Aprendendo Com A Vida!

7 Capítulo 7 - Quem Precisa de Baile.


Notas iniciais
Fala pessoal.. É ramelei de novo , depois de acho q duas ou três semanas to vindo pra postar o capítulo. Esse ta realmente BEEM longo, acho q foi devido a demora acabei me empolgando e escrevendo bastante. Vou tentar padronizar um tamanho pra cada capítulo pra ficar bem aceitável por todos. Bom da ultima vez eu prometi três surpresas, a primeira é que transformei a história em uma "Songfic". Pra aqueles que não sabem, songfic é quando colaca-se um trecho de alguma música no inicio do capítulo que faça alguma relação com ele. Tive essa ideia após ler o conto "Light" escrito por "Gabi_Cambi", também postado aqui no Nyah. A segunda surpresa vocês vão entender ao lerem o capítulo, e a ultima eu resolvi transformar em uma pesquisa. Eu estava pensando em narrar a história em primeira pessoa( aquela que o próprio personagem conta a história) ao invés de terceira pessoa como estou fazendo. O que vocês acham? agradeço desde jah e quem puder, manda review.

"Estava esperando por uma garota como você Entrar na minha vida

Estava esperando por uma garota como você, seu amor vai sobreviver

Estava esperando, alguém novo Pra me fazer sentir vivo

Yeah, Esperando por uma garota como você entrar na minha vida." (Foreigner/ Glee).

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Naquela manhã de sábado Virgil fez toda sua rotina normal. Acordou, tomou seu café, passeou com Buddy e por fim, passou o dia todo no computador. Quando eram por volta das três ou quatro da tarde, Christine diz:
- Vai passar o dia todo nesse sofá?


-Provavelmente. — Respondeu Virgil indiferente.


-Não vai pro Gus ou coisa assim? Todo os sábados vocês sempre programam alguma coisa “interessante” pra fazer. -Indagou Christine. Sua voz tinha um tom levemente sarcástico.


- Não, ele esta ocupado se preparando pro “grande baile da escola”. — Respondeu Virgil gesticulando com as mãos.


- Ah! O baile já é hoje?! Nossa o tempo passou rápido mesmo. E você não vai mesmo por...? — Christine quis saber.


- Porque não estou afim. — Respondeu Virgil, dando de ombros.


- Tem certeza que é essa a única razão filho?


- TENHO! E gostaria muito mesmo se todos vocês parassem de me pressionar. — Agora seu tom de voz parecia um tanto quanto irritado.


- Desculpe, só estava tentando ajudar. — Respondeu Christine indo em direção a cozinha. — De qualquer forma não devia ficar sentado na frente da TV o dia todo. Está um tempo tão gostoso la fora. Por que não vai com o Buddy até o parque?! Pelo menos você se distrai um pouco.


- Se eu for promete que vai parar de perguntar sobre esse baile estúpido?


- Palavra de mãe. Ou de escoteiro. — Disse Christine dando um sorriso e fazendo o gesto dos escoteiros.


-Ótimo, vou me trocar. — Disse Virgil por fim levantando-se do sofá e sorrindo. Sua mãe tinha aquele dom de deixar todas as coisas melhores. Virgil se trocou, colocou uma bermuda velha azul clara e uma camiseta branca. Amarrou os sapatos antigos e desceu as escadas. Buddy o estava esperando sentando na porta com a guia na boca.


- Muito bem amigão vamos até o parque, espero que ainda tenha pique pra poder correr e brincar. — Disse ele tirando a guia da boca de Buddy e a prendendo na coleira.


- Virgil não se esqueça de que teremos visitas hoje a noite, então não se atrase para o jantar. — Disse Christine da cozinha.


- Ah?! Claro pode deixar. — Respondeu ele sorridente.


- Você já havia esquecido não é mesmo?! — Indagou Christine.

- Mais ou menos. — Admitiu ele. — E quem vem jantar aqui mesmo?


- Uma amiga do trabalho com seus filhos. Eles estão se mudando hoje pra rua aqui de trás e ainda estão meio perdidos, então os convidei pra poder ser uma boa amiga e vizinha. — Disse Christine. — Esteja em casa antes das sete ok?


