Apreciação Perpétua
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Passado alguns dias decidiu finalmente completar a mudança. Grande parte das suas coisas já estavam ali, de qualquer forma, e as lembranças daquele lugar já não faziam tão mal assim.
Stan beijou-lhe a testa, servindo o café da manhã. As panquecas estavam quentes e incrivelmente saborosas, como de costume. Ao terminar de servi-las Stan também sentou à mesa, segurando sua mão com carinho. Ele era um cozinheiro excepcional. Fiddleford não demorou nada a perceber como era um homem de sorte.
— Só vou ficar fora uns dois dias. – Comentou antes de enfiar mais uma garfada na boca. – Tenho que pegar algumas coisas que vou precisar, arrumar umas outras e conversar com o Tate.
— Acha que vai ficar tudo bem em relação a ele? Digo, não estou dizendo que você vai contar pra ele. Mas você vai estar se mudando pra Gravity Falls pra morar com... – Ele fez uma pausa e engoliu em seco. — ... Com o seu colega de faculdade por conta do trabalho e tudo... Não quero que ele sinta que eu estou te tirando dele.
— Tudo bem, Stan. – Apertou sua mão com um pouco mais de força. – Eu não sou o pai mais presente do mundo, mas eu vou continuar me esforçando para nunca me afastar dele. – Stan fez uma careta ao final do “não sou o pai mais presente do mundo”. Fiddleford era um ótimo pai. O menor sorriu e beijou-lhe a bochecha. – E ele gosta de você. Te acha engraçado. – O outro murmurou um “Sério?”, de boca cheia. Tate não parecia o pré-adolescente mais apreciador de piadas ou gracinhas do mundo. – É serio, ele gosta de você! – Mas sabia que não tinha porque o namorado mentir.
— É claro que ele deve gostar de mim. Ele é tão inteligente quanto o pai. – Disse piscando. Fidds sorriu lisonjeado. – Esse lugar vai ficar terrivelmente solitário sem você.
— Oh, eu volto logo, querido. Não quero e nem vou te deixar sozinho. Eu prometi, não é? – Acariciou o rosto de Stan com carinho, ele fechou os olhos, suspirando. Sorriu e depositou um beijo em sua testa. – Eu não vou te deixar sozinho, ‘tá? – Ele assentiu, apreciando o toque, os olhos ainda fechados. Fidds cutucou o ultimo pedaço da panqueca com o garfo, saboreando-o lentamente. – E você cozinha tão bem! Nem se eu quisesse eu conseguiria ficar longe de você e seus dons culinários! – O castanho gargalhou e se alongou, levantando para começar a tirar a mesa.
— Quando as coisas já estiverem no lugar traga o garoto para passar uns dias aqui. Não vou me importar se ele for tão bajulador quanto você sobre meus “dons culinários”. – Foi a vez de Fiddleford rir, corando comovido. Essa era só mais uma de todas as ações dele que o tocavam. E ele agradecia tanto por isso. Pelas pequenas coisas, pelos pequenos gestos, por toda a bondade dele. Ele era um homem bom, apesar dos apesares.
Já estava quase na hora de abrir a Cabana do Mistério e Stan estava contando que queria mudar o “uniforme” mais pra frente. Talvez começasse pela cor da camisa ou coisa assim. Mas não tiraria o Fez. Isso já fazia parte do “personagem”. E, talvez, do próprio Stan.
{...}
Não demorou muito para colocar o resto das roupas (uma vez que a grande maioria já havia sido transferida, aos poucos, em outras datas) e os pertences que achava necessários em duas malas grandes, embora nenhuma delas tivesse ficado realmente cheia. Se sentisse falta de algo poderia vir buscar em alguma outra ocasião. O primeiro dia gastou com toda a arrumação e, no segundo, foi falar com Tate.
— Então... – O garoto ponderou as informações que o pai lhe passara. – Vai voltar a morar com o seu amigo? – Questionou. Fiddleford arrumou os óculos, sem jeito.
— Eu não morava com o Stanford, Tate...
— Mas passava muito tempo por lá. – Argumentou.
