Aprendendo a ser pai
14 POV Camus
Notas iniciais
Eu acordei bem cedo. Não porque não consegui dormir, muito pelo contrário. Dormi bem até demais. Era uma questão de hábito mesmo. Olhei para o lado e vi meu escorpiano dormindo, quase desmaiado. Sorri. Beijei sua testa e me levantei. Fui até o banheiro, escovei meus dentes e lavei meu rosto. Depois eu trocava de roupa, resolvi comer algo primeiro. Estava vestindo apenas um short de seda preto. Estava muito calor naqueles dias. Desci as escadas em direção à cozinha. Senti um aroma no ar e sorri. Aquele garoto não perdia tempo mesmo. Entrei na cozinha e vi Hyoga cozinhando. Sorri ainda mais. Ele estava ali. Meu coração se aquecia só de pensar nisso. Meu filho. Meu filho. Finalmente poderíamos viver em paz, adequadamente, do jeito que eu e ele sonhamos. Eu sabia bem que as coisas mudariam muito de agora em diante. Eu teria que trabalhar menos e despender um pouco mais de tempo com a minha família. Não que eu não quisesse isso antes, mas eu conseguia lidar com Milo e achava que conseguia com Hyoga também. Agora que tudo estava claro, eu precisava conciliar melhor meu tempo. Teria que conversar com Dohko e Shion. Se eu reduzisse minha carga horária de trabalho, precisaria de mais alguém para que conseguíssemos fazer tudo dentro do prazo. Mas isso eram detalhes para depois. Eu ainda estava de férias e queria curtir aquele tempo com a minha família. Quem sabe sair com os dois, viajar. Tinha muita coisa para pensar. Sabia que Milo ia adorar a idéia. Talvez Hyoga nem tanto, já que agora ele se envolvera com o garoto de Fênix. Poderia sugerir de levá-lo à Sibéria por uma semana. Sabia que ele sentia falta do pessoal da vila e poderíamos visitar o mar congelado onde sua mãe estava. Talvez até pudéssemos nadar até o navio. Se eu estivesse com ele, estaria tudo bem. E agora ele já tinha força suficiente para alcançar o local. Planos, planos e planos.
Meu filho estava tão concentrado em sua tarefa que nem percebeu minha presença. Quando foi que esse menino passou a tomar conta daquela casa? Aposto que Milo empurrava todos os serviços para ele. E como Hyoga não era de reclamar, provavelmente fazia tudo. Agradava-me que Hyoga gostasse de ajudar, mas não era justo com ele. Ele precisava estudar e treinar. Milo era um desocupado que mal treinava três vezes por semana. Precisávamos distribuir aquelas tarefas melhor. Eu mesmo precisava fazer mais coisas naquela casa. Não podia deixar tudo nas mãos do meu filho. Eu disse que queria dar uma vida normal a ele na medida do possível. Então já estava na hora de tomar as rédeas daquela casa. Fui me aproximando de Hyoga e baguncei seus cabelos.
– Muito cedo, não acha? – perguntei. Ele virou-se para mim, sorrindo.
– Bom dia me... – ele parou. – Pai.
Como era bom ouvir aquilo.
– Bom dia, meu filho. Dormiu bem?
– O suficiente.
– Está muito cedo para preparar o café da manhã do Milo. – falei sorrindo.
– Ah não! O do Milo eu só faço mais tarde. Esse é o seu. Sei que você sempre acorda cedo.
– Não precisava se incomodar. Você também está de férias, não é?
– Sim, mas não gosto de ficar na cama até tarde. Daqui a pouco tenho que sair para treinar, então não me importo em acordar um pouco mais cedo para fazer o café.
– Entendo. Mas você não vai treinar hoje. – falei me sentando à mesa.
– Hã? Por que não? – ele olhou confuso para mim.
– Você está de férias e eu também. Então, vamos à cidade. Já faz um tempo que estou prometendo te levar até a biblioteca, não é?