- Pode deixar mãe, até mais tarde.


Virgil saiu pela porta com Buddy na coleira e seguiu para o parque que ficava a uns 4km de sua casa. Enquanto caminhavam pela vizinhança avistaram na rua de trás um caminhão de mudança com algumas pessoas descarregando alguns móveis. Deduziu ser a família que jantaria naquele dia em sua casa. Ele pensou em ir ajudar, mas logo mudou de idéia e seguiu seu caminho até o parque. Chegaram la por volta das quatro e meia da tarde.


Virgil soltou a guia de Buddy que no mesmo momento correu livremente, pulando e rolando pela grama, trazendo galhos para que Virgil arremessasse para ele ir buscar e essas coisas. Brincaram por cerca de uma hora, e depois foram dar uma volta em torno no parque.

Depois de caminhar um pouco ele chegaram ao ponto mais alto, um pequeno morro. Virgil sentou-se na grama e Buddy deitou-se a seu lado.
No lugar onde estavam conseguiam enxergar todo o lugar. Virgil podia ver as crianças brincando, as famílias andando todas juntas, os cães correndo atrás dos carros e o casais que caminhavam felizes. Aquilo fez com que Virgil sentisse uma pontada de inveja. Via os casais de mãos dadas, se dando abraços e beijos. Aquilo o deixava péssimo. Ele deitou-se sobre a grama com os fones no ouvido e fechou os olhos. Virgil sabia que por mais que ele negasse, no fundo ele queria muito ir aquele baile. Estar com uma garota legal, que gostasse dele da maneira que ele era. Gostaria de dançar com ela as musicas lentas. E por fim deixa la em casa e beijar bem na frente de sua casa. Todas essas coisas que acontecem no filmes e que parecem perfeitas. Mas ele sabia que tudo aquilo não aconteceria. Pelo menos não naquele dia e nem pra aquele baile.


Virgil foi despertado de seus pensamentos melancólicos por seu telefone tocando em cima de sua barriga. Ele olhou o visor e viu que Gus o ligava.


- Alô?


- Eae cara, onde você esta? — Disse Gus.


- No parque Bellevue, por que? — Virgil quis saber.


- Dois motivos. Primeiro sua mãe ta louca atrás de você, ela acha que você vai se atrasar pro jantar ou coisa assim. — Disse Gus.


- Me atrasar pro jantar? Que horas são? — Perguntou Virgil aflito.


-Seis quinze.


Com um pulo Virgil levantou da grama. — SEIS E QUINZE? Preciso correr pra casa, minha mãe tem visitas hoje e ela quer que eu compareça nesse jantar. Como pude ser tão lesado e esquecer de ver as horas.


- Acalme-se cara. Vem pra casa agora e vai ficar tudo bem. — Disse Gus rindo, mas tentando amenizar a situação.


-Você tem razão, já estou indo pra aí. — Ele se interrompeu por um minuto. — Espera, qual era a segunda coisa que você precisava me contar?
- Quando você chegar aqui você verá.


- Certo, estarei ai em meia hora. Até mais. — Disse Virgil por fim antes de desligar o telefone.


- Até.


- Vamos Buddy, temos que ser rápidos amigão.


Buddy respondeu com um latido e ambos correram para casa. Chegando na vizinhança Virgil pretendia deixar o cão em casa e em seguida ir pra casa de Gus pra ver o que ele queria. Tentou abrir a porta com o máximo de cuidado, mas pisar na sala ouviu um grito.


- VIRGIL WEST! — Gritou sua mãe do quarto. Ele sabia que ela falar seu nome completo era porque estava zangada.


- Eu mãe?


- “Eu mãe?”, esta todo imundo, e o jantar irá sair daqui a 15 minutos e você me vem com “Eu mãe”. — Disse Christine totalmente irritada.


- Desculpe mãe eu perdi a noção do tempo.


- Isso não desculpa. Suba agora mesmo e vá se arrumar pro jantar. As visitas já devem estar chegando. — Christine estava totalmente desconcertada por conta do atraso de se filho.


- Na verdade eu tinha em mente fazer só mais uma coisa primeiro. — Disse Virgil, em sua voz havia uma mistura clara de medo e duvida.


