Notas iniciais
Mais um pouquinho de Stan sentimental porque todos nós merecemos ♥

Quantos anos fazia que conhecia Stanley? Fiddleford não tinha uma certeza absoluta, mesmo porque “conhecer” pode ter muitos aspectos. O conhecera logo depois do incidente com o portal. Nem tinham chego aos trinta ainda. Mas, “conhecer”, ele ainda vinha conhecendo. E guardando cada pequeno detalhe. Por isso, se perguntassem se as coisas não estavam indo “rápido demais”, ele prontamente responderia que não. De jeito nenhum. E Stan fazia-se extremamente paciente com ele, sempre cauteloso.

Não foi diferente quando deixou aquele convite sutil escapar.

— Eu ainda não entendo nada desse negocio. – Comentou, à “maneira sincera Stan”, enquanto Fidds lhe dava algumas aulas básicas de física. Stan havia contado sobre a escola, de que não era nenhum gênio como o irmão e que só havia chego a algum lugar colando dele, então seu conhecimento em muitos tópicos era completamente nulo e, em outros, bem vago. Mas ele estava se esforçando. Ele sempre fazia isso. Valia muito mais que ser um “gênio”. – Mas não parece o fim do mundo com você explicando. – Ele sorriu sem jeito, desviando o olhar. – Desculpa te fazer ter que repetir algumas coisas... – Fiddleford também sorriu, de forma gentil, sentando-se ao seu lado. Todos aqueles livros espalhados sobre a mesa, anotações, atividades. Segurou-lhe a mão com carinho e depositou um beijo terno na sua testa.

— Você está indo bem, Stan. De verdade.

— Isso porque você é um ótimo professor.- O “aluno” piscou para ele, que riu de leve. – E o que mais você pode me ensinar, professor? – Mudou para o “modo flerte”, porque Stan obviamente podia fazer isso. Aquele ênfase que usara na palavra “professor” e o jeito insinuador que pronunciara aquilo causaram um arrepio bobo em Fiddleford, tingindo suas bochechas de vermelho.

— Ohh, Stan... Pare com isso.

— Só pensei em tornarmos a aula mais... “Interessante”. – Provocou. Em resposta Fidds abriu mais um daqueles livros gigantescos e pesados sobre a mesa. Stan não fazia ideia de onde ele havia tirado aquilo.

— A física é interessante, engraçadinho. Vamos, quero te ver concentrado nesses próximos exercícios. – O outro fez uma careta, vendo que as suas investidas haviam sido completamente falhas. Dessa vez, deu-se o prazer de pensar, aquele sabor vitorioso no paladar. Fiddleford suspirou e, corado, completou, em um sussurro: – Depois brincamos disso. – Stan gargalhou, batendo na mesa.

— Então você gostou disso!

—Que?! Eu não...

Gostou! – Fidds deu de ombros, sorrindo e mordeu o lápis, passando os olhos pelo livro. Distraiu-se um pouco com as explicações todas que já conhecia de cor e não percebeu que Stan ficara subitamente quieto. Foi só depois de ler mais alguns parágrafos, procurando um jeito simples de poder explicá-los que notou o silencio. Stan nunca ficava quieto assim, era algo atípico se tratava-se dele. Ele nunca ficava quieto por mais de dois minutos. Parou a leitura e olhou para ele que, sério, fitava qualquer ponto no horizonte.

— Acha que vamos conseguir, Fiddleford? – A voz que antes gargalhava entusiasmada saiu baixa com aquela angustia que o lembrou de quando haviam se conhecido. Quando Stan estava triste demais, sozinho demais, desolado demais. Inconsolável. Não queria vê-lo assim novamente. Isso doía. Doía para os dois. Mais do que ele achava que podia suportar. – Acha mesmo que vamos trazê-lo de volta? – A voz seguiu embargada por aquela melancolia, aquela dor palpável e ele respirou fundo, encolhendo-se um pouco, tentando esconder algumas lágrimas teimosas. Não importava como fosse. Pensar em Stanford ainda doía. Muito.