— Eu sei, eu sei... Olha, — Aproximou-se do filho e pousou as mãos nos seus ombros. A franja do menino já estava praticamente cobrindo-lhe os olhos e ele ainda não era tão alto para os seus 12 anos. – Eu e o Stan estamos trabalhando em algo grande. E...
— A Cabana do Mistério?
— É... – Pigarreou, um pouco corado. Uma explicação mais complexa sobre o portal e Stanford e seu relacionamento amoroso com Stanley seria um pouco demais. As reformas na Cabana do Mistério não eram totalmente mentira, apesar de tudo. – Ela está crescendo bastante, Stan tem alguns projetos novos e vai ser bom eu estar por perto. Mas vamos continuar nos vendo, ‘tá? E você pode vir nos visitar sempre que quiser. Stan disse que vai adorar tê-lo por lá.
— Ele está... Diferente. – Tate havia chego a conhecer Stanford. Eles se davam bem, na medida do possível, e Ford fazia o possível. Ainda assim interações sociais não eram seu ponto forte. Ele não tinha a descontração e o humor do irmão, que sempre os fazia rir de algum jeito. Era natural que o garoto pensasse que Stanford estava diferente, já que não era o Stanford.
— Está...? – Não sabia se isso havia soado como uma afirmação ou uma interrogação, mas tentou parece descontraído. – Isso é ruim? – O menino sorriu e negou com a cabeça.
— Ele é legal. – Fiddleford também sorriu, tão feliz, e arrumou o boné na cabeça do filho, abraçando-o em seguida.
— Eu te amo, Tate. – Murmurou com carinho. O filho correspondeu o abraço e Fidds agradeceu Stan, em silencio, para si mesmo e mais uma vez, por ter lhe dado motivação suficiente para não seguir com aquela ideia absurdamente estúpida de apagar a memória.
{...}
A viajem de volta foi tranquila. Tate havia aceitado bem todas as ideias num geral e isso era ótimo. Assim que as coisas estivessem arrumadas iria buscá-lo para passar uns dias com eles. As malas viajaram no banco de trás e o rádio tocou durante todo o percurso. Num demorou a chegar em Gravity Falls mais uma vez.
Antes de voltar à Cabana resolveu que seria bom passar no mercado. Ele quem costumava fazer as comprar e não tinha deixado o lugar tão abastecido antes de sair. Compraria algo para o jantar e, quem sabe no dia seguinte, se estivesse faltando muitas coisas, voltasse para fazer uma compra completa. Por hoje, qualquer coisa que servisse como uma refeição estava bom. Não sabia se Stan iria querer cozinhar, de um jeito ou de outro. Ele ficava carente quando Fidds não estava e essa nunca era a melhor motivação.
Estacionou o carro um pouco longe e desceu cantarolando a ultima musica que tocara no rádio. O dia estava claro agradável, como mais um dia comum e ele seguiu caminhando no ritmo da musica pela calçada. Passou na frente de uma banca e, descontraído, passou os olhos pela manchete principal do jornal local. Em negrito, nas maiores letras da primeira página seguidas pela foto de um acidente de carro, ele leu “Stan Pines Morto”.
Os passos cessaram, as pupilas contraíram-se, a respiração parou. Os músculos congelaram e o corpo ficou totalmente petrificado. Não podia ser. O coração não batia. O coração não batia. Não podia ser. Estava tremendo. Engoliu em seco, precisava se recompor, precisava analisar, precisa pensar, ser racional. Mas não, pelo amor de Deus! Havia deixado Stan sozinho por apenas dois dias. Ele estava bem quando sairá. Ele estava bem. Ele estava vivo. Não, não podia ser. Os lábios estavam secos, e ele tentou molhá-los com a língua, mas a garganta também estava seca, enquanto os olhos quase transbordavam. Não podia ser. Respirou fundo uma, duas, três vezes. Nada voltará ao normal. Continuou respirando. Continuou respirando. Porque era tudo que ele podia fazer. Não podia ser verdade. Deus, que não fosse. Não seu Stan, por favor, não.