- Virgil West não teste a minha paciência. Eu estou mandando você sub... — Virgil a interrompeu.


- Por favor mãe. Prometo que vai ser muito rápido. Não vai durar mais do que dez minutos. Vamos! Afinal por mais que eu tenha me atrasado pra tomar banho, eu cheguei antes das sete. — Disse Virgil com um sorriso no rosto tentando ser positivo.


Christine parou pensativa por um tempo. Por fim disse. — Dez minutos. Você tem DEZ minutos esta me ouvindo. Nem mais um segundo. Se não estiver aqui as sete horas em ponto, teremos uma séria conversa sobre pontualidade e responsabilidade mocinho!


Virgil a abraçou e deu um beijo. — Eu te amo mãe, eu já volto. — E saiu correndo pela porta, indo em direção a casa de Gus.

Chegando la tocou a campainha esperou por ser recebido pela mãe de Gus.


- Olá Virgil, como está? — Perguntou Denise Detwiller


- Oi senhora D. eu vou bem e a senhora? — Respondeu ele.


- Estou ótima. Gus esta la em cima terminando de se arrumar. Entre que eu vou chamá-lo.


- Obrigado. — Virgil entrou e foi até a sala para esperar, olhando sempre para o celular pra ficar de olho no horário, e algumas vezes para a janela pra ver se as visistas não chegavam. Em uma dessas vezes ele conseguiu ver algumas pessoas se aproximando de sua casa. Quando ia se aproximar pra ver Gus apareceu pigarreando.


Virgil olhou pra trás e se deparou com Gus todo arrumado. Usava um smoking com uma gravata borboleta prateada. Seu cabelo estava com gel posto totalmente para trás, lembrando um estilo meio anos 70/80. Seu sapato estava brilhando tanto que dava até pra usar como um espelho.


- E então. Que tal estou? — Perguntou Gon dando uma volta.


- Uau! Desse jeito até eu aceitaria ir no baile com você. — Respondeu Virgil rindo do próprio comentário.


- Ah! Qual é Virgil. Eu dei duro pra me arrumar desse jei... — Ele se interrompeu e começou a fungar o ar. — É você que esta com cheiro de cachorro molhado e grama recém cortada? — Disse Gus rindo.


- É, provavelmente sim. — Ele sorriu, ele merecia essa. — Essas coisas acontecem quando se vai ao parque com seu cão. Desculpe a piada, você esta ótimo vai arrasar hoje. — Ele estendeu a mão.


- Valeu cara. — Respondeu Gus batendo e segurando a mão de Virgil.
- Bom agora eu tenho que correr, minha mãe vai dar um jantar ai em casa pra uma amiga dela que acabou de se mudar pra rua de trás. Já me atrasei demais.


- Tudo bem cara. Daqui a pouco estou saindo também é melhor ir logo, antes que sua mãe surte.


- Você tem razão. — Disse Virgil abrindo a porta. — Divirta-se por nós dois e mande um boa sorte pro Ralph também. — Ele agora já estava correndo em direção até sua casa.


- Pode deixar. Boa sorte pra você também cara. — Respondeu Gus agora com a voz mais elevada.


Virgil assentiu e continuou a caminho de sua casa. Ele sabia que o fato de já terem passado 20 minutos do que ele havia combinado com sua mãe iam a deixar furiosa. Quando chegou na porta de casa, exitou por um minuto antes de abri-la, respirou fundo e então adentrou para sua casa.


Começou a caminhar devagar pra não fazer muito barulho. Queria de todo jeito evitar um confronto com sua mãe, mas ele sabia que seria inevitável. Ao passar pela sala sua mãe o avistou pelo balcão da cozinha. Virgil engoliu seco, a cara que Christine havia feito o deixou completamente desconfortável. Ele sabia que já estava encrencado, então resolveu encaras as conseqüências de frente. Respirou fundo e foi em direção a cozinha.


- Olá, boa noite a todos. Desculpem pelo meu atraso, eu tive que resolver uns probleminhas. — Desculpou-se Virgil.


-Oh, imagine. Não precisa se desculpar, afinal você esta em sua casa não é mesmo. — Disse a senhora que estava sentada de costas para ele na ponta da mesa dando-lhe um belo sorriso.


