Aprendendo a Amar

3 Um passo para frente a descobrir- O Re-Encontro


Notas iniciais
Mais um! Estou conseguindo manter um capítulo por dia. Eu ainda não decidi qual será o tempo entre uma postagem e outra. Espero manter entre um ou dois dias. Sou ansiosa demais para postar um por semana apenas. Espero que curtam!

Rodrigo saiu de casa em direção a Universidade 40 min. antes do horário de início das aulas, já que ele dificilmente chegava atrasado. Após as horas no estágio, tinha passado a tarde em seu apartamento arrumando algumas coisas, já que havia voltado da casa dos pais no dia anterior. Como algo sobrenatural, ele passou o tempo inteiro lembrando-se do tal Lucas. Queria acreditar que era porque o caso causa-lhe surpresa, pois, nada poderia ter a ver com as sensações que sentiu ao ser beijado por ele. Continuando a andar, acabou lembrando de Mariana, a garota que havia namorado quase que toda sua vida. Eles se conheceram ainda quando pequenos e, por pressão da família, acabaram namorando. Tinham por volta de 13 anos quando o primeiro beijo foi trocado. Desde então não haviam mais se separado, até Rodrigo, ao terminar o ensino médio, decidir que queria fazer faculdade. Mariana pensava que eles casariam, ela seria dona de casa e “Drigo”, como era chamado pelos amigos de infância, trabalharia na lavoura com seus pais. Na verdade ela estava se iludindo. Desde muito cedo ele havia mostrado aptidão para a escrita. Quando ficou sabendo desta vontade dele, ela tentou argumentar, dizendo que ele nunca havia dito nada sobre aquilo, mas não adiantou. Terminaram o namoro e Rodrigo, então com 18 anos, prestou vestibular para o polo de uma instituição técnica que havia em sua cidade, já que os pais o achavam muito novo para começar a morar sozinho em uma cidade maior do que a deles. Acabou passando por excelência e durante dois anos fez o curso de agropecuária, ajudando muito o pai com as questões técnicas. O negócio da família acabou se aperfeiçoando e cresceu, assim como o rendimento. Aos 21 anos o loiro fez o ENEM, passando para a Universidade da cidade que agora morava, para o curso de jornalismo.

Mariana até tentou voltar com ele nesta época, já que sua família havia melhorado de condições. Mas Rodrigo sabia das possibilidades que tinha em sua nova vida, por isto, resolveu acabar de vez com a guria. Não foi com surpresa que ao visitar os pais nesta última vez, soube que ela havia casado com um antigo colega deles de escola. Ao receber a noticia não se mostrou nem um pouco abalado, o que para os pais pareceu estranho, já que haviam namorado por tanto tempo. Na hora Rodrigo pensou que era por causa de indiferença mesmo, porém, agora percebe que estava ainda tão influenciado pelo que sentiu naquela última festa que não havia nem espaço para lamentar este fato. Voltando ao presente, Rodrigo embargou no ônibus circular da Universidade, que era usado pelos estudantes para se deslocarem entre os campus. Como ainda estava adiantado, resolveu passar na cantina pra comer algo e assim ir para a sala. Normalmente o pessoal começava a entrar pelas 19h30, mesmo o horário sendo 19h. Mas desta vez, de forma atípica, a sala estava cheia, em sua maioria de gurias, quando entrou 18h55. Rodrigo estava se questionando sobre o motivo quando ouviu uma voz.

— Boa noite, você pode dizer seu nome para que eu anote aqui na folha de chamada?

Quando o loiro virou, seus olhos não acreditaram no que via. Era ele, o cara que atormentou seus pensamentos desde o final do último semestre. Não lembrava direito de sua fisionomia, mas a sensação que sentiu não tinha como se enganar, era ele mesmo.

— Rodrigo... Rodrigo Costa.- falou se perguntando se estava mesmo passando por aquilo — Você é o novo professor de...

— Sim, sou Lucas Mattos, novo professor de fotojornalismo do curso. Muito prazer — disse sorrindo de canto. Rodrigo percebeu na hora, ele também havia o reconhecido.

**

Quando Lucas viu aquele rapaz entrando pela porta da sala de aula não acreditou no que seus olhos estavam vendo. O garoto que ocupou todos os seus pensamentos durante o último mês estava ali, em sua aula. E mais, o encontraria semanalmente, já que daria mais uma cadeira na quarta-feira para o terceiro semestre, de Teorias da Imagem. A primeira coisa que lhe ocorreu foi perguntar qual seu nome. Na festa Lucas acabou se apresentando, porém, o garoto, de tão aturdido que estava, não havia dito o seu. Então ele se chamava Rodrigo...

