Notas iniciais
Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD
Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens, se você não gosta, não leia.

Camus POV

O meu primeiro pensamento, obviamente, foi para o Milo. Ele precisava ficar a salvo, sair daquele quarto imediatamente.

Mas, como? Saori não parecia de modo algum alguém com quem se pudesse dialogar naquele momento. Sempre impecávelmente arrumada – a ponto de ser considerada um ícone de estilo — ela não parecia estar em seu melhor momento. A calda do vestido rendado estava amarrotada e embolada nas pernas – provavelmente por ela ví-la arrastando até ali -, o penteado elegante estava semi-desfeito, e os olhos escuros tinham uma expressão sem foco e irracional.

No entanto, de arma em punho, ela olhava de mim para Milo com vivo interesse.

– Ora, ora, ora – ela disse. – Isso não é fascinante? Parece que o senhor meu noivo pretendia dar uma volta com Milo Scorpion às vésperas do nosso casamento. O que, me pergunto, isso pode significar?

– Não significa nada — eu falei depressa, com uma voz que queria que soasse confiante, mas que tremia um pouco. – Eu non ia a lugar algum, Sao. Estava apenas... acompanhando o Sr. Scorpion até a saída.

– Oh, — ela fez, com um sorriso cruel nos lábios rosados — estava mesmo?

Eu relanceei os olhos para Milo, que tentava me passar confiança com um sorriso nervoso.

– Certo – ela continuou de maneira forçada –. Então você estava apenas acompanhando-o até a porta. O que me leva à grande questão – ela balançou a arma em direção ao Milo outra vez -. O que você está fazendo aqui, Sr. Scorpion?

Eu cortei qualquer tentativa de conversa entre os dois, pondo-me na frente do loiro.

– Essa non é absolutamente a questão – falei friamente. Ou pelo menos tentando parecer frio – A questão é o que você está fazendo aqui, Saori?

Ela, para a minha surpresa, lançou a cabeça pra trás e soltou uma sonora gargalhada. Então olhou pra mim outra vez.

– O que você pensou? Que eu não fosse perceber essa imitação grosseira? – ela arrancou um enfeite brilhante dos cabelos, fazendo com que mais alguns fios se soltassem do elegante trançado, e atirou-o na minha frente – Foi aquele Afrodite, não foi? Onde ele está? Onde está a tiara, Camus?

Eu olhei para o objeto que ela havia atirado no chão. Era uma bijouteria, uma tiara de strass brilhante que lembrava um pouco a que eu havia lhe dado.

Eu lembrei do Dite. Ele havia me dito mais cedo que iria arranjar uma substituta pra tiara. 'Pra que Saori não desse pela falta dela antes do tempo', ele explicara. Eu havia sido contra, é claro. Afinal, nós queríamos que ela penssasse que o Milo, digo, o Ladrão Fantasma havia levado a jóia, e o Ladrão Fantasma não costumava deixar substitutas. Mas ele disse que não era pra eu me preocupar, que ele já tinha tudo planejado.

Mon Dieu, os planos do Dite. Eu já devia ter aprendido aquela altura, não?

E aí estava. Ele obviamente havia subestimado a inteligência da Saori. Ou superestimado sua ignorância, como vocês preferirem. O fato é que a Saori podia até ser meio burrinha pra várias coisas e tudo, mas o que meu amigo deixou de considerar é que mulheres como ela simplesmente sabem distinguir uma bijouteria de uma jóia de verdade.

E ela provavelmente também descofiara da maneira como o Dite insistira mais cedo em ajudá-la com o vestido.

Sim, nós havíamos levado adiante aquela idéia dele de arranjar uma desculpa pra entrar na suite da noiva e pegar a tiara, e do Oga prender meus pais em casa com alguma distração qualquer.

Eu até conseguira convencer a polícia — mais precisamente os irmãos do Milo — disso. Na verdade, em uma conversa ao telefone com os gêmeos eu acabara descobrindo que o tal Saga era uma pessoa muito razoável de se conversar. Quanto ao mais novo... bem, digamos apenas que o sorriso enviezado e as piadinhas sem graça deviam ser algum traço de família.

– Eu non sei do que você está falando, Sao. – foi o que eu falei, no entanto.

Mas ela nem parecia me escutar.

– Por que? – ela repetia — Por que, Camus? Você não entende. Eu preciso dela. Preciso me casar com ela. Onde ela está? O que você fez com a minha jóia?

Havia um brilho insano em seus olhos. Ela segurava a arma do jeito que uma pessoa não acostumada com armas de fogo pega numa arma, sem cuidado. Cada vez que ela a agitava na minha direção, eu tinha que resistir a não me abaixar.

– Milo – eu falei então, tentando soar casual -, parece que a minha noiva tem um assunto particular pra discutir comigo. Por que você non espera por mim lá fora?

Mas mesmo que ele estivesse diposto a sair, o que a julgar por sua expressão determinada, não estava, Saori não ia permitir isso, pois disse:

– Acho melhor não. Sente-se naquela poltrona ali.

Mas ele não parecia muito afim de ir a lugar nenhum, muito menos sentar-se numa cadeira na qual ficaria em frente a uma louca com um revólver na mão.

– Saori – eu falei tentando soar conciliatório -, sei que está nervosa com o casamento. Mas dificilmente este é o jeito de...

Fui interrompido pelas gargalhadas sem graça dela.

– Casamento? – ela riu outra vez – Eu estou nervosa com o casamento? Ora, Camus, você nunca teve realmente intenção de se casar comigo, teve? Percebo isso agora. Não depois dele – ela olhou com desprezo para o grego — Tudo porque se apaixonou por esse... canalha? Não, espere, canalha é pouco. – Então lançou pra Milo um olhar raivoso. – Como você chama alguém que rouba o noivo de outra pessoa?

Ele, no entanto, não parecia nem um pouco impressionado com o teatro dela.

– Não sei – disse, educadamente. – Como chamaria alguém que conspirou pra tentar assassinar o irmão do próprio noivo?

Ela ficou branca de repente.

– Isso é mentira! – gritou. A indignação em sua voz era grande – Uma mentira absurda, com o objetivo de manchar meu nome. Mas o que mais se poderia esperar de um homem com um caráter tão baixo como o seu, a não ser mentiras e mais mentiras? – Então seus olhos se voltaram pra mim outra vez — Você não pode acreditar nele, Camus.

– Saori – eu falei -, foi o próprio Hyoga que me contou.

Ela ficou ainda mais pálida, se possível, e levantou as sobrancelhas olhando para mim como se eu tivesse saído de algum lugar sórdido e não da minha luxuosa residência em Long Island, que também teria sido dela... se ela não mostrasse suas cartas.

– Contou a você o quê? – ela ainda balançava a arma na mão de um jeito que me provocava calafrios. – Camus, você sabe perfeitamente bem que eu nunca tentei fazer mal ao seu irmão. Eu amo o Hyoga. Estou dizendo a verdade.

– A verdade? – Eu sorri sem conseguir esconder o sarcasmo dessa vez. – E qual é, Sao, a sua versão da verdade essa semana?

– Oh! – ela fez — Por que tem que ser tão cruel? Não fui eu que fiquei ao lado do Hyoga todo aquele tempo em que ele esteve ferido? Que lia pra ele quando estava incosciente e não tínhamos certeza se ele ia acordar? Não fui eu que o tirei da rua, onde ele poderia ter sangrado até morrer, se eu não o tivesse socorrido?

Eu decidi deixar que ela continuasse falando. Isso daria ao Milo, eu imaginei, uma chance melhor de passagem livre para a porta.

– Ah, oui – falei, com amargura. – Mas ele não teria sido baleado da primeria vez se seu irmão non o tivesse levado àquele lugar horrível, não é?