-Sarah, esse é meu filho Virgil. Virgil essa é Sarah Evans, uma querida colega de trabalho. — Disse Christine, fazendo as devidas apresentações.


- É um prazer lhe conhecer Senhora Evans. — Disse Virgil indo em direção da amiga de sua mãe e dando-lhe um aperto de mão.
Sarah era alta, caucasiana, com longos cabelos loiros e lindos olhos azuis. Ela aparentava ser um pouco mais nova que Christine , estava vestindo roupas sociais, calça preta com um terninho preto e uma camisa de seda branca por baixo. Um sapato preto de salto alto completavam seu estilo de empresária, exatamente como Christine.


- O prazer é meu querido. Este é meu filho Kyle. — Disse a Senhora Evans apontando para o garoto sentando ao seu lado. Ele aparentava ter uns 13 ou 14 anos, tinha a pele bem clara como a neve. Seus cabelos eram castanhos escuros quase pretos e os olhos verdes. Estava usando uma camiseta branca, com uma bermuda azul marinho que tinham alguns detalhes em preto e por ultimo um tênis branco completavam um estilo bem esportivo, que combinavam com seu jeito sorridente.


- Eae tudo bem? — Disse Virgil estendo a mão.


- Tranqüilo cara e você? — Respondeu Kyle, batendo na mão de Virgil.


- Tudo bem. — Respondeu Virgil. Kyle ainda mantinha seu sorriso aberto. — Bom se me dão licença eu vou tomar um banho rápido e já desço pra todos podermos jantar.


- Sim filho, por favor faça isso. — Disse Christine abrindo um sorriso um tanto quanto forçado e o fitando.


Virgil engoliu seco novamente e foi correndo para seu quarto. Passou pela escada e viu Buddy deitado nos pés dela e começou a subir. Quando estava quase chegando no segundo andar ele tromba com uma garota. No momento em que Virgil se recupera do susto e a olha ele entra em um estado parecido com um transe.


- Desculpe, e..eu não pretendia te assustar. — Disse a garota meio encabulada, porém sorriu.


- Nã...não tem o p...porque se desculpar. Foi eu é que subi correndo. — Gaguejou Virgil.


-Imagine, a casa é sua eu é que sou a intrusa. Você deve ser o filho da senhora West não é? — Perguntou ela sorrindo.


- Si... Sim, eu sou Virgil. — Respondeu ele ainda meio bobo.


- Prazer, eu me chamo Emily. Obrigada por ter nos convidado pra jantar.- Disse ela sorrindo novamente e segurando sua jaqueta jeans nas mãos. — Eu vou descer pra ver se nossas mães não precisam de ajuda na cozinha.

-Claro, eu desço em alguns minutos. -Disse Virgil com certa dificuldade.


Emily sorriu e desceu as escadas indo em direção a cozinha. Após voltar a si Virgil seguiu para seu quarto, fechou a porta e sentou na cama por alguns instantes. Ele não sabia direito o que estava sentindo. Era como se tivessem borboletas em seu estômago, seu coração palpitava com maior velocidade, e ele não conseguia tirar aquela garota de sua mente. Toda vez que tentava desvia seu pensamento, se via pensando cada vez mais naquela garota. Não conseguia tirar da cabeça seu lindo sorriso, seus longos cabelos castanhos encaracolados na pontas e principalmente seus olhos. Os olhos dela eram de um tom verde que ele jamais havia visto em nenhum outro lugar.


- Por que será que ela não sai da minha cabeça? Será que é isso que se sente quando se está... — Ele exitou um momento. — Apaixonado?!


Não poderia ser aquilo, afinal ele só havia visto aquela garota uma vez e por pouquíssimo tempo. Mas se não fosse aquilo, o que mais seria? Ele resolveu evitar pensar nisso e foi se aprontar para o jantar, afinal ele já estava muito mais do que atrasado. Separou uma bermuda bege jeans, uma camiseta preta e um tênis branco e seguiu para o banheiro. Tomou um banho rápido e após se trocar e passar um perfume, dirigiu-se para a cozinha para encarar aquele jantar que seria no mínimo muito interessante.


