

Quer conversa ridícula é essa? – meu mestre falou firme, assustando-me – Quem foi que te deu o direito de decidir por mim? Que eu saiba quem decide se você merece ou não ser meu filho, sou eu!

– Mas...

– Quando nós lutamos na casa de Libra, ou até mesmo nessa casa de Aquário, eu consegui fazer com que você parasse de me ver como pai? – ele perguntou me interrompendo.

Eu fiquei calado. Que pergunta estúpida! Claro que não!

Responda! – ele falou mais firme.

– Não. – respondi quase que num sussurro.

Então não venha querer me forçar a não te ver como filho!

– Mas eu não sou o Hyoga perfeito que você ama. Eu... Eu não consigo mais ser esse Hyoga. — ele não me faria mudar de idéia.

– E daí? Quando foi que eu te pedi pra ser perfeito? Eu não sou perfeito! Por que exigiria algo assim de você, então? Pare de me colocar em um altar como se eu fosse inalcançável! Eu sou tão humano quanto você! Eu também erro, meu filho! Eu errei com você essa semana. Eu errei me afastando de você. Eu errei não deixando claro pra você meus sentimentos. Se eu usar a sua lógica, um pai tão desleixado, como eu, não mereceria um filho perfeito como você.

Pai desleixado? Não! Não era isso! Não era isso que ele era! Aquele era só o jeito dele. E eu sabia disso. Eu sabia de suas limitações em demonstrar sentimento. Eu só... Eu só estava me sentindo sozinho. Eu que quis mais. Será que fui mimado? Será que aquilo tudo foi manha? Não! Aquele vazio realmente existia dentro de mim. Tudo que eu queria era dar um sentido a minha existência.

– A culpa não foi sua. – falei ainda baixo. Estava começando a me sentir ridículo.

– Não tente justificar meus erros, Hyoga. Eu sou maduro o suficiente para saber quando estou errado. Eu sou responsável por você. Eu devia prestar mais atenção naquilo que acontece dentro da minha própria casa. E eu negligenciei isso. Se eu tivesse demonstrado mais, talvez nada disso estivesse acontecendo. Claro que meus erros não justificam os seus, mas não permitirei que você sinta que é o único errado nessa história. Não vou deixar você carregar esse fardo sozinho. – meu mestre se aproximou novamente de mim e segurou-me pelos ombros. – Você é só um adolescente, Hyoga. Você não precisa resolver tudo por conta própria. É pra isso que eu e Milo estamos aqui, pra cuidar de você. Pra permitir que você possa ter uma adolescência mais normal, dentro das limitações que a vida lhe impôs. Entenda, meu filho! Você não tem que se fechar em seu mundo toda vez que tiver algum problema. Peça ajuda! Tanto eu quanto Milo amamos você e queremos o seu melhor. Não fique pensando que é um peso pra mim. Viva! Viva do jeito que você quiser! Eu direi até onde você pode ir. Eu estou aqui para te suportar, pra lhe guiar, pra estar do seu lado. Não me negue isso! Não me negue ter esse prazer! Eu esperei por muito tempo para ter essa oportunidade! Eu já disse! Você é o filho que eu quero e sempre quis ter. Você pode não ser perfeito, mas é perfeito para mim.

Olhei para baixo. Senti meu rosto queimar de vergonha. Será que eu estava sendo infantil? Eu só estava pensando no que seria melhor para ele. Mas ele mesmo estava me falando que o melhor seria me ter ao seu lado. Ele me quer como filho! Ele me ama! Meu mestre me ama! Senti meu rosto ainda mais quente. O que eu faria agora? O que aconteceria agora? Eu realmente poderia ser eu mesmo? Ele ainda assim me amaria? E se... e se eu tentasse me matar de novo? E se eu fizesse qualquer outra besteira? Eu... Eu...

– Ai! – senti um cascudo na minha cabeça.