Desesperado, trêmulo, sem cor, a beira de um colapso, enfiou a mão no bolso. Dele tirou algumas moedas e uma nota amassada. Bateu-as no balcão, sem saber seu valor, puxou um dos jornais e, em passos desajeitados e apressados alcançou o carro. Tentou enfiar a chave na fechadura mais de uma vez. Em vão. Simplesmente não conseguia abrir a porta, todas as tentativas eram falhas, as mãos tremendo, o estomago se revirando, as lembranças bombardeando sua memória. A luta entre os sentimentos e o bom senso e pelo amor de Deus, Stan tinha que estar bem! As chaves caíram mais de uma vez. “Oh Deus, oh Deus!” suava frio. Quando finalmente conseguiu destrancá-la, entrou de uma vez e a bateu. Atirou o maldito jornal no banco de passageiro e segurou no volante com força, chutando o que podia. “Continue respirando”, pediu para si mesmo. Não podia ser. Simplesmente não podia. E que não fosse. Por favor. Que não fosse verdade.
Sem mais conseguir controlar todas aquelas emoções começou a chorar. A chorar desesperado, como uma criança perdida, abandonada, sozinha. Soluçava, as lágrimas escorrendo em abundancia, como nunca havia chorado antes. Ele tinha que estar bem. Não podia tê-lo perdido. Se tivesse perdido Stanley... Ele não sabia o que faria... Ele o amava, o amava tanto, não podia ficar sem ele! Não podia tê-lo perdido! Continuou implorando e chorando por uns bons minutos, os nós nos dedos das mãos já doloridos pela força com que segurava o volante, o lábio inferior marcado pela forma com que o mordia, tentando não chorar alto demais. Stanley precisava estar bem. Precisava estar vivo. Por favor. Por favor.
Por favor.
Ligou o carro. Precisava vê-lo. Ele tinha que estar lá. Bem. Vivo.
{...}
Estacionou o carro da forma que conseguiu, extremamente mal, quase não conseguindo frear devido a alta velocidade. Algumas multas viriam depois disso, certamente. Ele praticamente havia dirigido na calçada, na contramão, cruzado diversos sinais vermelhos, batido em uma placa, o limite de velocidade ultrapassado então nem se falava. Havia dirigido completamente desenfreado, sem conseguir manter o emocional em ordem, precisando, desesperadamente, ver Stanley. O resto não importava.
Desceu do carro. A Cabana do Mistério estava tranquila. Tranquila demais. Nenhum indicio de luto pelo lugar. Mas então porque não tinha ninguém ali?! “Contenha-se, Fiddleford!”. Era terça-feira. Eles não estavam abrindo de terça-feira. Haviam decidido isso, que precisavam de uma folga na semana (só para trancarem-se no porão e aprofundarem-se mais e mais nas pesquisas, nas tentativas de reativar o portal, porque era para isso que estavam ali e para isso eles precisavam de tempo). Então a Cabana do Mistério não abriria às terças-feiras, o dia de menor fluxo da semana, os turistas mal apareciam nesse dia, então seria isso, até arrumarem funcionários. Ainda havia chance... Stan ainda podia estar bem.
Apressou-se em entrar pelos fundos, errando a fechadura mais algumas vezes. Ao entrar os olhos percorreram todo o ambiente. Mais lágrimas preparadas sob os olhos, engoliu em seco e começou a caminhar. Viu-se naquela situação novamente, mais uma vez receoso demais, em chamar nomes em voz alta, vasculhando o ambiente em um silencio penoso.
Quando chegou na sala o ar faltou, a respiração chegando a falhar, assim como o coração. E as lágrimas quase vieram mais uma vez. Apertou o jornal entre os dedos, meio tremulo ainda, e finalmente foi notado. Lá estava Stanley, sentando na sua poltrona usual, atrás das páginas de um jornal. “Stan Pines Morto” ainda gravado na primeira delas. Ele, pelo que podia ser visto, parecia ler a matéria com uma tranquilidade absoluta. Viu então Fiddleford parado a poucos passos dele. Baixou o jornal e deu aquele sorriso caloroso de boas-vindas, ainda de pijamas e pantufas. Seria uma alucinação?
— Ei, Fidds! – Cumprimentou animado, dobrando o jornal e deixando-o de lado. – Wow, você está péssimo... Aconteceu alguma coisa com o... – Ele levantou-se, cauteloso, esperando não receber más noticias. Fiddleford apertava, também, um jornal, com força, em uma das mãos, tremulo. De relance, Stan leu a capa. – Ohh...