Ao chegar na cozinha encontrou todos já sentados a mesa, sua mãe em uma das pontas, ao seu lado esquerdo estava sentada a senhora Evans e ao seu lado Emily. Do outro lado na frente delas estava sentado Kyle, restando apenas a outra ponta para Virgil se sentar.


- Olha só quem resolveu se juntar a nós! — Disse Christine com um tom mais zangado do que sarcástico.

-Eu realmente peço desculpas por ter me atrasado tanto. Por favor vamos começar o jantar. — Disse Virgil desviando o olhar de sua mãe e sentando na outra ponta da mesa ao lado de Emily.


Eles então começaram o tão esperado jantar. Christine e Sarah começaram a arrumar a mesa enquanto seus filhos conversavam. Virgil e Kyle discutiam sobre alguns vídeo games e jogos de seus times de basquete. Emily ria da conversa dos garotos e fazia alguns comentários dos tipo: “Como vocês garotos podem gostar de coisas assim?”. Enquanto comiam e Sarah contava os motivos por terem se mudado, Virgil se via fitando Emily. Reparava na maneira como ela ria, reparava como a mecha do cabelo sempre caia em seu rosto quando se inclinava, e a forma como seus olhos verdes esmeralda cintilavam quando se encontravam com a luz. De vês em quando os olhares de ambos se encontravam, e isso era motivo para deixar Virgil extremamente sem graça e o fazer corar.


O jantar seguiu-se com normalidade, Sarah havia contado que após a separação dela com seu marido seus filhos haviam sofrido muito, principalmente Emily que teve um pouco de depressão, motivo que a fez perder um ano de escola. Ao ver que Emily não estava muito confortável com o assunto, Virgil resolveu perguntar a onde seus filhos iriam estudar, Sarah disse que não sabia mas que provavelmente estudariam na mesma escola de Virgil a Bellard High School.

Depois de todos terem terminado de comer, Christine foi até a geladeira e pegou um delicioso mousse de chocolate feito para sobremesa. Todos se serviram e ela resolveu sugerir que eles fossem até a sala, onde ficariam mais confortáveis e poderiam ver um pouco de Televisão. Quando todos estavam seguindo em direção a sala Christine disse:


-Virgil, você poderia tirar a mesa pra mim? — Disse Christine com olhar um tanto quanto severo.


Virgil sabia muito bem que aquele tipo de comportamento era devido ao seu brusco atraso, ele merecia aquilo então assentiu. — Tudo bem mãe.


- Ah! E se “não se importar” transfira as comidas das panelas para as tigelas de plástico e as guarde na geladeira. — Disse Christine, dessa vez o sarcasmo havia tomado conta de sua voz.


Era óbvio que Virgil se importava, mas sabendo que aquilo era apenas o inicio e que provavelmente eles ainda teriam aquela conversa sobre pontualidade e responsabilidade que sua mãe havia prometido, resolveu não discutir. — Mais alguma coisa mãe?


-Já que perguntou, você pode lavar a louça também, só deixe as panelas que eu as lavo e guardo no lugar certo depois. — Disse ela por fim e se dirigiu a sala.


Virgil bufou mas obedeceu, começou tirando os copos, pratos e talhares usados e os levando pra pia. Quando estava pronto pra retirar a toalha de mesa Emily entra na cozinha o surpreendendo.


-Precisa de ajuda com alguma coisa? — Disse ela com sua voz aveludada.


-Não se incomode, você é nossa visita e seria muita grosseria da minha parte se eu pedisse pra você me ajudar. — Disse Virgil retirando e dobrando a toalha de mesa.


-Eu é que não vou me perdoar se não ajudar. Qual é, deixe pelo menos eu ajudar com a louça?! — Disse ela se dirigindo para a pia e deixando sua taça suja de mousse na pia.


-Tudo bem. — Sorriu ele. — Mas só porque eu odeio lavar a louça.


-Olha só, então você só estava esperando eu me oferecer não é? — Disse Emily rindo.


-É que eu sou um bom ator. — Agora foi a vez de Virgil rir.