– Mesmo? – ele me deu o sorriso mais lindo possível.
– Sim. Depois podemos dar umas voltas. O que acha?
Ele deu a entender que ia falar alguma coisa, mas logo murchou o sorriso e abaixou a cabeça.
– Obrigado. – ele respondeu bem baixo.
Eu sabia bem o que estava acontecendo com ele. Culpa. Ele ainda se sentia culpado pelo que fez ontem. Isso era um problema que eu resolveria logo. Apenas esperaria o café. Aquele assunto tinha que acabar de vez.
– Você precisa de ajuda? – perguntei.
– Não, não. Já terminei. Só falta colocar na mesa.
– Eu ajudo.
Fui até ele e peguei algumas coisas para colocar na mesa. Hyoga realmente me mimava demais. E pensar que aquele garoto fazia um croissant que me lembrava da minha terra natal. E ele nunca esteve na França. Eu me impressionava com suas habilidades. Perguntava-me se ele não tinha interesse de fazer algum curso nessa área. Talvez isso o incentivasse a procurar uma carreira no futuro. Ou talvez fosse apenas mais alguma atividade para mantê-lo longe de pensamentos autodestrutivos. Eu ainda tinha muito que pensar.
– Bom dia família! – Milo apareceu sorridente, surpreendendo-nos.
– Bom dia, mon Ange. – falei enquanto ele vinha em minha direção e me dava um selinho.
– Bom dia, Milo. – disse Hyoga.
– Ora, ora! O que aconteceu com o “pai” de ontem? – Milo perguntou em tom de revolta.
Hyoga ficou vermelho na hora. Milo e eu começamos a rir.
– Está doente, Milo? Acordou cedo. – falei, mudando de assunto.
– Vou treinar com o pato hoje para recompensá-lo dos muitos dias que prometi que iria e não fui.
– Mas ele não vai treinar hoje, mon amour. – falei.
– Que? Quer dizer que acordei cedo para nada? – ele falou revoltado. – Vou voltar pra cama.
– Não, pai! – Hyoga lhe chamou a atenção. Assim que Milo virou para ele sorrindo, Hyoga ficou rubro novamente, mas continuou. – A gente vai à cidade e... seria legal se... você fosse com a gente... – Hyoga foi apenas diminuindo o tom de voz e ficando mais sem graça.
– Quanta honra! Meu filho faz questão da minha presença! Até perdi o sono agora. – Milo falou voltando para onde estava sentado.
Hyoga só não ficou mais vermelho porque não era possível. Milo riu alto. Meu garoto ia demorar pra acostumar com aquilo. Milo começou a se servir do café da manhã. Realmente tinha bastante comida para nós três. Mas Hyoga deu um tapa na mão de Milo quando ele foi pegar um croissant.
– Nem vem, esfomeado! Esse café é do meu pai! O seu não está pronto.
– Qual é, seu pato? Tem o suficiente pra mim e pra ele! Camus não come tanto assim!
– Não interessa! Eu fiz para ele! Se quiser o seu, terá que esperar! – Hyoga parecia sério, o que me fez soltar uma risada.
– Olha só isso, Camyu! Isso é acepção de pessoas! – Milo falou emburrado.
– Pode deixá-lo comer, Hyoga. Agradeço pela consideração, mas realmente é muita comida para mim. E é bom que ele coma agora, assim podemos sair mais cedo.
Hyoga ficou calado e deu de ombros. Não sabia se ficou chateado por eu ter cedido o café que ele fez para mim ou por não poder mimar o Milo com um café só para ele. Achei aquilo engraçado. Hyoga parecia querer cuidar de nós, enquanto deveria ser justamente o contrário. Mas aquele clima familiar que se instalou em nosso meio realmente me deixava feliz. E eu esperava que continuasse assim.