– Eu não sabia – ela insistiu. – Isso é coisa do Seiya, Camus, juro que eu não...

– Você está mentindo – Minha voz saiu fria. Mais fria até do que eu pretendia – Você está mentindo pra mim, assim como fez com o Hyoga e com todo mundo que eu conheço. Você é uma oportunista ordinária e mentirosa, se escondendo sob uma aparência virtuosa, e nem consigo acreditar no tempo que perdi achando que te amava.

Foi a essa altura que Milo poderia ter fugido pela porta.

Saori parecia completamente atordoada pelo que eu havia dito. Mas para meu total espanto, ele ficou onde estava.

Mesmo assim, o lapso de distração dela era tudo do que eu precisava.

Ela gritou quando eu avancei sobre ela levando uma das mãos à arma que ela empunhava, desviando a mira para o alto e para o lado, ao mesmo tempo em que empurrava meu dedo pra tràs do gatilho que ela segurava.

Se estivéssemos sozinhos eu poderia deixar a arma de lado por um momento e imobilizá-la facilmente, mas Milo ainda estava lá. Se eu permitisse que ela puxasse aquele gatilho, quem sabe aonde a bala iria parar? Inofensivamente na parede... ou no loiro.

E então, apesar dos esforços – de tudo que fiz pra tentar retirar o dedo dela do gatilho de forma eficaz e sem machucar ninguém -, um tiro ecoou pelo quarto com um estrondo ensurdecedor, seguido pelo barulho de algo se partindo em mil pedaços.

O ar se encheu de fumaça. Milagrosamente, eu senti afrouxar o aperto de Saori na arma e, por um isntante apavorante, atribui isso à suspeita de que ela atingira o Milo... principalmente porque nenhum som viera dele.

Mas logo percebi que ela não havia afrouxado o aperto na arma por ter atirado em alguém, mas porque alguém metera uma bala na luminária de parede, bem ao lado da sua cabeça.

Há alguns passos de distância, Milo apontava uma arma para a cabeça da minha noiva. Estilhaços de vidro e louça quebrada estavam espalhados agora pelo tapete oriental elegante da suíte.

– Se não quer que eu faça com você a mesma coisa que fiz com aquela luminária, é melhor soltar essa arma – ele ameaçou.

– Seu covarde! – ela gritou, jogando a cabeça pra trás num gesto arrogante, ao mesmo tempo em que deixava a arma cair no chão com um baque. Eu liberei a mão que ainda segurava no ar e aproveitei o movimento para chutar longe o revólver. – Você acha que ameaçar fisicamente uma mulher com uma arma é a única maneira de exercer seu poder sobre ela?

Milo sorriu pra ela. Um sorriso suave, parecendo tão impressionado com seu discurso quanto estivera com seu teatro.

– Pessoalmente, prefiro a extorsão à violência física no que diz respeito às mulheres. – ele falou, guardando outra vez a pistola em um coldre sob o casaco. – Mas posso abrir uma exeção em alguns casos.

– Isso não vai ficar assim! — Ela ameaçou contrariada, e então se voltou para mim com os olhos brilhantes de lágrimas. Mas as lágrimas delas não me comoviam. Nada mais nela me afetava, não mais.

– Camus... – ela disse com voz embargada – Camus, você não pode deixar as coisas assim... eu sei que eu errei... mas... mas... eu amo você.

Eu a silenciei com a mão.

– Ah, não, isso non, Sao – disse –. Você estava se saindo tão bem antes.

Ela não conseguiu se calar e insistiu:

– Mas é verdade. Sei que você não quer ouvir isso. Deus sabe que Camus Chevalier, o frio e inacessível executivo Camus Chevalier, nunca disse essas três palavras a ninguém. Mas elas são verdadeiras. Eu amo você.

Talvez em outra época aquilo tivesse me abalado, mas não agora. De forma que eu apenas a olhei com curiosidade e disse:

– Agora, isto está indo muito longe, não acha? Você me ama? Non, Sao. É melhor assim. Non vai haver casamento.

Ela não respondeu. Seus lábios se entreabriram trêmulos. De repente, era como se estivesse congelada.

Ignorando-a, eu me afastei pra recolher a arma que havia chutado, e guardá-la na cintura da calça.

Um segundo depois, senti um toque suave em meu ombro, e subitamente meus olhos eram mais uma vez absorvidos por queles azuis que eu tanto amava.

– Nós temos que sair daqui... – Milo começou sério, e então parou quando seu olhar caiu sobre a minha mão.

– Meu Deus, Camus, você está bem? – ele disse, parecendo preocupado — Você está sangrando!

Eu estava mesmo sangrando, já havia visto, mas não por causa de algum ferimento sério. Meu dedo, que Saori machucara ao tentar puxar o gatilho várias vezes, estava cortado até o osso. Mas a não ser por isso eu me sentia extraordinariomante bem.

– Eu estou bem – disse, tranquilizando-o – Estou bem mesmo.

– Certo. – ele falou assentindo antes de conferir mais uma vez as horas no relógio de pulso. Havia urgência e a aflição estampadas nas iris azuladas.

Lá fora eu podia ouvir o que pareciam sons distantes de sirenes e o barulho abafado de passos seguidos por uma agitação crescente de pessoas.

Eu me voltei outra vez para a Saori, ainda paralizada no meio do quarto.

– Sinto muito, Sao – eu sorri pesaroso – que tenha terminado dessa forma. Sinto muito mesmo.

Então os passos foram ficando mais próximos e a figura ofegante e desgrenhada de Seiya assomou a entrada da suíte.

Os olhos do garoto buscaram imediatamente pela irmã para então passarem desconfiados por mim e pelo Milo, para voltarem à garota outra vez.

– Sao – ele disse afobado -, eu te procurei por toda parte. Parece que houve um vazamento de gás. Há policiais evacuando o prédio. Nós temos que sair daqui.

– Não! – ela gritou de repente, arrancando-se de seu esturpor para atirar-se na minha direção, segurando-me pelas lapelas do casaco – Não, Camus! Você não pode. Você... Você me pertence!

Eu a olhei com um misto de pena e desprezo e a afastei. Tão abruptamente que ela se desequilibrou, tropeçando em uma das hastes de metal que se soltara da luminária.

– Nunca mais. – eu falei, e então me virei em direção da porta agora escancarada.

Lá fora os corredores já estavam praticamente vazios, apenas alguns poucos grupos de pessoas ainda passavam apressadas, e uma meia dúzia de policiais com vestimentas anti choque tentavam empurrar para fora alguns últimos hóspedes que resmungavam por estarem sendo retirados de suas suítes.

Nós passamos rápido, esbarrando em alguns deles pelo caminho, enquanto Milo nos guiava pra escada de emergência.

– Dois minutos — ele disse ofegante, abrindo a pesada porta corta fogo. E em seguida nós descíamos, quase a velocidade da luz, todos os lances de escada dos quatro andares que nos separavam da porta de saída no térreo.

Eu apenas o seguia como um cego. Não sabia o que estava acontecendo, mas tampouco fazia perguntas. Não era o momento para perguntas.

Foi apenas quando já do lado de fora do prédio eu tropecei, estatelando-me no gelo a cerca de seis metros do cordão de isolamento da polícia que agora envolvia todo o perímetro do edifício, que eu soube o que de fato estava ocorrendo.

Eu senti o chão estremecer sob mim e vi Milo, mais a frente, olhar pra trás e gritar:

– Não!

E logo percebi o que estava pra acontecer.

Eu abracei a cabeça com os braços e fiquei esperando... Esperando o Plaza desabar em cima de mim.