Eles continuaram conversando e arrumando a cozinha e conversando um pouco sobre suas vidas. Emily contou um pouco sobre onde ela morava antes, seus hobs, os amigos que teve de deixar, falou levemente sobre sua vida amorosa, e depois falou como realmente se sentiu com a separação de seus pais. Percebendo que ela não estava nem um pouco confortável com aquele assunto, Virgil decidiu trocar o rumo da conversa.

Entre uma risada aqui e outra ali, eles terminaram de arrumar a cozinha bem rápido e se dirigiram para a sala, mas não ficaram por muito tempo.


-Mãe! — Disse Virgil chamando a atenção de Christine. — Como você pediu a cozinha esta limpa, a comida já esta toda na geladeira e as panelas estão de molho dentro da pia.


-Muito bem, e obrigado meu filho. — Respondeu ela, agora com um sorriso de satisfação em seu rosto.


-Se vocês não se incomodarem eu e Emily gostaríamos de dar uma volta no bairro, sabe pra eu mostrar pra ela como é por aqui e tudo mais, uma espécie de “tour” para a nova vizinha. — Pediu Virgil sorrindo.


Christine os fitou por um instante e depois de trocar alguns olhares com Sarah disse. — Por mim tudo bem, e por você Sarah?


-Também não vejo problema nenhum. Você até pode deixá-la direto em casa, desde que voltem antes da meia noite. — Disse Sarah.


-Pode deixar mãe. — Respondeu Emily sorrindo.


-Então até mais tarde. — Disse Virgil, quanto ele e Emily dirigiam-se até a porta. — Ah! Mas que falta de atenção a minha , Kyle você gostaria de vir conosco?


-Não podem ir, vou ficar aqui brincando com seu cachorro e continuando a ouvir sua mãe contar essas fascinantes histórias de quando você era bebê.


Virgil fitou sua mãe com o ar de constrangimento e começou a corar. Ficou feliz por Emily não ter ficado na sala pra ouvir aquele tipo de história.


-Então tudo bem. — Disse ele engolindo seco. — Nos vemos mais tarde.-Até mais mãe, até mais Kyle, tchau Senhora West e obrigado pelo maravilhoso jantar. — Disse Emily, mais uma vez mostrando seu lindo sorriso.


- Tchau querida, e não se preocupe. Espero que venham jantar aqui sempre que quiserem. Virgil, juízo e não deie que Emily se atrase. — Disse Christine com um olhar severo.


-Pode deixar mãe. Até logo, boa noite para todos. — Respondeu Virgil, e então ele e Emily saíram.


Virgil a levou para conhecer o bairro. Passaram por algumas casas na rua de baixo, pela padaria que ficava na rua de sua casa, e em seguida foram rumo ao coreto que ficava em uma rua sem saída, numa espécie de praça. Enquanto caminhavam Emily contou a ele várias coisas sobre sua vida. Das musicas que gostava, lugares que gostava de freqüentar, contou sobre seu pai, que já havia se casado de novo. Ao que parece sua madrasta , uma mulher bem rude e superficial, tinha três filhas que Emily havia batizado carinhosamente de “irmonstras”.


-Bom chega de falar de mim, fale um pouco de você. — Disse Emily.


-Ah! Não há muito o que saber, quer dizer minha vida não tão movimentada. Normalmente é escola, depois vou pra casa do Gus. — Emily o interrompeu.


-Gus?


-Sim, ele é o meu melhor amigo, mora na casa de frente para minha e estuda na mesma escola que eu. -Explicou Virgil.


-Ah sim. Por falar nessa escola, como ela é?


-É legal, os professores são bons, as pessoas são agradáveis, quer dizer a maioria delas.


- Por que, já teve algum problema com alguém? — Emily quis saber.


-Na verdade sim, mas essa é uma longa história, te explico melhor quando você estudar la, ai você mesma poderá tirar sua conclusões. — Riu Virgil.


-Tudo bem. — Sorriu Emily. — E , tem algum clube pra atividades extra curriculares?


- Bom, tem as líderes de torcida. — Sugeriu Virgil.


- Essa eu dispenso. — Respondeu Emily torcendo o nariz.


Virgil riu e continuou. — Então, se eu não me engano tem aulas de economia doméstica, algumas línguas estrangeiras, o coral, o clube de dança, a banda, o clube de xadrez entre outros. E se der tudo certo esse ano abrirá o clube de organização do baile da escola. — Explicou Virgil enquanto eles chegavam no coreto.

