Aprendendo Com A Vida!
5 Capítulo 5 - Coisas da vida!
Notas iniciais
Naquele dia Virgil chegou até sua casa com certa dificuldade, devido a dor que ia e vinha durante o caminho. Ao entrar foi recebido por Buddy, que veio correndo pronto para pular em seu dono como todos os dias.
-Oi Buddy. Por favor não pule! Só hoje amigão, não estou me sentindo muito bem.
Buddy andava ao redor de Virgil abanando a cauda alegremente, porém obedeceu ao pedido de seu dono e não pulou. Virgil levou seu material para seu quarto e depois desceu para comer alguma coisa, afinal já se passava das três da tarde e ele ainda não havia almoçado.
Pegou a comida na geladeira e a mistura no freezer.-Vamos almoçar não é rapaz!? — Perguntou Virgil para seu cão que respondeu latindo e abanando a cauda.
Virgil colocou alguns bifes para fritar na frigideira e em um prato colocou algumas colheres de arroz e levou até o micro-ondas. Enquanto seu almoço estava sendo preparado a campainha tocou e Virgil foi até a porta. Ao abrir deparou-se com Gus, que teve uma brusca mudança de expressão assim que o viu.
- Nossa você esta horrível! — Disse Gus franzindo o senho
- Obrigado, é bom te ver também cara. — Respondeu Virgil com um sorriso sarcástico.
- O que aconteceu com você? — Gus quis saber.
- Estou com a comida no fogo, entre que eu te explico tudo, quer almoçar? — Perguntou Virgil.
-Não! Já almocei faz um tempo, obrigado. — Respondeu Gus entrando e fechando a porta da casa, fez um carinho em Buddy e logo depois se sentou na cadeira na mesa da cozinha.
- E então?
Virgil contou tudo o que havia acontecido aquele dia, desde que virou a esquina até o que Jason disse ao sair da sala do diretor, enquanto almoçava. Gus estava pasmo, nunca pensou em que um único dia de aula perdido aconteceria tanta coisa desse tipo.
- Eu não acredito que eles fizeram isso com você cara. Se eu estivesse lá as coisas teriam sido bem diferentes isso eu posso garantir. — Disse Gus cerrando e apertando os punhos.
- Se você estivesse lá íamos ter dado uma lição naqueles idiotas. — Respondeu Virgil rindo.
- Mas agora já passou, e por mais horrível que tenha sido é melhor esquecer que tudo isso aconteceu, pelo menos por hora.
- Realmente. E você acha que é verdade, quer dizer isso que Jason disse sobre o diretor ter aliviado pra ele?- Perguntou Gus
- Se é ou não é verdade, eu não sei, mas desde que Jason fique longe de mim e de vocês pelo resto do ano já é um grande alivio. — Disse Virgil.
- Nisso você tem razão. E o que vai dizer a sua mãe, por que não vai conseguir esconder dela todos esses hematomas?! — Disse Gus.
- Droga! Não tinha pensado nisso. — Respondeu Virgil aflito.
- Qual o problema? Conte a verdade. -Recomendou Gus
- Não, minha mãe já tem coisas de mais pra se preocupar. Não quero dar mais essa dor de cabeça pra ela. Vou tentar esconder com algum creme.
-Vai mesmo usar maquiagem. — Debochou Gus.
-Qual é cara isso é sério, anda vamos procurar na internet como disfarçar esse tipo de coisa. — Disse Virgil, deixando o prato dentro da pia e subindo correndo para o quarto com Gus e Buddy logo atrás.
Depois de algumas horas pesquisando descobriram um creme que removia sinais de idade. Por sorte a mãe de Virgil tinha esse creme e ele aplicou nos hematomas que tinha pelo rosto, até que praticamente tudo havia sumido.
- E essa vai para o ranking das cenas mais estranhas que eu já presenciei na vida. — Disse Gus encostado na porta do banheiro, rindo de toda aquela situação
.- Cale a Boca! — Respondeu Virgil o empurrando.
