Aprendendo a Amar
1 Primeiro Paciente
Notas iniciais
Convido-os a lêerem essa fic feita com carinho.
P.s: Unidos Pelo Caos será atualizada em breve.
Fazia duas semanas que eu perambulava pelas trilhas secretas entre o País das Almas indo em direção ao País do Fogo onde esperava receber ajuda. Minhas roupas sujas e rasgadas evidenciavam que eu enfrentara muitos desafios até aqui. Não sabia dizer quanto mais tempo teria que andar, mas imaginei que quando chegasse o momento eu saberia.
A noite havia chegado mais uma vez e sem ter como me guiar no escuro, procurei abrigo próximo de algumas árvores que cresciam muito juntas. Ali abri minha mochila e tirei os poucos alimentos que ainda me sobrara: duas maçãs e um pedaço de pão.
“Preciso chegar à aldeia da Folha o mais rápido possível ou não sobreviverei”
Após comer somente o pão, decidi guardar as maçãs por precaução. Deitei-me no chão e fitei o céu que naquela noite estava límpido e enluarado.
Repassei mentalmente tudo o que vivi até aquele momento e lágrimas involuntárias escorreu-me de meus olhos castanhos.
Com a visão marejada, adormeci rapidamente.
— Levante-se! – alguém ordenou.
Eu abri os olhos e deparei-me com várias kunais apontadas para meu rosto. Assustada, recuei. Contudo, mãos fortes agarraram seus punhos e os prenderam com cordas.
— Você vem conosco.
Desesperada, tentei identificar suas bandanas, mas vi apenas máscaras em formato de animais cobrirem seus rostos.
“Agentes especiais da AMBU.” Pensei. “Mas de que aldeia?”
Tentei reagir, mas senti uma dor lancinante atrás da nuca e tudo ficou escuro.
Quando finalmente acordei, vi-me dentro de uma sala totalmente isolada e sem janelas. Apenas uma porta que dava acesso à saída. O desespero me acometeu. Levantei-me rapidamente da cama e corri até a porta, mas a dor ainda pulsava fortemente.
— Socorro! Solte-me, eu não fiz nada!
— Isso é o que descobriremos... – disse alguém abrindo a porta.
Era uma muralha. Alto e largo, usava uma capa preta e um lenço sobre a cabeça.
— Meu nome é Ibiki Morino. Sou da aldeia da Folha e estou aqui para interrogá-la.
— Aldeia da Folha? – suspirei finalmente aliviada. – Eu realmente estava procurando por sua Aldeia.
[...]
Fazia exatamente uma semana desde que cheguei a Konoha. Depois que eu relatei a Ibiki tudo o que eu vivenciara nesses últimos dias, ele imediatamente contatou a Hokage e lhe contou meu relato. Ela, muito bondosa entendeu a minha situação, e para minha surpresa, me ofereceu abrigo e um emprego.
Emprego esse que eu começaria naquele dia.
Eu fitei meu reflexo no espelho. O branco do uniforme realçava minha pele morena, mas não combinava em nada com a vermelhidão que se formava em meus olhos após muitas noites mal dormidas e lágrimas derramadas.
“Anda... você precisa ser forte.” Eu dizia a mim mesma. “Não deixe que os fantasmas do seu passado interfiram no seu futuro”.
Era isso que eu repetia sempre que a tristeza ameaçava me engolfar por inteira. Tenho tido pesadelos desde aquele trágico dia, mas não é hora de pensar nisso. Eu precisava trabalhar.
Ao sair de casa segui até o hospital da Folha onde eu trabalharia de médica ninja. Mesma função que eu exercia em minha antiga aldeia...
... As lembranças me inundaram novamente...
Eu respirei fundo várias vezes tentando me recompor, mas falhei miseravelmente. Talvez eu não estivesse pronta ainda para entrar num hospital novamente...
— Ei, não vai entrar? – uma voz feminina soou atrás de mim despertando-me de meu devaneio.
Eu me virei e vislumbrei a Sra. Tsunade parada ao meu lado. Ela viu o brilho de meus olhos e logo entendeu tudo. Ela se aproximou e pousou uma mão sobre meu ombro num claro gesto de compaixão.
— Eu posso arrumar um emprego diferente para você se não estiver pronta. Sei que o luto é recente...
— Obrigada pela atenção, senhora Hokage. – eu agradeci enquanto secava minhas lágrimas com o dorso da mão. – Tenho certeza que quando entrar por essa porta, eu voltarei ao normal.
— Entendo. Se você diz... – ela deu de ombros. – Nesse caso, como é seu primeiro dia te darei uma tarefa simples. Venha comigo.
Eu assenti e a segui para o interior do hospital. Ela me apresentou a várias pessoas que eram as responsáveis pelo local. Depois a segui para o ultimo andar.
— E qual tarefa a senhora me dará? – perguntei curiosa.
— Bom. Veja você mesma. – ela abriu a porta de um quarto e nós duas entramos.
Havia um homem aparentemente dormindo na cama. Seu rosto estava parcialmente coberto pelo lençol. Apenas seus olhos podiam ser vistos sob a cabelereira prateada. Havia uma cicatriz em seu olho esquerdo.
— Esse é Kakashi Hatake. Seu primeiro paciente. – ela me disse sorrindo otimista.
— Kakashi Hatake? – exclamei em voz alta, mas logo me arrependi, pois não queria acordá-lo. Voltei a perguntar, porem mais baixo. – O mais famoso ninja copiador?!
— Esse mesmo. Recentemente ele esteve em uma missão junto com o time 7 na aldeia da Areia, porém foi gravemente ferido. Ficou em coma, mas eu já prestei os primeiros socorros. A sua função é apenas cuidar dele. Dar a alimentação adequada, os medicamentos nas horas certas... esse tipo de coisa.
Eu assenti anotando tudo mentalmente. Eu não podia falhar com aquela que me ajudou quando eu mais precisei.
— No momento ele está apenas dormindo, mas quero relatórios diários sobre sua evolução daqui para frente. Posso contar com você Yagami?
— Sim senhora. Darei meu melhor.
Tsunade andou em direção à porta, mas parou abruptamente.
— Quanto aquilo, já enviei um esquadrão da ANBU para a sua antiga aldeia. Assim que eles descobrirem o culpado, te avisarei. Até breve.
— Do que ela está falando? – disse uma voz atrás de mim, depois que ela já tinha ido embora.
Eu me virei e vi que o ninja mais famoso do qual ouvi falar havia acabado de despertar.
— Bom... bom dia, senhor Hatake... Meu nome é Astrid Yagami e serei sua médica a partir de agora.
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