O coreto era um lugar lindo, ficava no centro de uma pequena praça e rodeado por bancos de concreto com pequenos jardins em volta deles enfeitados com belíssimas flores. Eles adentraram-no e se encostaram nas muretas que ele possuía. Quando Virgil terminou de explicar Emily pareceu ficar bem interessada.


-Ah! Então tem bailes nesta escola?! Agora estamos chegando em algum lugar. — Riu ela.


-Na verdade teve apenas um baile, e se ele for o sucesso que o diretor esta esperando ele abrira este clube para podermos organizar bailes futuros. — Explicou ele.


-Entendi, e quando foi esse baile? — Emily quis saber.


- Bem, se eu não estou enganado, acho que devém estar tocando as ultimas musicas agora. — Disse Virgil.


-Espera ai. Quer dizer que o baile esta sendo hoje?


-Sim.


- E por que você não está la? — Perguntou Emily.


- Bom. — Bufou Virgil. — Por mais patético que seja eu não consegui arrumar um par. As garotas daquela escola são muito superficiais, não gostariam de serem vista com um cara como eu. Se existissem garotas como... — Ele se interrompeu.


- Garotas como...?


-Como você, sabe! Divertidas e despreocupadas. Que se importassem mais com o conteúdo das pessoas, ao invés da aparência. — Explicou ele e em seguida começou a corar.


Emily se manteve quieta por alguns instantes, da mesma maneira que Virgil. Quando ele pensou ter estragado tudo, ela pegou o celular no bolso e começou a procurar alguma coisa.


- O que esta fazendo? — Perguntou Virgil.


- Procurando uma musica. — Respondeu ela.


-Posso perguntar o por que?


-Você já vai descobrir. — Respondeu ela, em seguida fez uma cara de quem encontrou o que estava procurando. Ela clicou na musica e logo uma linda melodia começou a sair do celular. Virgil reconhecia aquela musica, era “Teenage Dream” da Katy Perry, porém sendo tocada e cantada por Boyce Avennue. Emily deixou o celular na mureta, e estendeu a mão para Virgil.


-Vem, vamos dançar.

-Como é? — Questionou ele.

- Vamos dançar! Você disse que não foi ao baile porque não tinha um par. Problema resolvido eu serei seu par. — Explicou Emily.


-Não, imagine, não precisa se preocupar. E além do mais eu não poderia te pedir uma coisa dessas. — Recusou ele completamente corado.


-Não precisa pedir, eu estou te oferecendo uma dança. Já que você não foi ao baile estou tentando trazer o baile até você.


Virgil estava pasmo, nenhuma garota havia se preocupado com ele daquela maneira, isso fez com que seu coração batesse mais forte. Virgil sabia que era ela a garota que ele queria encontrar, mas ainda estava meio sem jeito com toda aquela situação.


-Mas, é que... Eu não sei dançar. — Gaguejou ele.


-Não se preocupe, é fácil, pode deixar que eu te ensino.


Virgil finalmente cedeu ao o que ela havia pedido e segurou sua mão. Emily reiniciou a musica e começou a ajuda-lo com a dança. Primeiro conduziu as mão dele até sua cintura de forma que elas ficassem firmes e não a machucassem. Em seguida passou suas mãos ao redor do pescoço dele e então começou a explicar os passos.


-Como é sua primeira vez, vamos começar só com o básico de se dançar musica lenta com alguém. Mexa seus pés de um lado para o outro de maneira bem suave. — Explicou ela.


Virgil os fez da maneira como ela estava ensinando, então eles iam dançando e se movendo por todo coreto. — Desse jeito? — Perguntou ele.


- Isso mesmo! Esta indo muito bem. — Respondeu Emily com seu encantador sorriso.


Eles continuaram sentindo a música e dançando. Emily continuava a incentivá-lo enquanto Virgil apenas sorria um pouco sem jeito e aproveitava aquele momento. Depois de certo tempo em silencio Emily pergunta.


- Esta tudo bem?


-Está, por que não estaria?


- É que você esta me olhando a um tempinho sem dizer nada.