Só que não foi isso que aconteceu. Não naquele instante. Em vez disso, foi Milo que desabou em cima de mim, com seus 84 quilos me nocauteando. Nós deslizamos pelo asfalto coberto de neve...

... quando uma bola de fogo explodiu atrás de nós, criando uma chuva de tijolos, cocreto, mármore e vidro, cobrindo-nos com uma grossa fumaça preta.

A explosão foi ensurdecedora. Durante vários minutos, eu não via nem ouvia nada, havia apenas escuridão. Eu nem sabia se estava vivo ou morto.

Depois, quando a escuridão passou, eu senti outra coisa. Um peso em cima de mim. Não era por causa da fumaça que eu não conseguia respirar. Era por causa desse peso enorme...

O peso foi retirado de cima de mim e eu ouvi vozes. Eu não conseguia distinguir o que estavam dizendo, mas ao tirar a poeira dos olhos, eu finalmente consegui ver – o céu nublado de Manhattan. E vi rostos familiares olhando pra mim detrás do cordão de isolmento e dizendo coisas... coisas que eu não conseguia escutar porque eu estava longe demais e meus ouvidos ainda estavam sensibilizados pelo som da explosão.

E aí, lentamente, as coisas que as pessoas estavam falando começaram a chegar aos meus ouvidos. Eu até comecei a reconhecer as pessoas que estavam falando comigo. Meu pai estava lá, em pânico. Eu nunca tinha visto meu pai daquele jeito, exceto no dia em que minha mãe morrera, e quando ele soubera do atentado contra o Hyoga em Boston. Afrodite também estava ali. Ele estava abraçado a mãe e ao namorado e estava chorando. Hyoga também chorava junto com Shun. Os gêmeos, irmãos do Milo, faziam parte do grupo também. Mas eles haviam furado o cordão de isolamento, e um deles, era difícil saber qual, estava berrando com alguém que estava no chão.

Não era comigo. Ele estava olhando para o chão e berrando, mas não era comigo, poque eu não estava mais no chão. Dois paramédicos estavam tentando me levantar. Eu tentei ficar em pé, mas meus joelhos pareciam não aguentar o meu peso. Eu estava sendo carregado.

Foi aí que eu o vi. Milo.

Ele estava deitado de costas na neve, e um pó preto cobria todo o seu rosto. A camisa branca do smoking que ele usava também estava coberta com esse pó. Ele não estava se mexendo, e seu solhos estavam fechados. Seu irmão estava ajoelhado ao lado dele, berrando. Aos poucos, eu consegui ouvir o que ele dizia.

– Milo! – ele gritava — Milo, acorde! Vamos lá, pirralho. Acorde, logo!

Eu lutei pra me soltar dos paramédicos que tentavam me levar, e me arrastei até onde ele estava, enquanto os irmãos dele conversavam com a equipe de resgate.

– Milo – eu sussurrei. Ou talvez tenha gritado, eu não tinha como saber. – Milo? – Eu toquei o rosto dele. Ele estava tão gelado. Eu sentia lágrimas se acumulando nos meus olhos, sem que eu pudesse evitar – Milo?

Ele não se mexeu. Eu olhei para o peito dele, que se movia pra cima e pra baixo devagar, muito devagar. Ele estava morrendo. Eu tinha certeza disso. Ele estava me deixando, e eu ia ficar sozinho outra vez, logo agora que nós tínhamos acabado de nos acertar.

Então seus olhos se abriram – piscinas azuis no meio daquele rosto enegrecido – assim como sua boca.

– Camus... — Ele levantou uma das mãos, com as juntas todas machucadas, e acariciou meu rosto – você está bem?

Eu assenti.

Foi só quando a mão abaixou e eu notei uma parte dela úmida, que percebi que estava chorando. Limpei rapidamente o rosto com as costas da mão, sentindo-me constrangido.

– Eu achei que... quando abri os olhos e vi você deitado aqui, achei que... achei que você estava morrendo.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos. Por baixo da poeira o rosto dele estava pálido.

– Não vou morrer agora – ele disse com segurança. – Não quando as coisas estão começando a ficar boas.

Eu sorri pra ele, e ele sorriu de volta. Seus dentes brancos realçando no meio do rosto sujo.

Eu estava tão hipnotizado olhando pra ele que nem vi os policiais lutando pra levar as pessoas de volta pra trás do cordão de isolamento. Também não vi os paramédicos se movendo rápido em busca de uma maca. Não vi os sinais de alerta. Toda a minha atenção estava focada em Milo, em seu sorriso, e naqueles olhos muito, muito azuis.

Por isso também não reparei nos rostos ansiosos e aterrorizados das pessoas quando com um novo tremor, o Plaza estremeceu outra vez.

Eu nunca tive muita certeza do que exatamente aconteceu depois.

Eu senti o tremor, e então uma nova explosão... maior, muito maior do que a primeira... atirou-nos longe, enquanto o que sobrara do Plaza desabava sobre nós.

Milo levou as mãos à cabeça.

Disso eu tinha certeza, porque estava a apenas um metro e meio dele. Eu inclinei o corpo e estiquei a mão, tentando alcançá-lo, quando o que parecia toda a fachada social do Plaza caía sobre ele, mas uma dor aguda me impedia de me mover.

Eu senti um soluço sair dos meus lábios e pensei ter ouvido alguém dizer 'não' baixinho.

Então me dei conta de que esse alguém era eu mesmo.

Depois disso, tudo pareceu acontecer de um jeito meio enevoado, como se fosse debaixo d'água, ou em um pesadelo.

Ou pelo menos foi o que me pareceu.

Havia o caos, o soar das sirenes, os gemidos dos feridos, os gritos de horror dos espectadores que assistiam a tudo de perto, entre fascinados e chocados.

Pessoas choravam. Eu podia ouvir alguém – parecia o Afrodite – chamando meu nome ao longe.

Eu sabia que devia sentir medo. Sabia que devia sentir pelo menos alguma coisa.

Mas não sentia nada. Nada mesmo. Apenas fiquei lá deitado com a bochecha pressionada contra a neve gelada, olhando na direção onde tinha visto Milo pela útima vez.

Não conseguia ver nada lá agora, nada além de uma enorme pilha de destroços.

Ele está morto, pensei então com a parte do cérebro que ainda funcionava.

A fumaça continuava a subir por entre os restos do que antes fora uma das elegantes entradas do famoso hotel, a que dava para a Quinta Avenida, e fazia arder os olhos. Blocos de concreto e tijolos, pedaços de madeira e metal, resquícios brilhantes de mármore e pedra se misturavam de forma terrível a fragmentos de carne e poças de sangue.

Eu podia distinguir pedaços esfarrapados de roupas coloridas, membros decepados, montes de cinzas. E um único sapato... preto, com uma fivela de prata. Um sapato de criança. Era um sapato brilhante que pertencia, talvez, a uma garotinha lindamente vestida pra tomar chá. Agora, o objeto se mostrava fosco e exibia respingos de sangue.

Não que eu me importasse.

Eu não me importava. Nada mais importava. Eu não conseguia sentir mais nada... apenas um frio, um frio terrível que me tomava pela frente da camisa e da calça, anestesiando minha pele.

Ele está morto, eu pensei outra vez com aquela parte do meu cérebro que tinha dominado todo o resto da mente desde que vira Milo ser soterrado por aqueles escombros.

Depois eu pensei: Eu queria estar morto também.

Então uma nova explosão mandou outra onda de destroços sobre mim, e eu me dei conta de que meu desejo estava prestes a ser realizado.