Tomamos nosso café conversando trivialidades. Claro que Milo quis saber do envolvimento de Hyoga com Ikki, o que gerou uma discussão entre os dois, já que Hyoga é muito reservado. Eu apenas fiquei observando. Claro que eu tinha minhas considerações a fazer. Mas tudo seria conversado com Shaka primeiro. Nós entraríamos em um acordo e depois sentaríamos com os dois para deixá-los a par das regras. Eu tinha muito que conversar sobre aquilo. Ikki me cheirava a problemas e agora que Hyoga está nessa fase de libertação, qualquer influência errada seria uma brecha para rebeldia. E isso é uma coisa que eu não permitiria de forma nenhuma. Eu não queria ver aquele comportamento do dia anterior se repetindo.
Terminamos nosso café. Hyoga guardou tudo e começou a lavar as vasilhas. Milo disse que teria que conversar com Aiolia, pois tinha combinado com ele para treinarem eles e Hyoga. Milo achava que Hyoga precisava de um pouco mais de músculos e por isso vivia programando treinamentos mais corporais. Eu sempre disse que aquilo era desnecessário, pois Hyoga já tinha corpo suficiente para um cavaleiro, mas Milo é sempre muito teimoso. Resolvi aproveitar a privacidade.
– Hyoga, será que podemos conversar? – disse ao meu filho assim que ele terminou de lavar a louça.
– Hum? Claro que podemos, pai. O que quer falar? – ele me perguntou um pouco confuso.
– Vamos para o meu quarto para termos um pouco mais de privacidade. – falei mais sério.
Ele me olhou ainda mais confuso e eu coloquei minha mão em seu ombro, como em um meio abraço, e o encaminhei para fora da cozinha. Subimos para meu quarto em silêncio. Fiquei me perguntando se aquilo seria mesmo necessário. Depois de ontem, não acreditava que teria mais problemas com Hyoga. Mas eu realmente não podia deixar o que aconteceu passar em branco. Ele mesmo ainda se sentia culpado pelo que fez. E se eu não o fizesse sentir que estava tudo bem, poderia dar brechas para mais pensamentos negativos. Eu não queria nunca mais passar por aquilo. E pensar que meu filho não tinha nem ideia do tamanho do amor que eu tinha por ele. E pensar que ele chegou a cogitar que se morresse, eu não sentiria sua falta. Isso era tão absurdo, tão inconcebível! Mas não era exatamente isso que eu queria que ele entendesse, até porque já havíamos conversado sobre isso. Não sou o tipo de pai que acha que uma atitude dessas se cura com uma surra. Isso é algo que vai muito além. Mas existem coisas que devem ficar claras. Respeito, confiança, responsabilidade; a quebra de qualquer um desses já é uma atitude rebelde, passível de punição. Eu apenas esperava que ele entendesse isso. Fazia tempos que eu não precisava recorrer a esse tipo de disciplina. A última vez tinha sido quando ele ainda era uma criança. Se ele ainda era o Hyoga que eu conhecia, ele não me daria problema.
Entramos no quarto e eu fechei a porta. Hyoga ficou em pé no meio do quarto e eu pedi para que ele se sentasse em minha cama. Eu fiquei em pé, de frente para ele. Não sabia exatamente como começar aquela conversa.
– Tem alguma coisa lhe incomodando? – Hyoga me perguntou com os olhos preocupados. Não pude evitar sorrir, ainda era meu menino.
– Tem sim, meu filho. O fato de que ainda não conversamos sobre suas atitudes de ontem. – fiquei sério. – Eu creio que não preciso comentar mais nada sobre o que sinto por você e o quanto eu lhe considero meu filho. Espero que isso esteja bem claro para você. E é justamente por isso que eu espero, também, que entenda que não posso deixar o que você fez passar em branco.
Hyoga abaixou a cabeça, como se soubesse que aquele momento chegaria. Fiquei aliviado ao ver aquela reação, assim, as coisas seriam mais fáceis para mim. Aproximei-me dele e ergui seu rosto.