Nesta hora chegaram mais alguns alunos e, pela sua conta, seria o número de inscritos até então nesta cadeira. Resolveu então se apresentar.

— Olá, boa noite. Sou Lucas Mattos, o novo professor de fotojornalismo. Peço que o pessoal que chegou por último, na hora do intervalo me passe seus nomes. Como chegaram em cima da hora, não poderei recolher o nome de vocês agora. Falando nisto, já aviso que não tolero atrasos em minhas aulas.

Dizendo isto, tão enfaticamente, Lucas já cativou todas as gurias da sala. O novo professor de pele clara, cabelos escuros um pouco compridos até o pescoço, olhos enigmáticos e um porte jovial apesar da idade, que aparentava ser por volta de 30 anos, parecia ser um homem encantador.

— O plano de aula será enviado para vocês pelo sistema de aprendizado, espero que todos tenham acesso e já tenham se inscrito. No mais, espero que nossas aulas sejam bastante produtivas, me mostro disponível para o que vocês precisarem- disse isto olhando diretamente para Rodrigo que ficou desconcertado como na primeira vez que se viram.

Enquanto Lucas passava algumas coisas no quadro branco, Rodrigo ficou pensando no que faria. Havia a possibilidade de trancar esta cadeira no semestre, porém, Daniel, seu supervisor no estágio, havia dito que assim que ele tivesse esta experiência em fotografia, o colocaria para trabalhar para as empresas atendidas por eles. Precisava disto, seria bom para seu currículo. A segunda opção seria ignorá-lo totalmente, agindo como se não lembrasse nada. Mas pelo jeito que o havia olhado, tinha certeza, ele havia percebido seu desconforto. Analisando ele mais profundamente, percebeu como era bonito e altivo. Estava vestindo calças jeans e camisa vermelha. E desta vez estava de óculos, o que o deixava mais interessante ainda. Ao constatar isto, Rodrigo arrumou-se melhor na cadeira. Céus, estas aulas seriam no mínimo emocionantes.

— Bom, se não há mais nenhuma dúvida aquilo que será passado, penso que já podemos começar com o conteúdo. Primeiro eu sempre trago a máquina para quem não teve contato ainda conhecer, pois isto irá determinar se vocês farão boas fotos ou não.

Lucas continuou explicando cada comando aos alunos, que pareceram muito interessados. Rodrigo não o questionou em nenhum momento. Lucas se perguntava se ele estaria incomodado com sua presença, se havia sentido alguma coisa em vê-lo, pois, podem acreditar, ele estava muito ansioso. Ainda mais quando seus olhares se cruzavam.

— Penso que por enquanto é isto. Como no jornalismo a fotografia produz muitos sentidos, semana que vem nossa aula será mais teórica. Porém, ao fim posso sempre mostrar alguma coisa a vocês na máquina, ou tirar alguma dúvida. Estão dispensados.

Os alunos saíram em disparadas. Haviam combinado de beber para comemorar o início de mais um semestre. Rodrigo não iria, não se sentia a vontade para fazer isto já que levantaria cedo no outro dia. Estava terminando de guardar suas coisas quando percebeu alguém se aproximando. Quando levantou os olhos, percebeu que não havia mais ninguém na sala, a não ser ele e Lucas.

— Então você se chama Rodrigo. Passei o mês inteiro pensando em qual seria seu nome — disse o professor, olhando profundamente nos olhos dele.

— Olha, eu não sei do que o senhor está falando, tenho que ir agora antes que saia o último ônibus do circular.

Lucas resolveu não forçar nada agora. Sabia que ele havia lembrado de si, apenas pelo seu olhar. Ler a expressão das pessoas era algo que sempre usará em sua profissão, e em suas conquistas também.

— Se quiser posso te dar uma carona, estou de carro.

— Não obrigado, não precisa se incomodar. Eu já estou indo. Boa noite — disse Rodrigo, com medo de que, se não saísse dali, resolvesse ficar e falar tudo que havia sentido para ele.

— Ok, você quem sabe. Até mais.

Enquanto Rodrigo saia da sala, Lucas pensava que por mais que houvesse sentindo algo de diferente por ele, não seria tão piegas assim. Se ele achava melhor esquecer o que havia acontecido, beleza, não seria ele que correria atrás. Até porque ele conquistava apenas para passar algumas horas com alguém e nunca mais a ver. A sensação que sentiu por Rodrigo durante à aula era nova, e ele não queria sentir, o deixou frágil. Ignorando o sentimento de abandono que sempre surgia arrumou suas coisas e saiu. Com certeza esta seria mais uma noite com pesadelos e lembranças de coisas que queria esquecer.

Notas finais
O próximo capítulo já está pronto! Espero que vocês estejam gostando. E ainda aguardo algum comentário. Até mais :)