Eles arrumaram tudo para que Christine não percebesse, e depois seguiram com a rotina normal do dia. Passearam com Buddy e depois, Virgil e Gus copiaram a matéria perdida naquele dia que pegaram de Ralph e Gon.
Christine chegou as sete e meia da noite. Ao ouvir o barulho da porta, Buddy correu para recebe- la e na mesma hora Virgil e Gus se entreolharam.
-Ei Buddy como vai, teve um bom dia garoto?! — Disse Christine enquanto afagava a cabeça do cão e se dirigia para a sala.
- Boa noite meninos!
- Boa noite mãe.
- Boa noite senhora W. E por falar em noite, é melhor eu ir andando antes que minha mãe me mate por passar o dia fora. — Disse Gus se levantando e arrumando suas coisas
-Não quer ficar pra jantar Gus! — Perguntou Christine da cozinha.
-Muito obrigado senhora W. mas eu realmente preciso ir. Tchau Buddy, tchau senhora W. — Despediu-se Gus e depois virou cochichando algo para Virgil. — Me liga pra contar se deu certo.
- Pode deixar. — Respondeu Virgil levando Gus até a porta.
-Até mais tarde cara, e boa sorte. — Disse Gus estendendo a mão.
- Até Gus, e obrigado, vou precisar. — Respondeu Virgil batendo na mão do amigo, em seguida fechou a porta e foi encarar o jantar que ainda estava por vir.
-E então filho como foi seu dia? — Perguntou Christine ao ver seu filho entrar na cozinha.
-Foi tudo bem mãe. — Mentiu Virgil.
-Algo de novo?
-Nadinha, só o mesmo dia chato de sempre na escola. — Respondeu ele com certa ansiedade.
Christine virou para seu filho e o fitou com aquele olhar de mãe, que percebe que seu filho esta mentindo, porém não disse nada.
Virgil engoliu seco e desviou o olhar. Após alguns minutos em silencio Christine começou a falar sobre seu serviço naquele dia. Virgil aproveitando a deixa esticou-se no assunto até o final do jantar.
Quando terminaram arrumaram a cozinha e Virgil subiu para seu quarto, pegou seu celular, deitou na cama e ligou para Gus.
-Ei cara só ligando pra avisar que deu certo.
-O que você disse? — Perguntou Gus.
-Nada em específico, ela só perguntou se havia acontecido alguma coisa hoje na escola, e eu respondi que não. — Explicou ele.- Mas eu tenho certeza que ela desconfiou de algo.
- E acha que isso vai dar em algum lugar?
- Sinceramente, acho que não. Minha mãe pode ser meio mandona as vezes mas ela confia em mim. Ela sabe que se fosse algo realmente importante eu contaria a ela. — Disse Virgil.
- Ah! Por que tomar uma surra na escola não é nada importante não é mesmo. — Disse Gus rindo do outro lado da linha.
-Você entendeu o que eu quis dizer. Ela sabe que quando eu quiser contar , ela estará la pra ouvir. — Respondeu Virgil.
- Tem razão. Bom cara, fico feliz que tenha dado certo, vou desligar nos falamos amanha. Boa noite Virgil
.-Boa noite Gus até amanha. — E então despediram-se
[....]
E assim se passaram semanas, e depois meses, tudo mesma rotina de sempre, até que todos se viram no final de Novembro, o que significava que estavam próximos do Natal e das provas finais. O time de futebol seguia com suas vitórias. Se eles ganhassem mais dois jogos seriam os grandes campeões anuais.
Jason continuava a se mostrar para todos e como sempre a escola inteira o idolatrava, e a cada dia que se passava ficava mais evidente que o que ele havia dito a Virgil era verdade. O diretor Skull estava radiante com toda aquelas vitórias, vivia incentivando todos a torcerem pelo time de futebol.
Aparentemente, só Virgil e seus amigos não idolatravam o time, e por mais que se sentissem enojados com tudo aquilo, Jason estava cumprindo com sua parte no acordo, então o mínimo que Virgil e os outros poderiam fazer era evitar cruzar o caminho deles.