Eu senti algo pesado cair sobre mim e me senti ser puxado. De repente, braços me carregavam. E depois disso tudo ficou escuro.

oOoOOoOo

Milo POV

Meu tornozelo estava quebrado em dois pontos diferentes, conforme foi constatado no raio X. Eu deslocara o ombro, fraturara uma costela e tivera perda significativa de sangue provocada por um corte profundo na coxa direita e outro na testa. Minha cabeça estava enfaixada devido a uma concussão que me rendera 5 dias de coma, fora as escoriações por todo o corpo...

Mas estava vivo.

Alguns diziam que havia sido um milagre. Os bombeiros e o pessoal do resgate mal acreditaram quando ergueram os escombros e me encontraram lá, caído sob eles. Incosciente, sangrando, mas respirando.

O fato é que quando o Plaza desabara sobre mim após aquela segunda explosão, ele não havia caído exatamente em cima de mim como pareceu. Pelo menos não todo ele. Mas apenas a minha volta. O suficiente para me isolar do que estava acontecendo ao redor, prendendo-me numa espécie de caverna de madeira, mármore e concreto. Onde eu permaneci por cerca de duas horas até conseguirem me resgatar.

E agora eu estava ali. Confinado àquela cama de hospital maldita, com um pé engessado erguido em um suporte e o tórax e a cabeça enfaixados, enquanto zapeava os canais da TV entediado.

E eu sei que deveria estar grato por ainda estar respirando, e estava. Mas não conseguia deixar de me perguntar por que nos filmes, quando o herói se arriscava pra salvar uma vida, escapava sempre com um arranhão ou dois no máximo. E quando eu me arriscava pra salvar a vida de alguém, como eu tinha tentado salvar a do Camus, acabava em coma, com ossos quebrados, e tendo que usar aquele gesso horroroso.

É claro que a minha falta de semelhança com os personagens que eu costumava interpretar no cinema não se limitavam simplesmente a extensão dos meus ferimentos. Nos filmes os heróis ou heroínas sempre terminavam com o mocinho ou mocinha no final. Eu, por outro lado, continuava sozinho.

Quanto ao Camus? Bem, eu soubera que ele havia sido resgatado por um dos bombeiros depois da explosão da última bomba. Chegara inconsciente ao hospital e passara alguns dias se recuparando dos ferimentos, mas já havia sido liberado há algum tempo. E desde então não tinha mais voltado pra me visitar.

Diferente do que acontecia nos filmes românticos o primeiro rosto que eu vi ao despertar não foi o dele, mas o do meu irmão — eu nunca tinha visto o Saga chorar desde que nosso pai tinha morrido, então eu meio que soube que a coisa havia sido séria.

E nem dava pra eu me enganar dizendo que talvez ele não tivesse aparecido por não saber que eu havia acordado, porque tinha um cem número de fãs cercando o hospital com faixas e cartazes e meu estado de saúde era noticiado de cinco em cinco minutos na TV.

Até minha mãe e o Oros lá na Grécia ficaram sabendo e tinham se desabalado de Atenas pra cá na semana passada. Mas não o ruivo. E já fazia três dias que eu tinha acordado.

Eu olhei outra vez pra TV, onde a Sky News mostrava, pelo que eu contava ser a centésima vez, imagens do Plaza destruído. Depois aparecia o Secretário de Seguraça dizendo que era para os cidadãos ficarem calmos, e quais as providências que o governo estava tomando pra evitar que incidentes como aquele se repetissem. Uma repórter falava com algumas socialites chorosas que haviam sobrevivido ao atentado, embora suas roupas tivessem ficado terminantemente arruinadas. Então mudavam para imagens da frente do hospital, onde uma meia duzía de fãs histéricas se acotovelavam para aparecer em frente às câmeras, por trás do jornalista que noticiava meu estado de saúde. Alternando, em seguida, para filmagens do enterro da Saori e do Seiya. Eles não tinham conseguido sair a tempo do prédio, e seus corpos haviam sido encontrados sob os destroços alguns dias depois — e, não, diferente do que alguns possam pensar, eu não estava feliz por isso. Tampouco ia ser hipócrita de dizer que sentia muito -. Por fim, a matéria terminava com uma imagen do Camus saindo do cemitério e dizendo que não queria prestar declarações, antes de voltar para o Plaza e o Secretário de Segurança outra vez.

E era por isso que eu sabia que aparentemente o Camus estava bem o bastante pra ir ao enterro da ex noiva, mas não pra vir me visitar.

E ainda tinha aquela história com a tiara. A verdadeira, eu digo. Porque os gêmos tinham-na devolvido a ele depois de tudo pelo que eu soubera. E, segundo o Le Monde (1), ele a havia doado ao Louvre. Exatamente, depois daquela coisa toda de 'ela é sua por direito' e tudo mais, ele simplesmente doou a jóia. Isso tinha que significar alguma coisa, não tinha?

Uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos, e logo meus irmãos entravam no quarto, acompanhados do Shura e do Deba. Essa era uma das coisas boas de se ter um irmão médico – para os que não sabem, o Aioros era médico. É preciso se formar em medicina antes de se tornar psiquiatra -, e dois policiais: eles conseguiam infiltrar no meu quarto um número de gente muito maior do que o que seria normalmente permitido.

– Onde está o Oros? – eu quis saber quando eles entraram, notando a ausência do mais velho.

– Na cafeteria com a mamãe – o Kanon informou – O Sa conseguiu convencê-la a comer alguma coisa. Como você está?

Eu bufei irritado.

– Como você acha? – Respondi mal educado.

E tudo bem. Eu assumo. Ficar preso naquele quarto estava me entediando a níveis extremos, e isso me deixava com um humor péssimo.

Ele passou os olhos da minha cabeça enfaixada, pelas ataduras nas costelas, até a perna engessada.

– É, acho que a Calvin Klein não ia querer você em uma propaganda de algum perfume deles agora.

E o Kanon, é claro, não estava ajudando em nada.

Eu franzi o cenho.

– Sinto ter que te dizer, mas seu estado também não está do melhores. – Eu falei, notando as olheiras sob os olhos azuis e a roupa amassada.

Ele soltou um suspiro cansado.

– Ah, trabalho, maninho, trabalho. A gente está dando um duro danado pra arrumar o que Pandora detonou.

– E os jornalistas não estão facilitando muito também. – Foi a vez do Saga falar.

– Eu imagino – eu disse -, não aguento mais ver imagens do que sobrou do Plaza em todos os canais da TV. Eu já estou quase apelando pro canal de novelas mexicanas.

– Não! – O Oria interveio – Por favor, não faça isso, Milo, você já é suficientemente dramático sem elas.

Eu lancei um olhar mortal pra criatura simpática que era meu irmão caçula, mas ele só riu descaradamente em resposta.

Fala sério, ninguém nunca ensinou pra ele que não é legal avacalhar uma pessoa acamada, não? E daí se eu era dramático? Quer dizer, olha tudo o que tinha acontecido comigo, eu tinha o direito de ser dramático.

– E o estrago não ficou só no Plaza, não – O Kanon continuou, enquanto se acomodava em uma ponta da minha cama. O Shura e o Deba haviam se instalado no sofá de visitas e o Oria estava esparramado na poltrona no canto do quarto -. Os filhas da puta orquestraram a coisa toda direitinho.

– No mesmo momento em que a última bomba explodia no hotel, o vírus que eles infiltraram no nosso sistema de dados concluiu sua atividade, destruindo nossos arquivos, e todos os computadores ligados em rede na central pifaram. – O Saga contou, se ajeitando ao lado do gêmeo.

– A porra de uma carinha feliz apareceu na tela antes que todos os aparelhos da DP apagassem de vez. – Kanon falou.

Saga assentiu.

– O Kan e o pessoal da Inteligência estão tendo um trabalhão pra por tudo em ordem outra vez.