— Você é um idiota, Stanley Pines! — Gritou o menor, empurrando-o de volta para o sofá, deixando-o sem ação. – Droga! Você é um idiota, Stan! Um idiota! – Atirou o jornal no chão, recomeçando a choradeira. – Eu fiquei tão preocupado com você! Tão preocupado! O que eu faria se tivesse perdido você?!
— Fiddleford... – Stan levantou mais uma vez, tentando uma aproximação, agora hesitante. – Eu sinto muito...
— Não! Não me venha com esse “Eu sinto muito”! – Dizia entre soluços, tentando enxugar as lágrimas por baixo dos óculos. – Por que vocês, Pines, — Tentava conter as lágrimas. – Sempre me arrastam e me jogam no meu limite, — Mas era impossível. Ele soluçava, — Pra depois me puxar de volta?! – Chorava como uma criança. Stan o abraçou forte, sendo rejeitado no começo, Fiddleford se debatendo como podia, tentando se livrar do abraço. Do abraço que aqueles braços estavam dando. O lugar onde rezara tanto para poder estar quando chegasse em casa. Foi aos poucos desistindo da ideia de se afastar, deixando-se estar ali, nos braços do homem que tanto amava. Que estava bem e estava vivo e era um idiota. Deu-se por vencido e, quando se deu por si, já molhava o peito do outro com as incontáveis e intermináveis lágrimas. Stan estava vivo. Seu Stan estava bem.
— Desculpa, Fiddleford, desculpa... Eu não pensei, não foi por mal... Não foi... – Abraçava-o com tudo que podia, sentindo as lágrimas dele no seu peito. Não queria machucá-lo assim, essa era sua ultima intenção no mundo. Vê-lo nesse estado, tudo por sua culpa... Era mesmo um idiota por fazê-lo passar por isso. Não queria machucá-lo, não queria que ele chorasse assim. Não queria que ele tivesse que chorar nunca mais!
— Desculpa gritar... – Pediu, começando a voltar a si. O coração batendo. – Eu só... Eu fiquei tão preocupado, Stan... Eu... – Agarrou-se mais a ele, como pode. Estava tudo bem. Ele estava ali, bem ali. – Eu te amo tanto... Eu não sei o que eu faria se te perdesse... Eu não poderia continuar, eu...
— Você não vai me perder, Fiddleford. Eu prometo. Eu estou aqui, está tudo bem. Por favor, Fidds... Perdoe-me. Eu sinto muito... – Beijou-lhe a testa com carinho. – Eu sinto tanto...
O jornal jazia amassado e molhado no chão e, mesmo em silencio, não se afastaram milímetro que fosse. Stan ainda o segurava forte em seus braços e Fiddleford, que obviamente demorou a se recuperar do susto, ainda chorava, agora baixo, ainda em seu peito. Stan sussurrava juras de amor, todas terminadas em variantes de “Eu nunca mais vou te fazer chorar”, enquanto Fidds, que ia, aos poucos, recuperando a calma, ia agradecendo baixo por ele estar ali, por ele estar bem. Mas Fiddleford ainda demorou um oceano de lágrimas para se acalmar.
{...}
— Está mais calmo? – Dessa vez Fiddleford sabia quem havia tomado a iniciativa. Stan havia guiado-o para a cozinha, quando já estava mais consciente e menos trêmulo, sentado-o em uma cadeira e servido um copo de água. Talvez não fosse a primeira vez que ele fazia isso. Assentiu.
— Desculpa eu praticamente te agredir, eu só...
— Tudo bem, Fidds. A culpa foi minha, eu devia ter avisado. É que nem se passou pela minha cabeça que você iria querer ler os jornais...
— Eu passei pelo mercado.
— Oh, isso faz mais sentido. – Sentou ao seu lado.
— E qual o significado disso tudo, Stan? – Enxugou algumas lágrimas atrasadas. O outro esticou o braço e tirou-lhe os óculos.