Virgil corou, ele não percebeu que estava admirando seu rosto a tanto tempo. — Desculpe, é...é que seus olhos são tão lindos qu...que eu não pude deixar de olhá-los.


- Muito obrigada! — Agora era Emily quem havia corado.

Quando a musica terminou o silencio ficou no ar por alguns instantes. Nesse momento ambos pararam para encararem.

Seus olhos estavam fixos uns nos outros, seus corpos unidos devido a musica, era o que se chamaria de momento perfeito.

O coração de Virgil começou a palpitar mais rápido quando ele percebeu Emily se inclinar em sua direção. Imediatamente ele sabia o que estava por vir, então instintivamente correspondeu a investida da garota.

No momento em que estavam bem próximos ouve-se o celular de Virgil. Ele se assusta e eles se afastam lentamente.


- Desculpe, eu tenho que atender. — Disse ele.
- Não tem problema. — Respondeu Emily ainda um pouco corada.


- “Alô?”


- “Virgil, são 23:50, onde vocês estão?” — Perguntou Christine do outro lado da linha.


- “No coreto no final da rua mãe.”


-”Pois faça o favor de se apressar. Sarah e Kyle estão saindo daqui agora e pediram pra que você acompanhe Emily até em casa, e nada de paradas no caminho ouviu bem mocinho?” — Disse Christine.


-”Ta certo mãe, estamos indo. Beijo, tchau.” Bom era minha mãe, sua mãe pediu pra que eu a leve pra casa.


- Ah! Tudo bem. — Disse Emily pegando seu celular que estava na mureta. — Nossa o tempo voou não é mesmo?!


- Pois é, bem é melhor nós nos apreçarmos, se não eu vou ouvir ainda mais reclamações da minha mãe.


- Tem toda razão. Vamos então.


Então os dois partiram em direção a casa de Emily. Durante o caminho ambos permaneceram calados. De vês em quando, um deles fazia um comentário ou outro. Chegaram na casa de Emily pontualmente a meia noite. As luzes dentro da casa já estavam acesas, o que queria dizer que Sarah e Kyle já haviam chegado. Virgil levou-a até a porta para que pudessem se despedir.


-Bom, é isso. Você esta entregue. — Disse Virgil sorrindo.


- É mesmo. Obrigado mesmo por ter me mostrado o bairro e tudo mais. Foi muito legal da sua parte.


- Imagine, eu é que tenho que agradecer por ter me concedido aquela dança. Ninguém nunca havia feito nada desse jeito por mim antes. Obrigado, de verdade.


- Não foi nada. — Sorriu ela enquanto arrumava o cabelo atrás da orelha.- É melhor eu entrar.

-Claro, não quero que você arranje confusão. Boa noite Emily, e mais uma vez obrigado. — Respondeu Virgil preparando-se para ir embora.

-Não tem problema nenhum. — Sorriu ela. — Boa noite Virgil, e boa sorte com sua mãe.


- Obrigado, vou precisar. — Responde ele rindo. Quando Virgil estava se afastando ela disse.


-Espera! — Enquanto caminhou até onde ele estava. Emily apoio a mão no ombro de Virgil e empinado-se na ponta do pé deu lhe um delicado beijo na face.


-Uau, é... Obrigado , mas porque isso agora? — Questionou ele corado e confuso.


- Por nada em especial. Ah! E você disse que as garotas da sua escola jamais iriam ao baile com um garoto como você, não é?! Bom na minha opinião, seria muita sorte ir no baile com você. Boa noite Virgil. — Respondeu ela virando-se para entrar e mcasa e acenando antes de fechar a porta.


Virgil estava muito corado mas estava radiante. Aquilo realmente estava acontecendo. Ele sorriu e seguiu correndo pra sua casa, não queria ficar mais encrencado do que já estava. Se bem que depois daquela noite ele poderia tomar qualquer que fosse a bronca de sua mãe e ele não ficaria triste. Depois de tudo isso, ele tinha certeza de que estava apaixonado.




Notas finais
Bom ta ai o capítulo pra vocês pessoal. Demorou até pra mim formata-lo certinho mas valeu a pena..Não esqueçam das sugestões q eu pedi e até a próxima.