— Stan... Ohh, Stan... – Abraçou-o forte, tentando consolá-lo. Não tinha certeza. Se fosse ser franco, não tinha mesmo certeza. Já não eram mais tão jovens, logo não teriam mais aquela disposição toda que era tão necessária para fazer as coisas acontecerem. Fiddleford também não entendia de tudo. E faltavam os outros Diários, que, não importava o quanto procurassem, pareciam continuar perdidos em lugar nenhum. Como conseguiriam sem as informações contidas neles? E também faltava a peça chave: Stanford. Talvez não conseguissem sem ele. A ideia era dele, todos os conhecimentos também. Tudo ali havia sido Stanford quem construirá. Fiddleford apenas o ajudara. Como poderiam fazer aquilo dar certo sem ele? Stan agora chorava baixo, o rosto escondido em seu peito, enquanto Fidds afagava-lhe os cabelos.

— E se nós nunca... – “Não!”. Não podia deixar que ele pensasse assim. Que se colocasse para baixo assim. Continuar com aquilo era a única coisa que poderia dar animo a ele. Tirar aquela culpa amarga e imensa do peito. Se ele desistisse de procurar o irmão estaria desistindo de tudo. De anos de trabalho, de anos jogados fora, de ressentimentos guardados e a culpa iria consumi-lo. Precisava continuar tentando, com tudo que podia, até quando ainda pudesse. Não podia deixar com que ele desistisse. Mesmo que por vezes não quisesse, que não quisesse ter Stanford de volta. Que ele ficasse no tão venerado portal. Se ele longe já fazia tudo isso ao irmão, o que podia acabar fazendo a ele estando perto? Mas não, não podia ser egoita agora. Stan precisava continuar tentando. E continuaria com ele. – E se nós nunca...

— Stanley! – Moldou-lhe o rosto, com ambas as mãos, enxugando algumas lágrimas. “Não”, disse a si mesmo, uma daquelas luzes súbitas que vem e que vão, mas sempre trazem algo surgindo para ele. “Nós vamos trazê-lo de volta!”. – Não diga essas coisas, eu não quero você dizendo essas coisas. Nós vamos conseguir! – Stan o encarava surpreso, os lábios entreabertos e os olhos úmidos brilhando com uma esperança quase infantil. O tempo não havia parado para eles. Estava passando e as vezes ele pensava que rápido demais. E, apesar de já terem passado dos 30 e algumas marcas de maturidade estarem começando a serem evidentes, Stan ainda parecia uma criança, certas vezes. – Vamos trazê-lo de volta, Stan. – Beijou-lhe um dos olhos molhados, acariciando seu rosto com todo o carinho do mundo. – Eu prometo. – O outro sorriu e respirou fundo, esfregando os olhos molhados.

— Obrigado, Fidds... Desculpa, eu não sei o que... Acho que estudar com um nerd me lembrou os velhos tempos. – Tentou piscar para ele, não tendo o mesmo resultado de sempre, devido aos olhos molhados. Fiddleford sorriu daquele jeito carinhoso. – Fiquei sentimental demais.

— Você é, querido. – Voltou a abraçá-lo. – Vou ficar com você hoje, hum? – O maior assentiu, deixando-se envolver. E ficaram assim, em silencio, por mais alguns minutos. Stan sendo abraçado e recebendo cafuné e Fiddleford, pela primeira vez não conseguindo aproveitar o silencio plenamente, perdido nos próprios pensamentos. Isso até Stan voltar ao se “normal” e decidir quebrá-lo, mais uma vez.

— Ei, Fidds.

— Uh?

— Estamos juntos, não é? Você fica mais por aqui que em qualquer outro lugar, então... Sabe, não seria melhor se mudar pra cá de uma vez? Economizar dinheiro e tempo e...

— Oh... Isso foi um pedido ou um convite, Senhor Mistério? – O outro deu aquele sorriso e a resposta foi dada em forma de beijo, aquecendo-lhe o coração. – Ohh... Sendo assim... Por que não...? – E silencio. Mas Stan parecia realmente odiar a falta de sons, pois o quebrou mais uma vez, sussurrando docemente, depois de muito pensar:

— Eu te amo, Fiddleford. – Talvez sendo a primeira vez que escutava as três palavras vindas de Stan assim, sem mistérios, sem rodeios ou enigmas e meios-termos ou meias-palavras, Fiddleford só conseguiu responder comovido, de todo o coração:

— Eu também te amo, Stanley.

Notas finais
Eles disseram, eles disseram~ *Brilhos* Ain gente, é tanto amor que eu sofro :v