– Sabe – Shura interveio -, sobre tudo isso, tem uma coisa que ainda me intriga. Depois de tanto esforço pra conseguir a tal tiara, por que Pandora resolveu explodir tudo assim? Sim, porque em tese a tiara estaria dentro do hotel, não?

– Não. – Kanon foi direto.

– 'Não'? – Eu ecoeei, sem entender.

E pela cara dos demais não era só eu que não tinha entendido.

– Eles sabiam de tudo o tempo todo. — Saga soltou.

Eu pestanejei.

– Como assim?

Kanon suspirou.

– O Zelos confessou o que sabia e...

– Confessou? – Eu interrompi estranhando. Porque eu me lembrava dos gêmeos terem comentado uma vez que ele não abria a boca nem por decreto.

Ele assentiu

– Parece que esse lance de explosão do Plaza, e a mídia caindo em cima e tudo mais afetou o cara. – ele encolheu os ombros – E o Saga quis fazer o 'tira mal' no último interrogatório.

Ele estava se referindo aquela coisa que os policiais fazem nos interrogatórios, vocês sabem. Como nos filmes, onde um dos policiais faz o papel do cara legal, que quer ajudar o supeito, e o outro é o policial linha dura. E, bom, normalmente o Kan era o policial do mal. O Saga costumava ser mais calmo e ponderado. Mas acreditem, ninguém gostaria de enfrentar o lado 'mal' dele desarmado em uma sala trancada.

– Entendi – eu falei simplesmete.

– Acho que me deu um pouco de pena do sujeito agora – o Aioria se manifestou, fingindo um calafrio.

– Eles grampearam o apartemento do Milo. – Saga falou, ignorando a provocação.

Eu pisquei outra vez sem acreditar.

– O quê?

Porque, francamente, mais grampos? Fala sério, por que essa gente simplesmente não transmitia minha vida em um telão no estádio dos Yakees em uma final contra os Mets? Eles podiam conseguir a cobertura da imprensa também. Facilitaria as coisas. (2)

– Foi por isso que aquele cara – Kanon falou -, o tal Valentine, invadiu seu apartamento naquele dia.

– Nós pensamos que ele estivesse ali atrás de respostas – Saga explicou — , ou pra averiguar seu real envolvimento no caso, e talvez esse fosse um dos motivos também, mas ele estava mesmo era espalhando os grampos. Enquanto revirava a sala, figindo procurar algo, ele ia discretamente espalhando os microfones.

– E como nós também vinhamos monitorando você desde que tudo isso começou a frequência da aparelhagem deles se misturou a nossa, e nós não percebemos nada – Kanon continuou.

– Ou seja – o mais velho concluiu -, nossos aparelhos de varredura perceberam os grampos, mas pensávamos que fossem os nossos.

– Eles arquitetaram tudo direitinho — Kanon falou -. Provavelmente desconfiaram que se você estivesse mesmo envolvido, estaria sendo vigiado, e fizeram proveito disso.

– Mas se eles sabiam de tudo o tempo todo por que não fizeram alguma coisa? Tipo tentar roubar a tiara verdadeira, nos chantagear, ou eliminar algum de nós, não sei. – O Deba, que ficara quieto até então, se manifestou.

– E qual seria a vantagem disso pra eles? – Kanon respondeu — Pandora sabe quem somos. Sabe que a Interpol trabalha em conjunto com a polícia de vários países. Nós havíamos descoberto seu plano e eles sabiam que nós descobriramos. Não importava o que fizessem, no momento em que aquela tiara, verdadeira ou falsa, chegasse ao Louvre, ela seria interceptada pela polícia francesa.

– E nenhum de nós representava um risco real a organização pra justificar uma queima pessoal de arquivo – Saga continuou -. Quer dizer, o que nós tínhamos? Um apanhado de teorias e elocubrações pautadas em uma ou outra prova aqui e ali.

– Que eles destruiram junto com nossos arquivos. – Kanon lembrou.

– Poucos de nós tiveram um contato direto com alguém deles – Saga prosseguiu -. E os que tiveram... como você, Milo, durante a invasão ao seu apartamento, o irmão do Camus, durante o atentado na faculdade, e o Shura, no ataque que sofrera seguindo Shion... ou não seriam capazes de reconhecê-los, como no seu caso, ou não tinham como provar a ligação deles com Pandora, como no caso do Hyoga e do Shura. Mesmo o Dohko teve contato apenas com o Seiya durante as negociações, que, se vocês não lembram, afirmava estar agindo sozinho com objetivo de um golpe no seguro.

– É claro que as coisas não são tão simples assim no que diz respeito ao Dohko – foi a vez do Kanon -. Pandora é influente junto á máfia de vários países e ela ter descoberto sobre ele no mínimo acaba com a sua carreira como infiltrado.

– Agora o Secretário de Segurança terá que arranjar um posto pra ele na polícia secreta, junto com Shion – Saga completou -, e ele também precisará de certa proteção por algum tempo.

– Mas eu acho que isso até vai ser bom pra ele, sabe – Kanon comentou -. Atuar do outro lado da lei, eu digo. Depois de tantos anos de prolongadas separações, e encontros às escodidas, finalmente ele e o Shion vão poder ficar juntos às claras, como um casal de verdade.

Eu o encarei incrédulo.

– O Dohko e o Shion são um casal?

– Você não percebeu? — Ele me encarou de volta, pra depois balançar a cabeça — Você é tão lento, Milo.

Eu bufei.

Como se eu tivesse alguma obrigação de saber.

– Falando no Dohko – o Oria interrompeu nosso pequeno embate -, ele chegou a ir até a estação Grand Central como combinado, naquele dia da explosão?

– Não – Saga falou, balançando a cabeça –. Depois que nós descobrimos sobre o Plaza, concentramos todos os nossos esforços nisso. Em minimizar os danos. Até porque ficou bem claro pra nós que Pandora já havia abandonado esse plano há muito tempo.

– Certo – o Shura suspirou -, então nem eu, o Milo, o Dohko, ou o irmão do ruivo chegamos a representar um perigo real na visão de Pandora... Mas esse Seiya e a tal Saori, por outro lado...

– É isso aí, Sherlock – Kanon piscou pra ele -. O Seiya e a irmã foram instrumentos deles, presenciaram coisas demais e representavam um risco a Organização caso fossem levados aos tribunais e convencidos a falar. Eles não eram confiáveis e precisavam ser eliminados.

– Por isso eles explodiram o Plaza! – Eu e o Oria concluímos ao mesmo tempo.

– Hum – Saga concordou -, e também por acharem tudo muito divertido, é claro. É importante não esquecer que um combustível importante das ações de Pandora é a diversão, o jogo de poder, mostrar do que é capaz.

Kanon assentiu.

– Pandora nunca poderia desaparecer sem seu 'Grand Finale'. – ele fez um gesto amplo com as mãos.

Eu balancei a cabeça.

– Meu Deus, ele são loucos! — Exclamei.

– São – Saga confirmou -. Ou pelo menos o cara por trás deles é.

– Mas ainda tem o tal Zelos, não? – O Deba lembrou — Vocês ainda podem usar o depoimento dele.

Kanon balançou a cabeça.

– Não mais.

Saga prendeu o ar e depois o soltou com força.

– Zelos está morto.

– O filho da mãe tinha uma cápsula de cianeto no molar (3) – Kanon contou -. Ele se matou algumas horas depois de ter aberto o bico. Aparentemente o desgraçado tinha mais medo de Pandora do que de toda força policial junta.

Nós nos entreolhamos em silêncio.

Procurávamos mentalmente alternativas. Qualquer coisa que pudéssamo ter deixado passar. E chegavámos juntos a mesma resposta: Uma grande lacuna vazia. Nós não tínhamos nada. Nada além de teorias que pareceriam conspiratórias em qualquer tribunal do mundo.