Para de ficar pensando merda! – era Milo. – Você tem que parar de pensar no que você deve ou não fazer e começar a pensar no que pode e não pode fazer. Hyoga, nós amamos você! Não fique se prendendo, tentando ser aquilo que nem pedimos para que você seja. Não pense muito, apenas seja. Como Camus mesmo disse, nós te diremos até onde você pode ir. Apenas aceite esse cuidado, seu Pato.

Milo estava sorrindo para mim. Não era só meu mestre que estava ali dizendo que me amava. Milo também estava. E dele eu não tinha como duvidar. Ele estava ali o tempo todo comigo, sempre que eu precisei. Foi ele quem me acolheu quando eu estava sozinho. Ele também era meu pai. Esfreguei a cabeça no local onde recebi o cascudo e sorri. Eu não tinha mais o que fazer. Eu não tinha mais desculpas. Eu não tinha mais argumentos. Eles estavam me aceitando do jeito que eu era. Eles estavam dispostos a dar sentido a minha vida. Por que eu estava tão relutante? Por que eu estava resistindo? Por acaso eu era idiota? Qual era meu problema?

Levantei meu olhar e Camus estava com os braços abertos, como me chamando para um abraço. Não consegui me conter e fui até ele lentamente. Senti-me completo naqueles braços, seguro.

– Você é só uma criança, Hyoga. Minha criança. Meu menino. Meu filho. – ele sussurrava em meu ouvido, enquanto me apertava cada vez mais e seus braços.

– Me perdoa... pai. – falei sentindo meu rosto queimar de novo.

– Vai ficar tudo bem agora, meu filho. Eu prometo. – ele se afastou só para olhar em meus olhos. – Mas ainda temos uma longa conversa pela frente. – olhei para ele confuso. – É melhor deixarmos isso para depois. O dia já foi cansativo por si só.

Fiquei sem entender, mas ele estava sorrindo. Achei melhor acatar sua sugestão. Até porque nem deu tempo de questionar. Milo já veio me abraçando e me suspendendo do chão em seus braços.

– Moleque! Olha só a confusão que você arrumou! – ele me colocou no chão e me deu um beijo no topo da cabeça.

– Me perdoa você também... pai. – agora sim eu fiquei vermelho de vergonha.

– Que? Você me chamou de que? – ele me perguntou com os olhos brilhando e sorrindo de orelha a orelha.

– Não abusa. – falei ainda sem graça.

– Olha só que atrevido! Me respeita, viu? – ele disse com a mão na cintura, em tom de deboche.

Eu comecei a rir, junto com Milo. As coisas pareciam acertadas agora.

– Hyoga. – Camus chamou minha atenção. Ele olhava sério para mim. – Prometa que nunca mais vai tentar se matar.

– Acho que não existe mais motivo pra isso. – respondi sorrindo.

– Afinal de contas, qual foi o motivo de você tentar suicídio? Até agora não consegui entender! Era só porque você achava que o Camus não te amava?

– Não. – abaixei minha cabeça. – Eu apenas não conseguia encontrar um motivo pra viver. Desde que as guerras acabaram, não vejo mais muito sentido nessa vida. Então eu comecei a me lembrar da minha mãe e...

Não consegui continuar. Lembrar-me dela sempre era algo doloroso. Ela tinha sido o principal motivo para que eu insistisse naquela caminhada. Mas depois que as guerras acabaram, parecia que minha vida também tinha chegado à reta final. O vazio que existia dentro de mim foi deixado pela ausência de minha mãe. Era o amor dela que me fazia forte, que me fazia querer continuar. Eu buscava fazer com que seu sacrifício valesse à pena. Mas eu já tinha feito demais e eu apenas queria retornar aos braços dela. Aos braços da pessoa que me fez viver.

– Você pode sentir falta da sua mãe, meu filho. – meu mestre falou, surpreendendo-me novamente. – Mas nunca mais se esqueça que não foi só ela que lhe deu um motivo para viver.

– É, seu pato! Se por um lado a vida lhe tirou a mãe, por outro ela lhe deu dois pais! – Milo falou sorrindo docemente para mim.

Senti meus olhos marejarem novamente. Eu não tinha do que reclamar. Não mais.

Continua...