– Antes de qualquer coisa, eu quero conversar com você. – respirei profundamente antes de continuar. – O que você acha que fez de errado?
– Desrespeitei você e desobedeci, fugindo do Santuário enquanto estava de castigo. – ele respondeu bem baixo.
– Não foi só isso. – ele me olhou confuso e eu fiquei mais sério. – Você também bebeu bebida alcoólica, o que você sabe que eu proíbo terminantemente, a menos que eu esteja perto e permita. Além disso, você usou suas habilidades de cavaleiro fora do Santuário, quase provocando um acidente. Graças aos deuses quem estava no carro era eu e consegui controlar a situação. Você sabe que foi um ato completamente irresponsável que poderia ter terminado em tragédia.
– Sinto muito. – ele voltou a abaixar a cabeça.
– E acima de tudo isso, você me escondeu algo extremamente sério.
– Mas...
– Não tem “mas”, Hyoga. Eu sempre fui muito aberto com você e sempre lhe deixei a par de qualquer decisão que eu tomasse. Você me enganou, mentiu para mim. Disse que estava tudo bem, que eu não precisava me preocupar e olha só a confusão que isso rendeu. Eu sempre confiei em você e você quebrou essa confiança. Eu não quero lhe ver agindo assim nunca mais. Dou liberdade a você para ser quem realmente é, mas não lhe dou liberdade para agir irresponsavelmente e nem para quebrar as regras. Você não precisa se esforçar para seu perfeito, você tem todo direito de errar. Mas tem que entender que existe certos limites que você não pode ultrapassar. Fui claro?
– Sim senhor.
– Ótimo.
Eu sentei na cama ao lado dele e bati em meu colo, indicando onde ele deveria estar.
– Abaixe calça e cueca. – falei sério.
– Que? Não! Por quê? – ele me questionou e eu revirei os olhos.
– Porque eu estou mandando, Hyoga.
– Mas é constrangedor. – ele ficou vermelho e eu tive que segurar para não rir.
– Não interessa! Anda logo!
– Mas...
– Hyoga, não tem nada aí que eu não tenha também ou que eu já não tenha visto. Você vai fazer o que eu mandei ou terei que fazer para você? – levantei uma sobrancelha, como que desafiando ele a continuar resistindo.
Ele abaixou as calças lentamente e a cueca também. Eu puxei para meu colo rapidamente, pois a lentidão dele já estava me deixando impaciente. Já desci uma palmada bem forte em seu traseiro.
PAFT**
– Isso é pra você aprender a não me desrespeitar.
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… huumm
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** … aaaiii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**…p-paaaiii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… aaiihiii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… t-tá boooom
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… aaaaahhh
– Não se atreva a me responder daquele jeito novamente!
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… p-paaaiii
– Eu sou seu pai e você me deve respeito e satisfações!
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT… aaauuuu
– E nem pense em falar outro palavrão ou vou lavar sua boca com sabão.
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… de-escuuulpaaaa
– E não quero saber de você me desobedecendo de novo. Quando eu disser para ficar em casa eu quero dizer para... PAFT**... ficar... PAFT**... em... PAFT**... casa! Entendeu?
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… siiimm
– Sim o que?
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… siiim senhoooor
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… p-paaaraaa
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… t-táá doeeendooo
– Vai me desobedecer de novo?
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… n-nãoooo
– Vai me desrespeitar de novo?
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… nãããooo
– Ótimo!
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… aaaahhhaaaa
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… e-eeeu ent-tendiii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… paaaapaaaaii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… cheeegaaaa
– Eu digo quando chega!