Eu respirei fundo, antes de me voltar para os gêmeos outra vez.

– E o que acontece agora?

Kanon deu de ombros

– Agora nós esperamos.

– Esperam? — Shura ecoou.

– Pandora vai voltar. — ele explicou — Não é a primeira vez que eles fazem isso. Mais cedo ou mais tarde ela vai dar as caras outra vez.

– E quando isso acontecer – Saga completou, e o rápido brilho no olhar dele me fez tremer de leve -, nós estaremos esperando por ela.

– E enquanto isso – Kanon anunciou, desanuviando o clima com um sorriso enquanto passava um dos braços pelos ombros do gêmeo -, nós estamos de férias.

– Sério? – Eu perguntei sinceramente surpreso. Porque, realmente, quantos milhares de anos mesmo fazia que eles não tiravam umas férias?

– Hum – ele assentiu -, assim que organizarmos toda essa bagunça que Pandora fez.

– E o que vocês vão fazer? – O Oria quis saber – Sobre as férias, eu quero dizer.

– Acho que vamos voltar com a mamãe e o Oros pra casa pra ver a família – Kanon respondeu -, e depois... não sei. América do Sul, quem sabe?

– De qualquer forma – Saga falou, voltando-se pra mim outra vez- o que importa é que pelo menos você e seu ruivo estão a salvo e a tiara está em um lugar seguro.

– No museu. – Eu falei lembrando do artigo no Le Monde, e Saga confirmou.

– Mas por que isso? – o Deba perguntou de repente — Vocês acham que Pandora poderia ainda estar interessada nessa tiara, ou vir atrás dela outra vez?

– Acho improvável – Saga respondeu -. Mas se Pandora fez o que fez pra consegui-la uma vez, o que impede outros como ela de seguirem seu exemplo?

Era verdade. Eu não havia pensado nisso. Eu só pensei que ele não se importava. Nem passou pela minha cabeça que Camus pudesse estar fazendo isso pra resguardar sua segurança e a da sua famlía. E, quem sabe, senão a minha própria?... Me senti tão idiota.

Só que isso também não mudava o fato de que ele não tinha vindo me ver nem pra saber como eu estava, mudava?

– Sim – Kanon concordou -. É mais seguro assim. E como o ruivinho mesmo falou: o Louvre sempre foi o lugar dela.

– Vocês têm visto o Camus? — Eu perguntei antes de conseguir me impedir.

É isso aí, Milo, mostra pra todo mundo o quanto você está desesperado.

Droga!

Os gêmeos olharam um para o outro de maneira significativa.

– Não... na verdade, não – o Kanon respondeu.

– É – Saga confirmou -. Faz tempo que nós não o vemos.

Eu respirei fundo. Aquela era uma mentira tão óbvia que eu nem perdi meu tempo os questionado. Então eles tinham visto o Camus, mas não queriam me dizer onde, ou o que ele estava fazendo. Provavelmente porque, claro, o que quer que fosse eles achavam que eu não ia gostar.

– Ahh... – o Oria choramingou, se afundado um pouco mais na poltrona – Eu queria férias também.

– Férias de quê? – Eu falei maldoso – Você não faz nada mesmo.

Ele me encarou aviltado.

– Ei, não sou eu que recebo milhões só por colocar minha cara cinco minutos em um comercial de perfume. Quanto que te pagaram mesmo por aquela propaganda de desodorante?

– Ah, cale a boca. – Eu reclamei, jogando nele um travesseiro, que errou o alvo aterrrisando no chão.

E foi nesse exato momento qua a porta do quarto se abriu outra vez.

Eu virei a cabeça pensando que fosse o médico, ou alguma enfermeira... e prendi a respiração. Meu coração dando um pulo repentino e doloroso quando Camus passou por ela, parecendo um tanto atrapalhado ao tentar equilibrar em um único braço um gigantesco buquê de girassóis que despontavam de um emaranhado de celofane e fitas vermelhas.

Na verdade fiquei surpreso do meu coração sequer se lembrar de como bater, pois apenas de vê-lo ali, entrando no quarto daquele jeito, eu tive um choque tão grande que pensei que sofreria uma parada cardíaca.

Ele estava incrível, é claro, como sempre, mesmo vestido de forma casual, com um suéter de cashmere cinza e jeans preto.

Seu outro braço — o que não estava carregando o buquê — estava engessado em uma tipóia, e eu senti meu coração disparado se apertar um pouco. Não tinha dado pra ver que ele estava com o braço quebrado nas imagens na TV.

– Ãhh... Bom Jour – ele disse meio constrangido enquanto passava aqueles magníficos olhos avermelhados de mim, deitado na cama, para os demais presentes no quarto, até o travesseiro largado no chão -. Estou atrapalhando?

– Não. – O Kanon se apressou em dizer, pondo-se de pé outra vez – Nós já estávamos de saída, não é, Sa?

– Hum. – o Saga assentiu, levantando-se também enquanto o ruivo, ainda parecendo um pouco sem jeito, ia até uma mesinha sob a janela, e ajeitava as flores em um dos potes que havia ali para guardar gaze e luvas.

– Estávamos? – o Oria piscou, e então gemeu quando Shura passou por ele dando um discreto chute no pé que ele mantinha sobre o pufe da poltrona. Meu irmão olhou zangado para o espanhol antes que a percepção ficasse evidente em seus olhos claros e ele levantasse da poltrona sorrindo sem graça – Ah é, estavamos mesmo.

Shura balançou a cabeça incrédulo, antes de dizer:

– Vamonos caminando entoces, hombres. (4)

– Thau, Milo – O Deba deu um tapinha no meu ombro enquanto passava por mim em direção a porta.

– Pardon por ter demorado tanto – Camus disse assim que ficamos sozinhos no quarto. Havia pequenos flocos de neve derretendo nos cabelos lisos e vermelhos dele.

– Eu queria ter vindo assim que soube que você tinha acordado – ele continuou -, mas acabei tendo que viajar. Precisei acertar uns detalhes no Louvre... Por causa da tiara – ele deu de ombros -. Cheguei de Paris hoje cedo, e... Nossa, você têm idéia de como é difícil encontrar girassóis decentes em New York nessa época do ano?

E eu, olhando para as flores e para o homem que as havia trazido, senti como se algo dentro de mim se rompesse. E não era meu coração, eu percebi, mas o nó que se formara dentro de mim desde o momento em que eu pensei que pudesse perdê-lo naquela explosão.

Ele estava ali agora. Vivo. Do meu lado. Ele não tinha vindo antes não porque não quisera, ou porque não se importava, como eu havia pensado. Mas porque não pudera vir. Porque estava em outro país tentando dar um jeito de tornar as coisas mais seguras pra nós todos.

– São lindos – eu falei – Obrigado.

– De nada – ele disse, encolhendo os ombros – Você gosta deles, non? Dos girassóis. Foi o que os seus irmãos me disseram.

Eu assenti, percebendo finalmente o que meus irmãos estavam escondendo de mim antes. E não era algo que eles achavam que eu não ia gostar. Ao contrário.

Meu Deus, por que eu tinha que ser tão paranóico?

Ele olhava para o arranjo com o cenho o franzido.

– É uma flor esquisita pra se gostar — disse.

Eu sorri.

– Uma vez – eu falei -, em um filme (5), alguém disse que Deus, quando estava criando as coisas belas, por engano criou os girassóis, e olhando pra eles imediatamente pensou que havia cometido um erro terrível. Mas então, reparando melhor no que havia feito, percebeu que eles também eram belos. 'Os belos erros de Deus'. Eles parecem bocas enormes cheias de dentes afiados, mas pra mim é como se estivessem sorrindo.