Além de todo alvoroço causado por conta das provas e do jogos que se aproximavam, no final da primeira semana de Dezembro todos os alunos foram pegos de surpresa por um anuncio do diretor:
- Atenção caros alunos da Ballard! No dia 20 de Dezembro,que será o ultimo sábado antes das férias e antes da semana de Natal, haverá um baile de final de ano. Todos estão convidados, alunos , professores e pais que queiram ajudar no comitê de decoração. Os convites para aqueles que não são alunos e nem funcionários daqui começaram a ser vendidos na próxima segunda-feira. Espero que todos compareçam e aproveitem bastante. Tenham um bom dia. — Disse ele por fim.
No mesmo momento em que o diretor deu a notícia a escola se transformou em caos,todos começaram a ficar ansiosos com o quanto queriam estar naquele baile,ou com quem gostariam de ir e assim por diante. As garotas começaram a falar de maquiagem e roupas e é claro dos garotos.
Já entre os garotos o assunto variava entre as garotas da escola e as de outros lugares. Todos estavam muito empolgados. Todos exceto Virgil e Gon.
- Nossa esse baile vai ser demais. Mal posso esperar e vocês galera? — Perguntou Gus.
- Na verdade não estou tão em estase assim, eu acho que vai ser um saco. — Disse Virgil dando de ombros.
-Concordo com ele. — Disse Gon. — É só mais um evento de popularidade pra Jason e pessoas da mesma laia que ele possam se mostrar, enquanto os outros idiotas os clamam. Eu to fora dessa.
- Nossa pessoal, se desanimo pegasse eu já estaria morto. — Disse Gus debochando dos dois.- E quanto a você Ralph?
- Pra falar a verdade estou querendo ir sim. — Respondeu Ralph.
Gon olhou para ele com uma cara de duvida.- Você esta querendo ir?-
Qual o problema, não posso? — Questionou Ralph.
- Claro que pode, mais é que você sempre odiou chamar atenção pra si, e além do mais você nem gosta de dançar. — Defendeu-se Gon.
-Isso tudo que você falou pode ser verdade, mas talvez eu não tenha outra oportunidade como essa de chamar a Beatrice Erikson pra sair. Acho que o baile é a oportunidade perfeita pra nos conhecermos melhor.
- Ah! Eu sabia que havia uma explicação lógica, esta por causa da garota. — Disse Gon rindo.
- Claro que é por causa de uma garota, se fosse por sua causa você acha que eu me teria esse esforço? — Debochou Ralph de Gon
.- Calado Ralph. — Respondeu Gon empurrando o amigo.
- Parem vocês dois antes que se machuquem. — Disse Virgil.
- Desculpe-nos voz da razão. — Disse Ralph rindo por fim.
Virgil riu e depois virou-se para Gus: — Ta aí mais um motivo, não tenho par.
- Ah! Mais isso é a coisa mais fácil de se resolver. — Respondeu Gus.
- Você diz isso por que as garotas vivem em cima de você Gus. — Disse Gon.
Nesse ponto ele tinha razão. Gus era um garoto atlético, inteligente e engraçado, e por mais que não fossem as garotas mais populares da escola alguma muito bonitas davam bola pra ele, mas ele nunca ligou muito. Só para uma ou outra, e a maioria japonesas.
Gus nunca foi encanado com essa história de namorar então levava isso com tranqüilidade.
- Não tem nada haver, tenho algumas amigas que podem acompanhar você Virgil, se quiser que eu te apresente bast... — Ele foi interrompido.
- Eu já disse que não vou ta legal. — Disse Virgil , sua voz havia subido um oitavo. — Não quero saber desse baile. Eu agradeço a espontaneidade mais eu prefiro ficar em casa. — Disse ele e em seguida bateu a porta do armário e saiu andando pelo corredor.
Os garotos se entreolharam um pouco assustados com a reação de Virgil.
- Nossa! O que será que provocou isso? — Perguntou Ralph.
- Eu não sei. Mas garanto pra vocês que eu vou descobrir. — Disse Gus antes de fechar seu armário e seguir atrás do amigo.
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