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**... nãããooo
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… d-dóóóiii
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… AAAAAHHHH
PAFT** PAFT** PAFT** PAFT** PAFT**… DEESCUUUULPAAA
PAFT** PAFT** PAFT**... TÁ DOOOENDOO
PAFT**... AAAAAAAHHHH
Parei. Seu traseiro já estava bem vermelho e ele já chorava bastante. Mas aquilo ainda não tinha acabado. Fiz ele se levantar do meu colo e ele foi logo esfregando a parte dolorida. Levantei da cama e fui ao guarda-roupa pegar o cinto. Vi que ele olhou assustado para mim.
– O q-que v-você vai f-fa-fazer? – ele gaguejava entre os soluços.
– Vou te ensinar a ser responsável e a não mentir para mim. – dobrei o cinto. – Mãos na escrivaninha, Hyoga.
– N-não... P-por favor! E-eu já aprendi...
– Quem é que manda aqui, Hyoga?
– O s-senhor.
– Então obedeça!
– Ma-mas...
SHLAP**... AAAAHHHH
– Anda logo!
Ele me obedeceu e eu respirei fundo. Por mais rígido que eu fosse, aquilo também não era nada agradável para mim.
SHLAP** SHLAP**… AAAHHHIIIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAAHHH
– Lembre-se disso, Hyoga! Você… SHLAP**... não... SHLAP**... pode... SHLAP**... usar seus poderes... SHLAP**... irresponsavelmente... SHLAP** SHLAP**... Você é um cavaleiro e tem que saber de seus deveres e responsabilidades! Não foi assim que eu te criei!
SHLAP** SHLAP** SHLAP**... PAAAIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAAHHHH
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… EEEUUU NÃO FAAAÇOO MAAAIIS
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAAUUUU
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**... PAAAAIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP**… PAAAIZIINHOOO
– E nem pense em mentir pra mim de novo!!
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… EEUUU PROOMEETOOO
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… POOR FAAVOOR
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAAAHHH
– Ou eu vou quebrar uma vara no seu traseiro!! Entendeu?
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAHIIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAAHHHAAAIII
– Perguntei se En… SHLAP**... ten... SHLAP**... deu!
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**... SIIIMMM
– Ótimo!
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… CHEEEGAAA
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… EUU NÃÃOO FAÇOOO
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… JÁÁ EN-ENTENDIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… PAAAAIII
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… TÁÁ DOOEENDOOO
SHLAP** SHLAP** SHLAP** SHLAP**… AAAHHHH
SHLAP** SHLAP** SHLAP**... CHEEGAAAA
SHLAP** SHLAP**… POOR FAVOORRR
SHLAP********… AAAAAAHHHH
Eu parei. Já estava bom. Ele já estava chorando há muito tempo. Joguei o cinto no chão e fui até ele. Levantei sua cueca e suas calças, ouvindo-o gemer com o contato. Assim que me levantei, surpreendi-me com o abraço dele. Primeiro fiquei um pouco sem reação, mas ele chorava muito. Era reconfortante, para mim, tê-lo em meus braços. Retribuí o abraço, esfregando suas costas para tentar acalmá-lo.
– D-deeesscuuullpaaa... deescuuulpaaa... e-eeuuu nããoo queeriiiaaa deeeceep-pciioonaaar v-vooocêêêê... – ele soluçava e chorava forte.
– Tudo bem, meu filho. Eu já perdoei! Já está tudo bem!
– Maaasss...
– Sshhhhiiiii... Acalme-se primeiro. Depois conversamos.
Eu ainda estava se camisa. Hyoga praticamente molhou meu peitoral com suas lágrimas. Ele não se acalmava. Será que exagerei? Resolvi tentar algo que sempre quis, mas nunca pude fazer. Desfiz um pouco o contato e segurei em sua mão. Direcionei-me para a cama, sentei e coloquei Hyoga em meu colo. Sim, em meu colo. Senti que ele ficou um pouco sem graça e travado, mas eu só queria que ele se acalmasse. Abracei-o novamente. Ele foi se acostumando, se acalmando, até deitar a cabeça em meu ombro e ficar apenas soluçando. Eu passava a mão entre aqueles fios dourados lentamente. O cabelo dele era extremamente macio. Fiquei sentindo sua respiração em meu pescoço e meu coração também foi entrando em paz. Aquilo era tudo que eu queria, tudo que eu precisava. Meu filho! Meu filho! Finalmente ele estava ali. Finalmente éramos pai e filho. E pensar que eu ainda estava fazendo papel de mestre sem nem perceber. Agora sim as coisas estavam como eu queria.