— Agora eu sou o “Stanford”, não é? – Levantou-se e foi lavar os óculos do namorado, que estavam todo manchados. – O “Stanley” não poderia simplesmente sumir assim e eu continuar como estou. – Fiddleford assentiu, entrelaçando os dedos de uma mão na outra, entendendo seu raciocínio, embora tivesse achado a atitude um pouco drástica demais. Stan, por sua vez, fechou a torneira, mas não se virou de volta para Fidds. – Agora o Stan está morto e eu... Bem, acho que é como as coisas vão ser, de agora em diante. – Suspirou. – Stanford Pines, o Senhor Mistério.
— Tudo isso... – Levantou-se, apoiado na mesa, o corpo ainda completamente mole. – Pelo verdadeiro Stanford. Ohh, céus, Stan... – Não conseguiu seguir com os passos e continuou apoiado na mesa. – Eu me pergunto se ele merece tanto. – Disse, pela primeira vez em voz alta, uma vez que já havia formulado esse pensamento algumas vezes. Tapou a boca em seguida, mesmo sem notar o quão tenso Stan ficara subitamente. Não era algo que devia ser dito. – Desculpe, não foi minha intenção...
— Tudo bem, Fidds. – Pigarreou. – Bom! – Puxou uma toalha de papel e secou os óculos. – Estou, tecnicamente, morto agora. – Ele levantou os óculos, vendo através deles, que agora estavam completamente limpos. – É hora de começar a ver as coisas de uma nova perspectiva! – Sentiu-se ser envolvido por trás, as mãos do namorado envolvendo-lhe a cintura, o corpo colado ao seu, o rosto apoiado próximo a curva do seu pescoço. – Fidds...?
— Você não está morto, querido. Está aqui pra mim, não é?
— Estou. – Respondeu com um sorriso abobado. Virou-se e devolveu os óculos ao rosto do menor, beijando-o com carinho em seguida, sendo correspondido à altura. – Sempre, Fiddleford. – Pressionou os lábios na testa do loiro. – Então, ‘melhor? – Ele assentiu. – Que bom. As coisas com o Tate foram bem? Melhor que por aqui, eu presumo. – Fidds negou com a cabeça em resposta a ultima afirmação, encostando-se no namorado, sorrindo bem de leve.
— Bem. Ele entendeu bem. E está ansiosa para vir passar uns dias aqui. – Stan sorriu animado. – E ele disse que você está... “Mais legal que antes”. Eu devia descordar, porque você acabou de ser um completo idiota. – Brincou ele. Stan riu.
— É claro que eu estou mais legal que “antes”! Eu não sou um neeerd. – Provocou.
— Ohh, por favor, Stan! – Pediu, dando um risinho baixo. Estava tão feliz. Tão, tão feliz.
— Vocês são neeerds! – Fiddleford, já quase completamente recuperado do choque anterior, riu. Riu também por poder estar ali, nos braços do amado, com ele agindo como sempre. Como era bom poder estar ali. Então ele simplesmente riu. Aquele riso que Stan achava tão adorável, que parecia como um soluço. E Fidds sempre cobria os lábios. Era lindo, Stan tinha certeza. Envolveu-o ternamente, trouxe-o para mais perto e tomou seus lábios novamente, um pouco mais de paixão compondo o beijo dessa vez. Fidds deixou-se levar, sentindo aquelas mãos grandes descerem pelas suas costas, pousando um pouco abaixo delas. “Ohh, Stan...” Lamuriou baixo, tendo o lábio inferior mordido. Era o seu Stan. E ele estava bem ali. Bem, vivo. Com ele, pare ele. E ele não podia se conter, porque estava simplesmente tão feliz... E prometeu a si mesmo que nunca mais iria perdê-lo de vista. Sem chance. Nunca mais. Porque ele simplesmente o amava tanto...
— Eu te amo. – Conseguiu murmurar ao interromper o beijo, ofegante.
— Eu também te amo, Fidds. E não vou a lugar nenhum sem você, eu prometo. – Piscou para ele. – E quanto ao Tate... Por que você não o trás no verão? É uma boa época do ano, afinal. E não se esqueça: Nova perspectiva! – Fiddleford sorriu, acariciando-lhe o rosto, fitando-o com carinho. – Acho que tenho grandes expectativas para o verão.
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