Ele assentiu, e aproximando-se de mim na cama deixou que as pontas dos dedos gelados examinassem cada um dos meus ferimentos.

– Entendo – disse — Talvez isso seja porque as coisas belas sempre pareçam erradas no começo... – ele fixou os olhos nos meus — Como eu e você.

Eu vasculhei as íris avermelhadas... e havia calor nelas. Um calor que eu já vira ali antes quando ele falava no irmão, por exemplo, ou no melhor amigo, mas que raramente eu me lembrava de ter visto direcionado a mim.

Eu prendi o ar. Meu Deus, será que seria sempre assim? Toda vez que ele olhasse pra mim a sensação ia ser tão forte que eu ia ficar apnéico?

– Camus... – eu acabei falando hesitante — Eu sei que eu nunca estive... exatamente em um relacionamento duradouro antes... — Eu deixei que as palavras morressem por um momento em meus lábios antes de continuar – Mas eu não acho que vá ser assim com a gente. Quer dizer, tudo é diferente com você. Eu não... sabe, com nenhuma das outras pessoas com quem eu me envolvi... eu nunca amei nenhum deles.

Ele piscou, estático. E então seu rosto se descontraiu.

– Nunca amou nenhum deles, é? — Ele sorriu – Puxa, bem que me avisaram pra non me envolver com atores.

– Bom — eu falei -, parece que você está com sorte, então, já que eu estou saindo desse ramo.

Ele arregalou os olhos.

De repente, estava sério outra vez.

– O quê?

– O que você ouviu – eu disse –. Não vou mais fazer filmes, séries, nem nada do gênero.

– Mesmo? – Para meu desagrado, ele não pareceu estar totalmente convencido. Na verdade, o 'Mesmo?' dele tinha um tom educado demais. – Suze vai ficar desapontada.

– Suze? – Eu repeti confuso.

Ele assentiu.

– Uma das centenas de garotas com faixas lá fora. Foi quase mais difícil passar por elas do que arranjar os girassóis – ele suspirou frustrado -. Suze pediu pra dizer que te ama, e... Marian? – ele franziu o cenho, olhando para cima, antes de voltar os olhos pra mim outra vez — Isso Marian. Marian disse que quer ter um filho seu. Elas perguntaram quem eu era e se recusaram a acreditar quando eu disse a verdade. Depois me fizeram autografar um papel, — ele encolheu os ombros — para o caso de eu vir a ficar famoso também.

Eu soltei uma gargalhada... E imediatamente levei as mãos às costelas, porque aquilo realmente doía a beça.

Mesmo assim era muito, muito engraçado mesmo imaginar o Camus em uma situação daquelas.

Ele sorriu um pouco também, como se tivesse gostado de me ve rir.

– E o que você vai fazer agora? – Ele voltou no assunto — Pretende se aposentar antes do 30 anos?

– Aposentar, não. – Eu falei, recuperando o fôlego – Só não vou mais atuar.

– E quais são seus planos, então?

– Vou montar meu restaurante – eu respondi satisfeito -. É uma coisa que eu sempre quis fazer, sabe, e eu agora tenho dinheiro pra isso. Além disso, não quero mais saber de tiros e explosões por um bom tempo.

– Que bom... – ele sorriu. E aquele brilho, aquele calor que eu tanto amava ver no fundo daqueles olhos estava ali outra vez — Porque eu também non gostaria de ter que passar por isso de novo -. Eu senti o toque dos seus dedos em uma carícia suave pelos meus cabelos -. Você me deu um susto, ange.

Eu olhei para o rosto dele. Estava mais pálido do que o normal, eu percebi, havia linhas escuras sob seus olhos e alguns pequenos arranhões em uma das faces. Mesmo assim continuava lindo. Mais até do que eu me lembrava.

Eu respirei fundo... e o perfume dele me atingiu como um golpe. Era impressionante o efeito que o cheiro dele tinha sobre mim. Era tão... entorpecente. Nenhum dos analgésicos que a enfermeira vinha de quatro em quaro horas ministrar no meu soro me fazia sentir assim.

– Eu tive medo também – eu confessei, reparando na mão enfaixada dele, a mesma que a Saori cortara puxando o gatilho daquela arma –. Como você está?

Foi ele a rir dessa vez.

– Acho que nós estamos invertendo um pouco as coisas por aqui, n'est ce pas? – ele disse – Eu é quem deveria estar te fazendo essa pergunta. — E então completou, mais sério: — Eu estou bem, Milo. Estou bem, agora.

Eu assenti.

Ele respirou fundo, deixando que seus dedos se perdessem nos meus cabelos outra vez, antes de dizer:

– Non é tão ruim quanto parece, sabe.

– O que...? – Eu perguntei sem entender.

Seus olhos estavam fixos nos meus.

– Essa coisa de relacionamento longo – ele mordeu o lábio -. Quer dizer, eu sei que você non tem experiência com isso, e a única experiência que eu tive não se pode dizer que foi exatamente feliz... mas tem gente que realmente aprecia bastante. – ele fez um pausa, as bochechas adoravelmente rosadas — Então, eu estive pensando e talvez a gente devesse, não sei, tentar. Porque de repente pode dar certo dessa vez.

Eu senti meu coração dar um salto, e abri a boca pra dizer alguma coisa, mas ele colocou um dedo sobre meus lábios, calando-me outra vez.

Aparentemente ainda não havia terminado.

– Por isso, — ele respirou fundo mais uma vez — sobre aquela sua proposta de ficarmos juntos, a casa de praia, o cachorro e todo o resto... eu... eu talvez possa considerar... – ele abriu minha mão e eu senti alguma coisa sendo colocada na minha palma -... se você ainda quiser, é claro.

Eu olhei pra ele, e depois para o objeto na minha mão. E tive que piscar pra controlar a onda de violenta emoção que me invadiu.

Havia uma pequena caixa de veludo preto sobre a minha palma. Ela estava com a tampa aberta e era possível ver duas grossas alianças em ouro branco com um enorme diamante central brilhando dentro dela.

Eu o encarei incrédulo.

Eu sabia que ele esperava que eu dissesse alguma coisa, só que de repente tudo o que eu conseguia fazer era olhar pra ele, sentindo o peso da caixa em minha mão. Eu nem me lembrava mais que estava em um hospital. Eu não me lembrava sequer de respirar. Eu só pensava que o final feliz, que eu um dia apenas sonhara que pudesse existir, talvez estivesse prestes a acontecer de verdade.

Então, com uma voz abafada, eu respondi:

– Camus isso... isso são...

– ...Alianças de compromisso – ele deu de ombros – Eu pensei que ficaria melhor em você do que aquela tiara.

Eu balancei a cabeça pra desanuviar a visão. Eu queria ter certeza de que aquilo não era apenas mais outro sonho.

– Espera – eu falei -. Isso... Isso é sério?

– Oui – Ele assentiu. E meus olhos devem ter transparecido uma parte da minha felicidade, porque ele sorriu.

– Mas tem uma coisa. — Ele ficou sério outra vez.

– O quê? – eu perguntei com cuidado.

– Nada mais de roubos.

Eu sorri amplamente dessa vez.

– Com certeza – eu concordei. E então, colocando a caixa sobre a mesinha lateral, eu o puxei para um beijo profundo.

Ele me correspondeu com ardor, como alguém que tinha ganho um prêmio extremamente valioso. E ali, sentindo os lábios dele se moverem contra os meus, eu pensei que quase o havia perdido não apenas uma vez, mas duas. E jurei que não importava o que acontecesse dali pra frente, eu nunca mais iria deixar que nada nos separasse de novo.