Vi Hyoga erguendo a cabeça e me encarando. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Afaguei seu rosto e ele ficou vermelho de vergonha. Não consegui evitar dar uma risada, o que o deixou ainda mais vermelho. Mas ele acabou sorrindo também. Aquele sorriso lindo que eu amava tanto. E o sorriso que eu queria sempre ver em seu rosto.
– Eu amo você, meu filho. Não se esqueça disso nunca! Eu só quero o seu bem.
Ele ficou calado e abaixou a cabeça. Sua franja tampou seus olhos.
– Eu também te amo, pai.
Ele falou bem baixo. Realmente era muito introvertido. Ficava me perguntando se aquilo era culpa minha, afinal, nunca fui o melhor exemplo de extroversão. Senti o cosmos do Milo na casa. Poucos segundo depois a porta estava se abrindo. Milo estranhou nos ver daquele jeito. Hyoga rapidamente levantou do meu colo.
– O que houve aqui? – Milo perguntou.
– Eu bati no Hyoga. – respondi como se aquilo fosse super normal.
– Que? Por quê? – Milo me perguntou surpreso.
– Como “por que”? Por toda a presepada que ele arrumou ontem.
– Oh meu filho! Seu pai se aproveitou porque eu não estava aqui. – Milo foi em direção a Hyoga e o abraçou.
– Tudo bem, pai. Eu mereci. – Hyoga falou.
Milo não disse mais nada depois daquela declaração. Hyoga surpreendia às vezes.
– Então nós não vamos mais à cidade? – perguntou Milo.
– Claro que vamos. Por que não? – perguntei.
– Ah! Não sei. Lembro que quando eu era jovem e o Shion nos dava surra, a única coisa que eu queria depois era ficar deitado, quieto no meu quarto. – Milo falou gargalhando e eu acabei rindo por lembrar aquela época.
– A decisão fica por conta do Hyoga. – disse.
– Eu... posso chamar o Ikki? – Hyoga perguntou um pouco sem graça.
– Se o Shaka permitir, não vejo problemas.
– Bom que eu falo pra ele até onde ele pode ir. – disse Milo, debochado.
– Ah claro! Como se você tivesse limites quando era mais jovem. – Hyoga falou, zombando de Milo.
– Você contou pra ele, Milo? – perguntei um tanto aborrecido.
– Ah! Eu não pensei que ele fosse namorar um garoto problemático igual a mim quando era jovem. – Milo falava com a mão atrás da cabeça, como se estivesse se justificando.
– O Ikki não é tão problemático que nem você, Milo. – Hyoga disse sorrindo.
– Olha o respeito, moleque!
Hyoga e eu começamos a rir. Milo também acabou rindo.
– Vá chamar o Ikki, então, meu filho. Eu vou me arrumar e encontro você na casa de virgem.
– Ok.
Hyoga saiu correndo do quarto. Milo veio em minha direção e me deu um beijo. Eu o segurei pela cintura e aprofundei o contato.
– Não fiquei muito animadinho. Vamos sair daqui a pouco. – Mili sorriu malicioso para mim.
– Olha só quem fala. – retruquei.
– Parece que as coisas vão se acertar a partir de agora. Finalmente seremos uma família de verdade.
– Sempre fomos, mon ange. Eu só precisava aprender a agir como pai, assim como você.
Beijei meu marido novamente. A vida seria outra.
Fim
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