Quando, alguns minutos mais tarde, uma enfermeira entrou no quarto nós ainda estávamos nos beijando... E continuávamos a fazê-lo um segundo depois, quando ela se retirou acanhanda.

O Camus provavelmente nunca soube, mas aquele beijo foi assunto de todos que trabalhavam no hospital durante dias.


NT:


1 — Jornal francês de grande circulação.

2 — O New York Yankee e o New York Mets são os dois principais times de baseball de New York.

3 — Essa história de cianeto no dente parece mistura de ficção com realidade, mas não é. Existem inúmeras referências às cápsulas de cianeto, ou pílulas do suicídio. Agentes secretos e pessoas do alto escalão nazista, por exemplo, usaram desse método para se matar ao invés de serem capturados. Acharam melhor morrer junto com as informações que tinham guardadas na cabeça, do que compartilhá-las com seus inimigos sob tortura. O cianeto é extremamente tóxico, causando morte celular por hipoxia, isto é, a célula morre por não conseguir respirar. Alguns relatos ainda mostram pequenas cápsulas de cianeto embutidas em dentes, normalmente em um dos molares superiores.

4 — Vamos caminhando então, homens.

5 — O filme em questão, é o filme 'Devorador de Pecados', muito bom por sinal ^^



Notas finais
Olá a todos,
Aqui está mais um ch pra vocês. Era pra ter saído em Fevereiro, mas acbou que saiu em Março mesmo u.u. Obrigada a todos que tiveram paciência de esperar ^^.
Eu explodi o Plaza! Meu Deus, eu explodi o Plaza! *inconformada* Eu devia ter explodido, sei lá, a casa dos BBB, o Projac, o morro do alemão com a Morena junto, mas não o Plaza! *surtando*
Tudo bem, passou XD... Então vamos aos comentários:
Fãgilrs pirando em 3, 2, 1... calma meninas, não gritem, isso não foi um pedido de casamento... Ainda. São apenas alianças de compromisso, ok? É bom lembrar que na história eles estão no comecinho de 2011, e nessa data ainda não havia sido reconhecido o casamento gay no estado de New York XD. Mas o Camus tinha dado a tiara ao Milo, e depois teve que doá-la por uma questão de segurança, então ele meio que achou que deveria substiuir o presente, por algo mais condizente com o Milo do que uma tiara. E bom, eu achei isso muito fofo da parte dele ^^. Ah, tá bom, podem gritar, vai u.u... XDD
E enfim a Saori teve o final que muitos queriam. Bem, ela mereceu na minha opinião, e mereceu também o que o Camus disse pra ela antes. Aliás, eu sei que ela não fez muito sentido nessa parte, mas era essa a intenção, ela ficou fora de si conforme percebeu que seus planos estavam indo por àgua a baixo, e não estava sendo muito coerente mesmo. Quando ela percebeu que a tiara havia sido trocada, logo desconfiou do Dite, que havia estado na suíte dela com ela enquanto ela se arrumava. Então pensou no Camus, que certamente também estaria envolvido nisso, e começou a pensar em como o Camus havia terminado com ela e resolvido reatar de repente. Nas coisas que ele às vezes deixava escapar nas conversas e surtou. Quando chegou na suíte do Camus pra pedir satisfação e encontrou o Milo lá, só piorou a situação.
E aqui, cabe a mim defender um pouquinho o Dite. O que ele temia que acontecesse foi exatamente o que aconteceu. Ele achava que se a Saori desse pela falta da tiara antes de ter saído do quarto (e daria quando fosse arrumar o cabelo), ela desconfiasse dele, surtasse, e viesse atrás de si ou do Camus. O plano dele era que com a substituição ela não percebesse que a tiara tinha sido trocada, e depois, quando o casamento não se realizasse (porque se o Milo não fizesse isso, ele mesmo ia dar um jeito de impedir) e o Milo já estivesse loge dali com a tiara, pouco importaria o que ela ia pensar. Mas claro que como em todos os planos do peixinho ele deixou de considerar um elemento importante: a frivolidade e o lado interesseiro da Saori. Mas como o Camus mesmo disse, ele já deveria ter aprendido aquela altura, não? XD
Sobre as explosões, pelo que eu pesquisei é assim mesmo que acontece. Normalmente não é apenas uma bomba que explode, mas várias seguidas. Nesse caso, houve três grandes explosões em partes diferentes do hotel. A primeira explodiu em uma parte um pouco mais distante de onde o Camus e o Milo estavam. O Camus sofreu muito mais o impacto do Milo caindo sobre ele do que o da explosão em si, já o Milo foi um pouco mais atingido por ter ficado por cima do Camus. A segunda explosão foi bem perto de onde eles estavam e a fachada do Plaza atrás deles despencou em cima dos dois, principalmente do Milo, que estava mais próximo. A terceira foi um pouco mais perto do que a primeira, mas não tanto quanto a segunda. As explosões só afetaram, obviamente, aqueles que estavam de fora do cordão de isolamento da polícia. Quem estava pra trás do cordão não sofreu nada. O Saga e o Kanon não se machuram um pouco por sorte, um pouco por serem mais treinados a lidar com situações do tipo, e muito por estarem usando as vestimentas especiais anti choque. Pelo menos foi assim que eu imaginei XD
E acho que finalmente todas as peças da trama foram encaixadas, né? Faltava dar um final para o Zelos, sabermos o que realmente haviam ido fazer no apartamento do Milo naquela noite, já que até agora tínhamos apenas hipóteses, e por que Pandora resolveu que era hora de sair de cena. E aí está a resposta. Pandora havia colocado microfones no apartamento do Milo aquela noite, ouviu todo o plano deles, sabia que havia sido descoberta e resolveu que era hora de abandonar o barco, não sem antes se divertir um pouquinho mais com a polícia, é claro, e aproveitar pra eliminar dois problemas em potencial, Seiya e Saori, no processo.
Como eu disse, nunca foi minha intenção acabar com o terrorismo no mundo XD. Mas mesmo que nossos meninos ainda não tenham conseguido pegar Pandora dessa vez, pelo menos eles evitaram um atentado contra o Louvre, e resolveram todo o caso da tiara. Aliás, mais uma sacada brilhante do Camus, eu achei, super inteligente da parte dele resolver qualquer possível problema futuro com a simples atitude de doar a tiara ao museu. Agora eles (o pessoal do museu) que se virem com ela XDD
E o que vocês acharam desse Camus mais doce no final? Eu sempre achei que tinha um lado meigo dentro dele. Ele era todo carinhso com o Oga e o Dite, por ex, então por que não com o Milo, né? Principalmente depois do medo de perdê-lo. Mas ele só é assim com o Milo, tá? Então morram de inveja, meninas XDD (zoeira)
Mas, bem, acho que é isso aí, gente. Comentários são bem vindos, e se eu esqueci de explicar alguma coisa por favor perguntem.
Lembrando que ch que vem é o último u.u, embora algumas amigas que leram esse ch me disessem que esse poderia ser já o último, e é verdade. Mas eu quis um ch a mais pra mostrar um pouco mais deles juntos, sabe. Pra colocar mais personagens, e, claro, para os lemons (sim, no plural hauhauhua), e teremos também um casamento... de quem será? ;)
Por fim, muito obrigada mesmo a todos que acompanham, e um super obrigada especial à: Mel Dark, Sarah, Kamy Jaganshi, Shuichi Duh, ddkcarolina, YukiSaiko, Deb, Shall, Mizue, e Tragic Juliet; obrigada mais uma vez de verdade pelas reviews, pela paciência, pela compreesão e pelo carinho.
Bjos
PS: Créditos devidos à: Meg Cabot e J.D. Robb